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Knock on Wood Jerry Morgan (Danny Kaye) é um ventríloquo com um problema. É que os seus bonecos boicotam-lhe os noivados, pois sempre que Jerry começa a sentir a relação ficar mais séria, os bonecos começam a deixar escapar todo o tipo de recriminações reprimidas. Para o curar, o seu empresário e amigo, Marty Brown (David Burns), sugere uma viagem a Zurique onde Jerry deverá consultar o psiquiatra Dr. Krueger (Steven Geray). Ao mesmo tempo, planos de uma arma secreta são roubados, e inseridos dentro dos bonecos de Jerry, sem que este saiba. Uma vez fora do país, Jerry começa a ser assediado por agentes secretos que não conhece, ao mesmo tempo que vai atrapalhadamente surgir no caminho de uma bonita loura que, sem que ele saiba, é a Dra. Ilse Nordstron (Mai Zetterling), assistente do médico que o vai tratar.

Análise:

Em 1954, Danny Kaye lançava a sua própria produtora, Dena Productions, baptizada com o nome da sua própria filha, e na qual produziria alguns dos seus filmes seguintes. O primeiro seria “Que o Diabo Seja Surdo”, realizado pela dupla Melvin Frank, Norman Panama, que também escreveria o argumento e assinaria a produção. O resultado seria, como não podia deixar de ser, mais uma comédia de enganos, de trama criminal, desta vez envolvendo crimes de espionagem.

Voltando à formula dos backstage musicals, isto é, filmes onde números musicais decorrem do facto de os personagens serem artistas de palco, Danny Kaye é desta vez o ventríloquo Jerry Morgan, a quem os bonecos constantemente boicotam os noivados, pois sempre que Jerry começa a sentir o amor mais sério, através dos bonecos começa a destilar todo o tipo de venenos sobre a relação. Tal faz com o que o seu empresário e amigo, Marty Brown (David Burns), o leve até Zurique onde deverá consultar o Dr. Krueger (Steven Geray). Ao mesmo tempo, dois grupos rivais tentam roubar planos secretos e enviá-los para fora do país, e quer a coincidência que o detentor dos planos, Maurice Papinek (Abner Biberman) seja um mecânico de bonecos e os esconda dentro dos dois bonecos de Jerry. Na Suíça, Jerry começa a ser assediado pelo sinistro Gromek (Leon Askin), amigo de Papinek, e perseguido pelos homens de Godfrey Langston (Torin Thatcher), enquanto tem uma série de recontros atrapalhados com a Dra. Ilse Nordstron (Mai Zetterling), colega de Krueger, a quem este passa o caso. De volta à Inglaterra, a relação entre Jerry e a Dra. Nordstrom vai-se complicando, enquanto uma série de mortes começam a incriminar Jerry, que continua a não saber que transporta planos secretos. Após fugas mirabolantes, quer de assassinos, quer da polícia, Jerry vai finalmente conseguir juntar dois e dois, acusar os criminosos, salvar os planos, e conquistar a bela Dra. Nordstrom.

Com a parte musical atirada quase para segundo plano, “Que o Diabo Seja Surdo” é essencialmente uma comédia criminal, em torno do atrapalhado e inocente personagem de Danny Kaye, que ainda terá tempo para se apaixonar, e viver uma relação romântica com a personagem da sueca Mai Zetterling. Embora não seja um enredo necessariamente inovador, a mescla entre os enganos criminais (com vários assassinatos, e toda a gente a perseguir pistas erradas) e desconjuntados avanços amorosos (nos quais a personagem de Mai Zetterling nunca sabe o que contar dos comportamentos erráticos do personagem de Kaye), o equilíbrio das várias vertentes acaba por resultar.

Mais contido que nalguns dos seus filmes anteriores, Danny Kaye procura construir um personagem que é verdadeiramente problemático, ainda que bem intencionado. Talvez por essa sinceridade, as suas atrapalhações resultam, quer quando foge dos assassinatos que lhe são, erradamente, atribuídos, quer quando tem de desembaraçar de uma situação comportando-se como quem não é. Neste segundo caso destaca-se o momento musical em que Kaye é atirado (quase literalmente) para um palco, onde tem de continuar o seu papel, mesmo que não saiba o que está a fazer. Esse é talvez o momento mais hilariante do filme, numa coreografia bastante imaginativa, protagonizada pela dançarina Diana Adams.

O humor físico de Kaye resulta, mesmo que falte o seu humor verbal (apenas experimentado na parte final quando ele tenta explicar o caso envolvendo um ror de nomes eslavos). Notável é a sequência em que Kaye, debaixo de uma secretária tem que imitar nas pernas de dois outros personagens os toques que eles, por engano fazem nas dele. Também divertida é a ideia de que, cada vez que Kaye tem de fugir entre carros, acabe por entrar no carro do mesmo casal idoso, que aos poucos vai estabelecedo uma relação com ele.

Sem estar ao nível dos seus melhores filmes, “Que o Diabo Seja Surdo” diverte, e foi uma estreia auspiciosa para sa Dena Productions, que voltaria a dar-nos alguns filmes de Kaye nos anos seguintes.

Danny Kaye em "Que o Diabo Seja Surdo" (Knock on Wood, 1954), de Norman Panama e Melvin Frank

Produção:

Título original: Knock on Wood; Produção: Dena Productions; Produtores Executivos: ; País: EUA; Ano: 1954; Duração: 104 minutos; Distribuição: Paramount Pictures; Estreia: 6 de Abril de 1954 (EUA), 6 de Outubro de 1954 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Norman Panama, Melvin Frank; Produção: Norman Panama, Melvin Frank; Produtor Associado: Hal C. Kern; Argumento: Norman Panama, Melvin Frank; Direcção Musical: Victor Young; Canções: Sylvia Fine; Orquestração: Sidney Cutner [não creditado]; Fotografia: Daniel L. Fapp [cor por Technicolor]; Montagem: Alma Macrorie; Design de Produção: ; Direcção Artística: Hal Pereira, Henry Bumstead; Cenários: Sam Comer, Ray Moyer; Figurinos: Edith Head; Caracterização: Wally Westmore; Efeitos Especiais: ; Efeitos Visuais: John P. Fulton; Coreografia: Michael Kidd.

Elenco:

Danny Kaye (Jerry Morgan / Papa Morgan / Clarence), Mai Zetterling (Dr. Ilse Nordstrom), Torin Thatcher (Godfrey Langston), David Burns (Marty Brown), Leon Askin (Laslo Gromeck), Abner Biberman (Maurice Papinek), Gavin Gordon (Vendedor de Carros), Otto Waldis (Brodnik), Steven Geray (Dr. Kreuger), Diana Adams (Princesa Baya), Patricia Denise (Mama Morgan), Virginia Huston (Audrey Greene), Paul England (Inspector Wilton), Johnstone White (Secretário de Langston), Henry Brandon (Segundo Homem de Gabardina), Lewis Martin (Inspector Cranford).

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