Uma espécie de férias

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Audrey Hepburn em "Boneca de Luxo" (Breakfast at Tiffany's, 1961) de Blake Edwards

Talvez já alguém tenha dado por isso, A Janela Encantada entrou num período de letargia – o primeiro desde a sua existência – que começou em Abril. Não foi premeditado, nem tenciona ser um fim não anunciado. Digamos que é um sono prolongado, usado para retemperar forças, antes de um regresso ao trabalho.

Mantém-se o propósito e a programação, com o regresso planeado para o meio de Julho. Até lá, ponham a leitura em dia, vejam filmes, e deixem os vossos comentários sobre ciclos passados e futuros. Mas sem muito barulho… É que o sono está a saber bem.

Até já!

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Universos Paralelos – 18 – Os monstros de Clive Barker

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Universos Paralelos - 18 - Os monstros de Clive Barker

Pode ouvir aqui o décimo oitavo episódio de Universos Paralelos:
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E ler a respectiva folha de sala aqui:
FOLHA DE SALA

 

Universos Paralelos é um programa da autoria de António Araújo (Segundo Take), José Carlos Maltez (A Janela Encantada) e Tomás Agostinho (Imaginauta), produzido e apresentado mensalmente no podcast Segundo Take.

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Universos Paralelos

Universos Paralelos – 18 – Os monstros de Clive Barker

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Universos Paralelos - 18 - Os monstros de Clive Barker

Chegou mais um Universos Paralelos, da autoria do António Araújo (Segundo Take), do José Carlos Maltez (A Janela Encantada) e do Tomás Agostinho (Imaginauta). É o décimo oitavo episódio do programa.

O tema é o universo horrífico criado pelo escritor, desenhador e realizador Clive Barker, e pode ser ouvido aqui:
podcast

 

Os monstros de Clive Barker

Clive Barker

Clive Barker nasceu em 1952 em Liverpool, na Inglaterra, onde se veio a graduar na Universidade local e a trabalhar durante vários anos no teatro. A sua mudança para Londres resultou numa travessia pelo deserto sustentada pela assistência social enquanto tentava a sua sorte como escritor e pintor. Foi desta forma que começou a escrever peças de teatro de humor e terror, bem como a trabalhar como ilustrador. Ao ler a antologia de ficção de terror “Dark Forces” em 1981, Barker encontrou uma oportunidade ao perceber que havia necessidade no mercado para um novo tipo de ficção deste género. Nasceram assim os primeiros três volumes de “Clive Barker’s Books of Blood”, uma coleção de contos e novelas que englobavam os géneros de terror e de fantasia que definiram Clive Barker como um nome da vanguarda do terror literário de meados da década de oitenta.

Capa de "The Hellbound Heart" (Clive Barker, 1986)

Ao longo da sua obra polvilhada de romances e compilações de contos, muitas das suas histórias apresentam monstros ou aparições que aterrorizam os seus protagonistas, humanos habitantes de um mundo tão sombrio, violento e maligno como as entidades que os atormentam. Barker cria mundos fictícios em que as fronteiras entre a vida e a morte são muitas vezes indistintas. Esta é normalmente bem recebida pelo protagonista como uma transformação para um estado mais elevado de ser, e é comum ocorrerem nas suas narrativas várias formas de transformação corporal, incluindo a transformação do corpo de um homem numa mulher, através de um processo sobrenatural — o que não será um acaso dada a orientação sexual do autor que assumiu publicamente a sua homossexualidade no início dos anos noventa. Mais tarde, os seus interesses temáticos inclinar-se-iam também para a fantasia e mitologia urbana, nunca abandonando completamente os elementos do terror tradicional.

Imagem de "O Assassino em Série" (Candyman, 1992) de Bernard Rose

O seu interesse pela produção cinematográfica, e a frustração com as duas primeiras adaptações cinematográficas de argumentos da sua autoria — “Underworld” (1985) e “Rawhead Rex” (1986) —, levaram à sua estreia atrás das câmaras com “Fogo Maldito” (Hellraiser, 1987), transposição da novela “The Hellbound Heart”. O sucesso deste filme de baixo-orçamento, que lançou uma série de filmes do qual Barker depressa se distanciou, não foi repetido por “Raças da Noite” (Nighbreed, 1990), adaptação do romance “Cabal” (1988), nem por “O Senhor das Ilusões” (Lord of Illusions, 1995), baseado no conto “The Last Illusion” incluído no sexto volume de “Books of Blood” (1985), o seu último crédito na realização de longas-metragens. Ainda assim, em conjunto com o excelente “O Assassino em Série” (Candyman, 1992), realizado por Bernard Rose, a filmografia de Clive Barker é uma excelente porta de entrada para o universo do autor a quem Stephen King chamou em tempos “o futuro do terror”.

António Araújo, Abril de 2019.

 

Fontes primárias

Romances

  • Barker, Clive (1985) The Damnation Game. London: Weidenfeld & Nicolson
  • Barker, Clive (1987) Weaveworld. Glasgow: Collins
  • Barker, Clive (1988) Cabal. New York: Poseidon Press;
  • Barker, Clive (1989) The Great and Secret Show: The First Book of the Art. Glasgow: Collins
  • Barker, Clive (1991) Imajica. New York: HarperCollins
  • Barker, Clive (1993) The Thief of Always: A Fable. New York: HarperCollins
  • Barker, Clive (1994) Everville: The Second Book of the Art. New York: HarperCollins
  • Barker, Clive (1996) Sacrament. New York: HarperCollins
  • Barker, Clive (1998) Galilee. New York: HarperCollins
  • Barker, Clive (2001) Coldheart Canyon: A Hollywood Ghost Story. New York: HarperCollins
  • Barker, Clive (2002) Abarat. New York: HarperCollins
  • Barker, Clive (2004) Abarat: Days of Magic, Nights of War. New York: HarperCollins
  • Barker, Clive (2007) Mister B. Gone. New York: HarperCollins
  • Barker, Clive (2011) Abarat: Absolute Midnight. New York: HarperCollins
  • Barker, Clive (2015) The Scarlet Gospels. New York: St. Martin’s Press

Contos / Novelas

  • Barker, Clive (1984) Books of Blood, Volume One. London: Sphere Books
  • Barker, Clive (1984) Books of Blood, Volume Two. London: Sphere Books
  • Barker, Clive (1984) Books of Blood, Volume Three. London: Sphere Books
  • Barker, Clive (1985) Books of Blood, Volumes 1-3. London: Sphere Books
  • Barker, Clive (1985) Books of Blood, Volume Four. London: Sphere Books
  • Barker, Clive (1985) Books of Blood, Volume Five. London: Sphere Books
  • Barker, Clive (1985) Books of Blood, Volume Six. London: Sphere Books
  • Barker, Clive (1986) Books of Blood, Volumes 4-6. London: Sphere Books
  • Barker, Clive (1986) The Hellbound Heart. Originalmente publicado na “Night Visions, 3”, editado por George R. R. Martin.

BD (selecção)

  • Barker’s Hellraiser (1989) Epic
  • Clive Barker’s Night Breed (1990) Epic
  • Ectokid (1993) Razorline
  • Saint Sinner (1993) Razorline
  • Clive Barker’s The Thief of Always (2005) IDW Publishing
  • Clive Barker’s Great and Secret Show (2006) IDW Publishing
  • Clive Barker’s Hellraiser (2011) Boom! Studios
  • Clive Barker’s Hellraiser: The Dark Watch (2013) Boom! Studios
  • Clive Barker’s Next Testament (2013) Boom! Studios
  • Clive Barker’s Nightbreed (2014) Boom! Studios

Ilustração

  • Burke, F., Niles, S. (Editor); Barker, Clive (Ilustrador) (1990) Clive Barker, Illustrator. California: Eclipse Books
  • Burke, F., Amacker B. (Editor); Barker, Clive (Ilustrador) (1993) Illustrator II: The Art of Clive Barker. California: Eclipse Books.

Cinema

  • Fogo Maldito (Hellraiser, Clive Barker, 1987): argumento e realização;
  • Fogo Maldito – Parte II (Hellbound: Hellraiser II, Tony Randell, 1988): história de;
  • Raças da Noite (Nightbreed, Clive Barker, 1990): argumento e realização;
  • O Assassino em Série (Candyman, Bernard Rose, 1992);
  • Assassino das Trevas (Candyman: Farewell to the Flesh, Bill Condon, 1995): história de;
  • O Senhor das Ilusões (Lord of Illusions, Clive Barker, 1995): argumento e realização.

Websites

 

Outras referências

Televisão

Cinema

  • O Túnel do Terror (Underworld, George Pavlou, 1985): argumento
  • O Monstro de Rathmore (Rawhead Rex, George Pavlou, 1986): argumento
  • O Comboio dos Mortos (The Midnight Meat Train, Ryûhei Kitamura, 2008)
  • Livro de Sangue de Clive Barker (Book of Blood, John Harrison, 2009)
  • Pavor (Dread, Anthony DiBlasi, 2009)

Universos Paralelos – 16 – O Senhor dos Anéis de Tolkien

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Universos Paralelos - 16 - O Senhor dos Anéis de Tolkien

Pode ouvir aqui o décimo sexto episódio de Universos Paralelos:
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E ler a respectiva folha de sala aqui:
FOLHA DE SALA

 

Universos Paralelos é um programa da autoria de António Araújo (Segundo Take), José Carlos Maltez (A Janela Encantada) e Tomás Agostinho (Imaginauta), produzido e apresentado mensalmente no podcast Segundo Take.

Este episódio conta com a participação especial de Miguel Troncão.

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Universos Paralelos

Universos Paralelos – 16 – O Senhor dos Anéis de Tolkien

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Universos Paralelos - 16 - O Senhor dos Anéis de Tolkien

A partir de amanhã, Segunda-feira, dia 22 de Abril, poderemos ouvir mais um Universos Paralelos, da autoria do António Araújo (Segundo Take), do José Carlos Maltez (A Janela Encantada) e do Tomás Agostinho (Imaginauta). É o décimo sexto episódio do programa, e o primeiro gravado ao vivo, no âmbito da 2ª Edição do Contacto, o Festival Literário de Ficção Científica e Fantasia organizado pela editora Imaginauta.

p>O tema é o O Senhor dos Anéis de J. R. R. Tolkien, tem como convidado especial o Miguel Troncão, e pode ser ouvido aqui:
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O Senhor dos Anéis de Tolkien

John Ronald Reuel Tolkien

Em 1999, a Amazon pediu aos seus clientes que votassem no livro mais importante do milénio. Sem qualquer rigor científico, e com toda a subjectividade de uma votação deste género, o vencedor foi “O Senhor dos Anéis”, de J. R. R. Tolkien. Uma coisa é certa, mesmo que nem todos tenham lido esta colossal obra de ficção de fantasia (e muitos menos ainda antes dos 16, como sugeria Rui Reininho numa popular canção dos GNR), a verdade é que quase toda a gente que já entrou numa livraria e comprou mais que um livro conhece este título.

Editado originalmente em 1954, “O Senhor dos Anéis” (que os editores decidiram partir em três volumes por razões óbvias) era o fruto de trabalho de um académico inglês, versado em filologia e línguas antigas, apaixonado por mitologias e línguas já desaparecidas, e professor de anglo-saxónico em Oxford. Ele era John Ronald Reuel Tolkien, nascido em 1892, com uma educação fortemente católica, e que, após testemunhar na pele o flagelo da Primeira Guerra Mundial, se decidiu por um escapismo que era, em simultâneo, um elogio de tempos idílicos, de valores heróicos, de comunhão com a natureza, poesia, fantasia e muita imaginação.

Na génese da sua construção estava uma ideia simples. Como estudioso de latim, inglês antigo e escandinavo antigo, Tolkien queria dar vida a um corpo linguístico por si criado. Para tal precisava de histórias que vivessem dessas línguas, isto é, mitologias, escritas como quem escreveu “A Ilíada”, a “Edda”, “Beowulf”, ou os mitos arturianos. Começava assim, logo em 1917, o desenvolvimento de um conjunto enorme de textos de cariz mitológico que o autor não parou de desenvolver e reformular até à sua morte, e a que sempre quis dar o nome de “Silmarillion”.

Mas, por acidente, em 1937, Tolkien escreveu e publicou um livro para crianças que falava de hobbits – umas criaturas pequeninas, que satirizavam com simpatia o inglês típico, com todas as suas idiossincrasias e simplicidades –, e que colocou no mundo por si criado. O sucesso de “O Hobbit” levou à exigência de uma sequela, algo que Tolkien não queria fazer. Como solução de compromisso entre as histórias de hobbits, e a sua amada mitologia, surgiu “O Senhor dos Anéis”, o romance épico duma imortal luta entre bem e o mal, repleto de poesia, aventura épica, ambiguidades de carácter e reflexões de comportamento humano que são a entrada num imenso mundo mágico. A riqueza de detalhe e lirismo – suportado por infindáveis apêndices históricos – fez desse mundo um fenómeno que os fãs ainda hoje estudam, como se acreditassem que a Terra Média de que os livros falam existisse realmente, tal o manancial de informação que dela dispomos.

Apesar da sua dimensão e hermetismo, “O Senhor dos Anéis” tornou-se um caso sério de popularidade nas décadas seguintes e, quando se pensava que nada mais podia elevar a obra de Tolkien, eis que, pelas mãos da New Line Cinema e de Peter Jackson, surgiu em 2001 – depois de algumas tentativas algo falhadas de Ralph Bakshi (1978) e Rankin/Bass (1982) – uma trilogia de filmes que seriam elogiados por público e crítica, fazendo das personagens e conceitos de Tolkien verdadeiros ícones da cultura popular.

Deixando o precedente de construir mundos com mapas, histórias, diferentes raças e línguas, num misto de fantasia e realidade, Tolkien tornou-se, decididamente, o mais importante autor de fantasia da literatura moderna, aquele com que todos aprendem e com que todos se comparam, continuando hoje como figura incontornável, modelo para autores contemporâneos e inspiração para milhões de leitores que procuram um pouco de escapismo ou alguém que lhes compreenda e estimule a necessidade de acreditar em outros mundos.

José Carlos Maltez, Abril 2019.

 

Fontes primárias

Literatura principal

  • Tolkien, J. R. R. (1954) The Lord of the Rings – The Fellowship of the Ring. London: Allen & Unwin. [ed. portuguesa por Publicações Europa-América]
  • Tolkien, J. R. R. (1954) The Lord of the Rings – The Two Towers. London: Allen & Unwin. [ed. portuguesa por Publicações Europa-América]
  • Tolkien, J. R. R. (1955) The Lord of the Rings: The Return of the King. London: Allen & Unwin. [ed. portuguesa por Publicações Europa-América]

Literatura aconselhada

  • Tolkien, J. R. R., (1937) The Hobbit. London: Allen & Unwin. [ed. portuguesa por Publicações Europa-América]
  • Tolkien, J. R. R., Tolkien, C. [ed.] (1977) The Silmarillion. London: Allen & Unwin. [ed. portuguesa por Publicações Europa-América]
  • Tolkien, J. R. R., Tolkien, C. [ed.] (1980) Unfinished Tales. London: Allen & Unwin. [ed. portuguesa por Publicações Europa-América]
  • Tolkien, J. R. R., Tolkien, C. [ed.] (1983-1996) The History of Middle-Earth (12 volumes). London: Allen & Unwin
  • Tolkien, J. R. R., Tolkien, C. [ed.] (2007) The Children of Húrin. London: HarperCollins. [ed. portuguesa por Publicações Europa-América]
  • Tolkien, J. R. R., Tolkien, C. [ed.] (2017) Beren and Lúthien. London: HarperCollins. [ed. portuguesa por Publicações Europa-América]
  • Tolkien, J. R. R., Tolkien, C. [ed.] (2018) The Fall of Gondolin. London: HarperCollins. [ed. portuguesa por Publicações Europa-América]

Cinema

  • O Senhor dos Anéis (The Lord of the Rings, Ralph Bakshi, 1978)
  • O Retorno do Rei (The Return of the King, Jules Bass, Arthur Rankin Jr., 1980)
  • O Senhor dos Anéis: A Irmandade do Anel (The Lord of the Rings: The Fellowship of the Ring, Peter Jackson, 2001)
  • O Senhor dos Anéis: As Duas Torres (The Lord of the Rings: The Two Towers, Peter Jackson, 2002)
  • O Senhor dos Anéis: O Regresso do Rei (The Lord of the Rings: The Return of the King, Peter Jackson, 2003)

Outros filmes

  • O Hobbit (The Hobbit, Jules Bass, Arthur Rankin Jr., 1977)
  • O Hobbit: Uma Viagem Inesperada (The Hobbit: An Unexpected Journey, Peter Jackson, 2012)
  • O Hobbit: A Desolação de Smaug (The Hobbit: The Desolation of Smaug, Peter Jackson, 2013)
  • O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos (The Hobbit: The Battle of the Five Armies, Peter Jackson, 2014)

Videojogos (selecção)

  • The Hobbit (1982), Melbourne House
  • Lord of the Rings: Game One (1985), Melbourne House
  • The Lord Of The Rings, Volumes 1 & 2 (1990 e 1992), Interplay
  • The Lord of the Rings: The Fellowship of the Ring (2002), Vivendi Universal Games
  • The Lord of the Rings: The Two Towers (2002), Electronic Arts
  • The Lord of the Rings: The Return of the King (2003), Electronic Arts
  • The Lord of the Rings: The Battle for Middle-earth II (2006), Electronic Arts
  • The Lord of the Rings Online (2007), Turbine, Inc.
  • Lego The Lord of the Rings (2012), Warner Bros. Interactive Entertainment.

Fontes secundárias

Bibliografia

  • Carpenter H. (1977) J. R. R. Tolkien. A Biography. London: Allen & Unwin
  • Carpenter H., Tolkien, C. [eds] (1981) The Letters of J. R. R. Tolkien. Nova Iorque, NY: St. Martin’s Paperbacks

Websites

Outras referências

Bibliografia

  • A Bíblia (1500 a.C. – 90 d.C.)
  • A Ilíada (Homero, séc. VIII a.C.)
  • Beowulf (séc. VIII)
  • Edda em prosa (Snorri Sturluson, c. 1220)
  • A Morte de Artur (Thomas Mallory. Séc. XV)
  • Kalevala (Elias Lönnrot, 1849)

A Agonia e o Êxtase, 1965

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The Agony and the Ecstasy Na Roma do século XVI, o papa Júlio II (Rex Harrison) conduz a guerra contra os inimigos que lhe cobiçam os estados papais, enquanto na cidade se constrói a nova Catedral de S. Pedro, obra do arquitecto Bramante (Harry Andrews). A trabalhar na peça maior dessa catedral, o monumento fúnebre ao papa, está o escultor Michelangelo (Charlton Heston), a quem o papa pede que páre esse trabalho e se dedique a outro: o tecto da Capela Sistina. Contrafeito, Michelangelo tem de aceitar, mas só depois de destruir as primeiras pinturas e procurar um contrato em Instambul, para só então voltar a uma obra que levará vários anos da sua vida. Continuar a ler

Fim do ciclo “Rainer Werner Fassbinder”

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Rainer Werner Fassbinder

Em Junho de 1982, vítima de uma overdose de drogas, que alguns atribuem a suicídio, morria Rainer Werner Fassbinder, uma das mais controversas e emblemáticas figuras do cinema europeu da segunda metade do século XX.

Deixando-nos com apenas 37 anos, mas com uma obra que, em menos de duas décadas atingiu mais de 40 filmes (entre longas e curtas-metragens para cinema e televisão, mini-séries e um documentário), com os quais ajudou a catapultar o chamado Novo Cinema Alemão, Fassbider foi dramaturgo, encenador teatral, ensaísta, realizador, actor, compositor, fotógrafo e montador. Com uma vida cheia, Fassbinder parece ter passado por ela em passo acelerado e uma necessidade de criar apenas igualada pelas suas conturbações internas e tumultuosas relações sentimentais com homens e mulheres, que tornaram a sua vida privada uma montanha russa, regada a muitos excessos.

Com um cinema experimentalista, onde jogava de forma original com enquadramentos, cenário e sentido espacial, numa abordagem que mesclava a linguagem teatral com a cinematográfica, Fassbinder lançou-se em temas pesados e controversos como a desmistificação do sonho da reconstrução alemã, o papel da sexualidade, e a incapacidade humana de subir acima da mediocridade de valores. As suas personagens – geralmente femininas – eram espelho de desajuste, de revolta interna, de incompreensão, solidão e perda, mesmo que as histórias fossem, muitas vezes contadas com humor negro, e mesmo surrealismo.

Em 36 filmes (todas as longas-metragens que chegaram ao cinema), A Janela Encantada procurou dar voz a essa obra ímpar, numa homenagem a uma das vozes mais originais do cinema internacional.

Depois de Alfred Hitchcock, Woody Allen, Martin Scorsese, Ingmar Bergman, Federico Fellini e agora Rainer Werner Fassbinder, fica a promessa de que o próximo autor a merecer a análise do ano n’A Janela será Andrei Tarkovsky.

Querelle – Um Pacto com o Diabo, 1982

 

QuerelleQuerelle (Brad Davis) é um marinheiro no navio do tenente Seblon (Franco Nero) que tem por ele uma paixão platónica. Agora a aportar em Brest, os marinheiros vão para o bar/bordel Feria, dirigido por Madame Lysianne (Jeanne Moreau) e o seu marido Nono (Günther Kaufmann). Lysianne é amante de Robert (Hanno Pöschl), irmão de Querelle, o qual, para despeito de Robert, com quem tem uma relação de amor/ódio, vai aceitar ser sodomizado por Nono, e tornar-se amante de Lysianne. Segue-se o assassinato de Vic (Dieter Schidor), o seu parceiro num tráfico de ópio, e a relação com Gil (Hanno Pöschl), que lhe lembra o irmão e está fugido de um crime de homicídio. Numa vida de descoberta sexual, cada vez mais promíscua, Querelle vai definir para si próprio o que significa ser homem. Continuar a ler

O Vagabundo de Montparnasse, 1958

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Les amants de Montparnasse Amedeo Modigliani (Gérard Philipe), pintor italiano, vive em Paris no período entre as guerras. Entre o álcool e noites boémias, Modigliani tenta em vão vender os seus desenhos, ajudado pelo amigo Léopold Zborowsky (Gérard Séty), que lhe vai incutindo bom senso e pagando algumas contas. Do outro lado está Beatrice Hastings (Lilli Palmer), escritora e crítica literária inglesa, que o vê como um objecto seu, usando-o sexualmente, e financiando-o pontualmente. Mas quando Modigliani conhece a estudante de pintura Jeanne Hébuterne (Anouk Aimée), por quem se apaixona imediatamente, dispõe-se a mudar o seu comportamento para merecer uma vida feliz ao lado daquela que é a sua nova musa. Continuar a ler

A Saudade de Veronika Voss, 1982

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Die Sehnsucht der Veronika Voss Em 1955, Veronika Voss (Rosel Zech), uma famosa actriz de cinema da UFA, no tempo do Terceiro Reich, está agora votada ao esquecimento. Vivendo ainda da nostalgia do passado, Veronika vai conhecer casualmente o jornalista desportivo Robert Krohn (Hilmar Thate), um homem que a ajuda numa noite de tempestade, sem saber quem ela é. Tal facto leva-a a interessar-se por ele, e perante a insistência de Veronika, os dois começam uma relação. Fascinado por tal figura tão fora do normal, Robert vai começar a investigar a vida de Veronika, descobrindo que esta vive na dependência de morfina que lhe é dada pela manipuladora Dra. Katz (Annemarie Düringer). Continuar a ler