O Professor de Música, 1948

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A Song Is BornQuando Honey Swanson (Virginia Mayo), cantora de jazz e namorada do gangster Tony Crow (Steve Cochran), procura desaparecer de circulação, para escapar aos olhares da polícia, que a quer como testemunha nos crimes de Crow, acaba numa biblioteca onde o professor Hobart Frisbee (Danny Kaye) e a sua equipa de musicólogos trabalham numa enciclopédia de música universal. Mas logo a presença de Honey se vai revelar uma distracção, não só por trazer a novidade dos ritmos da música moderna que os eruditos ainda não conhecem, como por fazer com que Frisbee se apaixone por ela. Continuar a ler

O Homem das Sete Vidas, 1947

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The Secret Life of Walter MittyWalter Mitty (Danny Kaye) é um editor de Nova Iorque, que trabalha em revistas de contos fantásticos. A sua vida aborrecida, onde é explorado pelo patrão (Thurston Hall), e empurrado para um noivado que nada lhe diz, leva-o a sonhar acordado com fantasias onde é sempre o herói, que enfrenta bandidos e salva a sua amada. Um dia essa amada das suas fantasias surge-lhe na forma de Rosalind van Hoorn (Virginia Mayo), uma mulher que lhe pede protecção contra um perseguidor. Sem saber como, Mitty vê-se envolvido numa história de um caderno desaparecido, contendo informações sobre jóias holandesas, que leva a que a sua vida esteja em perigo. Continuar a ler

Tom na Quinta, 2013

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Tom à la fermeEm luto pela morte, por acidente, do seu namorado Guillaume, Tom (Xavier Dolan) viaja para a terra da famíla daquele, para assistir ao funeral. Aí tem de lidar com Agathe (Lise Roy), a mãe que nada sabe da orientação sexual do filho falecido, e com Francis (Pierre-Yves Cardinal) o violento irmão de Guillaume, que insta Tom a manter a aparência que ele sempre alimentou sobre Guillaume. A aparente homofobia de Francis é uma ameaça constante para Tom, ao mesmo tempo que uma estranha fascinação parece surgir da relação entre os dois, onde violência, fobia e abuso podem ser sinais de atracção e desejo ou apenas de conflito e teste sobre si próprios.

 
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O Príncipe da Paródia, 1946

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The Kid from BrooklynBurleigh Sullivan (Danny Kaye) é um vendedor de leite que um dia, ao tentar proteger a irmã (Vera-Ellen), acaba por passar por ter deixado inconsciente o famoso campeão de boxe Speed McFarlane (Steve Cochran), quando de facto, este, bêbedo, foi derrubado pelo seu guarda-costas Spider Schultz (Lionel Stander), igualmente bêbedo. Com o interesse da imprensa sobre quem é Burleigh, o empresário de McFarlane, Gabby Sloan (Walter Abel), decide usar a publicidade para tornar Burleigh num lutador. Este, para impressionar a namorada Polly Pringle (Virginia Mayo), aceita, sem saber que os combates são combinados para gerar expectativa até ao confronto final com o próprio McFarlane. Continuar a ler

A maturidade no olhar do jovem Xavier Dolan

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Texto escrito originalmente
em Filmin.pt

 

Numa era em que os estímulos só captam o interesse se forem mais rápidos, mais ruidosos e mais coloridos, em que os limiares de atenção se tornam mais reduzidos, em que o conceito de fast-food se generaliza a quase tudo, em que somos dominados pela lógica opressiva da publicidade, videoclips, redes sociais e estrelas do Youtube, onde tudo o que exceder um certo tempo ou número de caracteres é ignorado, é quase paradoxal pensar que, insurgindo-se contra isto, reeducando-nos no gosto pelo classicismo dos planos demorados e definição lânguida de personagens, esteja a obra de um jovem que ainda não chegou aos 30 anos, viciado em música pop, consumidor inveterado de moda, e utilizador compulsivo de redes sociais como o Twitter e o Instagram.

Ele é Xavier Dolan, produto dos tempos acelerados de hoje e das solicitações pós-modernas que nos moldam o quotidiano e nos desafiam a identidade, mas alguém que conhece como poucos a importância fundamental de um plano, o significado do tempo, o papel da imagem, a elaboração estética e o diálogo, no construir de personagens, momentos, tensões e emoções.

Actor canadiano que enfrentou os ecrãs ainda criança, para logo perceber que era no cinema que queria desenvolver a sua vida, Dolan tornou-se realizador (além de produtor) aos dezanove anos, com o filme Como Matei a Minha Mãe, que lhe valeu uma ovação de oito minutos em Cannes. E aí percebeu-se, desde logo, aquilo que seria uma constante na sua (ainda curta) carreira. Como um verdadeiro autor, à luz de Ingmar Bergman, Federico Fellini, ou Woody Allen, Dolan privilegiava o seu espaço interior, narrando as suas preocupações, construindo personagens que podemos reconhecer de filme para filme como fazendo parte de um universo próprio, onde a subjectividade do autor é lenha para o fogo que a riqueza individual dos personagens faz arder.

Essa é uma das primeiras ilações que se tiram de assistirmos aos seis primeiros filmes de Dolan. São filmes em que, assumidamente, o autor fala da sua experiência, através de personagens que sentem como ele, que usam os seus diálogos e idiossincrasias, e que pertencem a um mesmo universo. É claro que nem todos os personagens nascem da experiência pessoal do seu criador, que, como o próprio diz, nunca passou por transições de género (Laurence para Sempre), nunca conviveu com um jovem com problemas psiquiátricos (Mamã), e nunca esteve sequestrado por ninguém (Tom na Quinta). Mas, nas suas preocupações e formas de se expressar, há muito de autobiográfico neste conjunto de filmes, o que confere uma enorme unidade (para não dizer honestidade) à sua obra.

Partindo da sua própria experiência, Xavier Dolan fala-nos de pessoas que sentimos imediatamente serem reais. São pessoas imperfeitas, que buscam algo, que agem por tentativa e erro, que mostram defeitos inultrapassáveis, que vivem numa raiva interior que não encontra meio de expressão, que têm dificuldade em comunicar com quem lhes está próximo, mas que não têm menos sonhos e desejos, ou necessidade de serem felizes que nós. São pessoas que sentem a solidão de viverem numa sociedade que não os compreende ou aceita, não por serem melhores ou piores, mas porque, por vezes, anseiam ser diferentes. São pessoas que sabem à partida que a solução pode ser inalcançável, mas que nem por isso continuarão a tentar.

Como temas base, encontramos em Dolan a descoberta e afirmação de sexualidade como traços que definem um trajecto pessoal (Laurence Para Sempre, Amores Imaginários); a tensão das relações familiares, nessa afirmação de sexualidade (Tom na Quinta, Tão só o Fim do Mundo); e o peso da figura maternal na evolução do carácter dos seus protagonistas (Como Matei a Minha Mãe, Mamã). Como pano de fundo está o seu Quebec natal, o Canadá francófono, cosmopolita, aparentemente evoluído, mas ao mesmo tempo ainda retrógrado e, por vezes, assustadoramente tradicionalista. Isto sem fazer dessas pessoas figuras metafóricas que utilizam as suas condições pessoais como cruzadas políticas ou sociais, como aquelas de que o cinema de Hollywood tanto gosta.

Tudo isto é filmado com um cunho pessoal que nos surpreende. Como dito no início do texto, Xavier Dolan não deixa de ser um produto do seu tempo, imerso na meta-sociedade de redes sociais, tecnologias de informação e precariedade de significados e significantes sob a velocidade consumista com que tudo é triturado. Observador introvertido do que o rodeia, Dolan é o exemplo de como tudo o que pensamos ser defeito pode ser uma força, e de como todas as correntes que imaginamos poderem matar o cinema o podem renovar. Assim sendo, Dolan usa o mundo instantâneo da moda para definir a fotografia do seu cinema, seja do simbolismo visual evocativo de Paul Thomas Anderson à construção grandiosa dos planos de Stanley Kubrick, Xavier Dolan vale-se do poder da imagem para moldar momentos e estados de espírito, em histórias tensas e claustrofóbicas que podiam ter sido escritas por Tennessee Williams, sejam elas filmadas com uma handycam que segue intrusivamente os personagens para espaços exíguos, usando a velocidade da montagem solta de um documentário ou de videoclip, ou desacelerando num demorado ralenti para nos esmagar com a beleza de um plano que podia ser uma pintura.

Do design de figurinos, o qual Dolan assume sempre, e que usa como ponto de partida para definir os seus protagonistas, à paleta de cores sempre propositada, onde a modernidade e o vintage dão mãos, tudo nas imagens de Dolan é pensado criteriosamente, ajudando a definir ritmos, atmosferas e personagens. E o melhor que se pode dizer é que é que todos estes ingredientes servem a história e as emoções, nunca se sentindo que são um mero exercício de estilo.

Com apenas 28 anos, e seis obras de autor já apresentadas, Xavier Dolan espanta-nos pela sua honestidade intelectual, profundidade do seu olhar, frescura estética, e uma enorme maturidade ao trazer-nos histórias e pessoas que ultrapassam em muito a mediania da actual ficção, e se revelam tão ímpares quanto reais.

Ciclo “Xavier Dolan”
Textos adicionais

Fellini 8½, 1963

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8½Guido (Marcello Mastroianni) é um realizador de cinema que se encontra num bloqueio criativo. Para se recompor de mente e corpo, Guido retira-se para uma estância termal. Mas mesmo aí as solicitações não param. Dos produtores à imprensa, da sua equipa técnica a actores em busca de um papel, todos gravitam à sua volta, ávidos de saber mais do novo projecto. Enquanto se tenta esquivar, Guido vai rever a sua vida, motivações e memórias, num entrelaçar de sonho, fantasia e realidade, enquanto vê as pessoas do seu passado e presente (familiares, amigos, amantes, colegas) surgirem como sonhos e pesadelos que não lhe dão um momento de paz.

 
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O Super Homem, 1945

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Wonder ManBuzzy Bellew (Danny Kaye) é um extrovertido comediante de palco, noivo da dançarina Midge Mallon (Vera-Ellen), com um problema, é testemunha de um crime do gangster Ten Grand Jackson (Steve Cochran). Negando protecção policial, Buzzy deixa-se assassinar, e o seu fantasma começa a surgir ao irmão, Edwin Dingle (também Kaye), um introvertido rato de biblioteca, interesse amoroso da bela bibliotecária Ellen Shanley (Virginia Mayo). Depois de uma série de confusões, o espírito de Buzzy vai convencer Dingle a tomar o seu lugar, mesmo que para isso tenha que fingir ser noivo de Midge, quase perder Ellen, e escapar a novos atentados dos homens de Ten Grand Jackson. Continuar a ler

Laurence para Sempre, 2012

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Laurence AnywaysLaurence Alia (Melvil Poupaud) e Fred Belair (Suzanne Clément) são um casal apaixonado, numa relação entusiasmante e inventiva. Ele é um professor de literatura, com aspirações de poeta, e ela assistente de realização numa equipa de filmagens. Só que um dia, Laurence revela que sente ser uma mulher no corpo de um homem, e vai iniciar a sua transformação para a sua nova identidade. A início Fred aceita mal a nova realidade, mas decide, por amor a Laurence, ficar com ele, a ajudá-lo, mesmo contra os conselhos da família, o pressão da sociedade, e mesmo os seus mais íntimos instintos.

 
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Em Marcha, 1944

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Up in ArmsDanny Weems (Danny Kaye) é um inveterado hiponcrondíaco, apropriadamente apaixonado por uma enfermeira, Mary (Constance Dowling). Mas na sua ilusão, Danny não vê que ela se apaixona pelo amigo dele, Joe (Dana Andrews), enquanto é a colega dela, Virginia (Dinah Shore) que tem interesse romântico por Danny. Um dia são todos recrutados para a guerra. Com Mary a embarcar por acidente no navio dos amigos, Danny, Joe e Virginia têm de ocultar a presença dela num navio apinhado de soldados e enfermeiras, o que vai causar a Danny pasto para se meter em confusões sem fim. Continuar a ler

Ciclo “Danny Kaye (Reis da comédia V)”

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Danny Kaye em "O Homem das Sete Vidas" (The Secret Life of Walter Mitty, 1947), de Norman Z. McLeod

Depois de Os Irmãos Marx, Monty Python, Mel Brooks e Jerry Lewis, o quinto tomo do super-ciclo “Os Reis da Comédia” traz-nos Danny Kaye, um comediante americano, hoje estranhamente caído no esquecimento, mas que foi um dos mais populares actores e entertainers do seu tempo.

Sem o virtuosismo técnico de um Gene Kelly, a inventividade absurda de um Jerry Lewis, ou a voz incomparável de um Frank Sinatra, Danny Kaye fez carreira na comédia musical, sem nunca protagonizar super-produções como os grandes clássicos da MGM. Era, no entanto, melhor actor que eles, especializando-se numa comédia de enganos de argumentos delirantes, um humor físico evocativo do antigo burlesco, canções cómicas e diálogos alucinantes de rimas aliterativas e charadas trava-línguas inesquecíveis, uma mímica facial imbatível, e uma grande competência no canto e na dança.

Com personagens bem escolhidos, uma alegria em palco e em tela, uma colaboração duradoura com a sua esposa, pianista, compositora e letrista Sylvia Fine, e um rosto bondoso que encarnava sem dificuldade os seus personagens atrapalhados, mas bem dispostos, Kaye foi estrela de cinema, televisão e rádio, gravou discos de sucesso, e atravessou continentes em digressões de palco, muitas vezes de beneficência, quer no entretenimento das tropas norte-americanas, quer como embaixador da UNICEF.

É essa carreira que aqui se vai homenagear, em catorze filmes, quem sabe, ajudando a recuperar o interesse por este actor ímpar de atributos inigualáveis, que tantos momentos de génio nos trouxe no domínio da comédia musical de Hollywood.

Textos adicionais
A lista de filmes