Rembrandt, 1936

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Rembrandt Em 1642, em Amsterdão, Rembrandt van Rijn (Charles Laughton) é um pintor reverenciado, no auge da sua carreira, dedicado à sua esposa Saskia, cuja morte prematura o vem abalar profundamente. Azedo com o mundo, Rembrandt não tolera o facto de os seus mecenas não entenderem a sua arte e exigirem coisas diferentes. Provocando-os, Rembrandt arrisca-se a perder as encomendas, e em breve o pintor está falido, para desespero da sua nova companheira, a antiga empregada Geertje (Gertrude Lawrence), que o quer convencer a seguir ordens. Mas a luz chega na forma da também empregada Hendrickje (Elsa Lanchester), que vem trazer ao pintor nova alegria de trabalhar, e modo de vencer os credores. Continuar a ler

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Os pintores e o cinema

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Kirk Douglas como Vincent Van Gogh em "A Vida Apaixonada de Van Gogh" (Lust for Life, 1956), de Vincente Minnelli

Depois de vermos como a música clássica é representada no cinema, e de como este tem falado de si próprio, o tema que atravessará 2019 será o da pintura, mais concretamente o modo como o cinema tem olhado para alguns dos maiores pintores da história.

Sendo as duas – cinema e pintura – artes visuais é óbvio que a mais antiga delas tem sido uma influência sobre a mais nova das duas. Seja isso mais ou menos visível nos filmes que aqui se apresentarão, eles são ensaios sobre alguns dos homens que mais têm influenciado a nossa forma de nos relacionarmos com as artes visuais.

Como sempre acontece com o tema do ano, este não obedece a um género, autor, escola ou estética, tendo como factor comum a vida de pintores, e o modo como o cinema as tem retratado.

Goste mais ou menos de pintura, certamente encontrará motivos de interesse para o acompanhar a partir de hoje, nos Sábados de 2019, aqui n’A Janela Encantada.

Lili Marleen, 1981

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Lili Marleen Na Suíça, em 1938, Willie (Hanna Schygulla) é uma cantora alemã, apaixonada pelo rico compositor suíço Robert Mendelson (Giancarlo Giannini). Sem que ela saiba, Robert participa numa rede secreta, liderada pelo seu pai David (Mel Ferrer), de retirada de judeus da Alemanha nazi. Mas quando ela descobre e decide participar, David orquestra as coisas para que ela fique retida na Alemanha. Separada de Robert, o qual faz o que pode para voltar a ter a sua amada, Willie vai cantar em cabarés, acabando por atrair a atenção dos militares e gravar um tema musical que se tornará um hino entre os soldados alemães na Segunda Guerra Mundial. Continuar a ler

Kino 2019

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KINO 2019

Terminou há alguns dias, mas fica aqui a chamada de atenção à cobertura que a Janela fez à recente KINO 2019 – Mostra de Cinema de Expressão Alemã, organizada pelo Goethe-Institut Portugal. Com a sua 16ª edição a decorrer, mais uma vez, no Cinema São Jorge, em Lisboa, estes foram os textos escritos para a revista Take Cinema Magazine:

Apresentação
3 Tage in Quiberon, de Emily Atef
Adam und Evelyn, de Andreas Goldstein
In den Gängen, de Thomas Stuber
Gutland, de Govinda Van Maele

Fim do ciclo “Ingrid Bergman (Divas IV)”

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Ingrid Bergman

Depois de uma dúzia de filmes na Suécia, e uma passagem triunfante pelos Estados Unidos, onde trouxe uma beleza e graciosidade diferentes ao cinema de Hollywood, em 14 filmes da época dourada do cinema norte-americano, Ingrid Bergman teve o seu momento de risco, quando, em 1952, trocou tudo por Roberto Rossellini, para quem filmou cinco vezes, no que constituiu um escândalo que a tornou quase persona non grata nos Estados Unidos.

O regresso ao cinema americano, em 1956, deu-se cautelosamente, quer com co-produções europeias, quer em filmes que, embora sob a alçada de uma major de Hollywood, eram rodados na Europa. Mesmo com alguns sucessos de permeio, a partir da década de 1960, a carreira de Bergman divesificou-se entre filmes americanos, na Europa, e trabalhos para televisão. O seu último filme em Hollywood seria “Chuva na Primavera” (A Walk in the Spring Rain, 1970), de Guy Green. Depois disso Ingrid Bergman surgiria ainda em mais quatro filmes, incluido a mediática produção britânica “Um Crime no Expresso do Oriente” (Murder on the Orient Express, 1974), de Sidney Lumet, o independente “Nina” (A Matter of Time, 1976), de Vincente Minnelli, filmado em Itália, e o seu único encontro com Ingmar Bergman, em “Sonata de Outono” (Höstsonaten, 1978), rodado na Suécia. A sua despedida dar-se-ia em 1982, onde, então com 67 anos, interpretaria Golda Meir, na mini-série televisiva “A Woman Called Golda”, de Alan Gibson.

Ingrid Bergman deixou-nos nesse mesmo ano, devido a complicações de uma operação para debelar problemas cancerígenos. Mas dela recordaremos sempre um dos rostos mais belos da sétima arte, e uma actriz de excelência, das mais premiadas e elogiadas de sempre, ligada a tantos momentos icónicos da história do cinema.

Com a apresentação de 21 filmes que Ingrid Bergman filmou em, ou para, Hollywood, ficou a homenagem de A Janela Encantada, esperando que esta sirva para divulgar e recordar uma obra que merece ser sempre (re)descoberta, pois os anos podem passar, mas “we’ll always have Ingrid”.

Textos adicionais
A lista de filmes

Chuva na Primavera, 1970

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A Walk in the Spring Rain Roger Meredith (Fritz Weaver), um professor universitário, decide usar o seu ano sabático para viajar com a esposa Libby (Ingrid Bergman) até às Smoky Mountains, no Tennessee, para viverem numa casa campestre, onde ele escreverá um livro científico. Só que, se Roger cedo se sente deslocado e incapaz de produzir trabalho de que se orgulhe, Libby descobre que a vida junto da natureza lhe traz uma inesperada felicidade. Esta é, em muito, aumentada, pelo caseiro Will Cade (Anthony Quinn), que desde logo se apaixona por Libby, e lho faz saber, ainda que os seus modos rudes do campo façam pensar que nada possa haver em comum entre os dois. Continuar a ler

“O meu ciclo”, por Edgar Ascensão

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"Debaixo da Pele" (Under the Skin, 2013), Jonathan Glazer

Filmes da Mente

por Edgar Ascensão
autor do blogue Brain-Mixer
e da iniciativa Posters Caseiros

Começamos um filme, as imagens vão fluindo, uma narrativa surge e constrói-se uma história sequencial. Ainda assim, por vezes confuso? Entrou no domínio dos mind fuck movies.

Abre-se uma porta, abre-se uma mente. A caminhada pode ser uma escalada, longa e sinuosa, mas se tiver pernas para tal, acabará a viagem com os neurónios regalados. Há espaço para todos, mesmo como puzzles ingratamente complexos.

Inconclusivos (os melhores), deixam vida ao filme para além dos créditos finais. Fala-se nele depois, discutem-se opiniões, divaga-se em teorias. Teorias pessoais, ou reunindo vários pontos de vista que “agora que entendi aquele detalhe, já faz mais sentido”. Poder-se-ia dizer isso de “Under the Skin”… Andamos ali a descodificar imagens, a entender mensagens «subliminares», mulheres alienígenas ou humanos alienados. Afinal é tudo farinha do mesmo saco, sabemos que pouco nos diferencia das bizarrias incompreendidas. Ou mesmo de outro filme do mesmo ano, “Enemy”, adaptado de Saramago, com dois seres idênticos, duas vontades diferentes. É um confronto emocional que dá asas aos nossos medos mais profundos.

Denis Lavant em "Holy Motors" (2012), de Leos Carax

Não minto quando digo que gosto de ver estes filmes complicados. Absurdos, há quem os chame. Mas são essencialmente desafiadores. Poderão não ser obra-prima para todo o gosto, mas serão pelo menos incómodos e dão que falar para quem lá tem tempo para os ver. Se os descobrirem primeiro, lá está. Porque eles gostam de se esconder com rabo de fora.

O filme “Holy Motors” tem tudo isso. O desconhecimento dele existir, a desconfiança quando é achado. Mas lá vem a explicação de que é uma excêntrica metáfora à indústria do cinema, compacto de uma vida de actor. Traduz a imortalidade atingida graças à 7ª arte e o apontar o dedo à morte do cinema tradicional (diga-se película, clássica câmara de filmar). A Santidade desses motores (fílmicos) conjugam-se no título, querendo imortalizar e dignificar esse estatuto. E um autêntico nó chamado “Réalité”. Um nó cego. Uma matriosca infinita, na qual a última figura de certa forma contém a primeira. Dupieux já nos ia dando enxaquecas desde “Rubber” (ainda o meu favorito do autor) e com “Wrong” confirmava que a estranheza satírica era para manter como sua imagem de marca. A auto-crítica está sempre subjacente, não se importando com os danos colaterais de chamar o próprio espectador de estúpido ou gozar na nossa própria cara. As metáforas estão lá todas. Só precisamos de engolir, entender e rirmo-nos de nós próprios. É a sua essência.

Pés na terra? Vá, sirvam-se de histórias banais que são modificadas a seu bel prazer pelo seu realizador. Boy meets girl? Porque não? Desde que o ponto de interrogação seja o filme em questão. Há que lhe dar um flip-down original e romper com óbvios lugares-comuns. Venham de lá os quebra-cabeças.

Shane Carruth e Amy Seimetz em "Upstream Color" (2013), de Shane Carruth

“Upstream Color” vem pela mão de Shane Carruth, realizador catedrático em argumentos labirínticos. Com apenas dois filmes no bolso, mandou tudo para a escola do «Saber». Saber criar relações com o tempo e a forma. Tempo esse também cultivado e transformado com o seu primeiro filme, hoje de culto(íssimo), que é “Primer”. O seu segundo tem também «Saber» unir dois estranhos e fazê-los amar através de acasos do destino e manipulações desse mesmo destino, interferindo no verbo Amar.

Será que amar é assim tão maleável? Para Michel Gondry é indestrutível. Eles, com uma proximidade que os une, também simbiótica e fatalista. Se em “Eternal Sunshine of the Spotless Mind”, as paixões degradantes seriam objecto olvidável, em “L’écume des Jours” são sólidos que nem o eterno, onde a degradação toma conta do seu destino, apesar de um amor profundo entre o casal. Por entre maluquices visuais e uma verdadeira tragédia grega, a criatividade da mente cria um novelo de ideias à novela da vida.

Ver quando os encontramos. Rever quando os amamos. E claro, porque nos deram aquele nó na cabeça. Os filmes que marcam para sempre e são sublinhados bem forte quando ganham força num revisionamento

Imagem de "O Último Capítulo" (The Fountain, 2006), de Darren Aronofsky

“The Fountain”, três viagens para um inclassificável ovni do cinema, percorrendo séculos históricos para terminar num último capítulo, último destino e fim de vida. Aronofsky queria imortalizar o amor de um homem e uma mulher, cruzando-os nas entrelinhas do Tempo. Labirinto do tempo, da realidade, da mente, é também “Paprika”. Anime de quem fez “Perfect Blue”, sabe partir a cabeça, esse Satoshi Kon. Queriam aglutiná-lo a “Inception”, esse (eficaz) blockbuster de Nolan, mas “Paprika” é mais. Mais louco, mais experimental, mais sonhador. E é também menos, menos quatro anos que “Inception”, dando-lhe o relevo cinematográfico e importância como obra pioneira neste estudo dos sonhos repartidos na realidade.

Sonhamos com eles, os filmes. Sonhamos e desejamos encontrar outros tão bons e inesquecíveis quanto os citados. A nossa mente cria raízes nessas obras. A nossa mente cria outros sonhos, que nos fazem escrever sobre eles, para um dia outras mentes concordarem com a nossa.

Filmes recomendados:
• “O Homem Duplicado” (Enemy, 2013), de Denis Villeneuve
• “Debaixo da Pele” (Under the Skin, 2013), Jonathan Glazer
• “Holy Motors” (2012), de Leos Carax
• “Réalité” (2014), de Quentin Dupieux
• “Upstream Color” (2013), de Shane Carruth
• “A Espuma dos Dias” (L’écume des jours, 2013), de Michel Gondry
• “O Último Capítulo” (The Fountain, 2006), de Darren Aronofsky
• “Paprika” (Papurika, 2006), de Satoshi Kon

Imagem de "Paprika" (Papurika, 2006), de Satoshi Kon

A Visita, 1964

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The VisitKarla Zachanassian (Ingrid Bergman) é uma antiga filha de Guellen, que há muito deixou para viver no estrangeiro. Agora, depois de se tornar milionária por morte do marido, Karla volta à terra natal, onde é recebida com pompa e circunstância por toda a nação. É que Karla prometeu ajudar financeiramente Guellen. Só que, à chegada, Karla revela que a sua ajuda tem uma condição. Esta é obter a condenação à morte de Serge Miller (Anthony Quinn), aquele que, na sua juventude, foi o único homem que amou, e que ao tê-la engravidado a abandonou declarando-a promíscua, para negar a paternidade e poder casar com uma mulher mais rica. Continuar a ler

Take 50 – Billy Wilder

Take 50 - Billy Wilder

A equipa da Take Cinema Magazine, a que pertenço, apresenta o número 50 da revista. Desta vez dedicamo-nos a uma personalidade: Billy Wilder, um dos mais extraordinários e versáteis realizadores da idade dourada de Hollywood.

São 78 páginas, com críticas de todos os filmes de Billy Wilder e artigos temáticos sobre este realizador, que pode descarregar gratuitamente através do website da Take, no serviço ISSUU.

A Terceira Geração, 1979

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Die dritte GenerationNos escritórios da sua empresa, P. J. Lurz (Eddie Constantine), um industrial de Berlim, informa a sede americana de que as vendas dos sistemas de segurança informática estão em queda, mas que ele tem um plano. Já a sua secretária, Susanne Gast (Hanna Schygulla), recebe uma mensagem código, e toca a reunir o grupo de pretensos de terroristas a que pertence, e que quer causar o pânico atacando bancos e rebentando bombas. O que eles não sabem é que o seu líder, August Brem (Volker Spengler), recebe ordens e financiamento do próprio Lurz, já que o seu plano é usar o terrorismo para fazer as vendas da sua empresa subir. Continuar a ler