O Sheik Branco, 1952

Etiquetas

, , , , , , ,

Lo sceicco bianco Ivan Cavalli (Leopoldo Trieste) e Wanda Giardino Cavalli (Brunella Bovo) acabaram de se casar, e chegam a Roma onde passarão a sua lua-de-mel. Ivan, um escriturário cinzento da província, espera aproveitar a viagem para conseguir emprego junto de um tio bem colocado no Vaticano, e que lhe prometeu mesmo uma audiência com o Papa. Já a jovem esposa é uma romântica ainda ingénua, e vê na estadia para concretizar um sonho, conhecer Fernando Rivoli (Alberto Sordi) o herói da fotonovela “O Sheik Branco” que ela segue, e sabe estar hospedado perto de si. Continuar a ler

Nanuk, o Esquimó, 1922

Etiquetas

, , , ,

Nanook of the North Com base nas suas viagens pela Baía de Hudson, no nordeste do Canadá, Roberth J. Flaherty contactou com o povo autóctone, inuit, cujas condições de vida documentou, na história de Nanook (Allakariallak) e da sua família. São eles que vemos viajar pela neve, quer para trocas comerciais, quer nos seus terrenos de caça. Esta pode ser às morsas (os tigres do mar, que são caçadas colectivamente), ou a ursos, focas e simples peixes. Com Nanook testemunhamos as várias técnicas usadas, bem como o seu dia a dia com família e cães, e até a construção de um igloo. Continuar a ler

Cine Clube de Viseu

Etiquetas

,

Cine Clube de Viseu

Apresentação

Nome: Cine Clube de Viseu
Localização: IPDJ VISEU, Fontelo / Rua Escura 62, 3500-158 Viseu

Website: http://www.cineclubeviseu.pt/
Facebook: https://www.facebook.com/ccviseu
Email: geral@cineclubeviseu.pt

Cine Clube de Viseu

Entrevista

Entrevista a Rodrigo Francisco
Novembro de 2016

Quando começou e como se formou o Cine Clube de Viseu (CCV)?
Tudo começou em 1955, com uma comissão organizadora, até serem eleitos, em 1956, os primeiros corpos gerentes. O processo exigiu muita dedicação já que os responsáveis calcularam que era necessário um número mínimo de 350 associados para viabilizar a actividade. A primeira sessão de 16 de Dezembro, no Cine Rossio, só avançou depois de garantida essa condição.

Quantos sócios têm, quais as vantagens e quotizações dos associados?
Os associados têm diversos benefícios, descontos nas actividades, envio semanal dos textos de apoio das sessões. Temos, em parceria com instituições culturais e empresas da região, um conjunto de descontos em compras e serviços à disposição dos associados. Procuramos sensibilizar para a importância de um projecto que diversifica a oferta cultural da cidade, cuja finalidade não lucrativa depende, em grande medida, do entusiasmo e participação dos associados. Temos 300 associados que pagam uma quota anual de 20 euros, ou 12,50 euros no caso de estudantes, desempregados, e maiores de 65.

Quantas sessões tem o Cine Clube de Viseu por mês?
O Cine Clube apresenta 5 a 7 filmes por mês, considerando todas as sessões que vão desde o público em geral às escolas.

Que critérios presidem à vossa programação, e que áreas se procuram cobrir?
No caso dos cine clubes, antes dos critérios que orientam a programação, surgem as condicionantes que nos afectam. A começar pelas limitações da distribuição cinematográfica, do cinema clássico, por exemplo. Ou dos autores contemporâneos, como Bela Tarr, realizador de “O cavalo de Turim”, uma lenda viva do cinema europeu, que só em 2012 teve um filme seu distribuído nas salas nacionais (veio tarde, porque o Tarr garante que foi o seu último filme…). E há filmes inacessíveis ao CCV por força dos valores pedidos ou porque não temos equipamento adequado.

A exibição de filmes é normalmente enquadrada em ciclos temáticos, possibilitando espaços de análise enriquecedores: ciclos sobre cinematografias específicas (oriental, europeia, América Latina), autores (Gus Van Sant, António Campos), e diversos temas (infância, intervenção social).

Como é a adesão da população em geral?
A programação procura criar um espaço de divulgação e reflexão à volta do cinema, considerando que se trata, também, de uma forma de arte. As escolhas do Cine Clube de Viseu são feitas segundo critérios artísticos, estéticos, históricos, criando uma reserva de cinema não dependente do retorno comercial, o que proporciona a apresentação de dezenas de filmes ao longo do ano, que no caso de Viseu não chegariam aos espectadores: filmes das mais variadas cinematografias, autores, clássicos e primeiras obras.

Vamos, por isso, ao encontro dos interesses do público que gosta de um espaço plural e livre de apresentação dos filmes. Um espaço alternativo ao circuito comercial e fundamental para o desenvolvimento cultural do país. Não é um espaço a que o público adira de forma massificada, nem condições existem para tal neste país de atrasos estruturais do seu sistema educativo na sensibilização de públicos para o cinema e audiovisual e onde o espaço mediático se concentra exclusivamente no cinema mainstream.

Que outras actividades e iniciativas do CCV gostaria de destacar?
Podemos destacar a publicação que dedicamos ao cinema, “Argumento”, o projecto “Cinema para as Escolas”, ou o festival VistaCurta [Nota: Setembro a Outubro].

Com que apoios contam a nível local, e que outros gostariam de ter?
Contamos com todos os apoios, começando pelos associados, porque o Cine Clube de Viseu é uma organização que procura em todos os projectos encontrar parcerias que expandam a actividade. Escolas, empresas, associações e estruturas culturais, câmara municipal são exemplos destes apoios.

Estão satisfeitos com as instalações, e material técnico ou pensam que poderiam ter melhores condições?
O Cine Clube está a trabalhar no sentido de actualizar as suas condições de som e imagem.

Finalmente, na era da internet, qual a importância que vêem actualmente na existência dos cineclubes?
O papel dos cine clubes consiste em garantir o acesso do público a uma oferta de cinema não orientada para o lucro, onde os filmes são exibidos independentemente do retorno de bilheteira que possam gerar. O CCV acompanha as suas sessões, desde 1955, com textos críticos, debates com realizadores e actores, apurando um sentido crítico e um olhar mais atento para o fenómeno fílmico. Com os seus recursos, o CCV trabalha com as crianças mais pequenas: estamos a realizar projecções, oficinas de cinema de animação e a preparar uma ida à sala de cinema com 20 grupos do pré-escolar do concelho, ao longo do ano lectivo. Todos estes projectos vocacionados para a fruição do cinema são fundamentais em qualquer época, com ou sem internet.

Sessão do Cine Clube de Viseu, ao ar livre

Sessão do Cine Clube de Viseu, ao ar livre

A Janela Encantada agradece a colaboração de Francisco Rodrigo, e do Cineclube de Viseu, recomendando a quem puder que participe nas suas sessões, e apoie os cineclubes locais.

Esposas Levianas, 1922

Etiquetas

, , , , , , , , ,

Foolish WivesO falso conde Sergius Karamzin (Erich von Stroheim) é um pretenso nobre que vive faustamente em Monte Carlo com as supostas primas, a Princesa Olga Petchnikoff (Maude George) e a Princesa Vera Petchnikoff (Mae Busch), na verdade suas amantes. Juntos planeiam golpes para extorquir pessoas da alta sociedade, e vêem na chegada do novo enviado especial dos EUA ao Mónaco, Andrew J. Hughes (Rudolph Christians) e sua esposa Helen (Miss DuPont) uma nova oportunidade. Resta a Sergius tentar seduzir Helen para alguma situação embaraçosa que ele possa usar em sua vantagem. Continuar a ler

As Duas Orfãs, 1921

Etiquetas

, , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Orphans of the StormQuando a Condessa de Linières (Katherine Emmet) dá à luz Louise, resultado de um relacionamento com um plebeu, a criança é abandonada, sendo recolhida e educada como filha do casal Girard, ao lado de Henriette. Anos mais tarde, órfãs, as duas crianças, Henriette (Lilian Gish) e Louise (Dorothy Gish), vão para Paris, procurar cura para a cegueira da segunda. Só que a cobiça do malvado Marquês de de Praille (Morgan Wallace) vai separá-las, Henriette entregue para uma orgia, e Louise raptada como pedinte. A intervenção de Chevalier de Vaudrey (Joseph Schildkraut) salva Henriette e apaixona-se por ela, mas rebenta a revolução, e os nobres são perseguidos por Robespierre, enquanto Henriette procura a irmã, e tenta salvar o seu amado. Continuar a ler

Eugénia Grandet, 1921

Etiquetas

, , , , , , , ,

The Conquering Power Dificuldades económicas, por culpa da especulação na bolsa, levam Victor Grandet (Eric Mayne) a enviar o filho Charles (Rudolph Valentino) a passar um tempo com o tio (Ralph Lewis) e a sua prima Eugénie (Alice Terry). Sem que Charles saiba, o pai suicida-se de seguida, e envia ao irmão a incumbência de cuidar de Charles. Mas o pai Grandet, vendo uma possibilidade de lucrar com a morte do irmão, e temendo pela ligação nascente entre Charles e Eugénie, congemina para lhe roubar o património do sobrinho, fazendo tudo para separar o casal, tentando casar Eugénie noutra família, por dinheiro. Continuar a ler

Os Quatro Ginetes do Apocalipse, 1921

Etiquetas

, , , , , , , , , , , , ,

The Four Horsemen of the Apocalypse Julio Madariaga é o patriarca de uma família de grandes proprietários argentinos. Tendo três netos da filha mais velha (Mabel Van Buren), despreza-os por serem filhos de um genro alemão (Alan Hale), rejubilando quando a segunda filha, Luisa (Bridgetta Clark), casada com o francês Marcelo Desnoyers (Josef Swickard), lhe dá um novo neto. Este, de nome Julio (Rudolph Valentino), sob a protecção do avô torna-se um conquistador boémio. Quando Madariaga morre, os genros levam as famílias para os respectivos países, onde, pouco depois começa a Primeira Guerra Mundial. Esta vai opor França e Alemanha, e colocar as duas famílias frente a frente, trazendo sofrimento e tragédia a ambos os lados. Continuar a ler

Ciclo “Clássicos dos anos 20”

Etiquetas

,

Roy D'Arcy, Mae Murray e John Gilbert em "A Viúva Alegre" (The Merry Widow, 1925) de Erich von Stroheim

Se é verdade que o cinema americano se começou a desenvolver a partir de 1895, na costa Leste, sob o domínio de Edison, e das empresas que se aliaram ao Edison Trust, é a partir de 1909, quando o cinema americano «emigra» para as paisagens solarengas da Califórnia, que se começa a criar a indústria que hoje conhecemos.

Fosse através dos primeiros westerns, dos épicos de D. W. Griffith e Cecil B. DeMille ou da comédia burlesca de Mack Sennett, a década de 1910 é o período da criação e cristalização dos primeiros géneros, autores e actores. É nela que se dá a génese das produtoras que em breve se tornarão senhoras absolutas do cinema mundial e consequentemente, o início de um modelo de negócio que se iria tornar no famoso «studio system».

Tudo isto atinge o seu ponto áureo na década de 20. É nela que o cinema americano se leva a sério e decide considerar-se, mais que uma atracção de entretenimento barato, uma arte: a sétima arte. É nela que alguns realizadores se começam a ver como autores, exigindo papel criativo perante os seus produtores. É nela que as principais estrelas da tela se tornam universais. É nela que os grandes estúdios começam a importar talentos criativos da Europa (a qual paga ainda o preço da Grande Guerra), que lhes permita uma produção a todos os títulos hegemónica. É nela que o cinema mudo atinge a perfeição, numa série de grandes obras hoje tidas como referência. É nela que a indústria de Hollywood se une e passa a auto-premiar-se numa cerimónia que dura até hoje: a entrega dos Oscars.

A década de 1920 é, por isso, uma época importante, de obras incontornáveis, e o estabelecimento de nomes que ajudaram a elevar a fasquia do cinema norte-americano, como os citados Griffith e DeMille, os também americanos Fred Niblo, Clarence Brown, King Vidor, Frank Borzage, William A. Wellman e Victor Fleming, ou os emigrados Rex Ingram, Victor Sjöström, Erich von Stroheim. F. W. Murnau e Josef von Sternberg. Foi a época de Lilian Gish, Rudolph Valentino, Greta Garbo, John Gilbert, Emil Jennings, Clara Bow, Janet Gaynor, Gloria Swanson, Antonio Moreno, entre outros.

É essa década, nas suas maiores obras, que se pretende homenagear neste ciclo, com mais de duas dezenas de filmes produzidos nos Estados Unidos e que foram, de uma forma ou de outra, importantes na construção da toda-poderosa Hollywood.

Nota 1: Este ciclo pode ser visto como uma espécie de parte 2 do anterior Longas-metragens da comédia muda, e será, mais tarde sucedido de um ou mais ciclos dedicados à aventura, horror e fantasia do cinema mudo de Hollywood.

Nota 2: Para um olhar sobre o cinema europeu deste período, consultar:
Expressionismo alemão
Cinema mudo escandinavo

Luci del varietà, 1951

Etiquetas

, , , , , , , , ,

Luci del varietàO sucesso de uma troupe de vaudeville, que corre Itália em parcas condições, começa a mudar quando a jovem Liliana Antonelli (Carla Del Poggio), conhecida como Lily, entra para a companhia. Aceite com relutância pelos colegas, mas sob insistência do comediante Checco Dal Monte (Peppino De Filippo), Lily torna-se uma atracção, o que vem perturbar os equilíbrios sempre instáveis da companhia, principalmente com Melina Amour (Giulietta Masina) companheira de Checco, que este vai ignorando. Com o protesto dos outros actores, Checco decide formar a sua própria companhia, em torno de Lily, mas esta começa a ser cobiçada por empresários de outro gabarito. Continuar a ler

Ciclo “Federico Fellini”

Etiquetas

, ,

Federico Fellini

Depois de Woody Allen, Alfred Hitchcock, Martin Scorsese e Ingmar Bergman, inicia-se n’A Janela Encantada mais uma integral dedicada a um grande nome do cinema mundial: Federico Fellini. Esta decorrerá às quartas-feiras, quinzenalmente, abarcando todas as longas-metragens do autor italiano. O primeiro filme surgirá mais logo. Até lá, ficamos com o texto introdutório, da autoria de Jorge Saraiva.

 

Texto de Jorge Saraiva

O termo «felliniano» entrou no vocabulário comum tal kafkiano ou orwelliano quando nos referimos a situações absurdas e inexplicáveis, ou a um controlo desmesurado e totalitário da vida privada das pessoas, respectivamente. No caso de Fellini aplica-se o termo a pessoas ou a situações bizarras que fogem completamente ao padrão que entendemos por normal.

Este termo faz algum sentido. Sem ser exaustivo, lembramo-nos de personagens como a vendedora de cigarros de “Amarcord”, o cineasta sem filme de “8 1/2” , a rapariga meio tonta de “A Estrada”, ou toda a colecção de personagens que desfilam num programa feminino de “Ginger e Fred”. Mas se faz algum sentido, também se pode considerar perigoso, porque pode pressupor que o cinema de Federico Fellini se resume ao desfile de personagens e situações insólitas. Embora elas existam, não são o elemento central da sua obra.

Fellini teve uma carreira longa e irregular, mas que nunca caiu na mediocridade ou na banalidade. Começou naturalmente pelo Neo-realismo, a corrente dominante do cinema italiano da década de 50, embora os seus filmes já revelem o grau de heterodoxia que caracterizariam a sua carreira posterior. Se “A Estrada” é o filme emblemático deste período, “As Noites da Cabíria”, e “Os Inúteis” são igualmente notáveis. A ruptura com a estética neo-realista acontece com “A Doce Vida” e prolonga-se com a obra prima absoluta “8 1/2”, provavelmente a reflexão mais genial feita em cinema sobre o processo criativo e a angústia que a sua ausência provoca. A partir daí, se há uma estética e um modo de produção e de realização que se vão mantendo constantes e claramente identificáveis, os seus temas vão sendo cada vez mais diversificados, do experimentalismo clássico de “Satyricon”, ao quase terror de “Julieta dos Espíritos”, passando pelo pseudo-documentário de Roma. Em todos eles, perpassa uma ironia fina, muitas vezes apenas implícita, mas frequentemente impiedosa e directa. Essa mesma ironia viria a revelar-se em todo o seu esplendor em “Amarcord”, a sua obra mais popular, de cariz autobiográfico que remete para a sua pequena cidade das costas do Adriático. Mas o sucesso internacional de Amarcord não o levou, ao contrário de muitos outros, a fazer concessões ou a abrir-se para um cinema mais comercial. A década de 80 demonstra-o amplamente, sobretudo através de filmes como “O Navio” e “Ginger e Fred” que facilmente emparceiram entre os seus melhores.

Aparentemente, Fellini tinha uma forma anárquica de filmar, dando, tal como Jean Renoir, uma grande liberdade de improvisação aos seus actores. Parece que as filmagens decorriam de forma desordenada, sem método e com grande boa disposição, catalisada pela personalidade extrovertida do cineasta. Sem nunca ter sido um maníaco dos pormenores como Luchino Visconti, os seus filmes revelam um inesperado cuidado em todas as suas fases. Gostaria de destacar em particular o trabalho de Nino Rota, talvez o melhor compositor da história do cinema e o excelente trabalho de direcção de actores onde Marcello Mastroianni brilhou a grande altura, em diversas fases da sua carreira, do jovem sedutor de “A Doce Vida”, até ao velho nostálgico de “Ginger e Fred”, passando pelo homem recalcado de meia idade de “A Cidade das Mulheres”.

Sei que é um lugar comum, mas não é possível imaginar a história do cinema sem Federico Fellini. E isto diz tudo sobre a sua importância.

A lista de filmes