Listas – Marte

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Imagem de "Perdido em Marte" (The Martian, 2015), de Ridley Scott

Conhecido desde a antiguidade, Marte, o planeta vermelho, o quarto a contar do Sol, e nosso vizinho próximo, foi associado na mitologia romana à guerra, sendo simbolicamente símbolo de maculinidade (por oposição à feminilidade de Vénus). Presente em diversas matérias do estudo humano, foi quando em 1877 o astrónomo italiano Giovanni Schiaparelli disse nele ter visto canais – palavra que equivocadamente foi associada a actividade artificial – que Marte saltou para o imaginário colectivo como possível fonte de vida extra-terrestre.

Não demorou a que a literatura de fantasia e ficção científica se apropriasse da ideia, como foram exemplo as fenomenalmente populares novelas de Edgar Rice Burroughs da saga John Carter. A partir de então extra-terrestre passava a ser sinónimo de marciano, e histórias de contactos e invasões proliferaram sem parar – veja-se o sucesso de “A Guerra dos Mundos” de H. G. Wells, publicada em 1897, e tantas vezes revisitada com recorrente sucesso.

Hoje, com Marte como o planeta – logo a seguir à Lua – mais ao alcance de uma visita nossa, e tendo recentes estudos provado a existência de água no planeta, fala-se cada vez mais em missões tripuladas. Discutem-se propósitos, possiblidades técnicas e científicas, e especula-se sobre descobertas e condições de habitabilidade. Por isso, mais que nunca, o filão da especulação cinematográfica sobre o que poderemos encontrar em marte continua aberto e prolífico.

Nota: Nesta lista apresenta-se filmes cuja acção se passa total ou parcialmente no planeta vermelho. De fora ficaram os filmes que, embora usem Marte no guião, não fazem do planeta cenário. Isto é, filmes de invasões e/ou visitas de marcianos à Terra.

• 1918: Himmelskibet [A Trip To Mars] – Holger-Madsen
• 1924: Aelita – Yakov Protazanov
• 1930: Just Imagine (1980) – David Butler
• 1950: Rocketship X-M – Kurt Neumann
• 1951: Flight to Mars (Voo Para Marte) – Lesley Selander
• 1958: It! The Terror from Beyond Space (O Terror Que Veio do Espaço) – Edward L. Cahn
• 1960: The Angry Red Planet – Ib Melchior
• 1964: Robinson Crusoe in Mars – Byron Haskin
• 1964: Santa Claus Conquers The Martians – Nicholas Webster
• 1965: The Wizard Of Mars – David L. Hewitt
• 1966: Queen Of Blood – Curtis Harrington
• 1968: Mission Mars – Nicholas Webster
• 1972: The Astronaut – Robert Michael Lewis
• 1990: Total Recall (Desafio Total) – Paul Verhoeven
• 1997: RocketMan (O Astro-Nabo) – Stuart Gillard
• 1997: Mars – Jon Hess
• 1999: Escape From Mars – Neill Fearnley [Telefilme]
• 2000: Mission to Mars (Missão a Marte) – Brian De Palma
• 2000: Red Planet (O Planeta Vermelho) – Antony Hoffman
• 2001: Ghosts of Mars (Fantasmas de Marte, de John Carpenter) – John Carpenter
• 2001: Stranded – María Lidón [como Luna]
• 2002: Lost on Mars – Eric Shook
• 2005: Doom (Doom – Sobrevivência) – Andrzej Bartkowiak
• 2006: Fascisti su Marte (2006) – Corrado Guzzanti, Igor Skofic
• 2008: Christmas On Mars – Wayne Coyne, Bradley Beesley
• 2009: Princess Of Mars (A Princesa de Marte) – Mark Atkins
• 2011: Mars Needs Moms (Mães Precisam-se… em Marte) – Simon Wells
• 2012: John Carter – Andrew Stanton
• 2012: Total Recall (Desafio Total) – Len Wiseman
• 2013: The Last Days on Mars – Ruairi Robinson
• 2015: The Martian (Perdido em Marte) – Ridley Scott
• 2017: Starship Troopers: Traitor of Mars – Shinji Aramaki, Masaru Matsumoto
• 2018: 2036 Origin Unknown – Hasraf Dulull
• 2019: Mission Mangal – Jagan Shakti
• 2019: Ad Astra – James Gray

Fim do ciclo “A nova Hammer”

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Imagem promocional de "The Quiet Ones - Experiência Sobrenatural" (The Quiet Ones, 2014), de John Pogue

Numa espécie de auto-referência, uma vez que foi o ciclo “O terror gótico da Hammer”, que fez nascer A Janela Encantada no último terço de 2012, pensámos ser tempo de o actualizar, mostrando que, com as devidas distâncias e diferentes papéis no que toca ao mundo da produção cinematográfica, a Hammer está de volta neste início do século XXI, com algumas propostas interessantes no campo do terror.

Foram oito os filmes aqui apresentados, num ciclo que se quer aberto, e será actualizado sempre que novas produções o justifiquem, e que aqui se listam novamente:

– Filmes produzidos pela Hammer depois de 2007
• 2008: Beyond the Rave – Matthias Hoene [estreado em episódios na internet]
• 2009: Wake Wood (A Floresta dos Regressados) – David Keating
• 2010: Let Me In (Deixa-me Entrar) – Matt Reeves
• 2011: The Resident (Perigo à Espreita) – Antti Jokinen
• 2012: The Woman in Black (A Mulher de Negro) – James Watkins
• 2014: The Quiet Ones (The Quiet Ones – Experiência Sobrenatural) – John Pogue
• 2015: The Woman in Black 2: Angel of Death – Tom Harper
• 2019: The Lodge – Severin Fiala, Veronika Franz

Textos adicionais
A lista de filmes

Veja ainda o artigo sobre a Hammer que acompanha o ciclo incial d’A Janela Encantada “O terror gótico da Hammer”.

The Lodge, 2019

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The LodgeO escritor, e recém-divorciado, Richard (Richard Armitage) quer muito que os seus filhos Aidan (Jaeden Martell) e Mia (Lia McHugh) acolham a sua nova namorada, a mais jovem, e seu anterior objecto de investigação Grace (Riley Keough). Para tal promove um retiro de Natal numa cabana da família na floresta, no meio da neve. Impossibilitado, pelo trabalho, de estar com eles, Richard deixa Grace a cuidar dos dois pouco cooperativos enteados, que dela desconfiam, por um período no qual as sombras do passado psicótico de Grace parecem ressurgir. Continuar a ler

Stalker, 1979

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Stalker Após um incidente misterioso, que uns dizem ter sido a queda de um meteorito, e outros a chegada de vida extra-terrestre, a área onde tal ocorreu tornou-se local de peregrinação, mas quem a visitava, desaparecia. Tal levou as autoridades a proibir a entrada numa perímetro de segurança que ficou conhecido como A Zona. A reputação de haver nele uma sala onde quem entra vê os desejos concretizados, leva a que especialistas, chamados stalkers, aceitem dinheiro para levar lá clientes. É o que faz o stalker (Aleksandr Kaydanovskiy) que aceita levar consigo um escritor (Anatoliy Solonitsyn) e um físico (Nikolay Grinko), os quais podem te razões escondidas para visitar A Zona. Continuar a ler

Reabrindo a Janela

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Reabrindo a Janela

Sem ter havido uma decisão de fechar A Janela Encanada, a verdade é que o último artigo sobre filmes (não contando a actividade “Universos Paralelos” nem algumas listas publicadas recentemente) data de 15 de Novembro do ano passado. A falta de tempo e, principalmente, uma perda do hábito de escrever, fizeram com que tal acontecesse inadvertidamente.

Tentando tirar algo positivo dos dias negativos que atravessamos (a pandemia COVID-19 que está a afectar tragicamente todo o mundo), com mais tempo livre entre mãos, é tempo de reabrir a Janela, que, esperemos, não se tenha empoeirado de vez.

Não se promete um ritmo tão intenso e constante como foi até meio de 2018, mas ainda há muito por escrever aqui, e nos próximos dias vamos fechar os ciclos que ainda decorriam, e abrir novos temas.

Esperamos que continuem por aí, que vejam nestas leituras alguma utilidade, e, no limite, que elas sirvam de incentivo para verem filmes, ficando em casa, que é a prioridade por agora.

Mantenham-se a salvo!

Listas – Philip K. Dick

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Ridley Scott com Philip K. Dick em 1981

Natural de Chicago, nos Estados Unidos, Philip Kindred Dick (1928 – 1982) é um dos escritores de ficção científica mais famosos de sempre, com 44 romances e 121 contos publicados.

Philip K. Dick ficou conhecido pela sua preocupação com temas como a natureza da realidade, a noção da percepção e formas de a alterar, como alucinações, uso de drogas, doenças mentais e existência de realidades alternativas. Parte do seu léxico temático foram ainda questões da identidade, e contraponto entre a natureza da humanidade e a inteligência artificial, bem como cenários de autoritarismo e paranóia colectiva. Tais temas não são alheios à vida do escritor, o qual pertenceu à contracultura dos anos 60, tendo consumido drogas alucinogénicas, para além de ter sido clinicamente diagnosticado com esquizofrenia.

A riqueza da sua obra tem sido uma influência, tanto para os escritores que se lhe seguiram, como para o cinema e televisão, sendo, entre os grandes autores do género, o mais vezes adaptado ao grande écrã, mercê de temas que parecem cada vez mais actuais e de que são exemplos o filme “Blade Runner – Perigo Iminente”, e a série televisiva “The Man in the High Castle”.

Longas-metragens
• 1982: Blade Runner (Blade Runner: Perigo Iminente) – Ridley Scott
• 1987: Proini peripolos [Morning Patrol] – Nikos Nikolaidis
• 1990: Total Recall (Desafio Total) – Paul Verhoeven
• 1992: Confessions d’un Barjo – Jérôme Boivin
• 1995: Screamers (Gritos Mortais) – Christian Duguay
• 2001: Impostor – Gary Fleder
• 2002: Minority Report (Relatório Minoritário) – Steven Spielberg
• 2003: Naechureol siti [Natural City] – Byung-chun Min
• 2003: Paycheck (Pago para Esquecer) – John Woo
• 2006: A Scanner Darkly (A Scanner Darkly – O Homem Duplo) – Richard Linklater
• 2007: Next (Next – Sem Alternativa) – Lee Tamahori
• 2009: Screamers: The Hunting (Screamers – Gritos Mortais: A Caçada) – Sheldon Wilson
• 2010: Radio Free Albemuth – John Alan Simon
• 2011: The Adjustment Bureau (Os Agentes do Destino) – George Nolfi

Curtas-metragens
• 2012: Beyond the Door – Matthew Mandarano
• 2013: The Pipers – Ammar Quteineh
• 2013: The Crystal Crypt – Shahab Zargari
• 2014: Second Variety – Andrew David Fisher
• 2014: Andys – Alec Hopkins
• 2016: Piper in the Woods – Matthew Ramirez
• 2018: The Great C – Steve Miller

Televisão
• 1962: Out of This World (Irene Shubik, ITV) [1 episódio: Impostor – Peter Hammond]
• 1981: Il fascino dell’insolito (Cecilia Cope, Angelo Ivaldi, Rete 1) [1 episódio: Impostore – Andrea Frazzi, Antonio Frazzi]
• 2015: Minority Report (Max Borenstein, Fox, 10 episódios)
• 2015-2019: The Man in the High Castle (O Homem do Castelo Alto) (Frank Spotnitz, Amazon, 40 episódios)
• 2017: Electric Dreams (Ronald D. Moore, Michael Dinner, Channel 4, 10 episódios)

Listas – Errol Flynn e Olivia de Havilland

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Durante cerca de uma década, Errol Flynn e Olivia de Havilland foram um dos pares românticos mais mediáticos do cinema de Hollywood. Um daqueles casos em que, após os filmes terminarem, o público os imaginava a viverem fora da tela as mesmas aventuras.

Errol Leslie Thomson Flynn (1909 — 1959) foi um australiano que conquistou Hollywood ao jeito de Crocodile Dundee, com fama e proveito de galã, conquistador, boémio, habituado a desafiar-se fisicamente, e a escandalizar a vida social onde passava. Os excessos, com mulheres, álcool, droga, etc. trouxeram-lhe dissabores com a opinião pública e a justiça, dando-lhe uma vida digna do seu personagem de aventuras. Já Olivia Mary de Havilland (n. 1916), uma britânica de modos doces e levemente aristocráticos (e irmã da também actriz Joan Fontaine), apresentava um lado mais recatado, tendo sido das raras estrelas do seu tempo a resistir aos avanços (que existiram) de Flynn.

Tendo mantido sempre uma respeitosa amizade, Flynn e de Havilland tiveram a curiosidade de – ambos recém-chegados a Hollywood – verem no seu primeiro filme conjunto – “Capitão Blood” – o lançamento fulgurante de ambas as carreiras. O contraste de personalidades e a beleza física de ambos fazia deles um par ideal aos olhos do público, quer fosse em aventuras de capa e espada, em westerns ou comédias românticas. E mesmo que ambos tenham brilhado noutros filmes – sobretudo de Havilland que sobreviveu a Flynn por muitas décadas – são sempre os oito* filmes conjuntos (todos para a Warner Bros., quase todos de Michael Curtiz), aqueles que mais rapidamente recordamos.

* oito filmes de nove em que ambos participaram, já que no último – o multi-estrelado musical para o esforço de guerra “Brilham as Estrelas” – apenas entraram em cameos isolados, não se tendo encontrado no set.

• 1935: Captain Blood (O Capitão Blood) – Michael Curtiz
• 1936: The Charge of the Light Brigade (A Carga da Brigada Ligeira) – Michael Curtiz
• 1938: The Adventures of Robin Hood (As Aventuras de Robin dos Bosques) – Michael Curtiz, William Keighley
• 1938: Four’s a Crowd (Quatro São Demais…) – Michael Curtiz
• 1939: Dodge City (Vida Nova) – Michael Curtiz
• 1939: The Private Lives of Elizabeth and Essex (Isabel de Inglaterra) – Michael Curtiz
• 1940: Santa Fe Trail (A Caminho de Santa Fé) – Michael Curtiz
• 1941: They Died with Their Boots On (Todos Morreram Calçados) – Raoul Walsh
• 1943: Thank Your Lucky Stars (Brilham as Estrelas) – David Butler

Universos Paralelos – 27 – Terminator: a inevitabilidade do futuro de James Cameron

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Universos Paralelos - 27 - Terminator: a inevitabilidade do futuro de James Cameron

Pode ouvir aqui o vigésimo sétimo episódio de Universos Paralelos:
PODCAST

E ler a respectiva folha de sala aqui:
FOLHA DE SALA

 

Universos Paralelos é um programa da autoria de António Araújo (Segundo Take), José Carlos Maltez (A Janela Encantada) e Tomás Agostinho (Imaginauta), produzido e apresentado mensalmente no website Segundo Take.

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Universos Paralelos

Listas – Epidemias e pandemias

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Imagem promocional de "Contágio" (Contagion, 2011), de Steven Soderbergh

Atravessamos um momento assustador, em que um vírus (COVID-19) é causador de uma pandemia à escala planetária como poucos testemunharam até hoje. Deixando por agora as notícias da evolução da doença, preocupações e relatórios de comportamentos e tratamentos, A Janela Encantada – também atendendo ao facto de que se pede à população que fique o mais possível em casa – traz uma lista de exemplos em que o cinema se dedicou a epidemias e pandemias.

Da ficção científica ao terror, de filmes de suspense e acção até estudos comportamentais, muitos são os exemplos no cinema recente, já que se trata de uma preocupação dos últimos 30 anos, como se pode constatar na lista seguinte.

De fora ficam filmes sobre transformações em zombies e seus equivalentes, ou ataques alienígenas, pois mais que mostrar resultados de assustadoras transformações humanas, esta lista centra-se sobre a propagação de epidemias, formas de contágio, e modos de lidar com isso da parte das autoridades e populações.

Em suma: Fiquem em casa, e vejam filmes!

• 1950: Panic in the Streets (Pânico nas Ruas) – Elia Kazan
• 1973: The Crazies (Guerra Ao Vírus Da Loucura) – George A. Romero
• 1976: The Cassandra Crossing (Cassandra Crossing) – George P. Cosmatos
• 1987: Epidemic – Lars Von Trier
• 1995: 12 Monkeys (12 Macacos) – Terry Gilliam
• 1995: Outbreak (Outbreak – Fora de Controlo) – Wolfgang Petersen
• 2004: Kansen (Infecção) – Masayuki Ochiai
• 2008: Doomsday (Doomsday – Juízo Final) – Neil Marshall
• 2008: Pontypool – Bruce McDonald
• 2008: Quarantine (Quarentena) – John Erick Dowdle
• 2009: Carriers (Pandemia) – David Pastor, Àlex Pastor
• 2010: The Crazies (The Crazies – Desconfia dos Teus Vizinhos) – Breck Eisner
• 2011: Contagion (Contágio) – Steven Soderbergh
• 2011: Perfect Sense (O Sentido do Amor) – David Mackenzie
• 2011: Quarantine 2: Terminal (Quarentena 2: O Terminal) – John Pogue
• 2012: The Bay – Barry Levinson
• 2013: Gamgi [Flu]- Sung-su Kim
• 2013: Infectado [Afflicted] – Derek Lee, Clif Prowse
• 2013: Los últimos días [] – David Pastor, Àlex Pastor
• 2019: Infección [Infection] – Flavio Pedota
• 2019: Virus – Aashiq Abu

Universos Paralelos – 27 – Terminator: a inevitabilidade do futuro de James Cameron

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Universos Paralelos

Está a chegar o vigésimo sétimo episódio de Universos Paralelos, da autoria do António Araújo (Segundo Take), do José Carlos Maltez (A Janela Encantada) e do Tomás Agostinho (Imaginauta).

Desta vez temos o universo “Exterminador Implacável”, com fins do mundo de guerra entre homens e máquinas, como James Cameron e Arnold Scharzenegger nos mostraram:
podcast

 

Terminator: a inevitabilidade do futuro de James Cameron

James Cameron e Arnold Schwarzenegger

Certo dia, num quarto de hotel de hotel em Roma, sentindo-se sozinho e fora do seu elemento, James Cameron ficou doente e teve um pesadelo sobre um torso metálico arrastando-se para fora de uma explosão enquanto segurava facas de cozinha. Este cenário sonhado foi a génese de “O Exterminador Implacável”. A partir desta imagem, com contribuições do amigo William Wisher, Jr. e da produtora Gale Anne Hurd, que acabaria creditada como co-argumentista, construiu uma história sobre um ciborgue humanóide aparentemente indestrutível que viaja no tempo — desde 2029 até 1984 — para assassinar uma empregada de mesa, Sarah Connor, cujo filho John, ainda não nascido, liderará a humanidade numa guerra contra as máquinas. A reviravolta de génio reside no irresolúvel paradoxo temporal introduzido pelo envio de Kyle Reese, um soldado dessa guerra futura, com o intuito de proteger Sarah do exterminador implacável a todo custo, que acaba por ser o pai de John. O eterno dilema do ovo e da galinha que, em vez de se encerrar em si próprio, abre as portas a infindáveis possibilidades.

Arnold Schwarzenegger em "O Exterminador Implacável" (Terminator, 1984), de James Cameron

“O Exterminador Implacável”, estreado em 1984, veio a revelar-se como um título charneira do terror e da ficção científica. Não só inscreveu uma variedade de conceitos na cultura popular, tais como a ideia de organismos cibernéticos ou a ameaça da singularidade — o momento em que a inteligência artificial superará a inteligência humana, alterando radicalmente a civilização —, como se tornou uma referência incontornável da década de oitenta, firmando o estrelato de Arnold Schwarzenegger. O actor austríaco tem uma presença física inegável e a sua interpretação robótica, muitas vezes menosprezada, é um elemento crucial para a eficiência das assustadoras cenas de perseguição, criando uma sensação de implacabilidade bem traduzida no título em português. Além disso, linhas de diálogo como “I’ll be back!” tornaram-se parte do léxico cinéfilo (e não só), comprovando o impacto cultural de um pequeno filme de género.

Poster promocional de "Exterminador Implacável 2: O Dia do Julgamento" (Terminator 2: Judgment Day, 1991), de James Cameron

Em 1991, Cameron realizou uma sequela, “Exterminador Implacável 2: O Dia do Julgamento”, expandindo o universo do original e superando-o em escala e ambição. T2, como ficou conhecido, foi um sucesso monumental de público e crítica, e foi um passo de gigante no que respeita à utilização de efeitos digitais no cinema na criação do antagonista T-1000, um metamórfico de metal líquido. Menos enraizado no género de terror e mais preocupado com temáticas de livre-arbítrio e predestinação, é, no entanto, um complemento perfeito ao filme anterior, com o qual forma um díptico de perfeita mitologia de ficção científica. Mas quis o destino que a história não acabasse aqui, e, entre 2003 e 2017, fomos presenteados com mais uma série televisiva e quatro sequelas que, alimentadas pelas possibilidades abertas pelo conceito de viagem no tempo e pelos resultados de bilheteira abaixo das expectativas, escreveram e reescreveram o rumo da série, trilhando um sortido de realidades alternativas, tanto fora como dentro do ecrã.

Se a série televisiva, “Terminator: As Crónicas de Sarah Connor” (2008-2009), se focou em temas religiosos e humanistas, cada título adicional para cinema, à procura de reproduzir a magia dos dois primeiros filmes, foi reflectindo a realidade do momento, adaptando as preocupações temáticas originais em função da constante evolução tecnológica e social, não obstante o medo nuclear como catalisador central da ameaça apocalíptica. Em 2003, num mundo cada vez mais ligado em rede, “Exterminador Implacável 3 – Ascensão das Máquinas” introduziu o conceito de vírus informáticos como ameaça aos servidores de defesa militar. Depois da tentativa, em 2009, de ancorar a saga no futuro devastado em “Exterminador Implacável – A Salvação”, piscando o olho a questões de identidade e humanidade bem caras ao género, seis anos mais tarde, alimentado por uma corrente de soft reboots e legacy sequels, “Exterminador: Genisys” descentralizou a ameaça dos servidores de defesa estatal para os omnipresentes telemóveis e tablets com os quais convivemos diariamente, criando um vilão cibernético mais insidioso e, potencialmente, mais perigoso. Finalmente, com a nova viragem de rumo em 2019, “Exterminador Implacável – Destino Sombrio” mostrou-se mais preocupado com o actual panorama político, económico e social, ao reinventar a ascensão do inimigo como a consequência de uma guerra cibernética, e ao depositar a esperança para a humanidade numa mexicana a viver além do infame muro que separa o México dos Estados Unidos da América.

Natalia Reyes, Mackenzie Davis e Linda Hamilton em "Exterminador Implacável - Destino Sombrio" (Terminator: Dark Fate, 2019), de Tim Miller

Muitos gostariam de viajar no tempo e impedir que mais sequelas houvessem depois de T2. Infelizmente, não podemos mudar o passado, apenas esperar o melhor daqui em diante. O que será que o futuro nos reserva? Só o destino o dirá. E este, como diria Sarah Connor, está nas nossas mãos. Ou melhor, nas mãos dos executivos de Hollywood que não aprendem com os erros e parecem fadados a repeti-los.

António Araújo, Fevereiro de 2020.

 

Fontes primárias

Cinema

  • O Exterminador Implacável (The Terminator, James Cameron, 1984)
  • Exterminador Implacável 2: O Dia do Julgamento (Terminator 2: Judgment Day, James Cameron, 1991)
  • Exterminador Implacável 3 – Ascensão das Máquinas (Terminator 3: Rise of the Machines, Jonathan Mostow, 2003)
  • Exterminador Implacável – A Salvação (Terminator Salvation, McG, 2009)
  • Exterminador: Genisys (Terminator Genisys, Alan Taylor, 2015)
  • Exterminador Implacável – Destino Sombrio (Terminator: Dark Fate, Tim Miller, 2019)

Televisão

  • Terminator: As Crónicas de Sarah Connor (Terminator: The Sarah Connor Chronicles, Josh Friedman, 2008-2009)

Banda Desenhada

  • Inúmeras publicações

Videojogos

  • Inúmeros jogos.

 

Outras referências

Bibliografia

  • Stirling, S. M. (2001) T2: Infiltrator. Nova Iorque: HarperEntertainment
  • Stirling, S. M. (2003) T2: Rising Storm. Nova Iorque: HarperEntertainment
  • Stirling, S. M. (2004) T2: The Future War. Nova Iorque: HarperEntertainment.

Televisão

  • Soldier (Episódio de The Outer Limits escrito por Harlan Ellison, 1964).