Universos Paralelos – 2 – O oeste operático de Sergio Leone

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O oeste operático de Sergio Leone

Pode ouvir aqui o segundo episódio de Universos Paralelos:
PODCAST

E ler a respectiva folha de sala aqui:
FOLHA DE SALA

 

Universos Paralelos é um programa da autoria de António Araújo (Segundo Take), José Carlos Maltez (A Janela Encantada) e Tomás Agostinho (Imaginauta), produzido e apresentado mensalmente no podcast Segundo Take.

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Universos Paralelos

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A Pianista, 2001

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La pianisteErika Kohut (Isabelle Huppert) é uma professora de piano no Conservatório de Viena, de cerca de 40 anos, mas vivendo sob o domínio opressivo da sua mãe (Annie Girardot) e o peso de um pai doente psiquiátrico no hospital. Com uma máscara de impenetrável rigidez, Erika solta as frustrações em voyeurismo em cabines de sexo, ou em auto-mutilações em casa. Quando o aluno Walter Klemmer (Benoît Magimel) mostra interesse amoroso por ela, Erika vai tentar fazer dele a ferramenta para as suas fantasias de humilhação e submissão masoquistas, sem lhe permitir outra aproximação que não a que inscreve numa carta que lhe dá a ler. Continuar a ler

Ciclo “Michael Haneke” (Cinema XXI)

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Michael Haneke em Cannes, em 2017 [Crédito: Maria Laura Antonelli/Shutterstock]

Voltamos aos mini-ciclos a que se deu o nome de “Cinema XXI” e que servem para olharmos para a carreira de realizadores que têm marcado este início de século. No seu nono tomo, o “Cinema XXI” traz-nos Michael Haneke, um nome habitual em Cannes, onde, regularmente, o realizador tem vindo a triunfar, como trampolim para a admiração internacional.

Nascido na Alemanha, durante a guerra, e educado na Áustria, Michael Haneke chegou ao cinema apenas aos 46 anos, destacando-se por um modo de filmar muito espartano, dispensando artifícios de câmara, mas conseguindo um olhar duro, frio, e até clinicamente distante sobre temas difíceis, de um quase hiper-realismo. Procurando incomodar, sem dar respostas, os filmes de Haneke são murros no estômago no sentido de nos fazer questionar ou apercebermo-nos de que sentimos algo. Seja a extrema violência, as repressões sexuais, a decrepitude humana e morte, os segredos do passado ou as hipocrisias sociais, o cinema de Haneke é sempre um olhar tenso e incomodativo, lembramo-nos quem somos mesmo que por vezes o tentemos esquecer.

Textos adicionais

Edições anteriores:
Nuri Bilge Ceylan
Béla Tarr
Jia Zhangke
Alexander Sokurov
Tsai Ming-liang
Paolo Sorrentino
Xavier Dolan
Pablo Larraín

Ciclo “Primeira Guerra Mundial”

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Kirk Douglas em "Horizontes de Glória" (Paths of Glory, 1957), de Stanley Kubrick

Celebra-se este ano o centenário do conflito armado a que se chamou Primeira Guerra Mundial, e que resultou em quatro anos de luta, a primeira envolvendo em simultâneo combates em terra, mar e ar, alastrando a vários continentes, da Oceânia ao Sudoeste Africano, do Médio Oriente à Europa, do Oceano Pacífico ao Atlântico Sul e Mar do Norte, num total de mais de 18 milhões de mortos e 23 milhões de feridos, devastadora destruição, colapso económico e fim de vários impérios e sistemas de governo, com um novo mapa da Europa daí resultante.

Tal impacto em tudo o mundo seria também fonte fértil para o cinema, e é isso que serve de base ao ciclo que agora se apresenta e que decorrerá aos sábados n’A Janela Encantada. Passando por épocas, estéticas e cinematografias diferentes, apresentar-se-á algum do melhor cinema que teve a Primeira Guerra Mundial como tema.

Em jeito de aperitivo, fica desde já uma chamada de atenção para os filmes do período mudo que já aqui foram abordados. Deixa-se o convite para os (re)descobrir ou (re)ler. Os novos filmes começarão a ser analisados no próximo sábado, iniciando-se a lista no muito fértil ano de 1930.

The Four Horsemen of the ApocalypseOs Quatro Ginetes do Apocalipse
(The Four Horsemen of the Apocalypse, 1921)
Realizado por: Rex Ingram

 
 
 
 

The Big ParadeA Grande Parada
(The Big Parade, 1925)
Realizado por: King Vidor

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

WingsAsas
(Wings, 1927)
Realizado por: William A. Wellman

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Four SonsOs Quatro Filhos (Four Sons, 1928)
Realizado por: John Ford

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Textos adicionais
A lista de filmes

Fim do ciclo “Os filhos do Neo-realismo”

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Bernardo Bertolucci e Pier Paolo Pasolini nas filmagens de "Accattone" (1961)

Termina aqui aquele que foi um dos ciclos mais duradouros da Janela (não em número de publicações, mas sim no tempo que

decorreu desde o seu início), a que se chamou “Os filhos do Neo-realismo”, por se dedicar a filmes importantes da cinematografia italiana das décadas de 1960 e 1970, realizados pelos grandes nomes de então, aqueles que usufruiram do prestígio do cinema neo-realista, para, com maior ou menor proximidade ao movimento, poderem singrar naquilo a que se chama o cinema de autor.

Foram 36 filmes, de 13 realizadores diferentes, expostos por ordem alfabética de autor, de Antonioni a Zefirelli, abarcando modos, temáticas e estéticas diferentes, tendo em comum essa urgência que era o cunho pessoal que transparecia no melhor cinema italiano dessas décadas, e que se espera tenha suscitado curiosidade para descobrir as obras destes realizadores.

Textos adicionais
A lista de filmes

Romeu e Julieta, 1968

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Romeo and Juliet Na cidade de Verona, em pleno Renascimento, a paz é perturbada pelas rivalidades entre as casas dos Capuleto e dos Montecchio, que se envolvem constantemente em duelos, movidos por um inamovível mútuo ódio mortal. No entanto, numa visita, mascarado, a uma festa em casa dos Capuleto, Romeu (Leonard Whiting), o filho e herdeiro dos senhores Montecchio, apaixona-se pela jovem Julieta (Olivia Hussey), filha dos Capuleto. Sabendo-se inimigos mortais, Romeu e Julieta decidem viver o seu amor às escondidas, sendo casados em segredo pelo seu confessor, o Frei Lourenço (Robert Stephens). Mas, na cidade, os duelos continuam, e vão obrigar Romeu a ter de fugir, enquanto os senhores Capuleto tentam casar Julieta com o nobre Páris (Roberto Bisacco) Continuar a ler

Universos Paralelos – 2 – O oeste operático de Sergio Leone

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Universos Paralelos #02: O oeste operático de Sergio Leone

Segunda-feira, dia 19 de Janeiro, tem lugar, no podcast Segundo Take, o segundo Universos Paralelos da autoria de António Araújo (Segundo Take), José Carlos Maltez (A Janela Encantada) e Tomás Agostinho (Imaginauta).

O episódio será dedicado aos westerns de Sergio Leone, e poderá ser encontrado aqui:
podcast

 

O oeste operático de Sergio Leone

Se numa paisagem árida e poeirenta, evocativa do velho Oeste, vemos um pistoleiro de rosto encardido pela sujidade, cigarro ao canto da boca e um olhar impávido que enche o ecrã, que com a música de Ennio Morricone cria uma tensão exageradamente lenta, temos intuitivamente a ideia de estarmos a ver um western de Sergio Leone.

Sergio Leone

Sergio Leone é um nome que, com razão, todos associamos ao chamado western spaghetti, género com que atingiu notoriedade internacional, a ponto de hoje ser o realizador que mais facilmente o identifica. Mas não se pense que foi Leone quem criou o spaghetti, um dos muitos géneros que resultaram da presença norte-americana na Itália do pós-guerra, a qual trouxe não só soldados, mas toda uma cultura pop, onde não faltou o cinema.

Tudo começou no apelidado «Hollywood no Tibre», período dos anos 50 e 60 durante o qual as majors norte-americanas perceberam que lhes ficava bem mais em conta filmar em Itália, usando a qualidade dos estúdios da Cinecittà, técnicos e actores secundários italianos e cenários naturais que se prestavam a épicos dramas históricos. Esta fase teve início no sucesso estrondoso de “Quo Vadis?” (1951), de Mervyn LeRoy – que sedimentou o então popular sword and sandal –, e passou por filmes de outros géneros, como o célebre “Férias em Roma” (Roman Holiday, 1953) de William Wyler, filme de estreia de Audrey Hepburn.

O resultado foi não só a formação de técnicos e realizadores autóctones, que assim tinham contacto com o mais avançado material e escola norte-americana, como também criar no público uma predisposição para o cinema de género de Hollywood, do citado sword and sandal (que na Itália se chamou peplum) ao mais americano dos géneros, o western.

É sintomático vermos que Sergio Leone – nascido em Roma, em 1929, no seio de uma família ligada ao cinema, e entrado na Cinecittà como argumentista –, se estreou na realização num peplum, “O Colosso de Rodes” (Il colosso di Rodi, 1961), depois de ter completado “Os Últimos Dias de Pompeia” (Gli ultimi giorni di Pompei, 1959), por doença do realizador Mario Bonnard, e de ter trabalhado como assistente de realização de filmes como o citado “Quo Vadis?”, e o célebre “Ben-Hur” (1959), de William Wyler.

É nesta vaga que surge o primeiro eurowestern (ainda com capital norte-americano). Tratou-se de “O Sheriff e a Loira” (The Sheriff of Fractured Jaw, 1958), de Raoul Walsh – e onde a loira era a escultural Jane Mansfield –, que foi logo seguido de outros filmes parecidos, dando o molde ao filão que seria explorado a partir de Itália, e nesse país chamado western all’italiana. A ênfase era na paródia ao western clássico, tendo como modelo os filmes de Bob Hope. Mas tudo mudaria em 1964 com a estreia de “Por um Punhado de Dólares”, o primeiro western de Sergio Leone.

Baseado, sem o assumir, em “Yojimbo, o Invencível” (Yôjinbô, 1961), de Akira Kurosawa, o primeiro filme da chamada trilogia dos dólares, protagonizada pelo então quase desconhecido Clint Eastwood, funcionaria como que um refundador do género, levando-se a sério como cinema artístico, contrastando com as produções jocosas de baixo custo a que os eurowesterns se votavam até aí. Nele, Leone definia tudo o que marcaria o seu cinema daí em diante: o anti-herói de poucas palavras, numa ética muito própria e amoral; uma violência não vista nos westerns clássicos de Hollywood; um subtil comentário político e/ou social; o uso do grotesco na definição de personagens; e acima de tudo um jeito operático, lento, marcado pela grandeza da paisagem (filmada na região de Almería em Espanha) e a intensidade de close-ups extremos, onde a carismática música de Ennio Morricone pontua os momentos de tensão e a evolução narrativa.

Seguiram-se “Por mais alguns Dólares” (1965) e “O Bom, o Mau e o Vilão” (1966), com Clint Eastwood a contracenar com os norte-americanos Lee Van Cleef, Eli Wallach, e com os europeus Gian Maria Volontè e Klaus Kinski. Com estes filmes, Leone mostrava ser um caso à parte no domínio do western feito na Europa, na qual se viriam a produzir mais de 600 obras do género, por nomes como Sergio Corbucci, Sergio Sollima, Damiano Damiani, Giulio Petroni, Duccio Tessari, Enzo Barboni e Antonio Margheriti. Se o público pedia comédia, acção rápida e muitos tiroteios, Leone respondia com filmes cada vez mais lentos e longos, onde estética e ideias se impunham a acção e aventura. Para sempre, ficava a imagem de Clint Eastwood, com o seu pistoleiro ensimesmado, de gestos precisos, aliando cinismo frio e finíssimo humor negro, em três filmes que definem uma forma diferente de se pensar o western.

O sucesso destes filmes no mercado norte-americano foi tal que Leone foi convidado a atravessar o Atlântico. Com passagens pelo México e pelo Monument Valley, nos Estados Unidos, surgia a sua segunda trilogia, começada com o ainda mais operático “Aconteceu no Oeste” (1968), onde Leone trabalhava uma história de Dario Argento e Bernardo Bertolucci, com estrelas como Henry Fonda, Charles Bronson, Claudia Cardinale e Jason Robards, continuada com “Aguenta-te, Canalha!” (1971) (que esteve para se chamar “Era uma vez na Revolução”), com Rod Steiger e James Coburn, e terminada mais tarde, já fora do western, no filme de gangsters “Era uma vez na América” (Onde upon a Time in America, 1984), com Robert De Niro e James Woods.

Nesta altura, Sergio Leone já passara à produção de comédias ligeiras ao gosto do cinema comercial italiano. Foi, ainda assim, pelo western, que Leone começou, com dois veículos para a então estrela em ascensão, Terence Hill (nome artístico do actor italiano Mario Girotti, que ficaria conhecido pela série cómica Trinitá e pela sua parceria com Bud Spencer). Sempre com música de Ennio Morricone, eles foram “O Meu Nome é Ninguém” (1973), de Tonino Valerii, que trazia de volta Henry Fonda, num filme que alia o lado cabotino de Hill à estética de Leone (que dirigiu algumas sequências), e “Chamavam-lhe Génio” (1975), de Damiano Damiani, com Hill num personagem parecido ao anterior, já mais longe da estética de Leone.

Sergio Leone com Ennio Morricone

Sergio Leone morreu em 1989, com apenas 60 anos, vítima de problemas cardíacos, pouco depois de ter presidido ao júri da quadragésima quinta edição do Festival de Veneza e quando trabalhava ainda na produção de um filme há muito planeado, que se chamaria “Leninegrado: os 900 Dias”. Para trás, mais que uma obra curta, deixou um imaginário único e inesquecível, que marca todos os que alguma vez espreitaram o western feito em Itália. Viva, continua a sua influência, começada nas imitações italianas, e no revisionismo violento e niilístico de Sam Peckinpah, e continuada no revivalismo saudosista de Quentin Tarantino. A não esquecer, claro, está boa parte da carreira do próprio Clint Eastwood, que dedicou a Sergio Leone o seu magnum opus “Imperdoável” (Unforgivable, 1992).

José Carlos Maltez, Outubro 2017

Fontes primárias

Filmografia

  • Por um Punhado de Dólares (Per un pugno di dollari, 1964)
  • Por mais alguns Dólares (Per qualche dollaro in più 1965)
  • O Bom, o Mau e o Vilão (Il buono, il brutto, il cattivo 1966)
  • Aconteceu no Oeste (C’era una volta il West, 1968)
  • Aguenta-te, Canalha! (Giù la testa, 1971)
  • Meu Nome é Ninguém (Il mio nome è Nessuno, Tonino Valerii, 1973)
  • Chamavam-lhe Génio (Un genio, due compari, un pollo, Damiano Damiani, 1975)

Fontes secundárias

Bibliografia

  • Bondanella, P (2009) A History of Italian Cinema. London: Bloomsbury Academic.
  • Celli, C., Cottino-Jones, M. (2007) A New Guide to Italian Cinema. New York, NY: Palgrave McMillan.
  • Frayling, C. (2000) Sergio Leone: Something to Do with Death. London: Faber.

Documentários

A Fera Amansada, 1967

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The Taming of the Shrew Em Pádua, o rico Baptista (Michael Hordern) tem duas filhas em idade de casar, a intratátel e violenta Katharina (Elizabeth Taylor) e a dócil e bela Bianca (Natasha Pyne). A segunda tem vários pretendentes, mas o seu pai só a casará depois de casar Katharina. Tal leva os seus pretendentes Lucentio (Michael York) e Hortensio (Victor Spinetti) a fazerem-se passar por tutores de Bianca, enquanto Petruchio (Richard Burton), um nobre de Verona, é desafiado a quebrar Katharina domesticá-la para ser sua esposa. O resultado será uma violenta e inesperada guerra de vontades e espíritos num casal pelo qual ninguém põe as mãos no fogo. Continuar a ler

Pasqualino das Sete Beldades, 1975

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Pasqualino settebellezze Pasqualino (Giancarlo Giannini) é um soldado italiano em fuga da frente de batalha na Segunda Guerra Mundial, que acaba preso num campo alemão. Aí ele recorda como ali chegou, vindo de Nápoles, onde vivia feliz como playboy, com a mãe e sete irmãs, até ao momento em que teve de lavar com sangue a honra da irmã Concettina (Elena Fiore), matando aquele que a levara para a prostituição. Preso, condenado por loucura, internado num hospício e depois voluntário na guerra, Pasqualino vai descobrir que a força da sobrevivência e o valor da própria vida vão muito além daquilo que alguma vez pensara. Continuar a ler

“O meu ciclo”, por Cátia Alexandre

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Denis Villeneuve durante as filmagens de "O Primeiro Encontro" (Arrival, 2016)

Denis Villeneuve

por Cátia Alexandre

autora do blogue May The Cinema Be With You
colaboradora da revista Take Cinema Magazine

Quando pensamos em Denis Villeneuve admitimos sem qualquer dúvida estar perante um dos realizadores contemporâneos mais interessantes a trabalhar nos dias de hoje em Hollywood, cuja filmografia prima não só pela qualidade visual e técnica, como por uma vertente inteligente e intelectual que é inerente em todas as suas obras, onde o estilo se mistura com a substância, com valores equivalentes entre os ambos.

Nasceu em 1967, no Canada, onde inicialmente começou a estudar ciências, algo que abandonou mais tarde para se dedicar à paixão pelo cinema. Tendo ganho em 1990-1991, o prémio La Course Europe-Asie, para jovens realizadores, foi apenas em 2010 que saltou para as luzes da ribalta, depois de ter sido nomeado para um Oscar na categoria de Melhor Filme Estrangeiro.

Jack Gyllenhaal e, "O Homem Duplicado" (Enemy, 2013), de Denis Villeneuve

Tenho sempre tendência a exagerar nos adjectivos quando gosto mesmo muito do trabalho de um realizador, e o receio de me tornar exagerada ou pretensiosa aparece sempre que falo de Villeneuve e dos seus filmes, realizador que rapidamente me fascinou desde o primeiro trabalho que dele vi. Acredito que ele é tudo aquilo que a minha geração pretende viver numa sala de cinema, alimentando o entusiasmo de aguardar pela estreia do seu próximo filme. Toda a sua obra vive da maneira como as ideias são representadas, pela beleza dos planos, das cores e dos sets, e na forma vulnerável e honesta como se apresentam os personagens das suas histórias. É na delicadeza das imagens e dos gestos, é nas palavras que por mais complexas que sejam, que estão os sentimentos que de alguma forma nos tocam.

Emily Blunt em "Sicário - Infiltrado" (Sicario, 2015), de Denis Villeneuve

A temática dos seus filmes gira em torno de personagens a viver algum momento de tragédia ou situação traumática, explorando inquietudes, descortinando vulnerabilidades, complexidades e os lugares mais obscuros da mente humana. Villeneuve tem a capacidade de ir envolvendo a audiência, entregando aos poucos as peças do puzzle.

Muito poderão achar exagerado colocar Denis Villeneuve no mesmo patamar de Kubrick ou Scorsese, mas a verdade é que ele consegue deixar me a cada obra sua mais apaixonada pelo seu trabalho e pela genialidade com que consegue transmitir sentimentos e emoções através da lente de uma câmara.

Filmes recomendados:
• “Incendies – A Mulher que Canta” (Incendies, 2010)
• “Raptadas” (Prisoners, 2013)
• “O Homem Duplicado” (Enemy, 2014)
• “Sicário – Infiltrado” (Sicario, 2015)
• “O Primeiro Encontro” (Arrival, 2016)
• “Blade Runner 2049” (2017)

Ryan Gosling em Blade Runner 2049 (2017), de Denis Villeneuve