Nora Helmer, 1974

Nora HelmerNora Helmer (Margit Carstensen) é uma bela mulher, esposa, mãe de três filhos, habituada a ser mimada pelo marido, Torvald (Joachim Hansen), mesmo gastando sempre acima das possibilidades. O que Torvald não sabe é que Nora paga ainda um empréstimo antigo contraído à sua revelia, com assinaturas falsas, para pagar tratamentos dele. Agora que é nomeado director de um banco, Torvald recebe a visita de Krogstad (Ulli Lommel), o homem que concedeu o empréstimo a Nora, e que agora está disposto a revelar a verdade, manchando o nome da família, se não obtiver o lugar que quer no banco. Continuar a ler

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O Medo Come a Alma, 1973

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Angst essen Seele aufEmmi Kurowski (Brigitte Mira) é uma viúva sexagenária, mulher a dias, com uma vida de solidão, que um dia, causalmente, conhece Ali (El Hedi ben Salem), um imigrante marroquino vinte e tal anos mais novo, e contra todas as probabilidades, os dois encontram um no outro uma fuga às solidões e incompreensões que atravessam. Só que Emmi vai começar a conhecer a discriminação de quem a rodeia – vizinhas, colegas, e a própria família – para quem o relacionamento com um estrangeiro é, no mínimo, um escândalo. Para legitimar a situação, o par decide casar, contra todas as opiniões, e sabendo que a sua vida será sempre apontada por todos. Continuar a ler

Férias de Verão 2018

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Férias de Verão 2018

Chega Agosto, e A Janela Encantada vai entrar em ritmo lento. Os serviços mínimos mantêm-se com a integral “Rainer Werner Fassbinder” às Quartas-feiras, e uma ou outra publicação especial. O resto da programação volta em Setembro.

Boas férias a quem as puder ter, bons filmes, e este ano procurem ver cinema ao ar livre!

Sete Espadas, 2005

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Seven Swords No início do século XVII a China via o início do longo domínio da dinastia Qing, de origem manchu. Temendo os nacionalismos chineses, foi decretada a proibição da prática de artes marciais, sendo oferecido um prémio por cada prevaricador apanhado. Fire-wind (Sun Honglei), um mercenário com um exército próprio, vê nisso uma oportunidade de enriquecer, e manda os seus homens em busca de lutadores desobedientes, muitas vezes massacrando aldeias inteiras. Quando Fu Qingzhu (Liu Chia-Liang) resiste, a perseguição torna-se mais violenta, mas este encontra abrigo numa aldeia, onde Wu Yuanyin (Charlie Yeung) e Han Zhibang (Lu Yi) se apiedam dele e o levam até ao Monte Céu, onde se esconde uma mítica comunidade de lutadores. Continuar a ler

O Mundo no Arame, 1973

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Welt am DrahtNo IKZ (Institut für Kybernetik und Zukunftsforschung), o professor Vollmer (Adrian Hoven) dirige uma experiência de simulação computacional criando um mundo similar ao nosso, com unidades que em tudo parecem pessoas reais e não sabem não o ser. Quando o professor morre em situações estranhas, o seu sucessor, Fred Stiller (Klaus Löwitsch) investiga a sua morte, deparando com uma série de peculiaridades como pessoas que desaparecem e ninguém se parece lembrar delas. Numa experiência, um dos seus colegas regressa do mundo virtual com a mente de uma das unidades nele criadas, a qual diz a Stiller que, não só é possível viajar entre níveis, como o dele não é o real, mas também uma simulação. Continuar a ler

Universos Paralelos – 7 – Bem-vindo ao deserto do real dos Wachowskis

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Bem-vindo ao deserto do real dos Wachowskis

Pode ouvir aqui o sétimo episódio de Universos Paralelos:
PODCAST

E ler a respectiva folha de sala aqui:
FOLHA DE SALA

 

Universos Paralelos é um programa da autoria de António Araújo (Segundo Take), José Carlos Maltez (A Janela Encantada) e Tomás Agostinho (Imaginauta), produzido e apresentado mensalmente no podcast Segundo Take.

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Universos Paralelos

Universos Paralelos – 7 – Bem-vindo ao deserto do real dos Wachowskis

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Bem-vindo ao deserto do real dos Wachowskis

Segunda-feira, dia 23 de Julho chega o sétimo episódio de Universos Paralelos, como sempre no podcast Segundo Take, e com a autoria de António Araújo (Segundo Take), José Carlos Maltez (A Janela Encantada) e Tomás Agostinho (Imaginauta).

Desta vez o explora-se o deserto do real da forma como os irmãos Wachowski nos deram a conhecer as fronteiras entre realidade e virtual, na série Matrix. O episódio poderá ser encontrado aqui:
podcast

 

Bem-vindo ao deserto do real dos Wachowskis

Larry e Andy Wachowski

“Bem-vindo ao deserto do real”. Com estas palavras ditas por Morpheus a Neo, somos lançados numa das trilogias mais marcantes que a 7ª Arte nos tem para oferecer.

Em 1999, os irmãos Wachowskis, Andy e Larry – agora Lilly e Lana, respectivamente – apresentaram ao grande público um filme que se tornaria um dos filmes mais discutidos nos círculos académicos filosóficos desde o “Vontade Indómita” (The Fountainhead, 1949) de King Vidor ou “O Sétimo Selo” (Det sjunde inseglet, 1957) de Ingmar Bergman. Tal como no tratado de Jean Baudrillard, “Simulacres et Simulation” (1981), de onde a linha de diálogo supra referida é retirada, “Matrix” procura examinar as relações entre realidade, símbolos, e sociedade, em particular os significados e simbolismo da cultura e dos media que estão envolvidos na construção de um entendimento de uma existência partilhada. No tratado, os simulacros são cópias que representam coisas que nunca tiveram um original, ou que deixaram de ter um. No filme, o simulacro não é uma cópia do real, mas torna-se verdadeiro no seu próprio direito: o hiper-real; ou seja, a incapacidade da consciência distinguir entre a realidade e uma simulação da realidade. Uma simulação é a imitação das operações de um processo do mundo real ou sistema ao longo do tempo.

Os Wachowskis, intencionalmente, procuram desestabilizar o espectador com estas questões. Numa entrevista, disseram candidamente que queriam colocar as grandes questões do Homem num só filme. Revelou-se um projecto ambicioso que viria a crescer para uma trilogia (posteriormente estrearam: “The Matrix Reloaded” (The Matrix Reloaded, 2003) e “Matrix Revolutions” (The Matrix Revolutions, 2003)). Como sugerido por Slavoj Žižek, Matrix é um verdadeiro teste de Rorschach para teses filosóficas: existencialismo, Marxismo, feminismo, Budismo, niilismo, pós-modernismo, … É possível encontrar, praticamente, qualquer ismo nesta trilogia. No entanto, algumas questões apresentam-se como centrais: O que posso saber? O que devo fazer? O que posso esperar? O que é real? O que é a felicidade? O que é a mente? O que é a liberdade, e será que a temos? É a inteligência artificial possível?

Imagem de "Matrix" (The Matrix, 1999), dos Irmãos Wachowski

Aparte das questões que os filmes suscitam, esta trilogia também representa um salto bastante relevante dentro do género cinematográfico dos filmes de acção. Repleto de inovações técnicas que permitem aos actores desafiar as leis da gravidade (evidenciando o contraste entre as cenas do mundo actual e as do mundo virtual – “there is no spoon” – como é dito a Neo, pois a Matrix apesar de não ser de forma senciente distinguível do real, não deixa de ser constituída por linhas de código e mudando isso – no filme isso implica mudar-se a si mesmo –, muda-se a realidade aparente, permitindo a Neo parar balas, voar ou saltar entre prédios), como é o caso da bullet time, Matrix aproxima-se de um cinema de artes marciais clássico com técnicas modernas; funde lutas coreografadas e a utilização de fios presos aos actores para simular capacidades sobre-humanas (também conhecido como Qinggong) dentro de um mundo virtual para contrastar múltiplas realidades. Cinematograficamente falando este contraste encontra-se na escolha das cores: predominância do verde no virtual e do azul no real. Notemos ainda que o que é representado como realidade virtual não recorre (ou recorre pouco) ao digital, ao passo que o que é representado como realidade actual é, em contrapartida, sistematicamente produzido com imagens digitais. A realidade actual é negra, suja e desesperante, enquanto que a realidade virtual é colorida, limpa e no fundo, feliz. Compreende-se a posição de Cypher: “After nine years, you know what I realize? Ignorance is bliss.” Incapaz de distinguir duas realidades, mas vale viver naquela em que somos felizes.

Imagem de "The Animatrix" (2003), de Peter Chung, Andrew R. Jones, Yoshiaki Kawajiri, Takeshi Koike, Mahiro Maeda, Kôji Morimoto e Shinichirô Watanabe

Ainda com o intuito de aumentar o universo de Matrix e preencher algumas lacunas presentes nos filmes, os Wachowskis produziram uma antologia de curtas metragens de animação denominada de “The Animatrix” (The Animatrix, 2003). A antologia contém detalhes da história do universo Matrix, incluindo a guerra original entre homem e máquina que levou à criação da Matrix. Conta com convidados de renome como: Shinichirō Watanabe (Cowboy Bebop) ou Peter Chung (Æon Flux)

Filho do cyberpunk, Matrix é uma série de filmes que carrega a tocha bem acesa desse subgénero da ficção científica. Apresenta-se como vários filmes de acção, mas que inevitavelmente suscitam em nós várias questões de grande importância. Aqui, neste pequeno texto, procurei reflectir mais sobre a questão do real, mas a título de possível interesse, deixo outros três problemas filosóficos, presentes neste universo, que aconselho o devido aprofundamento: (i) a alegoria da caverna de Platão, (ii) o dualismo cartesiano corpo-alma e (iii) o problema de Molyneux.

Bons visionamentos, boas leituras, e vemo-nos do outro lado da toca do coelho.

Tomás Agostinho, Julho de 2018.

 

Fontes primárias

Filmografia

  • Matrix (The Matrix, 1999)
  • The Matrix Reloaded (The Matrix Reloaded, 2003)
  • Matrix Revolutions (The Matrix Revolutions, 2003)
  • The Animatrix (The Animatrix, 2003)

Fontes secundárias

Bibliografia

  • Irwin, W., ed., (2002). The Matrix and Philosophy: Welcome to the Desert of the Real. Chicago: Open Court Publishing Company.

Documentários

Outras referências

Filmes

  • Metrópolis (Metropolis, Fritz Lang, 1927)

Livros

Jogos Perigosos, 1973

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Wildwechsel Hanni Schneider (Eva Mattes) é uma adolescentre precoce, que aos 14 anos se sente prisioneira do estilo de vida sem esperança da sua família de classe média-baixa, formada pelo pai Erwin (Jörg von Liebenfelß) e pela mãe Hilda (Ruth Drexel). Dando largas à sua rebeldia, Hanni deixa-se levar pelo mais velho Franz (Harry Baer) de 19 anos, com quem tem uma relação sexual. Só que isto é sabido, e Franz acaba preso, trazendo à família Schneider uma aura de vergonha e incompreensão. Mas Hanni está disposta a manter a sua posição, e mal Franz sai da prisão, ela procura-o para reatar a relação, mesmo que a tragédia esteja ao virar da esquina. Continuar a ler

A Promessa, 2005

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The Promise Há muito tempo, após uma guerra devastadora, a pequena Qingcheng recebe um dom de uma deusa, pode ter toda a beleza e riqueza do mundo, mas perderá todos os que ama, a não ser que o tempo volte para trás, neve na Primavera, e os mortos voltem a viver. 20 anos depois, o general Guangming (Hiroyuki Sanada) é vitorioso noutra guerra, graças ao poderes do escravo Kunlun (Jang Dong-Gun), que ele passa a tomar por assistente. Quando Guangming, ferido, percebe que o rei vai ser assassinado pelo duque do Norte (Nicholas Tse), envia Kunlun disfarçado com a sua armadura para o salvar. Mas ao chegar, este mata o rei para salvar nem mais que Qingcheng (Cecilia Cheung), agora princesa, e que se apaixona por ele, pensando tratar-se de Guangming. Caído em desgraça, resta a Guangming, enquanto a maldição não se revelar, viver o amor da princesa, sob o olhar de Kunlun, que entretanto descobre quem destruiu tudo o que ele antes fora. Continuar a ler

March on the Drina, 1964

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Mars na Drinu Com o fim da Guerra dos Balcãs, de 1912 a 1913, a Sérvia mal teve tempo de respirar a paz, com a iminência da invasão austríaca no início da Primeira Guerra Mundial, logo em 1914. Aí acompanhamos Veca (Nikola Jovanović), um jovem sérvio cuja família rica já o livrara da guerra anterior, mas que agora quer provar ser tão capaz como os outros homens. Veca é então colocado às ordens do primo Kosta ‘Kole’ Hadživuković (Aleksandar Gavrić), no batalhão de artilharia que se move para o Monte Cer, para parar a entrada das tropas austríacas, enquanto convive com os homens que esperam que no momento de apuros ele volte a deixá-los. Continuar a ler