O Deserto Vermelho, 1964

Etiquetas

, , , , , ,

Il deserto rossoNuma área industrial, morta pelos fumos e dominada pelo cinzento, Giuliana (Monica Vitti) é a esposa do engenheiro Ugo (Carlo Chionetti), com quem pouco consegue comunicar. Sentido-se à beira do colapso nervoso, sem conseguir aceitar o mundo onde vive, e sem conseguir comunicar o que sente, Giuliana vê a sua neurose ligeiramente aplacada pelo interesse do engenheiro Corrado Zeller (Richard Harris), um colega do marido que está de visita. Os dois tornam-se mais próximos, enquanto Giuliana fala do seu papel, aspirações e anseios, mas talvez Corrado apenas a esteja a usar para satisfazer os seus desejos físicos. Continuar a ler

O Eclipse, 1962

Etiquetas

, , , , , , , , ,

L'eclisseVittoria (Monica Vitti) acabou de terminar a sua relação com o desgostoso Riccardo (Francisco Rabal). Fá-lo friamente, sem nada sentir, e distancia-se procurando saber o que se está a passar consigo. Procura a companhia da mãe (Lilla Brignone), viciada na Bolsa de Roma, mais preocupada com lucro que em ouvir a filha, e entre as vizinhas, com quem tem, afinal, pouco em comum. É ainda na Bolsa, que conhece o jovem corretor Piero (Alain Delon), homem frenético, que procura conquistar Vittoria, com o entusiasmo e agressividade com que se comporta na Bolsa. Embora Vittoria vá cedendo aos avanços de Piero, algo os faz suspeitar de que não será possível uma relação profunda entre ambos.

 
Filme disponível para aluguer em:
(basta clicar na imagem ao lado)
 
 
Continuar a ler

A Noite, 1961

Etiquetas

, , , , , , ,

La notte O escritor Giovanni Pontano (Mastroiani) e Lidia (Moreau) são um casal que vai visitar o amigo Tommaso Garani (Bernhard Wicki), que está no hospital com uma doença terminal. A cena leva Lidia a sair mais cedo, deixando Giovanni a ter de resistir aos avanços sexuais de uma jovem paciente do hospital. De novo juntos, o pouco à-vontade dos dois torna-se cada vez mais óbvio, ele numa sessão de autógrafos que ela abandona para visitar o antigo bairro onde se conheceram, e mais tarde na festa dos Gherardini, onde Giovanni persegue uma aventura com Valentina (Monica Vitti), a bela filha dos anfitriões, enquanto Lidia se sente a mais, desejando morrer por já não sentir amor pelo marido.

 
Filme disponível para aluguer em:
(basta clicar na imagem ao lado)
 
 
Continuar a ler

Os Clowns, 1970

Etiquetas

, , , , ,

I clownsAssumindo o seu sempre presente fascínio pelo mundo do circo, Federico Fellini filma uma espécie de documentário centrado nesse tema. De uma cena inicial em que um miúdo (Fellini?) vê a chegada de um circo, a sua montagem, e primeira exibição, passamos depois ao Fellini realizador, que com uma equipa de filmagens roda um documentário. De Itália a Paris vemo-lo seguindo histórias, procurando lugares importantes, participando em debates com historiadores, e visitando actuais e antigos palhaços que lhe abrem os seus álbuns de memórias, enquanto vamos vendo diversas actuações de palhaços nas arenas de circo filmadas por Fellini. Continuar a ler

A Aventura, 1960

Etiquetas

, , , , , , ,

L'avventura Anna (Lea Massari) é uma moça rica, insatisfeita com a sua relação com Sandro (Gabriele Ferzetti), pois estão mais tempo separados que juntos, e ela duvida do empenho dele. Um momento de reencontro dá-se numa viagem de iate pelas ilhas Eólias. Aí, Anna e Sandro são acompanhados por Claudia (Monica Vitti), a melhor amiga de Anna, e uma série de amigos, ricos e de gostos decadentes. Após uma paragem numa ilha, Anna desaparece, não se sabendo se terá caído ao mar, ou seguido nalgum barco, depois de se chatear com Sandro. Claudia e Sandro ficam para trás para a procurar, mas acabam por se envolver amorosamente. Continuar a ler

Ciclo “Os filhos do Neo-realismo”

Etiquetas

, , , , , , , , , , ,

Michelangelo Antonioni e Federico Fellini

Depois de um ciclo dedicado ao Neo-realismo italiano, vamos agora olhar para a geração seguinte, o cinema de autor que herdou a batuta de Rossellini, Visconti e De Sica, isto é, os realizadores italianos que nos anos 60 e 70 ganharam notoriedade com um cinema pessoal e de vanguarda. O ciclo inicia-se com o texto introdutório de Hugo Gomes.

Texto de Hugo Gomes
Autor do blogue Cinematograficamente falando
Colaborador do website c7nema

Em “Il Conformista” (O Conformista), Jean-Louis Trintignant compõe um agente à paisana ao serviço dos ideais do fascismo, ele é descrito como um homem de fraca vontade submetido à ideologia imposta e dominante numa Itália em silenciosa resistência. Nos primeiros minutos da obra de Bertolucci, o nosso protagonista é levado ao seu «criador», pronto para a derradeira proposta. Seria Trintignant um valioso membro para a instalação ou preservação destas mesmas doutrinas? Curiosamente quem recebe o nosso «herói» fala, literalmente, numa disposição de abraçar o sistema fascista. E é aí que consiste o ponto fulcral dos autores e filmes deste ciclo, o não-medo, o tom, por vezes inquisidor, de assumir uma época histórica e um sistema politica de há 2 décadas como fascismo, sabendo perfeitamente que o mais fascista dos fascistas nunca reconhecerá o seu «reino» como uma ditadura, nem sequer apelidá-lo de forma tão radicalmente literal.

Nesse sentido, as primeiras aventuras do chamado Neo-realismo italiano perfeitamente apostaram nessa, referida, resistência silenciosa. Rossellini, descrito erradamente de «pioneiro» desse mesmo movimento, orquestrava as suas críticas cinematográficas numa altura em que o fascismo respirava, vivendo a sua grandiloquência de fachada, sem ceder ao menor sinal de enfraquecimento, sendo que, em obras como “Roma, Cidade Aberta”, era subliminarmente visível essa queda ideológica e social. «O Rei Morreu, Longa Vida ao Rei!», diriam se o cenário fosse monárquico. Contudo, o Neo-realismo puro dos anos 40 perdera o seu toque de sofisticação, tornara-se obsoleto, decadente com a realidade imposta e pior de tudo, fossilizado num estilo explorado à exaustão.

Enquanto que Rossellini, que fora visto como um cúmplice desse mesmo regime (que numa leitura abstracta poderíamos induzir a personagem de Trintignant como uma alusão ao mesmo), outros realizadores transitórios teriam que contornar as suas veias neo-realistas, ou como os casos de Federico Fellini e Luchino Visconti, transformá-los em algo mais, sem com isso descartar por completo as suas experiências na pureza do movimento mais italiano dos movimentos italianos. Fellini já gradualmente experienciava essa distância, associando as suas alegorias oníricas com o realismo formal de «déjà vu», para além da satirização quase burlesca com que esboçava a imagem da burguesia italiana. Vischonti, por sua vez, abraçava gradualmente uma plasticidade que o levaria a exercícios interessantes de reflexão político-social (como verão no decorrer deste ciclo).

Mas os anos 60 foram cruciais para uma nova geração que surgiria sob essa passada assombração de tempos negros. Por um lado Antonioni como um dos mais inventivos, quer narrativos, quer estéticos desta «ninhada», e o mais agressivo, Bertolucci, de olhos voltados para o país vizinho – França – com especial atenção ao ressurgimento das novas linguagens cinematográficas, a dita nouvelle vague para ser mais exacto, aquela ascensão de «sangue novo» em discórdia com o cinema velho. Também não esquecer da visão polivalente de Pasolini, a poesia emanada e filmada como uma barreira transposta, e como não poderia deixar de ser, o autor do filme politicamente mais agressivo deste ciclo, de fazer corar o próprio Bertolucci, que é o sempre controverso “Salò o le 120 giornate di Sodoma”.

Mas não é a ofensiva o único filtro de concentrar uma crítica politica, o humor assumiu também essa via, e ao contrário do senso comum, não menos simpática. Dino Risi e Marco Ferreri foram os maestros dessa quota revolucionária, ensinando que com gargalhadas é possível exorcizar uma Itália. E no fundo, estes “filhos do Neo-realismo” não são mais que exorcistas prontos para expulsar demónios que muitos tentam esconder por baixo dos seus respectivos «tapetes».

Textos adicionais
A lista de filmes

Fim do ciclo “Danny Kaye (Reis da comédia V)”

Etiquetas

, , , ,

Danny Kaye

Termina aqui o ciclo dedicado a um dos reis da comédia norte-americana de expressão cinematográfica, Danny Kaye. Apresentaram-se treze das suas comédias. Em falta ficou (para já) “Viva o Palhaço” (Merry Andrew, 1958), de Michael Kidd, com a promessa de que aqui será trazido quando for possível. De fora ficaram ainda (por razões óbvias) os dramas “Christian Andersen” (Hans Christian Andersen, 1952), de Charles Vidor e “Os Cinco Réis” (The Five Pennies, 1959), de Melville Shavelson, bem como a última longa-metragem em que Kaye participou, “A Louca de Chaillot” (The Madwoman of Chaillot, 1969), de Bryan Forbes, onde o comediante teve apenas um papel secundário.

Para alguns uma figura demasiado histriónica, e nem sempre servido por bons filmes, Danny Kaye construiu entre 1944 e 1963 uma carreira sólida no cinema, conseguindo uma apreciação geral do público, baseada na sua persona de enternainer total, ao bom estilo do vaudeville, mostrando dotes no canto, dança, mímica, humor físico burlesco, expressões faciais desconcertantes e uma espantosa prosódia que o tornava um rei de trava-línguas e divertidas charadas aliterativas (tanto cantadas como faladas), muitas vezes escritas pela sua esposa Sylvia Fine.

Hoje bastante caído no esquecimento, foi intenção d’A Janela Encantada homenagear este actor ímpar, e quem sabe ajudar a divulgar a sua obra e tantos momentos de génio que nos deixou no campo do humor.

Textos adicionais
A lista de filmes

O Homem do Diners’ Club, 1963

Etiquetas

, , , , , , , ,

The Man from the Diners' ClubErnest Klenk (Kaye) é um empregado da instituição de crédito Diner’s Club, com o emprego em risco, por passar constantemente cartões a quem não deve. Nas vésperas do seu casamento com Lucy (Martha Hyer), Klenk volta a fazer asneira, ao atribuir, sem reparar, um cartão ao mafioso procurado pela polícia, Foots Pulardos (Telly Savalas). Este, por sua vez, procura alguém cujo corpo possa passar pelo seu depois de carbonizado num incêndio, para que possa fugir do país. Quando Klenke vem ao ginásio onde Pulardos trabalha, para tentar recuperar o cartão, torna-se a vítima ideal de Pulardos. Continuar a ler

Um General e Meio, 1961

Etiquetas

, , , , , , , , , ,

On the Double Ernie Williams (Danny Kaye) é um soldado Americano estacionado na Inglaterra à espera do Dia D, que, ao fazer uma imitação do estratega militar, o general MacKenzie-Smith (também Kaye), é recrutado à força para se passar por ele, enquanto o general vai secretamente estudar frentes de batalha. Mas o que Ernie não sabe é que o general tem sido vítima de atentados por parte de espiões nazis. Com a ajuda do coronel Somerset (Wilfrid Hyde-White), e da própria esposa do general, Lady Margaret (Dana Wynter), Ernie vai ter de enganar todos, em várias aparições públicas, tentando sobreviver a vários atentados Continuar a ler

Satyricon, 1969

Etiquetas

, , , , , , , , ,

Texto publicado originalmente no dia 1 de Junho de 2013.

A janela encantada

Fellini-SatyriconEncólpio lamenta a perda do amante Gíton, levado por Ascilto, o seu companheiro de apartamento. Ascilto conta-lhe que vendeu Gíton a uma companhia de teatro, e Encólpio resgata-o. No regresso, Gíton escolhe ficar com Ascilto, provocando a fúria de Encólpio, em simultâneo com um terramoto.

Com o poeta Eumolpo, Encólpio participa num festim em casa de Trimálquio. Após uma desavença sobre poesia, Eumolpo é levado, e Trimalcione convida todos a testemunharem um simulacro da sua morte e funeral, enquanto conta a história da Matrona de Éfeso. Encólpio parte levando o maltratado Eumolpo.

View original post mais 982 palavras