Os Quatro Ginetes do Apocalipse, 1921

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The Four Horsemen of the Apocalypse Julio Madariaga é o patriarca de uma família de grandes proprietários argentinos. Tendo três netos da filha mais velha (Mabel Van Buren), despreza-os por serem filhos de um genro alemão (Alan Hale), rejubilando quando a segunda filha, Luisa (Bridgetta Clark), casada com o francês Marcelo Desnoyers (Josef Swickard), lhe dá um novo neto. Este, de nome Julio (Rudolph Valentino), sob a protecção do avô torna-se um conquistador boémio. Quando Madariaga morre, os genros levam as famílias para os respectivos países, onde, pouco depois começa a Primeira Guerra Mundial. Esta vai opor França e Alemanha, e colocar as duas famílias frente a frente, trazendo sofrimento e tragédia a ambos os lados. Continuar a ler

Ciclo “Clássicos dos anos 20”

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Roy D'Arcy, Mae Murray e John Gilbert em "A Viúva Alegre" (The Merry Widow, 1925) de Erich von Stroheim

Se é verdade que o cinema americano se começou a desenvolver a partir de 1895, na costa Leste, sob o domínio de Edison, e das empresas que se aliaram ao Edison Trust, é a partir de 1909, quando o cinema americano «emigra» para as paisagens solarengas da Califórnia, que se começa a criar a indústria que hoje conhecemos.

Fosse através dos primeiros westerns, dos épicos de D. W. Griffith e Cecil B. DeMille ou da comédia burlesca de Mack Sennett, a década de 1910 é o período da criação e cristalização dos primeiros géneros, autores e actores. É nela que se dá a génese das produtoras que em breve se tornarão senhoras absolutas do cinema mundial e consequentemente, o início de um modelo de negócio que se iria tornar no famoso «studio system».

Tudo isto atinge o seu ponto áureo na década de 20. É nela que o cinema americano se leva a sério e decide considerar-se, mais que uma atracção de entretenimento barato, uma arte: a sétima arte. É nela que alguns realizadores se começam a ver como autores, exigindo papel criativo perante os seus produtores. É nela que as principais estrelas da tela se tornam universais. É nela que os grandes estúdios começam a importar talentos criativos da Europa (a qual paga ainda o preço da Grande Guerra), que lhes permita uma produção a todos os títulos hegemónica. É nela que o cinema mudo atinge a perfeição, numa série de grandes obras hoje tidas como referência. É nela que a indústria de Hollywood se une e passa a auto-premiar-se numa cerimónia que dura até hoje: a entrega dos Oscars.

A década de 1920 é, por isso, uma época importante, de obras incontornáveis, e o estabelecimento de nomes que ajudaram a elevar a fasquia do cinema norte-americano, como os citados Griffith e DeMille, os também americanos Fred Niblo, Clarence Brown, King Vidor, Frank Borzage, William A. Wellman e Victor Fleming, ou os emigrados Rex Ingram, Victor Sjöström, Erich von Stroheim. F. W. Murnau e Josef von Sternberg. Foi a época de Lilian Gish, Rudolph Valentino, Greta Garbo, John Gilbert, Emil Jennings, Clara Bow, Janet Gaynor, Gloria Swanson, Antonio Moreno, entre outros.

É essa década, nas suas maiores obras, que se pretende homenagear neste ciclo, com mais de duas dezenas de filmes produzidos nos Estados Unidos e que foram, de uma forma ou de outra, importantes na construção da toda-poderosa Hollywood.

Nota 1: Este ciclo pode ser visto como uma espécie de parte 2 do anterior Longas-metragens da comédia muda, e será, mais tarde sucedido de um ou mais ciclos dedicados à aventura, horror e fantasia do cinema mudo de Hollywood.

Nota 2: Para um olhar sobre o cinema europeu deste período, consultar:
Expressionismo alemão
Cinema mudo escandinavo

Luci del varietà, 1951

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Luci del varietàO sucesso de uma troupe de vaudeville, que corre Itália em parcas condições, começa a mudar quando a jovem Liliana Antonelli (Carla Del Poggio), conhecida como Lily, entra para a companhia. Aceite com relutância pelos colegas, mas sob insistência do comediante Checco Dal Monte (Peppino De Filippo), Lily torna-se uma atracção, o que vem perturbar os equilíbrios sempre instáveis da companhia, principalmente com Melina Amour (Giulietta Masina) companheira de Checco, que este vai ignorando. Com o protesto dos outros actores, Checco decide formar a sua própria companhia, em torno de Lily, mas esta começa a ser cobiçada por empresários de outro gabarito. Continuar a ler

Ciclo “Federico Fellini”

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Federico Fellini

Depois de Woody Allen, Alfred Hitchcock, Martin Scorsese e Ingmar Bergman, inicia-se n’A Janela Encantada mais uma integral dedicada a um grande nome do cinema mundial: Federico Fellini. Esta decorrerá às quartas-feiras, quinzenalmente, abarcando todas as longas-metragens do autor italiano. O primeiro filme surgirá mais logo. Até lá, ficamos com o texto introdutório, da autoria de Jorge Saraiva.

 

Texto de Jorge Saraiva

O termo «felliniano» entrou no vocabulário comum tal kafkiano ou orwelliano quando nos referimos a situações absurdas e inexplicáveis, ou a um controlo desmesurado e totalitário da vida privada das pessoas, respectivamente. No caso de Fellini aplica-se o termo a pessoas ou a situações bizarras que fogem completamente ao padrão que entendemos por normal.

Este termo faz algum sentido. Sem ser exaustivo, lembramo-nos de personagens como a vendedora de cigarros de “Amarcord”, o cineasta sem filme de “8 1/2” , a rapariga meio tonta de “A Estrada”, ou toda a colecção de personagens que desfilam num programa feminino de “Ginger e Fred”. Mas se faz algum sentido, também se pode considerar perigoso, porque pode pressupor que o cinema de Federico Fellini se resume ao desfile de personagens e situações insólitas. Embora elas existam, não são o elemento central da sua obra.

Fellini teve uma carreira longa e irregular, mas que nunca caiu na mediocridade ou na banalidade. Começou naturalmente pelo Neo-realismo, a corrente dominante do cinema italiano da década de 50, embora os seus filmes já revelem o grau de heterodoxia que caracterizariam a sua carreira posterior. Se “A Estrada” é o filme emblemático deste período, “As Noites da Cabíria”, e “Os Inúteis” são igualmente notáveis. A ruptura com a estética neo-realista acontece com “A Doce Vida” e prolonga-se com a obra prima absoluta “8 1/2”, provavelmente a reflexão mais genial feita em cinema sobre o processo criativo e a angústia que a sua ausência provoca. A partir daí, se há uma estética e um modo de produção e de realização que se vão mantendo constantes e claramente identificáveis, os seus temas vão sendo cada vez mais diversificados, do experimentalismo clássico de “Satyricon”, ao quase terror de “Julieta dos Espíritos”, passando pelo pseudo-documentário de Roma. Em todos eles, perpassa uma ironia fina, muitas vezes apenas implícita, mas frequentemente impiedosa e directa. Essa mesma ironia viria a revelar-se em todo o seu esplendor em “Amarcord”, a sua obra mais popular, de cariz autobiográfico que remete para a sua pequena cidade das costas do Adriático. Mas o sucesso internacional de Amarcord não o levou, ao contrário de muitos outros, a fazer concessões ou a abrir-se para um cinema mais comercial. A década de 80 demonstra-o amplamente, sobretudo através de filmes como “O Navio” e “Ginger e Fred” que facilmente emparceiram entre os seus melhores.

Aparentemente, Fellini tinha uma forma anárquica de filmar, dando, tal como Jean Renoir, uma grande liberdade de improvisação aos seus actores. Parece que as filmagens decorriam de forma desordenada, sem método e com grande boa disposição, catalisada pela personalidade extrovertida do cineasta. Sem nunca ter sido um maníaco dos pormenores como Luchino Visconti, os seus filmes revelam um inesperado cuidado em todas as suas fases. Gostaria de destacar em particular o trabalho de Nino Rota, talvez o melhor compositor da história do cinema e o excelente trabalho de direcção de actores onde Marcello Mastroianni brilhou a grande altura, em diversas fases da sua carreira, do jovem sedutor de “A Doce Vida”, até ao velho nostálgico de “Ginger e Fred”, passando pelo homem recalcado de meia idade de “A Cidade das Mulheres”.

Sei que é um lugar comum, mas não é possível imaginar a história do cinema sem Federico Fellini. E isto diz tudo sobre a sua importância.

A lista de filmes

Fim do ciclo “Spaghetti com S de Sergio”

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Se é verdade que nem de só dos três Sergios (Leone, Corbucci e Sollima) se fez o chamado «western spaghetti», é também verdade que a prova do tempo os deixou como os vencedores, aqueles que hoje mais frequentemente se apontam como os autores definitivos daquele género que atravessou os anos 60 e entrou nos 70 do século passado.

Embora aqui tenhamos olhado apenas para doze filmes, foram várias centenas aqueles que, com produção italiana, muitas vezes em colaborações com outros países europeus (RFA, França e Espanha, geralmente), envolvendo actores destes países ou dos Estados Unidos, viram a luz do dia, enchendo alguns mercados, e cativando um enorme público, ávido de aventuras sujas de uma mística de western mais virada para os tiroteios, as imprevisibilidades de carácter e os anti-heróis sem objectivos ulteriores.

Mais ou menos sérios, com maiores ou menores cuidados de produção, alguns desses filmes tornaram-se filmes de culto, e alguns dos seus heróis (Django, Sartana, Sabata, Trinitá, por exemplo) tornaram-se verdadeiros mitos do cinema. Com a sua proficuidade e constância estética, o western spaghetti marcaria mesmo uma geração, a qual parece agora querer homenagear as suas influências. É exemplo a carreira mais recente de Quentin Tarantino, com “Django Libertado” (Django Unchained, 2012) e “Os Oito Odiados” (The Hateful Eight, 2015).

Mas ainda mais importante que (re)descobrir estas influências em sucessos recentes, é (re)descobrir um mundo diferente, onde estética, moral e comportamentos eram definidos de um modo único e marcante, gerando algumas obras incontornáveis do cinema universal, e trazendo-lhe incontáveis espectadores que ainda hoje olham esses tempos com uma ímpar nostalgia.

Para finalizar, fica o acradecimento a Pedro Pereira pelo texto de lançamento deste ciclo, e a Emanuel Neto, pelos inúmeros comentários que ajudam a situar cada filme. Ambos mantêm viva a chama do spaghetti no seu riquíssimo blogue Por um Punhado de Euros“, uma verdadeira bíblia spaghetti em português, e cuja visita se recomenda vivamente.

Textos adicionais
A lista de filmes

Aguenta-te Canalha!, 1971

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Giù la testaNo México da revolução no início do século XX, encontra-se John H. Mallory (James Coburn), um revolucionário irlandês do IRA, perito em explosivos, e que, depois de traído pelo melhor amigo, deixou tudo para trás, para uma vida a troco do melhor preço. É lá que se vai cruzar como Juan Miranda (Rod Steiger), um bandido local, líder de uma família de foras-da-lei, que sonha com importantes assaltos a bancos, que o tornem alguém. Com John a soldo dos revolucionários, as ambições dos dois homens cruzam-se momentaneamente, tornando-os, praticamente sem o quererem, verdadeiros heróis da revolução. Continuar a ler

Companheiros, 1970

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Vamos a matar compañeros Quando o General Mongo (José Bódalo) conquista mais uma cidade para os revolucionários mexicanos, descobre que a combinação do cofre está nas mãos do pacifista professor Santos (Fernando Rey), aprisionado em Yuma, nos Estados Unidos. Para o resgatar, Mongo envia o seu tenente, o impulsivo Vasco (Tomas Milian) e o mercenário sueco Yodlaf Peterson (Franco Nero). Os dois homens odeiam-se, mas terão de trabalhar juntos para conseguir ludibriar os norte-americanos, raptar o professor e trazê-lo de volta ao México. Isto, enquanto são perseguidos pelo sádico John (Jack Palance), e tentam compreender a estranha filosofia pacifista de Santos. Continuar a ler

Aconteceu no Oeste, 1968

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C'era una volta il WestNo dia do seu casamento, Brett McCain (Frank Wolff) e a família são chacinados por bandidos. À chegada, a noiva Jill McBain (Claudia Cardinale) herda apenas uma terra sem qualquer riqueza, mas que é disputada pelo assassino Frank (Henry Fonda), a soldo do industrial dos caminhos-de-ferro, Morton (Gabriele Ferzetti). Atraídos ao local são Cheyenne (Jason Robards), um bandido em fuga das autoridades, cujo bando surge incriminado nos crimes de Frank, e o misterioso Harmonica (Charles Bronson), que vai marcando encontros com Frank, e matando os homens deste, que aparecem no seu lugar. Continuar a ler

Pistoleiro Profissional, 1968

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Il mercenarioQuando o mercenário Sergei Kowalski (Franco Nero) encontra o antigo revolucionário Paco Roman (Tony Musante) como palhaço numa tourada, descobrimos, em flashback, como ambos se conheceram. Kowalski fora contratado pelos irmãos Garcia para lhes transportar a sua prata, quando Roman fez rebentar a mina deles. Sob ameaça das tropas governamentais, e do sádico norte-americano Curly (Jack Palance), Roman e Kowalski vão-se cruzar várias vezes, com o primeiro a pagar ao segundo pela sua ajuda e conhecimentos de guerra. Mas nem todos os encontros acabam bem, e há contas a ajustar entre os dois. Continuar a ler

O Grande Silêncio, 1968

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Il grande silenzioDurante a «Great Blizzard of 1899», as péssimas condições climatéricas causam devastação, e levam alguns homens a roubar para comer. A mão implacável da lei considera-os criminosos e contrata caçadores de prémios para os matar. Estes são liderados pelo sádico Loco (Klaus Kinski), a soldo do banqueiro Henry Pollicut (Luigi Pistilli), que usa a pobreza dos outros em benefício próprio. Apiedando-se do sofrimento do povo, chega Silêncio (Jean-Louis Trintignant), um pistoleiro mudo, exímio, que surge quase como um fantasma, com contas a ajustar com o passado. Continuar a ler