Em Marcha, 1944

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Up in ArmsDanny Weems (Danny Kaye) é um inveterado hiponcrondíaco, apropriadamente apaixonado por uma enfermeira, Mary (Constance Dowling). Mas na sua ilusão, Danny não vê que ela se apaixona pelo amigo dele, Joe (Dana Andrews), enquanto é a colega dela, Virginia (Dinah Shore) que tem interesse romântico por Danny. Um dia são todos recrutados para a guerra. Com Mary a embarcar por acidente no navio dos amigos, Danny, Joe e Virginia têm de ocultar a presença dela num navio apinhado de soldados e enfermeiras, o que vai causar a Danny pasto para se meter em confusões sem fim. Continuar a ler

Ciclo “Danny Kaye (Reis da comédia V)”

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Danny Kaye em "O Homem das Sete Vidas" (The Secret Life of Walter Mitty, 1947), de Norman Z. McLeod

Depois de Os Irmãos Marx, Monty Python, Mel Brooks e Jerry Lewis, o quinto tomo do super-ciclo “Os Reis da Comédia” traz-nos Danny Kaye, um comediante americano, hoje estranhamente caído no esquecimento, mas que foi um dos mais populares actores e entertainers do seu tempo.

Sem o virtuosismo técnico de um Gene Kelly, a inventividade absurda de um Jerry Lewis, ou a voz incomparável de um Frank Sinatra, Danny Kaye fez carreira na comédia musical, sem nunca protagonizar super-produções como os grandes clássicos da MGM. Era, no entanto, melhor actor que eles, especializando-se numa comédia de enganos de argumentos delirantes, um humor físico evocativo do antigo burlesco, canções cómicas e diálogos alucinantes de rimas aliterativas e charadas trava-línguas inesquecíveis, uma mímica facial imbatível, e uma grande competência no canto e na dança.

Com personagens bem escolhidos, uma alegria em palco e em tela, uma colaboração duradoura com a sua esposa, pianista, compositora e letrista Sylvia Fine, e um rosto bondoso que encarnava sem dificuldade os seus personagens atrapalhados, mas bem dispostos, Kaye foi estrela de cinema, televisão e rádio, gravou discos de sucesso, e atravessou continentes em digressões de palco, muitas vezes de beneficência, quer no entretenimento das tropas norte-americanas, quer como embaixador da UNICEF.

É essa carreira que aqui se vai homenagear, em catorze filmes, quem sabe, ajudando a recuperar o interesse por este actor ímpar de atributos inigualáveis, que tantos momentos de génio nos trouxe no domínio da comédia musical de Hollywood.

Textos adicionais
A lista de filmes

Romance, 1930

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Como prometido anteriormente, quando fosse possível obter o filme “Romance” (1930) de Clarence Brown, completar-se-ia n’A Janela Encantada a análise à obra integral de Greta Garbo em Hollywood, no ciclo Divas de Hollywood II. É isso que se faz agora.

RomanceNa noite de ano novo, o jovem Harry (Elliott Nugent) vai falar com o seu avô, o bispo Tom Armstrong (Gavin Gordon), para lhe dizer que vai mesmo casar com um actriz, contra a vontade da família que desconfia da reputação dela. O avô conta-lhe então como, cinquenta anos antes, ele próprio, então um jovem pároco, se apaixonou pela cantora lírica italiana Rita Cavallini (Greta Garbo), mulher de passado questionável, amante do milionário Cornelius Van Tuyl (Lewis Stone), e cuja diferença de valores viria a trazer conflitos ao romance do par. Hoje, passados cinquenta anos, é essa relação, e os arrependimentos de não a ter seguido, que o bispo recorda. Continuar a ler

Fim do ciclo “Clássicos dos anos 20”

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Janet Gaynor e George O'Brien em "Aurora" (Sunrise: A Song of Two Humans, 1927) de F. W. Murnau

Com o final dos anos 20 do século passado, muito mais que a mudança de um década, mudou-se de paradigma na história do cinema. O sonoro tornou-se reinante, trazendo outra importância aos diálogos e à música. Para trás ficavam as histórias contadas apenas por imagens, com aquela linguagem própria, feita de olhares, gestos, simbolismos e insinuações da montagem, e que agora deixavam de ser necessárias, no que, para alguns, levou a um desaprender da arte de fazer cinema, que agora via os diálogos como uma muleta.

Para trás ficavam também algumas estrelas, como Clara Bow, John Gilbert, Rudolph Valentino, Emil Jennings, Lars Hanson, Janet Gaynor, Lilian Gish, Gloria Swanson, Antonio Moreno e outros, fosse por serem estrangeiros e falarem mal inglês, por a sua voz não se adequar à imagem que o público tinha de si, por não se sentirem à vontade a declamar, ou por outras razões, nunca mais atingiram os mesmos patamares de notoriedade. Sobrevivente dessa era dourada, quase só Greta Garbo, que aqui mereceu um ciclo à parte.

Na comédia (que aqui também teve um ciclo independente) findava o burlesco clássico, do qual apenas Chaplin continuaria no mudo, e a dupla Laurel & Hardy (Bucha e Estica) no sonoro. Privilegiava-se agora a comédia de réplicas rápidas (Irmãos Marx, e W. C. Fields), a movimentada sofisticação da screwball comedy, e claro as comédias musicais, geralmente de teor romântico. Quanto à fantasia, aventura e terror, mercerão um ciclo próprio no futuro.

Termina aqui um ciclo de 24 filmes, que tentam representar o que de melhor se fez no drama hollywoodesco da década de 1920. Afinal a década em que o cinema mostrou ao mundo que era mais que uma atracção momentânea, que era grandioso, uma nova indústria, e acima de tudo, uma arte.

Nota: Este ciclo pode ser completado com a (re)leitura dos seguintes ciclos que já aqui mereceram destaque:
Longas-metragens da comédia muda
Greta Garbo (Divas da comédia II)
Expressionismo alemão
Cinema mudo escandinavo

A Rainha Kelly, 1929

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Queen KellyEmbora noivo da cruel rainha Regina V de Middle Europe (Seena Owen), o príncipe Wolfram (Walter Byron) vive uma vida de conquistas amorosas, o que faz decidir antecipar o casamento que o príncipe não deseja. Na véspera do casamento, Wolfram, em manobras militares no campo, enamora-se de uma órfã, Patricia Kelly (Gloria Swanson), com quem conversa quando esta e as amigas viajam para um convento. Nessa noite, Wolfram rapta Kelly, e leva-a para o palácio, mas quando a rainha os descobre juntos, em fúria, decide exercer a sua vingança. Continuar a ler

ZOOM – Cineclube de Barcelos

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ZOOM - Associação Cultural

Apresentação

Nome: ZOOM – Cineclube de Barcelos
Localização: Avenida João Duarte, 405, 4750-175 Barcelos

Facebook: https://www.facebook.com/zoom.pt
Email: cinemazoomcinema@gmail.com

Teatro Gil Vicente, local das exibições do Cineclube de Barcelos

Entrevista

Entrevista a Isabel Clara Rodrigues Araújo, presidente da direção da ZOOM – Associação Cultural
Março de 2017

Há quanto tempo existe a ZOOM – Associação Cultural?
A associação cultural ZOOM, foi fundada em janeiro de 2005. Completou este ano 12 anos de existência.

Quantos sócios tem, e que quotas pagam?
A ZOOM tem por volta de 160 sócios, mas só 40 têm a quota em dia. O pagamento da quota divide-se por diferentes modalidades:
– Pagamento anual 25€
– Pagamento trimestral 15€
– Pagamento mensal 5€
– Gratuito para crianças até aos 10 anos
– Desconto para estudantes
– Sócios mecenas, pagamento anual de 250€

Quantas sessões organizam por mês?
No ano anterior realizamos um total de 48 sessões. Sendo que em Agosto não temos atividades. Em média realizamos 4 sessões por mês. Algumas sessões são articuladas com o plano nacional de cinema, exibindo filmes para os alunos das escolas do concelho que fazem parte desse plano.

Que critérios presidem à vossa programação, e que áreas se procuram cobrir?
É nossa forte preocupação a exibição mais alternativa, não comercial, valorizando o cinema de autor, com a exibição de filmes e de documentários premiados em festivais nacionais e internacionais. Procuramos cobrir todas as áreas e sentimentos que o cinema independente consegue transmitir. Sabemos que hoje em dia, é mais evidente a procura de bom cinema, destacando todas as mais valias que este consegue garantir. Contudo, exibimos também ciclos de cinema temáticos em articulação com algumas datas importantes e com instituições do nosso concelho.

No geral, a nossa preocupação é exibir cinema nacional e internacional o mais recente possível, no entanto, também nos parece importante engrandecer alguns nomes do cinema mais remoto e é isso que fazemos nos ciclos de cinema, nas conversas com realizadores e nalguns workshops com alunos de escolas.

Como é a adesão da população em geral?
Estando o cineclube situado num concelho com algumas carências culturais, torna-se difícil chegarmos a um número conceituado de público. No entanto, como articulamos as nossas sessões com diversificados públicos, escolas, universidade sénior, entre outros, estas têm uma maior adesão. Também notamos que por vezes a realização de ciclos de cinema é uma mais valia para angariar novos públicos.

Que outras actividades e iniciativas da ZOOM gostaria de destacar?
Nos anos anteriores a 2013, a ZOOM sempre desenvolveu muitos projetos relacionados com diferentes áreas, desde o cinema até à música, passando pela fotografia, artes plásticas, literatura, entre outras.

De Dezembro de 2013 a Outubro de 2015, alugamos um espaço a que chamamos CASAZUL, que nos permitiu desenvolver mais regularmente essas atividades, com autonomia de tempo e de espaço. Este espaço, a CASAZUL, acolheu e promoveu o desenvolvimento e exposição do trabalho de artistas locais, apoiando a divulgação das suas obras e recebeu igualmente artistas nacionais e internacionais, sempre em colaboração com outras instituições e entidades.

Com que apoios contam a nível local, e que outros gostariam de ter?
A ZOOM conta com o apoio total da Câmara Municipal de Barcelos. Parcialmente, contamos com a ajuda de apoios do Estado, nomeadamente o ICA. Os nossos sócios asseguram, uma parte muito pequena, que não cobre todas as atividades que realizamos, por isso também realizamos outras iniciativas com o objetivo de angariar fundos.

Estão satisfeitos com as instalações, e material técnico ou pensam que poderiam ter melhores condições?
A ZOOM possuía um espaço próprio, a CASAZUL, que vimos ser encerrada em Outubro de 2015, mas mesmo assim conseguimos que a nossa programação não parasse. No entanto, queremos continuar a crescer e não queremos parar na realização de atividades que se limitem só ao cinema. A procura de um novo espaço é persistente, mas difícil. Neste momento contamos com o trabalho em parceria com a Câmara Municipal de Barcelos e o Theatro Gil Vicente. Contudo, vamos continuar a lutar para alcançar esse objetivo, porque sabemos que Barcelos precisa de uma associação como a nossa para uma alternativa cultural.

Qual a facilidade ou dificuldade com que obtêm os filmes desejados?
Não tem sido difícil a obtenção dos filmes que exibimos. No entanto, alguns mais recentes, premiados ou de festivais são de difícil acesso e por vezes muito dispendiosos. Já temos contactos com algumas distribuidoras e recorremos à internet para pesquisar aqueles mais difíceis de encontrar. Nem sempre esta tarefa é fácil porque há muitos filmes que pertencem a distribuidores maiores, como por exemplo, a NOS, e que não facilita a distribuição de determinado filme aos cineclubes.

Em que formatos os projectam, e que proveniências têm?
Os filmes projetados pela ZOOM são regularmente em formato DVD, sendo que também apresentamos em Bluray e ficheiro digital, não DCP. Este projetor é extremamente caro e a sala de exibição não o tem. Estamos a pensar exibir alguns filmes em película, o único problema é termos projecionista capaz de o fazer.

A origem dos filmes são as respetivas distribuidoras.

Finalmente, na era da internet, qual a importância que vêem actualmente na existência dos cineclubes?
Claro que com a chegada da internet, todo o panorama cinematográfico levou um abalo, no entanto, hoje em dia penso que tudo se começa a compor. Na minha opinião, os cineclubes sobrevivem de amantes de cinema. Gente que gosta mesmo de bom cinema, de sentir o filme com um grupo de pessoas que sabem aquilo que estão a ver e que sentem de um modo diferente o que é ver um bom filme. Mesmo quando se trata de documentários e filmes de animação, o nosso público adere ao cineclube. A internet não consegue se sobrepor estes sentimentos.

Casazul, anterior projecto de colaboração da ZOOM

A Janela Encantada agradece a colaboração de Isabel Araújo, e da ZOOM – Associação Cultural, recomendando a quem puder que participe nas suas sessões, e apoie os cineclubes locais.

Amores Imaginários, 2010

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Les amours imaginairesMarie (Monia Chokri) e Francis (Xavier Dolan) são dois jovens amigos, que um dia, numa festa, conhecem o jovem, belo e alegre Nicolas (Niels Schneider), cujo magnetismo natural faz com que ambos se sentim atraídos por ele. A partir de então ambos procuram todas as oportunidades para chegarem mais perto de Nicolas, que os encoraja com a sua amizade e partilha de intimidade, mas sem nunca manifestar uma preferência. Tal faz aumentar a frustração de Marie e Francis, que começam a competir não assumidamente entre si pelo tempo passado com Nicolas.

 
Filme disponível para aluguer em:
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Ciclo “Xavier Dolan” (Cinema XXI)

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Xavier Dolan em 2015 (Eric Dessons/JDD/SIPA/East News)

Volta em Junho mais um tomo do ciclo “Cinema XXI”, que durante alguns meses de 2016 marcou uma novidade n’A Janela Encantada, com a apresentação de análises a filmes contemporâneos. É uma forma de mesclar novas tendências do cinema de autor deste século com a abordagem mais histórica que constitui o grosso das publicações do blogue.

Para o «regresso» ao nosso século, o realizador escolhido foi o canadiano Xavier Dolan. Nascido apenas em 1989, Dolan começou a realizar, produzindo e interpretando os seus filmes, desde o primeiro “Como Matei a Minha Mãe” (J’ai tué ma mère, 2009), começado quando tinha apenas 19 anos. De então para cá, Dolan granjeou a admiração da crítica europeia, com distinções em vários festivais, como Cannes e Veneza.

Com um olhar acutilante, e uma forma de filmar dinâmica e quase intrusiva, os filmes de Dolan têm algo de autobiográfico, centrando-se nos temas da descoberta da sexualidade, do assumir da homossexualidade, e dos conflitos emocionais e familiares daí decorrentes. Procurando o realismo das emoções, patente nos rostos, nos gestos nervosos e nas decisões inseguras, as suas histórias provocam pela imperfeição das acções, e finais abertos de tom amargo. A chegar aos trinta anos, Dolan está apenas a começar a sua carreira, que conta já com seis filmes marcantes, dos quais, quatro serão apresentados este mês.

Textos adicionais

O Vento, 1928

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The WindLetty (Lilian Gish), uma jovem inocente da Virginia, viaja para ir viver num rancho no Texas, onde se juntará ao seu amado primo Beverly (Edward Earle). Só que este é casado com Cora (Dorothy Cumming), que tem ciúmes imediatos dela, e ao ver como marido e filhos adoram Letty, vai obrigá-la a deixar o rancho. Letty começa por aceitar a corte do galã Wirt Roddy (Montagu Love), que conhecera no comboio, para descobrir que este é casado e apenas a quer para amante. Casa então com Lige (Lars Hanson), um dos vizinhos, mesmo sem o amar. Quanto o vento se torna mais intenso, os rancheiros reúnem-se para caçar cavalos selvagens e assim garantiram a sobrevivência. É então que Roddy vai regressar para se impor a Letty, a qual tem de o enfrentar e superar a loucura causada pelo omnipresente vento. Continuar a ler

A Doce Vida, 1960

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La dolce vitaMarcello (Marcello Mastroiani) é um jornalista de um tablóide sensacionalista, que vive do parasitismo no mundo dos famosos, e do sonho que uma dia trocará o jornalismo pela literatura. Deixando a sua neurótica e ciumenta companheira Emma (Yvonne Furneaux) amiúde em casa, sem notícias, e à beira do suicídio, Marcello vive da cobertura de momentos fúteis, gozando a vida nocturna, festas, perseguições às estrelas, e um sem número de aventuras amorosas, sejam escapadas sexuais com a rica conquistadora Maddalena (Anouk Aimée) ou a americana Jane (Audrey McDonald), seja conduzir a estrela sueca Sylvia (Anita Ekberg) pela noite de Roma, ou a participar em festas decadentes em mansões milionárias.

 
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