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The Secret Life of Walter MittyWalter Mitty (Danny Kaye) é um editor de Nova Iorque, que trabalha em revistas de contos fantásticos. A sua vida aborrecida, onde é explorado pelo patrão (Thurston Hall), e empurrado para um noivado que nada lhe diz, leva-o a sonhar acordado com fantasias onde é sempre o herói, que enfrenta bandidos e salva a sua amada. Um dia essa amada das suas fantasias surge-lhe na forma de Rosalind van Hoorn (Virginia Mayo), uma mulher que lhe pede protecção contra um perseguidor. Sem saber como, Mitty vê-se envolvido numa história de um caderno desaparecido, contendo informações sobre jóias holandesas, que leva a que a sua vida esteja em perigo.

Análise:

A partir de um conto de James Thurber (o qual, segundo consta, se propos a pagar para o filme não ser feito), Danny Kaye protagonizou, pela quarta vez, uma comédia produzida pela companhia de Samuel Goldwyn, pela terceira vez contracenando com Virginia Mayo, e pela segunda sob a direcção de Norman Z. McLeod.

Um pouco menos burlesco e musical que os três filmes anteriores, “O Homem das Sete Vidas” é a história do sonhador Walter Mitty (Kaye), que trabalha numa editora de contos de ficção, onde a sua imaginação é tão subaproveitada pelo patrão (Thurston Hall), que passa o tempo a imaginar estar a viver magníficas histórias como as dos livros que publica. Um dia, Walter é abordado pela bela Rosalind van Hoorn (Virginia Mayo), que lhe diz estar a ser seguida, e lhe pede protecção. Em consequência dessa boa acção, Walter vai testemunhar um assassinato, tornar-se possuidor de um livro que todos querem, e acabar por perdê-lo quando Rosalind volta para o recuperar. Pelo meio, Walter tem de evitar um atirador de facas (Henry Corden), um bruto (Boris Karloff) que o tenta atirar de uma janela, enquanto tenta lidar com um noivado que ele não quer. E quando Walter e Rosalind vão finalmente entregar o livro ao tio desta (Konstantin Shayne), descobrem que é ele o líder dos assassinos, raptando Rosalind e fazendo crer que Walter é apenas vítima de novas alucinações. Mas este vai deixar que o seu amor por Rosalind vença a desconfiança e faça dele o herói que sempre sonhou ser.

Com um texto moldado à personalidade de Kaye, que levou o autor James Thurber a dizer que o filme deveria ser renomeado “The Public Life of Danny Kaye”, pois a história «real» e a persona do actor superam as fantasias que eram o cerne do conto, pode-se no entanto perceber que temos desta vez um Kaye mais contido, e uma história mais complexa que deixa espaço a muitos outros personagens de brilhar. Tal acontece com os oponentes de Walter Mitty, que são afinal todos, da noiva (Ann Rutherford), futura sogra (Florence Bates) e pretendente daquela (Gordon Jones), ao patrão de Mitty, e claro, aos bandidos, onde pontifica a interpretação do consagrado Boris Karloff. Atrapalhado, tímido, desajeitado, Mitty é um personagem bem-intencionado arrastado para histórias que não compreende. Apenas nos seus sonhos acordado ele é rei, e eles são pretexto para incluir passagens musicais que nada têm a ver com a história. É o caso do número “Anatole of Paris”, com letra de Sylvia Fine (esposa de Kaye), e feito à medida para a sua interpretação feita de trava-línguas, rápidos trocadilhos aliterativos e uma mímica única.

Com a realização directa e simples de Norman Z. McLeod, um homem que compreendia bem o ritmo da comédia ligeira, “O Homem das Sete Vidas” é um pouco um thriller criminal, adequado à habitual propensão de Kaye para as comédias de enganos. Com a sua conhecida velocidade verbal, talento para a confusão, e humor corporal, Kaye consegue entreter, numa história interessante, mesmo que o mistério seja quase nenhum, e o final perfeitamente previsível. Ainda assim o filme vale por alguns momentos bem conseguidos, como os diálogos entre Kaye e Karloff, quer quando o segundo o aborda no escritório para lhe vender contos de crime, quer quando Mitty o procura como psiquiatra, e ele o tenta convencer que a sua ilusão é tal que já vê mulheres em biquini.

Como vinha acontecendo com os filmes de Danny Kaye, “O Homem das Sete Vidas” foi novamente um sucesso. O filme conheceria muitas décadas depois um remake, produzido por Samuel Goldwyn, Jr., intitulado “A Vida Secreta de Walter Mitty” (The Secret Life of Walter Mitty, 2013), interpretado por Bem Stiller e Kristen Wiig.

Boris Karloff e Danny Kaye em "O Homem das Sete Vidas" (The Secret Life of Walter Mitty, 1947), de Norman Z. McLeod

Produção:

Título original: Norman Z. McLeod; Produção: The Samuel Goldwyn Company; País: ; Ano: 1947; Duração: 110 minutos; Distribuição: RKO Radio Pictures; Estreia: 4 de Agosto de 1947 (EUA), 7 de Fevereiro de 1948 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: The Secret Life of Walter Mitty; Produção: Samuel Goldwyn; Argumento: Ken Englund, Everett Freeman, Philip Rapp [não creditado] [a partir do conto homónimo de James Thurber]; Música: David Raksin; Canções: Sylvia Fine; Direcção Musical: Emil Newman; Fotografia: Lee Garmes [cor por Technicolor]; Montagem: Monica Collingwood; Direcção Artística: George Jenkins, Perry Ferguson; Cenários: Casey Roberts; Figurinos: Irene Sharaff; Caracterização: Robert Stephanoff; Efeitos Especiais: John P. Fulton, Harry Redmond Sr. [não creditado], Harry Redmond Jr. [não creditado]; Direcção de Produção: Leon Fromkess [não creditado].

Elenco:

Danny Kaye (Walter Mitty), Virginia Mayo (Rosalind van Hoorn), Boris Karloff (Dr. Hollingshead), Fay Bainter (Mrs. Mitty), Ann Rutherford (Gertrude Griswold)
Thurston Hall (Bruce Pierce), Florence Bates (Mrs. Griswold), Gordon Jones (Tubby Wadsworth), Konstantin Shayne (Peter van Hoorn), Reginald Denny (Coronel), Henry Corden (Hendrick), Doris Lloyd (Mrs. Follinsbee), Fritz Feld (Anatole), Frank Reicher (Maasdam), Milton Parsons (Mordomo), The Goldwyn Girls.

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