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The Strong ManSinopse:

Um soldado belga (Harry Langdon) luta na Primeira Guerra Mundial, motivado pelas cartas de amor que recebe da sua correspondente “Mary Brown”, uma rapariga americana que ele nunca conheceu. Terminada a guerra, ele viaja para os Estados Unidos, como assistente do Homem-força de circo, Zandow the Great (Arthur Thalasso). Mas a sua principal missão é encontrar a sua amada Mary Brown. Sem que o saiba irá encontrá-la graças a uma exibição para a qual Zandow foi contratado. Só que, tendo-se embebedado, Zandow fica incapaz de actuar, e é o próprio pequeno belga que tem de tomar o seu lugar.

Análise:

Hoje pouco conhecido fora dos Estados Unidos, Harry Langdon foi no seu tempo considerado um dos maiores cómicos de Hollywood, rivalizando em popularidade com Chaplin, Keaton ou Lloyd. Chegado ao cinema já tarde (tinha 39 anos), Langdon foi inicialmente descoberto por Mack Sennett, tendo feito parte da companhia do famoso produtor. Criou depois a sua própria produtora, a Harry Langdon Corporation, na qual começou a produzir as suas primeiras longas-metragens, algumas realizadas por si, outras entregues a realizadores como Harry Edwards ou Frank Capra.

A segunda das suas longas-metragens foi “Atleta à Força” o primeiro de dois filmes realizados por Frank Capra (o outro seria “Long Pants” de 1927), e a primeira longa-metragem deste realizador, que se tornaria um dos mais importantes de Hollywood nas décadas seguintes.

Na linha daquilo que vinha fazendo com a sua personagem cómica, “Atleta à Força” mostra-nos Harry Langdon como o habitual bebé grande, inocente, tímido, facilmente envergonhável, e usando um humor que consistia essencialmente em situações que o deixavam embaraçado. Assim, Harry é um soldado que regressa da guerra em busca daquela com quem se correspondia, mesmo que não tenha qualquer informação sobre ela. Procura-a inocentemente, evitando a todo o custo qualquer contacto com outras mulheres, pois a sua pureza a isso obriga.

O filme divide-se em quatro actos distintos: a guerra; regresso e episódio com a ladra ‘Lily’ of Broadway (Gertrude Astor); a viagem para a cidade de Mary Brown (Priscilla Bonner); e os acontecimentos na cidade, com o climático final. Quase como quatro episódios distintos, todos eles são fonte de diferentes tipos de humor. O primeiro e terceiro são de um slapstick puro de situações banais que Langdon transforma em humor (veja-se o modo como ele é mais exímio com fisga que com metralhadora, ou como combate a constipação, usando creme de queijo por engano); o segundo é o seu habitual percurso de gags que o deixam sempre embaraçado nas mãos de mulheres experientes (hilariante o modo como tem que carregar a sua oponente, e como dela foge para evitar o beijo); e finalmente o quarto, em que Harry deita abaixo, literalmente, com os seus números de homem-forte, um saloon, que é para os puritanos um antro de pecado que deve cair como as muralhas de Jericó.

Nem todas as sequências estão à mesma altura, e por vezes parecem irrelevantes para o argumento, mas ainda assim o filme proporciona vários momentos de humor inteligente, uma excelente interpretação de Harry Langdon, e cenários elaborados, por vezes destinados à destruição. Percebem-se piscadelas de olho a Keaton (a queda das escadas, a queda pela barreira que o leva ao carro de onde fora atirado) e a Chaplin (os mal entendidos com vários objectos).

Nem todas as sequências estão à mesma altura, e por vezes parecem irrelevantes para o argumento, mas ainda assim o filme proporciona vários momentos de humor inteligente, uma excelente interpretação de Harry Langdon, e cenários elaborados, por vezes destinados à destruição. Percebem-se piscadelas de olho a Keaton (a queda das escadas, a queda pela barreira que o leva ao carro de onde fora atirado) e a Chaplin (os mal entendidos com vários objectos).

Embora seja principalmente um filme de Langdon, e não de Capra (aqui ainda um simples tarefeiro), é, no entanto, curioso ver como Capra inicia a sua carreira já a filmar um inocente idealista, como tantos aqueles que o tornaram popular.

Produção:

Título original: The Strong Man; Produção: Harry Langdon Corporation; País: EUA; Ano: 1926; Duração: 75 minutos; Distribuição: First National Pictures; Estreia: 19 de Setembro de 1926 (EUA), 20 de Abril de 1928 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Frank Capra; Produção: Harry Langdon [não creditado]; História: Arthur Ripley; Argumento: Hal Conklin, Robert Eddy; Intertítulos: Reed Heustis; Fotografia: Elgin Lessley, Glenn Kershner; Director de Produção: William H. Jenner; Assistente de Realização: J. Frank Holliday; Montagem: Harold Young, Arthur Ripley [não creditado].

Elenco:

Harry Langdon (Paul Bergot), Priscilla Bonner (Mary Brown), Gertrude Astor (‘Lily’ of Broadway), William V. Mong (‘Holy Joe’), Robert McKim (‘Mike’ McDevitt), Arthur Thalasso (‘Zandow the Great’).

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