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It's the Old Army GameSinopse:

Elmer Prettywillie (W. C. Fields) é o dono de uma drogaria no interior da Flórida, local de confluência de toda a cidade, para mal dos seus pecados, pois Elmer tudo faz para poder descansar, desde tratar mal os clientes, a assustar com espingarda fornecedores e vendedores. Contraste é a sua empregada Marilyn Sheridan (Louise Brooks), que não só tenta fazer Elmer interessar-se pela sua amiga (Blanche Ring), como ao colher o interesse do aventureiro William Parker (William Gaxton), convence Elmer a ajudá-lo a vender propriedades de Nova Iorque. Convencido de que foi vítima de uma burla, Elmer tenta ir a Nova Iorque, mas ao regressar a casa descobre que George voltou e os investimentos deram lucro, sendo agora visto como um herói.

Análise:

W. C. Fields foi um dos mais populares comediantes norte-americanos da primeira metade do século XX, quer pela sua carreira teatral, como pela radiofónica e no cinema, onde brilhou na transição do mudo para o sonoro. Artista de circo desde tenra idade, Fields evoluiu os seus números de malabarismo e comédia, até chegar à Broadway, onde trabalhou para Flo Ziegfeld. Embora tenha, em 1915, participado nalguns filmes, foi só a partir de 1924 que Fields levou este meio mais a sério.

Depois de alguns filmes com D. W. Griffith, “It’s the Old Army Game” foi a quarta longa-metragem de W. C. Fields, e a sua afirmação definitiva no cinema burlesco, pois foi o primeiro filme em que teve liberdade para usar a sua persona cómica. O filme foi produzido pela Famous Players-Lasky Corporation (que viria a tornar-se a Paramount Pictures), a companhia de Adolph Zukor e Jesse L. Lasky, que resultava da união das suas companhias Famous Players Film Company e a Lasky Feature Show Company, e era desenvolvida criativamente por Samuel Goldwyn and Cecil B. DeMille. Quanto ao argumento, foi adaptado de números de teatro de Fields (praticamente uma compilação dos seus melhores gags de palco), e números escritos com Joseph P. McEvoy.

No filme, com Fields contracena ainda a icónica Louise Brooks, então esposa do realizador, A. Edward Sutherland, e ainda antes do estrelato internacional conseguido sobretudo com “A Boceta de Pandora” (Die Büchse der Pandora, 1929) de G. W. Pabst. Aqui Brooks é ainda uma actriz discreta, longe do fulgor da sua fase europeia, mas ainda assim, já detentora de uma graciosidade magnética. Criava-se assim uma história onde o burlesco de Fields contrastava com a história amorosa protagonizava por Brooks.

O enredo de “It’s the Old Army Game” constrói-se sobre a figura do boticário de província Elmer Prettywillie (W. C. Fields), que todos procuram e importunam, mas poucos respeitam. Prettywillie apenas quer paz, e vê-se constantemente a lidar com pessoas que o incomodam, e das quais se tenta livrar pelos meios menos ortodoxos, que vão de enganar os bombeiros com chamadas falsas, a afugentar vendedores com espingarda. O seu misantropismo (cultivado por Fields na sua persona artística) é evidenciado em inúmeras situações, especialmente perante o sobrinho Mickey (Mickey Bennett), que Prettywillie chega a considerar atirar de um primeiro andar, ou dar-lhe lâminas afiadas para ele brincar.

O humor do filme resulta geralmente das situações a solo de Fields, no modo como tenta gerir (desastradamente) todas as inconveniências. Embora sóbrio durante todo o filme, o seu personagem aparenta já muitas características do constantemente inebriado Fields de anos mais tarde (neste caso quase sempre culpa do sono, já que ninguém o deixa dormir). Menções ao álcool surgem disfarçadas, quando alguns clientes procuram álcool ilegal, e Prettywillie tenta (com uma ventoinha) assegurar-se que não trazem distintivo debaixo do casaco.

Um menos interessante enredo romântico envolvendo Marilyn (Louise Brooks) põe Prettywillie em contacto com o aventureiro William Parker (William Gaxton), trazendo uma série de mal entendidos sobre investimentos mobiliários. Mas, acima de qualquer enredo, o filme vale sobretudo pela interpretação de Fields, e pelo seu modo sarcástico, insolente e mesmo agressivo de lidar com as situações.

Fazendo um uso alargado dos intertítulos, Fields mostra ser já no humor verbal que reside o seu maior interesse. De facto, seria com o cinema sonoro, e a possibilidade de desenvolver a sua improvisação feita de respostas sarcásticas e cruéis, que W. C. Fields se tornaria um fenómeno de popularidade nos Estados Unidos.

Produção:

Título original: It’s the Old Army Game; Produção: Famous Players-Lasky Corporation; Produtores Executivos: Jesse L. Lasky, Adolph Zukor; País: EUA; Ano: 1926; Duração: 104 minutos; Distribuição: Paramount Pictures; Estreia: 11 de Julho de 1926 (EUA).

Equipa técnica:

Realização: A. Edward Sutherland; Produtor Associado: William LeBaron; História: William LeBaron [adaptada da peça “The Comic Supplement” de Joseph P. McEvoy e W. C. Fields]; Argumento: Thomas J. Geraghty, J. Clarkson Miller; Intertítulos: Ralph Spence; Montagem: Thomas J. Geraghty; Fotografia: Alvin Wyckoff.

Elenco:

W. C. Fields (Elmer Prettywillie), Louise Brooks (Marilyn Sheridan), Blanche Ring (Tessie Gilch), William Gaxton (William Parker), Mary Foy (Sarah Pancoast, Irmã de Prettywillie), Mickey Bennett (Mickey, Sobrinho de Prettywillie), Josephine Dunn (Society Bather), Jack Luden (Society Bather), George Currie (Artista), Elise Cavanna (Cliente de óculos) [não creditada].

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