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DetourSinopse:

Al Roberts (Tom Neal) é um músico de clubes de jazz de Nova Iorque, que decide juntar-se à sua namorada Sue (Claudia Drake), uma cantora que tenta a sua sorte em Hollywood. Sem dinheiro dinheiro, Roberts beneficia de uma boleia do simpático Charles Haskell Jr (Edmund MacDonald), que vai visitar o pai a Los Angeles e agradece companha com quem dividir a condução. Mas no turno de condução de Roberts, Haskell sucumbe morto, sem aviso. Roberts teme que se chamar a polícia acabe como suspeito, preferindo esconder o corpo de Haskell, e seguir viagem assumindo a sua identidade. Quando dá boleia à misteriosa Vera (Ann Savage), esta revela saber o que se passa, passando a chantagear Roberts.

Análise:

Produzido pela produtora independente PRC, “Desvio” foi filmado com um baixo orçamento, e más condições técnicas, supostamente em seis dias (algumas fontes dizem catorze). Apesar dos seus cenários modestos (passado em grande parte ao volante de um carro), e nem sempre elaborado trabalho de câmara, “Desvio” tornou-se com os anos um filme de culto, que espelha bem o que é o Noir.

Ao contrário de outros filmes do género, o protagonista de “Desvio”, o anti-herói do Noir (aqui soberbamente interpretado por Tom Neal), não é uma figura intrisecamente amoral ou cínica. É sim um homem banal, sem nada que o distinga do mais vulgar cidadão. Ele tem uma consciência e é a forma como esta o atormenta que motiva o flashback que compõe todo o filme.

Contado pela voz off de Tom Neal, a narração é, mais que um descrever de factos, uma análise psicológica do que motiva cada acontecimento. Mais que isso ainda, é uma confissão de culpa, em jeito de pedido de desculpa, de contornos quase religiosos, em que o público é o confessor do personagem.

Sem intenção, sem o desejar sequer, Roberts torna-se aos poucos vítima das circunstâncias, deixando-se, má decisão após má decisão, arrastar para um poço de pontos de não retorno, que começam num roubo de identidade e acabam num assassínio involuntário. Embora constantemente atormentado pelos acontecimentos, Roberts mostra-se incapaz de os parar, como se uma força invisível o obrigasse sempre a continuar em frente.

Essa força, torna-se visível na figura da sua indesejada “parceira”, Vera (Ann Savage). Vera é uma mulher fatal controladora e implacável. Ela sim é desprovida de quaisquer escrúpulos, e não tem a mínima condescendência pela consciência de Roberts. Com uma frieza que roça a brutalidade, Vera conduz Roberts passo a passo, perante a fraqueza ou o medo deste.

O filme é curto e imperfeito, mas eficaz na sua crueza, mostrando-nos como o mais típico e pacato dos cidadãos pode de um momento para o outro cair no lado errado da lei. É em jeito de lição de moral que Roberts termina o filme dizendo-nos “pode acontecer convosco”. Esse tom inquietante e de desespero pessoal é talvez o melhor que o filme tem para oferecer, e aquilo que o mantém hoje como um filme de culto.

Produção:

Título original: Detour; Produção: PRC Pictures, Inc; País: EUA; Ano: 1945; Duração: 68 minutos; Distribuição: Producers Releasing Corporation (PRC); Estreia: 7 de Novembro de 1945 (EUA).

Equipa técnica:

Realização: Edgar G. Ulmer; Produção: Leon Fromkess; Produtor Associado: Martin Mooney; Argumento e história original: Martin Goldsmith; Música: Leo Erdody; Fotografia: Benjamin H. Kline (preto e branco); Direcção Artística: Edward C. Jewell; Cenários: Glenn P. Thompson; Guarda-roupa: Mona Barry; Caracterização: Bud Westmore; Montagem: George McGuire.

Elenco:

Tom Neal (Al Roberts), Ann Savage (Vera), Claudia Drake (Sue Harvey), Edmund MacDonald (Charles Haskell Jr), Tim Ryan (dono do restaurante Nevada), Esther Howard (criada do restaurante), Pat Gleason (Joe).