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Army of Darkness Depois dos eventos no filme anterior, Ash (Bruce Cambbell) é transportado através de um portal do tempo, e cai em 1300, onde é imediatamente preso por Lord Arthur (Marcus Gilbert), no meio de uma luta de clãs. Condenado a morrer num poço cheio de mortos-vivos, Ash com a ajuda do Sábio (Ian Abercrombie), que vê nele o cumprimento de uma profecia, sai triunfante, e convence os habitantes do castelo de que pode derrotar aqueles a que chamam os deadites. Para tal tem que recuperar o livro Necronomicon, no qual se insere o encantamento que lhe permitirá regressar ao seu tempo. Mas como Ash não se preocupa muito com os detalhes, acabará por acordar um exército de mortos-vivos, que lhe rapta a bela Sheila (Embeth Davidtz), e se dispõe a recuperar o livro e acabar com a humanidade.

Análise:

Depois do inesperado sucesso internacional de “A Morte Chega de Madrugada” (Evil Dead II, 1987), Dino De Laurentiis era de opinião favorável a financiar uma sequela, embora Sam Raimi tivesse ainda outros planos, que concretizou no pouco conhecido “Vingança Sem Rosto” (Darkman, 1990), uma mistura de ficção científica com thriller criminal. Mas logo após, Raimi, com a ajuda do irmão Ivan decidiu escrever aquele que se viria a tornar “O Exército das Trevas”, mostrando que era aí que estava verdadeiramente o seu coração.

“O Exército das Trevas” começa exactamente onde terminara o seu antecessor “A Morte Chega de Madrugada” (Evil Dead II, 1987), com Ash (Bruce Campbell) a viajar por um portal e a cair algures no século XIV. Num flashback (em cenas re-filmadas) vemos uma introdução ao filme anterior, agora com Bridget Fonda no papel da namorada Linda. À chegada à Idade Média, Ash é imediatamente preso por Lord Arthur (Marcus Gilbert), que o supõe soldado do seu inimigo, o duque Henry the Red (Richard Grove), mesmo contra a indicação do Sábio (Ian Abercrombie), que vê nele o motivo da profecia que derrotará os deadites (os mortos-vivos). Ash é condenado a morrer no poço onde se aprisionam alguns deadites, mas o seu engenho vence-os, e prova que o Sábio estava certo. Ash é então visto como o salvador, mesmo que ele apenas queira uma forma de voltar ao seu tempo. É então feito um acordo, e ele prontifica-se a ir buscar o Necronomicon, o livro maléfico de encantamentos, que tem no seu interior a fórmula para levar Ash de volta ao presente. Só que, no momento em que nele pega, Ash esquece-se das palavras mágicas que devia recitar, e em resultado um exército de mortos levanta-se pronto a recuperar o livro. Com a bela Sheila (Embeth Davidtz) raptada pelos deadites, Ash decide ficar e ajudar Lord Arthur a defender o castelo, treinando os homens deste na sua forma de lutar. No final Ash, Lord Arthur e o duque Henry the Red derrotam os deadites, e Sheila é recuperada. Ash volta ao seu tempo, onde conta a história, para ver que nada mudou, e os mortos-vivos continuam a persegui-lo.

Com a porta deixada aberta no final do filme anterior, há muito se esperava a sequela desta série de culto, algures entre o puro terror e a comédia mais desbragada, criada por Sam Raimi. Esta surgiu, no ponto em que o segundo filme ficara, e disposta a ir mais longe na componente de humor, agora com um Ash que é já uma paródia se si próprio, e onde o humor macabro das lutas com cadáveres é a razão de ser de todo o filme. Por isso a história que fica algures entre os mitos arturianos, a original “A Connecticut Yankee in King Arthur’s Court” de Mark Twain, as aventuras exóticas de “As Viagens de Gulliver” de Jonathan Swift, ou os filmes de aventuras com efeitos especiais de Ray Harryhausen (isto é, a animação stop motion), como “A 7ª. Viagem de Sinbad” (The 7th Voyage of Sinbad, 1958), de Nathan Juran – roubando um pouco a cada uma das influências citadas. Mas essa mesma história, pela disparidade de influências, serve apenas como um meio de nos dar referências que possamos desconstruir, quando o importante é apenas a atitude do herói, a sua linguagem feita de calão das ruas, desapropriado para o local onde se encontra, nesse seu jeito cada vez mais arrogante e aparvalhado de lutar (e – espantemo-nos – vencer!) as forças do mal.

Não há agora grande precisão sobre o livro, a sua história ou origem do mal, queremos apenas ver esqueletos a caminhar, lutar e serem destruídos de todas as formas imaginárias. E é esse humor politicamente incorrecto que caracteriza Ash e “O Exército das Trevas”, com pouco terror, pouco sangue, mas muitos efeitos especiais e caracterizações horripilantes, principalmente nos mortos-vivos chefes (para não falar de uma inenarrável luta de Ash contra si próprio).

Com maior orçamento que o inicialmente previsto, o filme, apesar de uma paródia, voltou a ser um sucesso, vencendo prémios como o Saturn Award para Melhor Filme de Terror, o prémio da Crítica do Fantasporto, e foi nomeado para Melhor Filme no Festival de Sitges. Desde então que se fala numa sequela, mas esta ainda não aconteceu, a não ser que incluamos nessa categoria a série de televisão da produtora Starz “Ash vs. Evil Dead”, com três temporadas entre 2015 e 2018, protagonizada por Bruce Campbell, Ray Santiago, Dana DeLorenzo e Lucy Lawless. A franchise originou ainda series de banda desenhada e jogos de Role Playing.

Bruce Campbell em "O Exército das Trevas" (Army of Darkness, 1992), de Sam Raimi

Produção:

Título original: Army of Darkness; Produção: Dino De Laurentiis Communications / Renaissance Pictures / Introvision International; Produtor Executivo: Dino De Laurentiis; País: EUA; Ano: 1992; Duração: 81 minutos; Distribuição: Universal Pictures; Estreia: 9 de Outubro de 1992 (director’s cut) (Sitges Film Festival, Espanha), 14 de Novembro de 1992 (Festival de Londres, Reino Unido), 30 de Julho de 1993 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Sam Raimi; Produção: Rob Tapert; Co-Produção: Bruce Campbell; Argumento: Sam Raimi, Ivan Raimi; Música: Joseph LoDuca, Danny Elfman (“March of the Dead” theme); Orquestração: Tim Simonec, Larry Kenton; Fotografia: Bill Pope [cor por Deluxe]; Montagem: Bob Murawski, Sam Raimi [como R.O.C. Sandstorm]; Design de Produção: Tony Tremblay; Direcção Artística: Aram Allan; Cenários: Michele Poulik; Figurinos: Ida Gearon; Caracterização: Camille Calvet, Tony Gardner (Ash & Sheila); Efeitos Especiais de Caracterização: Robert Kurtzman, Greg Nicotero, Howard Berger; Efeitos Mecânicos: Verne Hyde; Efeitos Visuais: William Mesa (Introvision International), Richard Malzahn (Perpetual Motion Studios); Animação Stop Motion: Peter Kleinow; Mestre de Esgrima: Dan Speaker; Direcção de Produção: Eric Gruendemann.

Elenco:

Bruce Campbell (Ash), Embeth Davidtz (Sheila), Marcus Gilbert (Lord Arthur), Ian Abercrombie (Sábio), Richard Grove (Duque Henry the Red), Timothy Patrick Quill (Ferreiro), Michael Earl Reid (Gold Tooth), Bridget Fonda (Linda), Patricia Tallman (Bruxa Possessa), Ted Raimi (Guerreiro Cobarde), Deke Anderson (Mini-Ash #1), Bruce Thomas (Mini-Ash #2), Sara Shearer (Velha), Shiva Gordon (Deadite do Poço #1), Billy Bryan (Bruxa do Poço), Nadine Grycan (Deadite Alada), Bill Moseley (Capitão Deadite), Micheal Kenney (Homem de Henry), Andy Bale (Tenente #1), Robert Brent Lappin (Tenente #2), Rad Milo (Guarda da Torre), Brad Bradbury (Arqueiro Chefe)
Fake Shemps: Sol Abrams, Lorraine Axeman, Josh Becker, Sheri Burke, Don Campbell, Charlie Campbell, Harley Cokeliss, Ken Jepson, William Lustig, David O’Malley, David Pollison, Ivan Raimi, Bernard Rose, Bill Vincent, Chris Webster, Ron Zwang.

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