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The Ninth Gate Dean Corso (Johnny Depp) é um negociante de livros antigos, contratado pelo sinistro Boris Balkan (Frank Langella) um coleccionador de livros satânicos. Balkan quer que Corso autentique a sua versão de “The Nine Gates to the Kingdom of Shadows”, de 1666, do qual só existem três exemplares. Tal faz Corso viajar até Espanha, Portugal e França, visitando os donos dos outros exemplares. Só que por cada visita que Corso faz, fica atrás de si um rasto de morte e o desaparecimento das cópias em que ele toca. Para mais, Corso começa a temer pela própria vida, depois de alguns atentados que ele crê serem ordenados pela anterior dona do livro de Balkan, a viúva Liana Telfer (Lena Olin), ao mesmo tempo que uma misteriosa rapariga (Emmanuelle Seigner) aparece sempre a tempo de o salvar.

Análise:

Em 1999, Roman Polanski realizava o seu terceiro e último filme da década, numa carreira que, desde o exílio dos Estados Unidos por questões de justiça, o levava a filmar apenas dois ou três filmes por década. “A Nona Porta” era o regresso de Polanski ao thriller sobrenatural, terreno que lhe dera já um dos mais consagrados filmes da sua carreira, “A Semente do Diabo” (Rosemary’s Baby, 1968).

Em “A Nona Porta”, história adaptada do livro “El Club Dumas” de Arturo Pérez-Reverte, assistimos às deambulações de Dean Corso (Johnny Depp) um antiquário e descobridor de livros antigos, que é contratado pelo milionário Boris Balkan (Frank Langella), especialista em livros de índole satânica, para que aquele autentique a sua versão de “The Nine Gates to the Kingdom of Shadows”, de 1666, um de três exemplares únicos no mundo. Corso começará por inquirir a viúva do anterior dono, Liana Telfer (Lena Olin), a qual está disposta a tudo para reaver o volume, inclusivamente matar. Corso foge então para Espanha, onde procura os anteriores donos do volume, e seguirá depois para Portugal e França, para comparar a sua cópia com as outras duas. Sempre que Corso deixa um lugar, as pessoas com quem falou acabam mortas e os livros roubados. Ao mesmo tempo sofre vários atentados contra a sua vida, aparentemente por culpa da viúva Telfer, sendo invariavelmente salvo por uma misteriosa jovem (Emmanuelle Seigner, habitual diva de Polanski, e sua esposa) que o segue.

Finalmente, e depois de um recontro violento entre Balkan e Liana, Corso percebe que o seu patrão esteve sempre no seu encalce, matando e roubando as páginas dos livros que Corso autenticava como verdadeiras. Segue-se a invocação de Balkan no Chateau Puivert, na qual tenta entrar no mundo das trevas, morrendo sem o conseguir. Só então a rapariga se revela a Corso como sendo um demónio, que o guia até obter todas as chaves para ser ele o primeiro a abrir a nona porta, e entrar no inferno.

Com um protagonista de inspiração noir, envolto num meio de mistério de contornos sobrenaturais, Roman Polanski constrói um thriller revolvendo um misterioso livro em que algumas páginas teriam sido desenhadas pelo próprio Lúcifer. A história é-nos mostrada pela figura de Dean Corso, que é uma espécie de Indiana Jones de livros antigos, negociando sem escrúpulos, como abutre disposto a surgir sempre que algum coleccionador antigo morre, e a correr riscos para procurar algum volume perdido. Começam aí os problemas de “A Nona Porta”, pois Johnny Depp não só tem uma das interpretações mais banais da sua carreira, como o seu antiquário trata os livros como pedaços de lixo (bebe e fuma sobre eles, nunca usa luvas, atira-os sem protecção para dentro de uma mochila, força a sua abertura dentro de uma fotocopiadora, além de dezenas de outras barbaridades).

O que resta é uma história de mistério, bem filmada, onde a noite é protagonista, e onde as personagens mais interessantes são talvez as femininas, Emmanuelle Seigner e Lena Olin, a segunda com muito pouco tempo de ecrã. Se a invocação do Demónio, e o ritual orgiástico no castelo de St. Martin, parecem derivativos de outros filmes, o mistério das imagens gravadas é ele próprio demasiado simples, descoberto em poucos minutos, para depois o resto do filme ser apenas a sua sucessiva confirmação.

Ainda que aqui e ali desinspirado, Polanski consegue por vezes um bom ritmo, aliado a uma atmosfera romântica eficaz (destacando-se a passagem pela serra de Sintra), com um tema recorrente (a invocação do Demónio) apelando à existência de alguns clubes Wicca secretos e poder da palavra escrita em livros antigos. Tal fez com que o filme tivesse uma razoável prestação no circuito comercial, sobretudo na Europa, apesar de considerado um fracasso pela crítica.

Note-se que as sequências que ilustram Nova Iorque foram filmadas em Paris.

Emmanuelle Seigner em "A Nona Porta" (The Ninth Gate, 1999), de Roman Polanski

Produção:

Título original: The Ninth Gate; Produção: Artisan Entertainment / R.P. Productions / Orly Films / TF1 Films Production / Bac Films / Canal+ / Kino Vision / Origen Producciones Cinematograficas S.A. / Vía Digital; Produtores Executivos: Wolfgang Glattes, Michel Cheyko; País: Espanha / França / EUA; Ano: 1999; Duração: 127 minutos; Distribuição: Araba Films (Espanha), Bac Films (França), Artisan Entertainment (EUA); Estreia: 25 de Agosto 1999 (Espanha, Bélgica, França), 18 de Fevereiro de 2000 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Roman Polanski; Produção: Roman Polanski; Co-Produção: Iñaki Núñez, Antonio Cardenal, Alain Vannier; Argumento: John Brownjohn, Enrique Urbizu, Roman Polanski [baseado no livro “El Club Dumas” de Arturo Pérez-Reverte]; Música: Wojciech Kilar; Fotografia: Darius Khondji; Montagem: Hervé de Luze; Design de Produção: Dean Tavoularis; Direcção Artística: Gérard Viard; Cenários: Philippe Turlure; Figurinos: Anthony Powell; Caracterização: Paul Le Marinel, Liliane Rametta, Jean-Luc Russier; Efeitos Especiais: Jean-Louis Trinquier; Efeitos Visuais: Scott E. Anderson; Direcção de Produção: Suzanne Wiesenfeld.

Elenco:

Johnny Depp (Dean Corso), Lena Olin (Liana Telfer), Frank Langella (Boris Balkan), Emmanuelle Seigner (A Rapariga), James Russo (Bernie), Jack Taylor (Victor Fargas), José López Rodero (Pablo & Pedro Ceniza / Trabalhadores na Livraria), Allen Garfield (Witkin), Barbara Jefford (Baroness Kessler), Tony Amoni (Guarda-costas de Liana), Willy Holt (Andrew Telfer), Jacques Dacqmine (Velho, Joe Sheridan (Filho do Velho), Rebecca Pauly (Nora), Catherine Benguigui (Concierge), Maria Ducceschi (Secretária), Jacques Collard (Gruber), Dominique Pozzetto (Recepcionista).