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On the Double Ernie Williams (Danny Kaye) é um soldado Americano estacionado na Inglaterra à espera do Dia D, que, ao fazer uma imitação do estratega militar, o general MacKenzie-Smith (também Kaye), é recrutado à força para se passar por ele, enquanto o general vai secretamente estudar frentes de batalha. Mas o que Ernie não sabe é que o general tem sido vítima de atentados por parte de espiões nazis. Com a ajuda do coronel Somerset (Wilfrid Hyde-White), e da própria esposa do general, Lady Margaret (Dana Wynter), Ernie vai ter de enganar todos, em várias aparições públicas, tentando sobreviver a vários atentados

Análise:

Produção da sua própria companhia, Dena Productions, que também já fora responsável pelo anterior “Os Cinco Réis” (The Five Pennies, 1959), “Um General e Meio” era o regresso de Danny Kaye à comédia mais burlesca, depois de alguns filmes num registo mais sóbrio. Com realização de Melville Shavelson, também responsável pelo argumento, o filme era uma nova abordagem do tema da Segunda Guerra Mundial, tal como em “Jacobowsky e o Coronel” (Me and the Colonel, 1958), de Peter Glenville, mas agora no terreno familiar de Kaye que é a comédia de enganos com confusões de identidade, geralmente a fazer dois papéis.

Nesse sentido, “Um General e Meio” está mais próximo do seu anterior filme “Escândalos na Riviera” (On the Riviera, 1951), de Walter Lang. Tal como no filme de Lang, Kaye interpreta um personagem simpático, com capacidade para imitar alguém famoso, e por isso escolhido para o substituir, no processo desenvolvendo sentimentos pela mulher deste que o prefere ao original. Ou seja, temos o soldado Ernie Williams (Kaye), aflito por ter licença e voltar aos Estados Unidos, mas preso em Inglaterra, enquanto se prepara o Dia D. Só que o estratega pelo desembarque aliado, o General MacKenzie-Smith (também Kaye) está a ser vítima de atentados por espiões nazis, e decide-se que Ernie o substitua em actos públicos, sem se lhe explicar o motivo. A princípio contrariado, Ernie vai aceitando sob coacção do coronel Somerset (Wilfrid Hyde-White), sendo desde logo posto à prova quando menos espera, seja nos avanços da sua motorista, e amante do general (Diana Dors, como uma espécie de Marilyn Monroe inglesa), seja na chegada surpresa da esposa do general, Lady Margaret (Dana Wynter). Um por um, Ernie vai passando os testes em cerimónias públicas, onde se destaca uma festa onde tem que conviver com ex-colegas, ou a sua opressiva tia Vivian (Margaret Rutherford). E quando se pensa a salvo, Ernie acaba raptado, e dá por si interrogado na Alemanha, onde fala numa tal algaraviada que os alemães acreditam que ele lhes cedeu planos secretos, acabando por fugir, perder-se num cabaré, e escapar num bombardeiro, entre os pilotos ainda de ressaca da noite anterior. Tudo isto para chegar a tempo de identificar o verdadeiro traidor, e ainda se declarar a Lady Margaret, agora que o verdadeiro general MacKenzie-Smith morreu.

Como dito atrás, “Um General e Meio” foi, para Danny Kaye, uma espécie de revisitar terreno comum, aqui contracenando com um elenco quase todo inglês. Agora já deixando de lado os aspectos musicais, presentes nas suas primeiras comédias (ainda que com uma dança escocesa, que ele apenas parodia), o filme concentra-se nas atrapalhações de um personagem que não percebe que tem a cabeça a prémio, e se vai desembaraçando com imitações, e reprodução de diferentes sotaques. O filme ganha fôlego sempre que Ernie não sabe o que se passa, seja com a motorista que o espera como amante, nas tentativas de fuga à histriónica tia, ou na sequência alemã, a mais burlesca de todas, que envolve fugas, mudanças de roupas, e uma passagem por um cabaré onde acaba transvestido e assediado por soldados.

Por todas essas razões, o filme está longe de surpreender, ou de inovar, não havendo momentos de génio de Kaye. Por outro lado não desilude na sua premissa, dando-nos uma comédia de enganos de guerra com vários momentos de humor, e uma história que, se bem que se arrastando-se um pouco a meio, sabe recuperar o ritmo e prender-nos até final. Destaque final para Dana Wynter, perfeita na sóbria e enfadada esposa do general, com uma pitada de arrogância aristocrática, e muito de generosidade e empatia a descobrir pelo personagem de Kaye.

Danny Kaye em "Um General e Meio" (On the Double, 1961), de Melville Shavelson

Produção:

Título original: On the Double; Produção: Dena Productions; Produtores Executivos: ; País: EUA; Ano: 1961; Duração: 92 minutos; Distribuição: Paramount Pictures; Estreia: 19 de Maio de 1961 (EUA).

Equipa técnica:

Realização: Melville Shavelson; Produção: Jack Rose; Produtor Associado: ; Argumento: Jack Rose, Melville Shavelson; Música: Leith Stevens; Canções: Sylvia Fine; Direcção Musical: Leith Stevens; Fotografia: Harry Stradling Sr. [filmado em Panavision, cor por Technicolor]; Montagem: Frank Bracht; Design de Produção: ; Direcção Artística: Hal Pereira, Arthur Lonergan; Cenários: Sam Comer, Frank R. McKelvy; Figurinos: Edith Head; Caracterização: Wally Westmore; Efeitos Especiais: ; Efeitos Visuais: John P. Fulton, Farciot Edouart; Coreografia: Bill Foster.

Elenco:

Danny Kaye (Soldado Ernie Williams / General Sir Lawrence MacKenzie-Smith), Dana Wynter (Lady Margaret MacKenzie-Smith), Wilfrid Hyde-White (Coronel Somerset), Margaret Rutherford (Lady Vivian), Diana Dors (Sargento Bridget Stanhope), Allan Cuthbertson (Capitão Patterson), Jesse White (Cabo Joseph Praeger), Gregory Walcott (Coronel Rock Houston), Terence de Marney (Sargento Colin Twickenham), Rex Evans (General Carleton Brown Wiffingham), Rudolph Anders (Oberkommandant), Edgar Barrier (Blankmeister), Pamela Light (Mrs. Somerset), Ben Astar (General Zlinkov).

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