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The Man from the Diners' ClubErnest Klenk (Kaye) é um empregado da instituição de crédito Diner’s Club, com o emprego em risco, por passar constantemente cartões a quem não deve. Nas vésperas do seu casamento com Lucy (Martha Hyer), Klenk volta a fazer asneira, ao atribuir, sem reparar, um cartão ao mafioso procurado pela polícia, Foots Pulardos (Telly Savalas). Este, por sua vez, procura alguém cujo corpo possa passar pelo seu depois de carbonizado num incêndio, para que possa fugir do país. Quando Klenke vem ao ginásio onde Pulardos trabalha, para tentar recuperar o cartão, torna-se a vítima ideal de Pulardos.

Análise:

Com produção da sua companhia Dena Productions, Danny Kaye entregou aquele que seria o seu último filme para cinema ao realizador Frank Tashlin, antigo criador de desenhos animados para a Warner Bros., e habitual colaborador de Jerry Lewis. Com argumento de William Peter Blatty, o futuro criador de “O Exorcista”, “O Homem do Diners’ Club” conta a história de Ernest Klenk (Kaye) um empregado de uma instituição de crédito, que não tem a cabeça muito assente no trabalho que faz, e um dia passa, sem perceber, um cartão ao conhecido mafioso Foots Pulardos (Telly Savalas).

Klenk tem já a cabeça a prémio, depois de ter feito muitas asneiras, e o seu lugar está por um fio, o que entristece a noiva Lucy (Martha Hyer), cansada de adiar o casamento. Para que isso não volte a acontecer, Klenk decide-se a visitar Pulardos e recuperar o cartão antes que o mafioso o use, e o seu erro seja descoberto. Mas quer o destino que Pulardos ande à procura de uma pessoa que tenha dois pés de tamanhos diferentes, para usar o seu corpo carbonizado como cobertura numa fuga, e que essa pessoa seja o próprio Klenk. A partir de então, Klenk, mais que tentar recuperar um cartão, luta pela vida, enquanto tenta que a noiva e o patrão não se apercebam de nada.

Filmado a preto e branco, quase sempre em interiores bastante modestos, num espírito que lembra a estética da televisão, “O Homem do Diners’ Club” é essencialmente um filme de Frank Tashlin, com contactos com alguma da obra de Jerry Lewis, mais que a do próprio Danny Kaye. Voltando a encarnar um personagem dado a atrapalhações e confusões, Kaye vê-se numa série de situações cuja comicidade advém do humor físico e de uma lógica de desenhos animados bem peculiar de Tashlin. São exemplos as confusões no emprego (nomeadamente com a máquina de cartões), a sequência do elevador de cozinha, e toda a sequência final de perseguições no ginásio, que lembram algo que podia ter escrito para Bugs Bunny ou Daffy Duck.

Com Telly Savalas e George Kennedy como principais oponentes, Kaye tenta sobreviver numa história não muito cuidada, e que mais não faz que tentar ligar as duas ou três situações em que o filme ganha ritmo. Com personagens perfeitamente negligíveis, como a noiva e o patrão, “O Homem do Diners’ Club” tem a sua melhor interpretação na bem conseguida pin-up do mafioso, a instigadora da confusão Sugar (Cara Williams). Mesmo sem envergonhar, a despedida de Danny Kaye do grande ecrã é feita sem pompa nem circunstância, longe do brilho dos seus melhores filmes como o seminal “O Super-Homem” (Wonder Man 1945) de H. Bruce Humberstone, os típicos “O Homem das Sete Vidas” (The Secret Life of Walter Mitty, 1947), de Norman Z. McLeod, “O Inspector Geral” (The Inspector General, 1949), de Henry Koster, e “Escândalos na Riviera” (On the Riviera, 1951) de Walter Lang, o clássico “Natal Branco” (White Christmas, 1954), de Michael Curtiz, o genial “O Bobo da Corte” (The Court Jester, 1955), de Melvin Frank e Norman Panama, e o surpreendentemente comovente “Jacobowsky e o Coronel” (Me and the Colonel, 1958), de Peter Glenville.

Antes de se despedir dos grandes ecrãs, Danny Kaye teria ainda um curto papel em “A Louca de Chaillot” (The Madwoman of Chaillot, 1969), de Bryan Forbes. Depois disso participou ainda nalguns telefilmes e séries de televisão.

Produção:

Título original: The Man from the Diners’ Club; Produção: Dena Productions / Ampersand; País: EUA; Ano: 1963; Duração: 92 minutos; Distribuição: Columbia Pictures; Estreia: 17 de Abril de 1963 (EUA).

Equipa técnica:

Realização: Frank Tashlin; Produção: William Bloom; Argumento: William Peter Blatty [como Bill Blatty] [a partir de uma história de William Peter Blatty e John Fenton Murray]; Música: Stu Phillips; Canção: Johnny Lehmann e Steve Lawrence; Orquestração: Arthur Morton; Fotografia: Hal Mohr [preto e branco]; Montagem: William A. Lyon; Direcção Artística: Don Ament; Cenários: William Kiernan; Figurinos: Pat Barto; Caracterização: Ben Lane; Efeitos Especiais: Richard Albain.

Elenco:

Danny Kaye (Ernest Klenk), Cara Williams (Sugar Pye), Martha Hyer (Lucy), Telly Savalas (Foots Pulardos), Everett Sloane (Mr. Martindale), Kaye Stevens (Bea Frampton), Howard Caine (Claude Bassanio), George Kennedy (George), Jay Novello (Mooseghian), Ann Morgan Guilbert (Ella Trask), Ronald Long (Padre).

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