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Room ServiceSinopse:

Gordon Miller (Groucho Marx) é um empresário teatral, que prepara a estreia da peça “Hail and Farewell” com os seus cúmplices Binelli e Faker (Chico e Harpo Marx, respectivamente). Para tal tem toda a companhia a viver no White Way Hotel, sem um tostão para pagar a conta. Quando Gregory Wagner (Donald MacBride), o inspector de finanças do hotel, chega e vê o que se passa, ameaça expulsar todos, o que só piora com a chegada do autor da peça, o jovem ingénuo Leo Davis (Frank Albertson). Resta a Miller, Binelli e Faker, ajudados pelas suas actrizes Christine (Lucille Ball) e Hilda (Ann Miller), conseguirem o adiamento da expulsão pelos métodos menos ortodoxos possíveis, para esperarem até à chegada do cheque do prometido financiador, e a consequente estreia da peça.

Análise:

Após a morte de Irving Thalberg, não havia grande interesse da MGM em manter os Irmãos Marx, que procuraram outras paragens para o seu filme seguinte. Terá sido Zeppo, então empresário dos irmãos, que sugeriu a peça “Room Service”, de John Murray e Allen Boretz, como ideal para novo filme dos Marx. O contrato de um filme foi negociado com a RKO, e Morrie Ryskind, que já assinara três argumentos para os Marx, foi de novo chamado para adaptar a peça a um argumento de cinema.

O resultado tornou-se no único filme da carreira dos Irmãos Marx que partiu de uma história não escrita para os seus personagens. Embora seja evidente que Ryskind consegue adaptar os personagens originais às personalidades e idiossincrasias de Groucho, Chico e Harpo, nunca deixa de se sentir que falta algo que faça o filme verdadeiramente seu.

De facto notam-se desde os primeiros momentos as diferenças entre este e os filmes habituais dos irmãos. A banda sonora está quase ausente, a atmosfera chega a ser tensa, e o ritmo é decididamente mais lento, com pouco espaço para o humor físico e descontrolado dos Marx. A própria estrutura do argumento distingue “Um Criado ao Seu Dispor” dos filmes precedentes. Os três Marx já se conhecem, e não se confrontam em nenhum momento. Não existe propriamente um “mau”, sendo os oponentes dos Marx as vítimas das suas burlas. Não há par romântico a salvar, e estão ausentes os interlúdios musicais.

Groucho, aqui aparentemente com menos chama (e menor velocidade), continua a ser o líder, e o responsável pelas tiradas mais desconcertantes, Harpo continua o responsável pelo humor visual, com uma panóplia de props a surgir da sua gabardina ou malas, mas sem muito da loucura habitual. Já Chico, surge mais descaracterizado, aqui sem o sotaque italiano, e apenas como um discreto ajudante de Groucho.

Ao seu lado brilham Frank Albertson, como o ingénuo autor Leo Davis, e Donald MacBride, como o facilmente encolerizável Gregory Wagner. Destaque ainda para os pequenos papéis do médico Dr. Glass (Charles Halton), do cobrador Timothy Hogarth (Philip Loeb) e do solicitador Simon Jenkins (Philip Wood), em curtas, mas hilariantes, intervenções. Já as companhias femininas, Lucille Ball e Ann Miller que mereceram destaque ao lado dos três Marx nos cartazes publicitários, tem papéis bastante pobres. De notar que Lucille Ball viria a ser um dos maiores sucessos da televisão norte-americana nas décadas seguintes, enquanto Ann Miller tinha, surpreendentemente, apenas 15 anos quando este filme estreou.

A história gira em torno da produção da peça teatral “Hail and Farewell”, que Gordon Miller (Groucho Marx), ajudado por Binelli e Faker (Chico e Harpo Marx) quer pôr em cena. Para tal Miller tem toda a companhia a viver e comer no White Way Hotel, cujo gerente é o seu condescendente cunhado Joseph Gribble (Cliff Dunstan). Quando Gregory Wagner (Donald MacBride), o inspector de finanças do hotel, descobre que Miller e companhia devem para cima de mil dólares, ameaça expulsá-los. Não só não o consegue, como vê ainda chegar o autor da peça, Leo Davis (Frank Albertson), um jovem e ingénuo provinciano que não sabe no que se meteu. Davis passará a ser a cobaia de Miller, que o faz simular doenças e até um suicídio para que a expulsão continue a ser adiada.

Para preservar a unidade espacial da peça em que se inspira, “Um Criado ao Seu Dispor” é filmado quase integralmente num quarto de hotel (tirando uma cena inicial no lobby, uma escapada rápida ao corredor e alguns planos vistos da janela). Tal revela-se um exercício, ainda que teoricamente correcto, na prática castrador da exuberância física dos Marx, com menos espaço para a sua habitual anarquia.

Destacam-se ainda assim alguns momentos, como o jantar no quarto, com uma coreografia alucinante, e as cenas em que os já citados secundários são martirizados pelos irmãos. Mas apesar de alguns bons momentos, “Um Criado ao Seu Dispor” nunca deixa de parecer um filme em que os Marx estão de certo modo amordaçados, mostrando que argumentos onde exista uma boa dose de racionalização e lógica não se coadunam com o humor proveniente da sua anarquia e sentido de absurdo.

Produção:

Título original: Room Service; Produção: RKO Radio Pictures; País: EUA; Ano: 1938; Duração: 78 minutos; Distribuição: RKO Radio Pictures; Estreia: 21 de Setembro de 1938 (EUA), 7 de Novembro de 1938 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: William A. Seiter; Produção: Pandro S. Berman; Argumento: Morrie Ryskind [baseado na peça homónima de John Murray e Allen Boretz]; Direcção Musical: Roy Webb; Fotografia: J. Roy Hunt [preto e branco]; Direcção Artística: Van Nest Polglase; Cenários: Darrell Silvera; Figurinos: Renié; Montagem: George Crone; Caracterização: James R. Barker [não creditado].

Elenco:

Groucho Marx (Gordon Miller), Chico Marx (Harry Binelli), Harpo Marx (Faker), Lucille Ball (Christine), Ann Miller (Hilda), Frank Albertson (Leo Davis), Cliff Dunstan (Joseph Gribble), Donald MacBride (Gregory Wagner), Philip Loeb (Timothy Hogarth), Philip Wood (Simon Jenkins), Alexander Asro (Sasha), Charles Halton (Dr. Glass).

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