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The Sea HawkSinopse:

Quando o embaixador espanhol Don José Alvarez e Cordoba (Claude Rains) navegava para Inglaterra, o seu navio é pilhado e destruído por corsários ingleses comandados pelo capitão Thorpe (Errol Flynn). Só que, o que o intrépido capitão não esperava era apaixonar-se pela sobrinha do inimigo, a bela Doña Maria (Brenda Marsall). Em Inglaterra a rainha Isabel I (Flora Robson) repreende publicamente Thorpe, mas confia-lhe secretamente uma missão no Panamá. Alheio a ambos, Lord Wolfigham (Henry Daniell) espia para a Espanha, e ajuda Don José a descobrir a missão, pelo que uma cilada espera Thorpe e os seus homens.

Análise:

Cinco anos depois do sucesso de “O Capitão Blood” (Captain Blood, 1935), a Warner Bros. voltava a juntar a dupla ganhadora de Michael Curtiz e Errol Flynn, para mais uma grandiosa aventura de piratas. Curtiz e Flynn colaboravam, aliás, pela décima vez, depois de alguns westerns e filmes de aventuras, dos quais se destaca o famosíssimo “As Aventuras de Robin dos Bosques” (The Adventures of Robin Hood, 1938), do qual transitaria parte do elenco: Alan Hale como o braço direito de Errol Flynn, Unna O’Connor como a protectora do interesse amoroso de Flynn, e Claude Rains como o vilão.

Com um argumento pensado a partir dos livros de Rafael Sabatini (que já originara um filme do mesmo nome em 1924), o resultado final foi uma história original que nada deve ao autor. Como era normal no studio system, em que as equipas eram contratadas por tempo, e não necessariamente por projecto, passavando de filme a filme em bloco, Curtiz conta ainda com a direcção artística, montagem e departamento musical que vêm de “O Capitão Blood”, dando ao seu novo filme um aspecto de continuidade em termos estéticos.

Não obstante reconhecer-se essa continuidade, “O Gavião dos Mares” é, tecnicamente, um salto em frente. Os movimentos de câmara são mais arrojados, as batalhas navais são mais reais, as lutas corpo a corpo mais emocionantes, a aventura e drama mais constantes. Com Errol Flynn no topo da forma, Michael Curtiz compõe aquele que será porventura o melhor filme de piratas de todos os tempos.

A história leva-nos à Inglaterra de Isabel I, no século XVI, quando a nação era ainda demasiado fraca para se aventurar em conquistas externas, e deixava esse encargo para marinheiros aventureiros a que chamava corsários (privateers, no original). Estes ficavam numa zona cinzenta entre a pirataria pura e as acções de retaliação com patrocínio da coroa. Inspirados em pessoas reais como Francis Drake, surgem os galantes gaviões dos mares, cujo espírito patriótico os leva a manter a poderosa Espanha de Filipe II em cheque.

Há aqui uma clara propaganda política, com um confronto que era uma guerra pela dominação religiosa da Europa e pelo comércio marítimo a ser transformada num grito de liberdade inglesa. Em 1940 o grito contra a tirania de monarcas imperialistas e barbaramente esclavagistas que ameaçam subjugar todo o mundo, numa clara alusão ao nazismo que a Inglaterra combatia na Segunda Guerra Mundial. O discurso final de Isabel I (Flora Robson) é uma prova cabal do objectivo de motivar a Inglaterra contra Hitler.

Passando à história, Errol Flynn é o Capitão Thorpe, o mais irreverente dos gaviões dos mares, odiado pelos espanhóis, admirado pelos seus homens, protegido pela rainha que o vê como uma espécie de filho traquinas, que admira na intimidade, mas deve repreender em público. Quando Thorpe assalta e destrói o navio onde seguiam o embaixador espanhol (Claude Rains) e a sobrinha Doña Maria (Brenda Marshall), enamora-se desta. Só que uma nova aventura no Panamá corre mal e Thorpe e os seus homens são condenados às galés, para desespero de Doña Maria, que tudo tenta junto do tio para salvar o homem que ama. Claro que o engenho de Thorpe o salvará desse aperto a tempo de denunciar os planos da Invencível Armada espanhola, e assim salvar a Inglaterra da eminente invasão, ao mesmo tempo que volta para os braços da sua amada.

Como não podia deixar de ser, “O Gavião dos Mares” junta aventura e acção frenética, romance, humor e algum drama. Tudo ao jeito peculiar e já vitorioso de Michael Curtiz, com o magnetismo de Errol Flynn a dominar cada cena, numa das suas melhores interpretações. Adepto do Expressionismo alemão, Curtiz usa como imagem de marca o modo como deixa as sombras contar histórias, surgindo nas paredes como presenças ameaçadoras (caso de Claude Rains ouvindo as confissões da sobrinha) ou como efeito dramático (casos dos duelos de espada). Tal é também visível nos interiores dos palácios, de paredes altas e nuas, e ângulos imponentes.

Destaque ainda para a música grandiosa do compositor Erich Wolfgang Korngold, também uma das melhores bandas sonoras de sempre dentro do género. Por ela, Korngold seria nomeado para o Oscar de Melhor Banda Sonora.

“O Gavião dos Mares” foi outro enorme sucesso para a Warner, Curtiz e Flynn, tendo tido quatro nomeações para os Oscars.

Produção:

Título original: The Sea Hawk; Produção: Warner Bros. Pictures Inc.; Produtores Executivos: Hal B. Wallis, Jack L.Warner; País: EUA; Ano: 1940; Duração: 127 minutos; Distribuição: Warner Bros.; Estreia: 1 de Julho de 1940 (EUA), 16 de Dezembro de 1943 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Michael Curtiz; Produtor Associado: Henry Blanke; Argumento: Howard Koch, Seton I. Miller; Música: Erich Wolfgang Korngold; Fotografia: Sol Polito [preto e branco]; Montagem: George Amy; Direcção Artística: Anton Grot; Figurinos: Orry-Kelly; Caracterização: Perc Westmore; Efeitos Especiais: Byron Haskin, Hans F. Koenekamp; Orquestração: Hugo Friedhofer, Milan Roder, Ray Heindorf; Direcção de Orquestra: Leo F. Forbstein.

Elenco:

Errol Flynn (Geoffrey Thorpe), Brenda Marshall (Doña Maria), Claude Rains (Don José Alvarez e Cordoba), Donald Crisp (Sir John Burleson), Flora Robson (Rainha Isabel), Alan Hale (Carl Pitt), Henry Daniell (Lord Wolfingham), Una O’Connor (Miss Latham), James Stephenson (Abbott), Gilbert Roland (Capitão Lopez), William Lundigan (Danny Logan), Julien Mitchell (Oliver Scott), Montagu Love (Rei Filipe II), J.M. Kerrigan (Eli Matson), David Bruce (Martin Burke), Clifford Brooke (William Tuttle).

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