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Destination MoonSinopse:

O perito em fogetões, Dr. Charles Cargraves (Warner Anderson), tem um sonho, levar um fogetão à lua. Para tal tem o apoio do general General Thayer (Tom Powers) da força aérea, mas uma série de fracassos retiram o interesse público ao projecto. O General Thayer consegue então convencer o industrial Jim Barnes (John Archer) de que a corrida espacial tem de ser ganha pelos Estados Unidos, e juntos os três homens atraem o investimento privado.

Com as autoridades a manifestarem-se contra, Cargraves, Thayer e Barnes iniciam a missão prematuramente. A partir de então estão entregues a si próprios e ao seu engenheiro Joe Sweeney (Dick Wesson), na tarefa de ir e regressar sãos e salvos, o que não será fácil depois de saberem que aterraram na lua com combustível a menos que o desejado para partir.

Análise:

O cinema de ficção científica dos anos 1950 é marcado por uma conjuntura social em que se faziam sentir os efeitos da Guerra Fria, a crescente corrida nuclear, e as ameaças dos efeitos nocivos desta forma de energia. Após o final da Segunda Guerra Mundial os Estados Unidos percebiam que havia uma nova ordem internacional, com um inimigo bem identificado (a União Soviética) que temiam ver-se infiltrado na sua sociedade.

Assim a década de 50 é profícua em histórias de bombas apocalípticas, extra-terrestres invasores malignos, e ataques de monstros resultantes de mutações. Os exemplos são demasiados para valer a pena enumerá-los, mas o resultado foi uma corrida ao sensacionalismo, misturando ficção científica e horror, com filmes muitas vezes sem grande qualidade, direccionados para um mercado juvenil em busca de sensações fortes saídas da tela.

Por isso, este “A Conquista da Lua” de Irving Pichel destoa dos seus contemporâneos, com uma história que privilegia o rigor científico, e procura informar, fazer pensar, e não horrorizar. Com argumento adaptado de um livro de Robert A. Heinlein, e escrito com a colaboração do próprio autor, não admira que assim seja. Heinlein, um dos maiores génios da literatura de ficção científica de todos os tempos, era conhecido pelo seu rigor e detalhe, centrando geralmente as suas histórias nos efeitos psicológicos que o tempo retratado teria sobre os seres humanos.

Com a necessidade de explorar o filão da aventura espacial, mas mantendo o rigor científico de Heinlein, Irving Pichel realizou, com produção de George Pal, um filme que parece por vezes um filme de propaganda sobre a conquista espacial. Basta olharmos para a estrutura do filme para vermos como se passa de ensaios frustrados de lançamento de fogetões, para a sensibilização da indústria privada em tomar um lugar deixado vazio pela iniciativa governamental, até aos filmes educativos (uma animação com o famoso Woody Woodpecker) que explicam minuciosamente alguns princípios básicos da propulsão espacial.

Todo o filme tem, aliás, essa preocupação de educar, seja na questão do movimento da Terra e Lua, no comportamento dos corpos em imponderabilidade, na questão do vazio e, claro, sobre a velocidade de escape da Terra ou da Lua, que será o cerne do suspense da ponta final do filme.

Com tantas preocupações de carácter científico é de espantar um pouco que os protagonistas sejam pessoas de meia idade (ou mais), sem qualquer treino ou preparação. Ainda assim O filme consegue proporcionar muitos momentos interessantes, com a sugestão e resolução de problemas básicos. A título de exemplo veja-se como os sapatos magnéticos seriam usados em “2001: Odisseia no Espaço” (2001: A Space Odissey, 1968) de Stanley Kubrick), e a temática do flutuar sem controlo, que seria o prato forte de “Gravidade” (Gravity, 2012) de Alfonso Cuaron.

Embora repleto de ingenuidades, o filme acaba por fazer um uso muito equilibrado e algo credível dos seus efeitos especiais (premiados com o Oscar desse ano), contribuindo para contar uma história simples, mas eficaz, que é, nalguns casos, premonitória do que aconteceria na corrida espacial uma década depois, com a nota acertada do uso da tecnologia como uma mais valia no confronto das superpotências. “A Conquista da Lua” é por isso um percursor de muitos filmes do género.

Note-se por curiosidade a passagem do texto que constitui os créditos iniciais, e perceba-se de onde veio a icónica abertura de “A Guerra das Estrelas” (Star Wars, 1977).

Produção:

Título original: Destination Moon; Produção: George Pal Productions, Inc.; País: EUA; Ano: 1950; Duração: 93 minutos; Distribuição: Eagle-Lion Films; Estreia: 27 de Junho de 1950 (EUA), 5 de Janeiro de 1951 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Irving Pinchel; Produção: George Pal; Argumento: Alford Van Ronkel [como Rip Van Ronkel], Robert A. Heinlein, James O’Hanlon [baseado no livro de Robert A. Heinlein]; Música: Leith Stevens; Fotografia: Lionel Lindon [cor por Technicolor]; Director de Produção: Martin Eisenberg; Design de Produção: Ernst Fegté; Montagem: Duke Goldstone; Animação: Walter Lantz; Efeitos Especiais: Lee Zavitz; Caracterização: Webster C. Phillips; Cenários: George Sawley; Orquestração: Dave Torbett.

Elenco:

John Archer (Jim Barnes), Warner Anderson (Dr. Charles Cargraves), Tom Powers (General Thayer), Dick Wesson (Joe Sweeney), Erin O’Brien-Moore (Emily Cargraves).

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