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I, RobotSinopse:

No ano de 2035 os robots são uma realidade presente em quase todos os aspectos da vida humana. Destacam-se os androides NS-5 da United States Robotics, local onde a morte do principal investigador, Dr. Alfred Lanning (James Cromwell) leva à investigação do detective Del Spooner (Will Smith). Este desconfia dos robots em geral, e desde logo acredita que um robot possa ter sido responsável pela morte, o que viola tudo aquilo que se sabe sobre o código que rege a conduta destes. Quando Spooner conhece Sonny (com a voz de Alan Tudyk), um NS-5 que parece ter uma consciência própria, a sua investigação ganha novas proporções que colocam em risco a sua vida, e lançam uma luz negra sobre os verdadeiros propósitos da United States Robotics dirigida por Lawrence Robertson (Bruce Greenwood).

Análise:

Isaac Asimov é um dos mais consagrados autores de ficção científica, embora, talvez estranhamente, um dos menos adaptados ao cinema, quando a sua obra ascende a, pelo menos, 500 livros. Excepção parcial é este “Eu, Robot” de Alex Proyas, um realizador que já antes se notabilizara no cinema de ficção científica com o Tech Noir “Cidade Misteriosa” (Dark City, 1998).

Sem ser uma adaptação directa, “Eu, Robot” é inspirado pelo universo (e personagens) da série de histórias de Asimov que lidam com um dos seus temas preferidos, a robótica. Para essa série o autor escreveu as famosas leis que, no seu universo literário, regeriam eticamente o alcance da atividade dos robots, e que muito influenciaram cientistas e outros escritores. É a partir dessas leis fundamentais da robótica que se constrói uma história que lida com os conflitos do que seria servir a humanidade, protegendo-a a todo o custo.

No papel principal, Will Smith protagoniza o detective Del Spooner que, por um acidente passado, desconfia da capacidade dos robots tomarem decisões “humanas”, não hesitando em imaginá-los como capazes de cometer crimes, em função da sua frieza matemática. Tais desconfianças colidem, não só com o código que rege a inteligência artificial, como com os propósitos da todo-poderosa United States Robotics (representada pelo personagem de Bruce Greenwood), que vê nas investigações de Spooner uma publicidade negativa para a sua nova série de robots inteligentes, os NS-5.

A entrada em cena de Sonny, um NS-5 que parece ter uma noção própria de certo e errado, capaz de emoções e de se orientar por princípios próprios, vem dar razão às suspeitas de Spooner, que consegue convencer a psicóloga da United States Robotics, Dr. Susan Calvin (Bridget Moynahan), de que algo de estranho se passa por trás da morte do “pai” da série NS-5, o Dr. Alfred Lanning (James Cromwell).

A partir de então estamos colocados perante o desafio de reinterpretar as tais leis da robótica, reimaginar o que é servir e proteger os seres humanos, e acima de tudo deixar que a nossa imaginação aceite ou não a possibilidade de código matemático se transformar ao ponto de ser capaz de sentir emoções, e ter uma consciência própria. Neste campo é impossível não fazermos comparações entre Sonny (voz de Alan Tudyk) e HAL de “2001: Odisseia no Espaço” (2001 A Space Odissey) de Stanley Kubrick e Arthur C. Clarke.

Mas com Will Smith como propulsor do enredo, “Eu, Robot” é principalmente um movimentado filme policial, pleno de acção, por parte de um actor que se vem especializando em filmes do género. Nota-se que o filme foi feito para si, com inúmeras cedências ao seu humor particular, feito de desdém e frases insolentes, mas com demasiados buracos no argumento no que diz respeito à sua história pessoal.

Apesar dessas cedências e diferenças em relação à obra original, o filme funciona a vários níveis, essencialmente como um thriller policial, que não deixa de carregar uma certa iconografia messiânica, com a salvação final de uma geração de robots, e sua devolução a propósitos mais inocentes, a ser vista como o início de algo de contornos provocantemente religiosos. Ainda assim, “Eu, Robot” torna-se demasiado dependente de cenas de acção, deixando o argumento tornar-se, em vários pontos, demasiadamente simples.

“Eu, Robot” foi um estrondoso sucesso para a 20th Century Fox, baseado num argumento adaptado por Jeff Vintar, e que esteve quase dez anos em gestação, não tendo qualquer contributo de Isaac Asimov, o qual negou o filme, explicando que qualquer forma de usurpação do poder por parte dos robots ia contra tudo aquilo que ele tinha escrito.

Produção:

Título original: I Robot; Produção: Twentieth Century Fox Film Corporation / Mediastream IV / Davis Entertainment Company / Laurence Mark Productions / Overbrook Films / Canlaws Productions; Produtores Executivos: Will Smith; James Lassiter, Michel Shane, Anthony Romano; País: EUA/Alemanha; Ano: 2004; Duração: 110 minutos; Distribuição: Twentieth Century Fox Film Corporation; Estreia: 16 de Julho de 2004 (EUA), 2 de Setembro de 2004 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Alex Proyas; Produção: Laurence Mark, John Davis, Topher Dow, Wyck Godfrey; Argumento: Jeff Vintar, Alex Proyas [baseado numa história de Jeff Vintar, sugerida pelos livros de Isaac Asimov]; Fotografia: Simon Duggan [cor por Alphacine]; Design de Produção: Patrick Tatopoulos; Montagem: Richard Learoyd, Armen Minasian, William Hoy; Co-Produção: Steven R. McGlothen; Música: Marco Beltrami; Efeitos Visuais: John Nelson; Produtor Associado: John Kilkenny; Figurinos: Elizabeth Keogh Palmer; Direcção Artística: Helen Jarvis, Chris August; Cenários: Lin MacDonald; Caracterização: Stan Edmonds; Efeitos Especiais: Mike Vezina.

Elenco:

Will Smith (Del Spooner), Bridget Moynahan (Susan Calvin), Alan Tudyk (Sonny), James Cromwell (Dr. Alfred Lanning), Bruce Greenwood (Lawrence Robertson), Chi McBride (Tenente John Bergin), Shia LaBeouf (Farber), Adrian Ricard (Avó), Jerry Wasserman (Baldez), Fiona Hogan (V.I.K.I.), Peter Shinkoda (Chin), Terry Chen (Chin), David Haysom (NS4 Robot / NS5 Robot), Scott Heindl (NS4 Robot / NS5 Robot), Sharon Wilkins (Mulher Asmática), Craig March (Detective), Kyana Cox (Rapariga).