Etiquetas

, , , , , , , ,

Tomb of LigeiaSinopse:

Ao cavalgar numa caçada, Rowena Trevanion (Elizabeth Shepherd) depara com um cemitério junto a uma velha abadia, e o seu cavalo provoca a sua queda. Rowena éÉ recolhida e tratada por Verden Fell (Vincent Price), um homem soturno, que vive ainda o desgosto da morte da sua mulher, a misteriosa Ligeia. Verden e Rowena apaixonam-se e acabam por casar, vivendo momentos de felicidade na lua de mel, mas tudo muda quando regressam à abadia. Verden age como que possuído por alguma coisa, e a presença do espírito de Ligeia torna-se cada vez mais real, e um obstáculo para o casal.

Análise:

Para aquele que seria o último filme da série Poe de Roger Corman para AIP, a produção mudou-se para Inglaterra. Com um elenco maioritariamente britânico, o filme destaca-se pelo extenso uso de exteriores em cenários naturais, nomeadamente nas ruínas de Castle Acre Priory, em Norfolk. Por isso a fotografia de Arthur Grant (um habitual técnico da fase áurea da Hammer Horror) é mais leve que a que marcava os filmes anteriores de Corman, o que desde logo distingue este filme dos restantes da série.

Baseado no conto homónimo de Edgar Allan Poe, o argumento de Robert Rowne lida, tal como outros da série, com as ligações entre a vida e morte. Estas ocorrem na pessoa de um homem, o viúvo Verden Fell (Vincent Price), que é ainda atormentado pelo estranho poder que a falecida esposa Ligeia, tem sobre si. Tal dá a Price mais uma oportunidade de desempenhar o seu personagem típico, o homem atormentado por um passado ligado à perda da esposa, e ainda a contas com as consequências dessa perda.

No caso de “The Tomb of Ligeia” a influência do passado é, acima de tudo, a influência além-túmulo, que perturba não só o protagonista, como a chance de este viver uma vida normal, simbolizada no seu casamento com Rowena (Elizabeth Shepherd). Rowena e Ligeia (ambas interpretadas por Shepherd) são por isso as duas faces de uma moeda. Onde Rowena é a vida, o futuro e a salvação, Ligeia é a morte, o passado e a perdição. Por isso em torno de Verden (que não tem plena consciência do que se passa consigo) trava-se uma batalha surda entre estes dois poderes representados nas duas mulheres, que afinal parecem a mesma.

É o desenvolver dessa batalha, através de pequenos incidentes, que alimenta a trama. Por entre eventos inexplicados e, claro, a presença de um diabólico gato negro, a luminosa atmosfera inicial vai dando lugar ao negrume da abadia onde o casal vive, e onde Verden é sempre visto de olhos escuros, pois a influência de Ligeia deixa-o demasiado sensível à luz.

O filme torna-se então um acumular de metáforas sobre vida e morte, desde referências ao antigo Egipto até à hipnose, terminando no final macabro onde o culto de uma morta é tornado demasiado literal, roçando a necrofilia. O próprio início num funeral convencional (imagem de marca da Hammer), é desde logo um apontar a esta ligação entre morte e vida.

Alicerçado nas excelentes interpretações de Vincent Price e Elizabeth Shepherd, Corman troca aqui a luz barroca e encenação demasiado teatral com que constrói a maioria dos filmes da série, por uma maior subtileza visual. Desse modo sugere-nos lentamente uma história sobrenatural, onde as intrusões da morte no reino dos vivos parecem, mais que uma ameaça, uma inevitabilidade a que não se pode escapar. As diversas ambiguidades em que a história assenta, continuam para lá do filme, com o final macabro e enigmático sobre quem de facto sai vitorioso do confronto final.

Produção:

Título original: The Tomb of Ligeia; Produção: Alta Vista Productions; País: Reino Unido; Ano: 1965; Duração: 82 minutos; Distribuição: American International Pictures (AIP) (EUA), Anglo-Amalgamated Film Distributors (Reino Unido); Estreia: 20 de Janeiro de 1965 (EUA).

Equipa técnica:

Realização: Roger Corman; Produção: Pat Green; Argumento: Robert Towne [a partir do conto homónimo de Edgar Allan Poe]; Música: Kenneth V. Jones; Fotografia: Arthur Grant [filmado em Colorscope]; Montagem: Alfred Cox; Direcção Artística: Colin Southcott, Daniel Haller [não creditado]; Caracterização: George Blackler; Figurinos: Mary Gibson; Efeitos Especiais: Ted Samuels.

Elenco:

Vincent Price (Verden Fell), Elizabeth Shepherd (Lady Rowena Trevanion / Lady Ligeia), John Westbrook (Christopher Gough), Derek Francis (Lord Trevanion), Oliver Johnston (Kenrick), Richard Vernon (Dr. Vivian), Frank Thornton (Peperel), Ronald Adam (Padre no cemitério), Denis Gilmore (Rapaz), Penelope Lee (Criada de Lady Rowena).