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The Masque of the Red DeathSinopse:

Na Itália medieval, o príncipe Prospero (Vincent Price) governa tiranicamente sobre os seus territórios, cobrando altos impostos e dando castigos cruéis a quem o confronta. Quando numa pequena aldeia uma anciã encontra uma estranha figura de vermelho que diz que os vem libertar, toma isso como profecia. Confrontado com a profecia, que se revela ser uma epidemia de peste, Prospero leva consigo dois homens e uma mulher da aldeia, para o refúgio do seu castelo, onde entretém os seus convidados, ao abrigo do que se passa lá fora. Confessando-se servo de Satanás, Prospero vai humilhando e torturando prisioneiros e convidados, por entre as festividades, até ao grande baile de máscaras, onde terá um convidado indesejado.

Análise:

Com “A Máscara da Morte Vermelha” Roger Corman produzia e realizava o seu sétimo e penúltimo filme da série Poe, o sexto com Vincent Price como protagonista. Desta vez, adaptando o pequeno conto homónimo de Edgar Allan Poe, o argumento estava a cargo de Charles Beaumont (que antes escrevera para Corman “The Haunted Palace” de 1963) e R. Wright Campbell. Na fotografia, pela primeira vez Floyd Crosby era substituído, mas mantinha-se o design de produção de Daniel Haller, respeitando a continuidade estética trazida dos filmes anteriores.

Com a história passada em Itália num cenário medieval (com anacronismos, como o ballet clássico), Corman espandiu o curto conto de Poe para uma longa-metragem, incluindo também elementos de outras histórias. O conto original segue a tradição gótica, com a acção a decorrer num castelo, tendo como tema uma tragédia causada pela natureza (uma peste), que funciona em simultâneo como uma alegoria do estado da alma humana que atrai para si aquilo que mais deseja refutar.

Embora Poe sempre recusasse o carácter alegórico e didático das suas histórias, Corman usa essa possível interpretação para nos contar a história de um homem (Vincent Price como Prospero) que acredita poder viver num mundo protegido (o seu castelo), que o isola da pequenez, pobreza e doença do mundo ao seu redor. Mais que isso, sem que nada no conto explicite os comportamentos de Prospero, Corman elabora-os. Assim, no filme, Prospero é um governante cruel e mesmo sádico, deleitando-se em festas decadentes de torturas que inflige aos seus súbditos, e humilhações que impõe aos seus pretensos amigos – nobres que vivem dos seus favores. Prospero revela-se ainda como um servo de Satanás, envolvendo-se em cultos demoníacos, que ajudam a dar ao seu castelo uma aura ténebre, e dedicado a corromper a inocência de todos à sua volta.

O lado satânico é reforçado pela presença da sua amante Giovanna (Hazel Court), e os rituais passados na célebre sala negra, onde Prospero não deixa mais ninguém entrar. Descrita no conto como uma das sete salas coloridas da abadia onde Prospero organiza o baile de máscaras, no filme ela é um altar a Satanás, e é lá que se dá o confronto final entre Prospero e a Morte Vermelha. Esta surge como um homem de manto e capuz vermelho, por vezes sentado sob uma árvore, jogando às cartas, numa clara alusão ao filme de Ingmar Bergman “O Sétimo Selo” (Det Sjunde Inseglet, 1957).

Tipicamente alegórico, o filme de Corman é também o mais metafísico da série Poe, lidando com temas como a religião, a morte, a alma, para além claro, de temas bm mais terrenos, como a futilidade do isolamento dos líderes, que mais cedo ou mais tarde serão vítimas dos males que pensavam estar apenas reservado apenas ao seu povo. Da alegoria não espanta que no final apenas aqueles que mantiveram a inocência, Francesca, Gino (Jane Asher e David Weston, respectivamente) e uma criança, sejam poupados à tragédia.

Pegando numa história curta, quase sem acontecimentos, Corman, veste-a de cor, atmosfera pesada e um sentido permanente de inquietação, que o tornam talvez o mais memorável dos filmes da série. Destaca-se sobretudo a fotografia de Nicholas Roeg, que faz justiça ao brilhante espectáculo de cor e cenografia, e coreografia cuidada, fruto de um orçamento mais generoso que o habitual. A isto acrescenta-se, claro, uma interpretação vistosa de Vincent Price, raras vezes mais sádico e negro que aqui.

Produção:

Título original: The Masque of the Read Death; Produção: Alta Vista Productions; Produtores Executivos: James H. Nicholson, Samuel Z. Arkoff; País: EUA / Reino Unido; Ano: 1964; Duração: 88 minutos; Distribuição: American International Pictures (AIP); Estreia: 24 de Junho de 1964 (EUA).

Equipa técnica:

Realização: Roger Corman; Produção: Roger Corman; Argumento: Charles Beaumont, R. Wright Campbell [a partir do conto homónimo de Edgar Allan Poe]; Design de Produção: Daniel Haller; Fotografia: Nicolas Roeg [filmado em Colorscope, cor por Pathécolor]; Direcção Artística: Robert Jones; Música: David Lee; Montagem: Ann Chegwidden; Coreografia: Jack Carter; Figurinos: Laura Nightingale; Caracterização: George Partleton; Cenários: Colin Southcott; Efeitos Especiais: George Blackwell.

Elenco:

Vincent Price (Príncipe Prospero), Hazel Court (Giulianna), Jane Asher (Francesca), David Weston (Gino), Nigel Green (Ludovico), Patrick Magee (Alfredo), Paul Whitsun-Jones (Scarlatti), Robert Brown (Guarda), Julian Burton (Senhor Veronese), David Davies (Líder Aldeão), Skip Martin (Hop Toad), Gaye Brown (Senhora Escobar), Verina Greenlaw (Esmeralda), Doreen Dawne (Anna-Marie), Brian Hewlett (Senhor Lampredi), Sarah Brackett (Avó).

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