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All the President's MenSinopse:

Em Junho de 1972, um grupo de homens foi encontrado pela polícia, no que supostamente parecia um assalto nocturno no edifício Watergate, em Washington D.C.. O facto de o local ser uma sede do Partido de Democrata, e de haver relações escondidas entre os assaltantes e nomes importantes do Partido Republicano, lançou suspeitas na imprensa. Apesar de ser uma investigação tortuosa e perigosa, a obstinação dos repórteres do Washington Post, Bob Woodward (Robert Redford) e Carl Bernstein (Dustin Hoffman), acabaria por os levar ao fundo da história, que acabaria na resignação do próprio presidente Richard Nixon.

Análise:

“Os Homens do Presidente” é um daqueles filmes que ficam na mitologia do cinema, com a sua mescla de ficção e realidade, e a glorificação de uma carreira (o jornalismo) que é aqui mostrada como último bastião da dignidade, e capaz de por em cheque os poderes corruptos da política.

Citado por muitos jornalistas como uma inspiração, tanto o filme, como o caso real em que este se baseia, foram tanto um choque na opinião pública, como um marco para a geração que os viveu. Pela primeira vez na história de um estado moderno, uma investigação civil, neste caso de carácter jornalístico, denunciou actos tão dramáticos que levaria à demissão de um Presidente da República, no caso, Richard Nixon, então recentemente eleito para um segundo mandato na Casa Branca.

Estreado em 1976, “Os Homens do Presidente”, fruto da ideia de Robert Redford, é mais um exemplo do clima que a Nova Era de Hollywood ajudava a construir. Este era de desconfiança quanto aos líderes e instituições, de revolta e de pessimismo. O filme, insere-se ainda na chamada trilogia de paranóia de Alan J. Pakula, o realizador de “Klute” (Klute, 1971) e “A Última Testemunha” (The Parallax View, 1974).

Embora se note a citada glorificação, tanto da carreira de jornalista, como do papel dos dois homens que derrubaram o presidente (o filme é baseado no livro dos próprios Bob Woodward e Carl Bernstein), há no entanto um sentido de realismo que o atravessa do primeiro ao último instante. Com “Os Homens do Presidente” assistimos com detalhe a uma investigação, feita de preserverança, teimosia, instinto, muitas noites perdidas, litros de café e muito tabaco. Assistimos aos caminhos percorridos, aos estratagemas tentados, às muitas pistas falhadas, ao acumular de pequenas esperanças que irão, peça a peça, ajudar a completar o puzzle.

Deste modo sentimo-nos dentro das cabeças dos dois protagonistas (impecavelmente interpretados por Robert Redford e Dustin Hoffman, que são o centro de todo o filme), pensando com eles, tentando com eles, e sentindo as suas frustrações sempre que mais uma barreira os impede de prosseguir, num filme que é tanto sobre descobertas jornalísticas como sobre o verdadeiro sirgnificado de encontrar agulha em palheiro quando se inicia uma investigação desta complexidade e gravidade.

Se Alan J. Pakula, deixa as cenas rolarem com o realismo citado, é a fotografia de Gordon Willis (o príncipe negro de Hollywood), que filma os espaços com uma precisão fria, que lhes dá a desolação (veja-se a título de exemplo as filmagens nocturnas em espaços como o parque de estacionamento) que os faz chegar a ser tão inquietantes como o próprio tema. Importante é ainda a montagem de Robert L. Wolfe, viva dinâmica ajudando a tornar o filme num exercício de constante vivacidade, mesmo quando apenas se discute nomes encontrados em livros de cheques.

Optando por seguir apenas os passos de Woodward e Bernstein, o filme centra-se na investigação, e nunca nos criminosos, ou no crime propriamente dito. Tal resulta num final inesperado (tão inesperado quanto o pode ser uma história cujo fim já conhecemos), em que as últimas cenas são as de Woodward e Bernstein batendo a história à máquina, sobre imagens televisivas que mostram a tomada de posse de Nixon, que sabemos estar já condenado. Essa condenação parece tão mais evidente que é ouvida sob o ressoar dos teclados que mais parecem rajadas de tiros abatendo o seu alvo.

Destaque-se o detalhe colocado na recriação da salas do Washington Post (com cenários construídos de raiz, baseados no original), num filme que levou Redford e Hoffman a conviver durante meses com os jornalistas do Washington Post, para melhor captarem a sua forma de ser e agir.

“Os Homens do Presidente” foi um sucesso tanto comercial como crítico (como o livro de Woodward e Bernstein já havia sido), considerado ainda hoje como um dos filmes mais inspiradores do cinema. O filme foi nomeado para oito Oscars, vencendo os de Melhor Argumento, Melhor Actor Secundário (Jason Robards), Melhor Som e Melhor Direcção Artística, a que se juntariam inúmeros prémios internacionais.

Produção:

Título original: All the President’s Men; Produção: Warner Bros. / Wildwood Enterprises (a Robert Redford-Alan J. Pakula film); País: EUA; Ano: 1976; Duração: 138 minutos; Distribuição: Warner Bros.; Estreia: 4 de Abril de 1976 (EUA).

Equipa técnica:

Realização: Alan J. Pakula; Produção: Walter Coblenz; Argumento: William Goldman [baseado no livro de Carl Bernstein e Bob Woodward]; Fotografia: Gordon Willis (filmado em Panavision, cor por Technicolor); Montagem: Robert L. Wolfe; Design de Produção: George Jenkins; Música: David Shire; Produtores Associados: Jon Boorstin, Michael Britton; Cenários: George Gaines; Figurinos: Bernie Pollack; Efeitos Especiais: Henry Millar; Caracterização: Gary Liddiard, Fern Buchner, Don Cash.

Elenco:

Dustin Hoffman (Carl Bernstein), Robert Redford (Bob Woodward), Jack Warden (Harry Rosenfeld), Martin Balsam (Howard Simons), Hal Holbrook (Deep Throat), Jason Robards (Ben Bradlee), Jane Alexander (Bibliotecária), Meredith Baxter (Debbie Sloan), Ned Beatty (Dardis), Stephen Collins (Hugh Sloan), Penny Fuller (Sally Aiken), John McMartin (Editor de Notícias Internacionais), Robert Walden (Donald Segretti), Frank Wills (Frank Wills), F. Murray Abraham (Polícia #1), David Arkin (Eugene Bachinski), Henry Calvert (Bernard L. Barker), Dominic Chianese (Eugenio R. Martinez), Bryan Clark (Advogado em discussão), Nicolas Coster (Markham), Lindsay Crouse (Kay Eddy), Valerie Curtin (Miss Milland), Gene Dynarski (Escrivão do Tribunal), Nate Esformes (Virgilio R. Gonzales), Ron Hale (Frank Sturgis), Richard Herd (James W. McCord, Jr. ), Polly Holliday (Secretária de Dardis), James Karen (Advogado de Hugh Sloan), Paul Lambert (Editor de Notícias Nacionais), Frank Latimore (Juiz), Gene Lindsey (Alfred D. Baldwin), Anthony Mannino (Polícia #2), Allyn Ann McLerie (Carolyn Abbott), James Murtaugh (Empregado da Biblioteca do Congresso), John O’Leary (Advogado #1), Jess Osuna (Joe, Agente do FBI), Neva Patterson (Mulher CRP), George Pentecost (George), Penny Peyser (Sharon Lyons), Joshua Shelley (Al Lewis), Sloane Shelton (Irmã da Bibliotecária), Lelan Smith (Polícia #3), Jaye Stewart (Bibliotecário), Ralph Williams (Ray Steuben), George Wyner (Advogado #2), Leroy Aarons (Editor de Finanças), Donnlynn Bennett (Repórter), Stanley Bennett Clay (Editor Assistente do Metro), Carol Coggin (Assessora de Notícias), Laurence Covington (Locutora de Notícias), John Devlin (Editor do Metro), John Furlong (Editor de Notícias), Sidney Ganis (L.A. Stringer).