Etiquetas

, , , , , , , , , , ,

Vampire LoversÚltimo filme da Hammer a ser financiado por dinheiro americano, “As Amantes do Vampiro” é o primeiro da chamada Trilogia Karnstein, que sob inspiração da obra de Sheridan Le Fanu, nos traz o lesbianismo nas histórias de vampiros. Centrado na personagem interpretada por Ingrid Pitt, o filme conta com o regresso de Peter Cushing ao combate aos vampiros. A realização é de Roy Ward Baker, que no mesmo ano filmaria “Scars of Dracula”.

Sinopse:
Na Estíria, no século XIX o Barão Hertog conta como a sua família foi vítima do vampirismo, e como descobriu que ao roubar a mortalha de um vampiro este não pode repousar. Assim atrai uma vampira que decapita com a sua espada. Muitos anos depois, numa festa na mansão do General von Spielsdorf, uma Condessa sua amiga tem de partir apressadamente, deixando a sua filha Marcilla aos cuidados do General. Esta conquista a amizade da filha dele, Laura, e as duas parecem inseparáveis. Quando Laura começa a ter pesadelos e a ficar cada dia mais fraca, é sempre por Marcilla que chama. Sem que ninguém saiba, as duas tornam-se amantes, e Laura acaba por morrer com duas marcas de dentes no peito. Marcilla não é mais vista. Perto dali Roger Morton e a sua filha Emma (a melhor amiga de Laura) testemunham o acidente numa carruagem que transporta a Condessa. Oferecem ajuda, acabando por hospedar a filha da Condessa, Carmilla (que é Marcilla, com outro nome). Carmilla torna-se amiga de Emma, que começa também a ter pesadelos e a enfraquecer sem razão aparente. Com o seu pai ausente, as desconfianças do mordomo Renton, são abafadas quando Carmilla seduz a governanta Mlle. Perrodot, que passa a agir sob as suas ordens, impedindo que o médico seja chamado. Renton, avisado pelo estalajadeiro da aldeia, que lhe conta que raparigas estão a aparecer misteriosamente mortas e sem sangue, chama o médico e enche o quarto de Emma de flores de alho. Carmilla mata o médico na floresta, mas no dia seguinte quando Roger Morton o procura, encontra o General, que traz consigo Carl (noivo da defunta Laura) e o Barão Hertog já idoso. Estes mostram a Morton o corpo do médico, e falam-lhe da família de vampiros Karnstein, dirigindo-se ao velho castelo, onde o Barão Hertog conta como em tempos destruiu todos os vampiros menos uma linda mulher, Mircalla, mostrando o seu retrato num quadro. o General reconhece Mircalla como Marcilla, e Morton como Carmilla. Este envia Carl à sua mansão para tentar salvar Emma. Na mansão dos Morton, com a governanta Mlle. Perrodot acamada, Carmilla seduz Renton, e convence-o a tirar as flores de alho do quarto de Emma, e o crucifixo do seu pescoço, após o que Carmilla o morde até o matar. Carmilla tenta então levar Emma consigo, e perante o desespero da governanta que quer ir no lugar de Emma, Carmilla mata-a. Nesse momento Carl chega e em luta com Carmilla usa o seu punhal como crucifixo, e Carmilla desfaz-se no ar. No castelo Karnstein, Hertog, Morton e o General continuam a procurar o túmulo de Mircalla para lhe resgatarem a mortalha. Vêem então Carmilla que se aproxima. Escondidos observam para onde ela se dirige e descobrem-lhe o túmulo. Aí o General trespassa-a com uma estaca de madeira, e depois decapita-a. Ao mesmo tempo o retrato de Mircalla transforma-se, de bela mulher em uma caveira.

Análise:
À entrada da década de 70, a Hammer sentia que tinha de mudar de estratégia para voltar a surpreender as audiências como o tinha feito mais de 10 anos antes. Estando numa fase em que repetia filmes de Drácula e de Frankenstein anualmente, uma nova ideia surgiu, a de introduzir o lesbianismo nas histórias de vampiros. Surgia assim a trilogia Karnstein, de que “As Amantes do Vampiro” é o primeiro episódio, numa adaptação da obra de Sheridan Le Fanu. O principal vampiro passava a ser uma mulher (neste filme interpretada por Ingrid Pitt), e o tema principal deixava de ser a eterna luta entre bem e o mal de contornos religiosos, passando a ser declaradamente sexual. São de facto os avanços sexuais de Marcilla/Carmilla/Mircalla que guiam o enredo, e é a forma como ela se insinua junto das suas anfitriãs, como as acarinha e seduz, que faz avançar a história. A personagem de Ingrid Pitt não é um vampiro distante, assustador, encerrado num castelo, mas sim uma mulher quente, presente, que não hesita em usar o seu corpo para seduzir mulheres e homens, na busca dos seus intentos. Vemos, por isso, o seu corpo nu, bem como o das outras actrizes principais, numa exposição completa, como até aí a Hammer ainda não tinha feito, e que era muito arrojada para a época. Por isso também, as marcas das vítimas e amantes de Carmilla são nos seios, e não no pescoço. E por isso ainda, as suas vítimas são preferencialmente mulheres. Pode-se também dizer que o argumento, é derivativo, não só repetindo-se a meio do filme, fazendo da sequência de Emma (Madeline Smith) quase uma cópia da de Laura (Pippa Steel), como tem na sua construção muito do que Bram Stoker fez com Lucy e Mina. Essa falta de originalidade é apenas suprida pela presença hipnótica de Ingrid Pitt, na qual recaem as despesas dos filme. As cenas nocturnas são outro triunfo, com o regresso às atmosferas góticas bem típicas da Hammer, de florestas tenebrosas e cemitérios cheios de nevoeiro. A figura essencial do caçador de vampiros é aqui dividida entre Douglas Wilmer no papel do Barão Hertog, e Peter Cushing (o General), que tem neste filme um papel mais discreto do que nos vinha habituando. Fica por perceber o papel do vampiro que surge a cavalo sorrindo de cada vez que Carmilla faz uma vítima. Não faltam as cenas de sangue, mas mesmo assim, apesar do terreno desbravado com a ideia do lesbianismo, fica no ar a ideia de que com este “As Amantes do Vampiro” estamos já numa fase decadente para a Hammer.

Produção:
Título original: The Vampire Lovers; Produção: Hammer Film Productions / American International Productions; País: Reino Unido; Elstree Studios (Borehamwood); Ano: 1970; Duração: 87 minutos; Distribuição: American International Pictures; Estreia: 4 de Outubro de 1970 (Inglaterra), 26 de Julho de 1974 (Portugal).

Equipa técnica:
Realização: Roy Ward Baker; Produção: Harry Fine e Michael Style; Argumento: Tudor Gates, Adaptado por Harry Fine, Tudor Gates e Michael Style, da história “Carmilla” de J. Sheridan Le Fanu; Fotografia: Moray Grant (filmado em Technicolor); Montagem: James Needs; Direcção Artística: Scott MacGregor; Guarda-roupa: Brian Cox; Música: Harry Robinson; Supervisão Musical: Philip Martell; Caracterização: Tom Smith; Guarda-roupa: Laura Nightingale.

Elenco:
Ingrid Pitt (Marcilla/Carmilla/Mircalla Karnstein), Pippa Steel (Laura), Madeline Smith (Emma Morton), Peter Cushing (General von Spielsdorf), George Cole (Roger Morton), Dawn Addams (Condessa), Kate O’Mara (Governanta Mlle. Perrodot), Douglas Wilmer (Barãon Joachim von Hertog), Jon Finch (Carl Ebhardt), Ferdy Mayne (Doutor), Kirsten Lindholm (Primeira Vampira), John Forbes-Robertson (Homem de negro), Shelag Wilcoks (Mordomo), Harvey Hall (Renton), Janet Key (Gretchin), Charles Farrell (Estalajadeiro), Graham James (Primeiro jovem), Tom Browne (Segundo jovem), Olga James (Rapariga da aldeia).

Anúncios