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Horror of FrankensteinA Hammer entrou nos anos 70 apostando tudo nos nomes Drácula e Frankenstein, esquecendo a diversidade de temas com que habituara os fãs. Com “Os Horrores de Frankenstein” fez o seu primeiro remake de si própria. Realizado e produzido pelo seu famoso argumentista, Jimmy Sangster, este filme foi o primeiro papel principal de Ralph Bates para a Hammer.

Sinopse:
A história começa com um jovem arrogante Victor Frankenstein, negligenciando as lições do seu professor, por as achar enfadonhas, não hesitando em mostrar a sua superioridade, para gáudio dos amigos, Elizabeth, Henry, Maggie e Stefan. O seu pai, o Barão, que usa a empregada Alys como amante, nega dinheiro a Victor, que em vingança sabota uma espingarda, com que o pai virá a morrer numa caçada. Tornado Barão, Victor parte para a universidade em Viena, onde mais uma vez a sua arrogância para com os professores (e os avanços com as filhas deles) o mete em trabalhos, que o fazem regressar a casa mais cedo, com o amigo e colega Wilhelm Kassner. No caminho Victor e Wilhelm salvam Elizabeth e o Professor Heiss de serem assaltados, e Victor mata um dos assaltantes. De volta ao castelo Victor toma Alys como amante, começa a preparar o laboratório, e contrata o antigo amigo Stefan como cozinheiro. Henry Becker, agora polícia, vem ao Castelo, com a noiva Maggie, perguntar se Victor sabe porque o assaltante foi decapitado. As experiências começam e Victor contrata alguém para lhe trazer corpos. Wilhelm começa a duvidar das experiências, e quando tenta forçar Victor a parar, este electrocuta-o. De seguida Victor envenena o Professor Heiss, numa recepção a Heiss e à filha Elizabeth, para usar o seu cérebro daquele. Ciumenta quanto a Elizabeth, Alys começa a chantagear Victor pelo desaparecimento de Wilhelm. Órfã, Elizabeth procura auxílio com Victor, ficando a viver no castelo. Com a entrega do cérebro, que danifica ao deixar cair, os serviços do ladrão de corpos não são mais necessários, e Victor mata-o numa tina de ácido. Tendo tudo pronto, Victor dá vida à sua criação, que o agride, sai do castelo e faz uma morte, sendo visto por Stefan. Victor encontra o monstro na floresta, imobiliza-o e leva-o de volta, enquanto Stefan conta a Henry do monstro, tornando-se ele o principal suspeito. A mulher do ladrão de corpos vem visitar Victor pelo desaparecimento do marido, aumentando as suspeitas de Alys. Victor envia então o monstro atrás da mulher, matando-a. A proximidade entre os crimes e o Castelo leva Henry a suspeitar de Victor. Victor entrega Alys ao monstro após esta o chantagear de novo. Na noite seguinte o monstro volta a fugir, entrando numa casa e assustando uma criança que dá o alarme. Ao regressar ao castelo, o ruído acorda Elizabeth, que procura no laboratório, e é atacada pelo monstro. Victor chega a tempo de a salvar, drogando o monstro e escondendo-no na tina. Alertados pela criança atacada, a polícia revista o castelo de Victor, e Elizabeth conta do ataque. Enquanto no laboratório a criança acciona o despejo do ácido, destruindo o monstro sem que ninguém perceba.

Análise:
Em vez de uma sequela, a Hammer resolveu em 1970 fazer aquilo que hoje se chama um “reboot”, isto é uma versão alternativa da história inicial, narrada em “A Máscara de Frankenstein”, de 1957. A ideia foi talvez relançar a série para uma nova audiência e com um novo actor principal, contando a juventude e primeira criação do barão, ou até divertir-se com uma semi-paródia do clássico. Sem Terence Fisher na realização, esta foi entregue ao argumentista Jimmy Sangster, que também produziu o filme. Sem Peter Cushing no papel do barão, foi escolhido Ralph Bates, que antes tinha participado em “Taste the Blood of Dracula”. Bates interpreta um Victor Frankenstein bem diferente do de Cushing. Onde Cushing era ambíguo, Bates é frio e calculista, não mostrando quaisquer emoções, nem cedendo um milímetro para atingir os seus fins. Por isso não hesita em provocar a morte do pai, do amigo, da governanta e amante, e outros. Não o faz por prazer, fá-lo apenas porque precisa, e nisso não hesita. Repetindo em algumas partes a ideia do filme de 1957 (governanta-amante que é morta por saber demais, o professor convidado para que “ceda” o seu cérebro, o cérebro danificado antes de ser usado, a destruição do monstro com ácido, etc.), Sangster tenta usar a técnica de Fisher, no sentido de cortar todas as cenas supérfluas para que o ritmo da história nunca cesse. Consegue-o, mas é traído por um argumento cheio de falhas (não se percebe porque o monstro começa por agredir o barão para depois lhe obedecer, porque foge para voltar, porque está às vezes acorrentado e outras não, porque entra numa casa para agredir uma criança e não o faz, ou porque esta criança e o pai, aparentemente em pânico resolvem seguir a polícia para bisbilhotar o laboratório do barão). As falhas são disfarçadas pelo humor subtil e cínico de Ralph Bates, na forma como resiste aos avanços de Elizabeth (Veronica Carlson), ou ridiculariza os seus oponentes. Sem a questão ética a ter um peso preponderante, o enredo cai quase exclusivamente sobre a sucessão de mortes e como as parar. Com Bates (perfeito no frio e cínico barão, cheio de humor negro) estão ainda Kate O’Mara (uma das melhores interpretações femininas da Hammer) e a repetente Veronica Carlson, ambas exibindo sempre que possível as suas voluptuosas formas. Com elas cristaliza-se o clichè onde a leviana Alys vê a sua ambição causar-lhe a morte, e a casta Elizabeth é poupada às investidas do monstro. No papel do monstro estaria desta vez David Prowse (o conhecido Darth Vader da série “A Guerra das Estrelas”), cuja caracterização o faz parecer um lutador de wrestling, não ajudando a sua já pouco convincente interpretação.

Produção:
Título original: Horror of Frankenstein; Produção: Hammer Film Productions; País: Reino Unido; Elstree Studios; Ano: 1970. Duração: 91 minutos; Distribuição: Anglo-EMI Film Distributors Ltd; Estreia: 8 de Novembro de 1970 (Inglaterra), 8 de Outubro 1971 (Portugal).

Equipa técnica:
Realização: Jimmy Sangster; Produção: Jimmy Sangster; Argumento: Jeremy Burnham e Jimmy Sangster, a partir personagens criados por Mary Shelley; Música: Malcolm Williamson; Supervisão Musical: Philip Martell; Direcção Artística: Scott MacGregor; Montagem: Chris Barnes; Fotografia: Moray Grant (filmado em Technicolor); Caracterização: Tom Smith; Guarda-roupa: Laura Nightingale.

Elenco:
Ralph Bates (Barão Victor Frankenstein), Kate O’Mara (Alys), Veronica Carlson (Elizabeth Heiss), Dennis Price (O ladrão de túmulos), Jon Finch (Tenente Henry Becker), Bernard Archard (Professor Heiss), Graham James (Wilhelm Kassner), James Hayter (Oficial de justiça), Joan Rice (Mulher do ladrão de túmulos), Stephen Turner (Stephan), Neil Wilson (Professor da escola), James Cossins (Reitor), Glenys O’Brien (Maggie), Geoffrey Lumsden (Instrutor), Chris Lethbridge-Baker (Padre), Terry Duggan (Primeiro assaltante), George Belbin (Barão Frankenstein), Hal Jeayes (Lenhador), Carol Jeayes (Filha do lenhador), Michael Goldie (Trabalhador), David Prowse (O monstro).