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Taste the Blood of DraculaUm ano após “Dracula Has Risen from the Grave” a Hammer continuava a série com “Taste the Blood of Dracula”, tal como o anterior escrito por Anthony Hinds (que abandonaria o estúdio após este filme) e produzido por Aida Young. Christopher Lee continuava como Conde Drácula, e a realização passava de Freddie Francis para Peter Sasdy. Embora produzido em 1969, o filme só estrearia em 1970, ano que inauguraria uma longa sequência de filmes góticos da Hammer.

Sinopse:
Quando Weller, um vendedor inglês viajando numa carruagem na Europa de Leste, se perde na floresta, depara com a morte de Drácula (cena final de “Dracula Has Risen from the Grave”). Recolhe o seu medalhão, anel e sangue, e leva-o para Londres. Na Inglaterra três distintos chefes de família, Hargood, Paxton e Secker, formam um ciclo secreto que os leva a experimentar os prazeres carnais em bordéis. Insatisfeitos, deixam-se seduzir pelas promessas de novos parazeres a descobrir, do misterioso Lord Courtley. Este leva-os a Weller, para que comprem os objectos de Drácula, os quais ele usa num ritual numa igreja abandonada. Perante o horror do ritual os três homens perdem a cabeça e assassinam Lord Courtley, fugindo do local, sem saberem que o ritual resultou na reaparição de Drácula, que quer agora vingar a morte do seu discípulo. Drácula começa por seduzir Alice, filha de Hargood, e noiva de Paul, filho de Paxton. Esta mata o pai com uma pá e desaparece. Após o funeral Alice chama a amiga Lucy (irmã de Paul) à parte, levando-a a Drácula que a morde e converte em vampira. Entretanto Secker e Paxton, desconfiados que a morte de Hargood esteja relacionada com Lord Courtley, voltam à igreja, onde descobrem Lucy a dormir num caixão. Secker incita Paxton a trespassar a filha com uma estaca, mas este entra em histeria, e alveja Secker num braço. Ao tentar finalmente pôr fim à filha, esta acorda, e juntamente com Drácula e Alice, dominam-no e matam-no. Com dois dos homens mortos, Drácula envia Lucy para que esta seduza o noivo, Jeremy, filho de Secker. Este é mordido por Lucy e acaba por apunhalar o pai. Lucy é depois morta por Drácula. O único filho do trio de cavalheiros restante é Paul, que juntamente com a polícia procura pistas para encontrar a noiva Alice. Entre os papéis de Secker, Paul descobre sobre o vampirismo, e decide ir à velha igreja preparado para enfrentar Drácula. Na igreja Paul barra a porta com uma cruz, e prepara o altar com objectos sagrados, substtuindo os da missa negra de Drácula. Paul encontra então Alice e Drácula mas consegue encurralá-lo com crucifixos, fazendo-o saltar de uma janela. Ao cair no altar consagrado Drácula desfaz-se em pó. Alice, então liberta do transe, e Paul abandonam a igreja juntos.

Análise:
“Taste The Blood Of Dracula” começa onde o filme anterior acabara, isto é, na cena da morte de Drácula, o que faz dele uma sequela directa de “Dracula Has Risen from the Grave”, e dá o mote sobre o aparecimento de Drácula em Londres, através de magia negra. O filme traz de novo Christopher Lee no papel do mais famoso dos vampiros, ao que consta contra a sua vontade, num argumento que não foi escrito para ele, mas sim para ter Ralph Bates (no papel do misterioso Lord Courtley) no papel principal. Os parceiros americanos da Hammer terão rejeitado a proposta de um filme de Drácula sem Christopher Lee, e este foi recrutado à pressa. Esta sua interpretação é talvez a que mais lembra Bela Lugosi, já que Lee quase não tem falas, e se limita a caricaturar-se a sim mesmo, mostrando-se através de olhares exageradamente iluminados. Ralph Bates, surge apenas no início do filme, mas tornar-se-ia um actor regular na constelação da Hammer daí em diante. Deixando de lado as peripécias do casting, “Taste The Blood Of Dracula” abandona as implicações religiosas do vampirismo, centrando-se na hipocrisia da sociedade vitoriana inglesa do final do século XIX, numa clara crítica às famílias de fachada. Nessa perspectiva Drácula surge quase como um justiceiro, trazendo vingança sobre três insuspeitos chefes de família, que dominam os seus com autoritarismo e frieza. As cenas da sua depravação nocturna são motivo para mostrar corpos nús, na maior exposição do corpo feminino feito pela Hammer até então. Por outro lado não é possível não notar os contornos freudianos presentes no filme, patentes nas mortes dos três cavalheiros às mãos dos próprios filhos. De notar ainda como as vítimas femininas de Drácula se lhe oferecem e vivem cada dentada com um prazer explicitamente sexual. Peter Sasdy consegue um filme bem construído, nas pegadas de Terence Fisher, embora, ao contrário do estilo sucinto e directo deste, se perca um pouco nas descrições e sub-enredos familiares. No entanto, toda a atmosfera gótica dos filmes iniciais está presente, com destaque para a velha igreja, as cenas nocturnas nos jardins, e os interiores luxuosos das mansões das três famílias. Se o papel de Christopher Lee é aqui diminuto, o filme vive da bem conseguida química entre os as duas gerações de personagens. Destaque para a interpretação de Linda Hayden, num dos seus primeiros papéis. Com as suas virtudes e defeitos, “Taste The Blood Of Dracula” será talvez o último filme da série Drácula da Hammer a merecer a definição de clássico.

Produção:
Título original: Taste the Blood of Dracula; Produção: Hammer Film Productions; País: Reino Unido; Elstree Studios; Ano: 1969; Duração: 95 minutos; Distribuição: Warner Bros; Estreia: 7 de Maio de 1970 (Inglaterra).

Equipa técnica:
Realização: Peter Sasdy; Produção: Aida Young; Argumento: John Elder [Anthony Hinds] baseado no personagem criado por Bram Stoker; Fotografia: Arthur Grant (filmado em Technicolor); Direcção Artística: Scott MacGregor; Montagem: Chris Barnes; Música: James Bernard; Supervisão Musical: Philip Martell; Caracterização: Gerry Fletcher; Guarda-roupa: Brian Owen-Smith; Efeitos Especiais: Brian Johncock.

Elenco:
Christopher Lee (Drácula), Geoffrey Keen (William Hargood), Gwen Watford (Martha Hargood), Linda Hayden (Alice Hargood), Peter Sallis (Samuel Paxton), Anthony Corlan (Paul Paxton), Isla Blair (Lucy Paxton), John Carson (Jonathon Secker), Martin Jarvis (Jeremy Secker), Ralph Bates (Lord Courtley), Roy Kinnear (Weller), Michael Ripper (Cobb), Russel Hunter (Felix), Shirley Jaffe (Criada dos Hargood), Keith Marsh (Pai), Peter May (Filho), Reginald Barratt (Vigário), Maddy Smith (Dolly), Lat Ling (Rapariga Chinesa), Malaika Martin (Rapariga da Serpente).