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Frankenstein Must Be DestroyedDois anos depois de “Frankenstein Criou uma Mulher”, Terence Fisher dirigiu o quinto filme da série Frankenstein, mais uma vez protagonizado por Peter Cushing. Desta vez o argumento foi de Bert Batt, um asistente de estúdio da Hammer.

Sinopse:
Após o seu laboratório ser descoberto, quando roubava mais uma cabeça, o Barão Frankenstein tem de voltar a fugir, chegando insuspeito a casa de Anna, para alugar um quarto. Ouvindo uma conversa entre Anna e o noivo Karl, sobre desvio de fármacos, Frankenstein faz chantagem sobre o casal, obrigando-os a expulsar os outros hóspedes e trabalhar para si construindo um novo laboratório na cave da casa. O plano de Frankenstein é libertar o seu antigo correspondente, Doutor Brandt, internado no hospício onde Karl trabalha, para que este o ajude nas suas pesquisas. Quando Frankenstein e Karl o libertam, descobrem que o Brandt que ele está a morrer. Frankenstein rapta então o Doutor Richter para usar o corpo como receptor do cérebro de Brandt. Quando a mulher de Brandt reconhece Frankenstein na rua, segue-o e obriga-o a mostrar-lhe o marido, que jaz enfaixado após a operação, comunicando apenas por gestos. Frankenstein resolve de novo fugir, levando consigo Karl e Anna. Quando Brandt acorda no corpo de Richter, Anna assusta-se e apunhala-o. Brandt foge, e Frankenstein mata Anna por raiva. Brandt volta a sua casa onde fala com a mulher, mas esta não o aceita por ele estar noutro corpo. Quando Frankenstein chega, perseguido por Karl, Brandt mata Karl, e incendeia a casa consigo e Frankenstein lá dentro.

Análise:
“O Barão de Frankenstein” não tem relação directa com os filmes anteriores da série, a não ser talvez com o final de “A Vingança de Frankenstein”. Aqui Frankenstein está em Inglaterra, e as notícias das suas antigas experiências são um distante rumor. Mais urbano que os filmes anteriores, os interiores são menos conseguidos, o que retira ao filme a atmosfera habitual. Mais uma vez o ênfase não está na criatura. Esta surge apenas na sequência final, como justiceiro que vem terminar com o clima de terror criado pelo Barão. Mais cruel que nunca, desta vez o Barão, novamente interpretado por Peter Cushing, é um assassino sem escrúpulos, que não olha a meios para atingir os seus fins. Rouba, mata a sangue frio, chantageia, viola, e faz tudo isto com o rigor e método de um psicopata. O seu único objectivo é a sua ciência, que para si está acima de qualquer outro valor. Se antes tiveramos o segredo da vida, e o segredo da alma, agora passamos ao mais prosaico transplante de órgãos. Sem se referirem questões metafísicas o Barão quer apenas provar que transplantar um cérebro é o mesmo que transplantar um rim. Com um Barão verdadeiramente cruel, onde não nos é possível ter por ele um pingo de simpatia (a polémica cena da violação é disso um exemplo), o filme torna-se uma escalada de crueldade até à prometida redenção final, por morte de Frankenstein. Veronica Carlson volta (depois de “Dracula Has Risen from the Grave”) a ser a vítima feminina, onde a medicina, representada por Karl (Simon Ward), se revela fraca e ingénua, nas mãos do Barão. O lado emocional é-nos dado pelo casal Brandt, da dor de Ella (Maxine Audley), que não compreende o que aconteceu ao marido, à tortura de Brandt (George Pravda/Freddie Jones), incapaz de comunicar com a esposa. Este será talvez o monstro de Frankenstein mais merecedor de compaixão de sempre. “O Barão de Frankenstein” é um dos filmes mais negros da Hammer, acusado por muitos devido ao seu negativismo, e à crueldade explícita do Barão (a cena da violação foi mesmo criticada por Cushing e Fisher), elogiado por outros devido à crescente tensão, poucas vezes levada a um tal extremo. Este foi ainda o último filme com produção artística de Bernard Robinson, que morreria pouco depois.

Produção:
Título original: Frankenstein Must Be Destroyed; Produção: Hammer Film Productions; País: Reino Unido; Elstree Studios; Ano: 1969. Duração: 100 minutos; Distribuição: Warner Bros. – Seven Arts; Estreia: 22 de Maio de 1969 (Inglaterra).

Equipa técnica:
Realização: Terence Fisher; Produção: Anthony Nelson Keys; Argumento: Bert Batt, a partir de uma história de Anthony Nelson Keys e Bert Batt; Música: James Bernard; Direcção Musical: Philip Martell; Fotografia: Arthur Grant (filmado em Technicolor); Direcção Artística: Bernard Robinson; Montagem: Gordon Hales; Caracterização: Eddie Knight; Guarda-roupa: Rosemary Burrows; Efeitos Especiais: Studio Locations Limited.

Elenco:
Peter Cushing (Barão Frankenstein), Veronica Carlson (Anna), Freddie Jones (Professor Richter), Simon Ward (Karl), Thorley Walters (Inspector Frisch), Maxine Audley (Ella Brandt), George Pravda (Doutor Brandt), Geoffrey Bayldon (Médico da Polícia), Colette O’Neil (Louca), Frank Middlemass (Hóspede), George Belbin (Hóspede) Norman Shelley (Hóspede) Michael Gover (Hóspede), Peter Copley (Director), Jim Collier (Dr. Heidecke), Allan Surtess (Sargento da Polícia), Windsor Davies (Sargento da Polícia).