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Dracula Has Risen from the GraveDois anos depois de “Príncipe das Trevas”, Drácula estava de volta em mais uma interpretação de Christopher Lee, que era agora inconfundivelmente o mais icónico dos actores que interpretavam o mestre dos vampiros. Freddie Francis herdava a cadeira de realizador de Terence Fisher (forçado a parar por doença), que não realizaria mais nenhum Drácula daí em diante, passando a partir de então a concentrar-se em exclusivo na série Frankenstein. Destaque para a estreia da bela Veronica Carlson, contratada por James Carreras pela sua beleza, inaugurando uma tendência que marcaria os filmes seguintes. Como nos anteriores dois filmes de vampiros da Hammer a história é de Anthony Hinds.

Sinopse:
Quando o padre chega à igreja, ouve os gritos do sacristão que foge desesperado. No sino encontra-se mais uma vítima de Conde Drácula. Dez anos depois, embora Drácula tenha morrido há muito tempo, na aldeia a sombra do seu castelo ainda se faz sentir, e por isso as pessoas fecham-se receosas não indo mesmo à igreja. Furioso com isso Monsenhor Ernest Muller chega para exorcizar de vez o castelo, requerendo a ajuda do temeroso padre local. A caminho do castelo, o padre fraqueja e volta para trás, deixando Monsenhor sozinho a exorcizar o castelo. Na fuga cai e parte o gelo onde o corpo de Drácula repousa ainda, e o seu sangue derramado sobre a boca do Conde trá-lo de volta à vida. O Conde hipnotiza o padre para que o ajude, mas ao ver a porta do seu castelo selada, decide vingar-se sobre Monsenhor Ernest Muller. De volta a casa Monsenhor Muller é informado pela cunhada Anna de que a sobrinha Maria trará um convidado para jantar, Paul. Mas o jantar não corre bem, pois quando Paul se confessa ateu é obrigado a sair. Na estalagem onde trabalha Paul, o padre chega, e aluga um quarto. Sem que se saiba, instala o caixão com Drácula na cave, onde este seduz e morde Zena, a moça que trabalha com Paul na estalagem. Quando Maria volta para visitar Paul, Drácula ordena a Zena que a traga a si. Esta obedece, não sem ciúmes, mas Maria é salva pela chegada de Paul. Com a ajuda do padre, Drácula persegue Maria e entra-lhe no quarto, mordendo-a na cama. Quando, na noite seguinte, Drácula volta, é surpreendido pelo Monsenhor Muller, que o persegue. O padre intervém agredindo mortalmente o Monsenhor. Antes de morrer Monsenhor Muller manda chamar Paul e confia-lhe a guarda de Maria, instruindo-o na defesa contra vampiros. Mas Paul, chama o padre para o ajudar, e este trai-o tentando trazer Drácula de volta. Paul sobrepõe-se ao padre e obriga-o a confessar onde Drácula repousa. Na cave da estalagem Paul tenta trespassar o Conde, mas não tem coragem, e Drácula foge, raptando Maria e voltando ao seu castelo. Paul cavalga até à aldeia de Drácula, procurando ajuda na estalagem local, mas tem de ir sozinho ao castelo. Chega no momento em que Maria retirara a cruz que selava a porta do castelo, e luta com Drácula. Este cai e aterra sobre a cruz, que o trespassa. O padre, finalmente recupera a fé e rezando termina com a vida de Drácula.

Análise:
“Dracula Has Risen from the Grave” o terceiro filme da Hammer, com a presença do Conde Drácula interpretado por Christopher Lee, é a continuação de “Drácula: O Príncipe das Trevas” de dois anos antes, no qual Drácula termina sob um lago gelado. Nunca nos filmes anteriores a religião teve um papel tão importante. Mais que a religião é mesmo a fé que é posta em causa, e gere o evoluir dos acontecimentos. Começando numa igreja assombrada onde o príncipe dos vampiros teria cometido um dos seus crimes, passamos a um padre (interpretado por Ewan Hooper) que não consegue motivar o seu rebanho, e se entrega à bebida, consumido pelo medo, numa clara falta de fé. Esse padre amargurado em constante luta consigo mesmo, tornar-se-á por isso a primeira vítima de Drácula, e o seu principal aliado, numa alegoria do que uma fé deslocada pode fazer. No campo oposto temos Monsenhor Muller (interpretado por Rupert Davies), cuja fé incorruptível o faz lutar com Drácula até à morte, mas o faz também desconfiar do que é novo e diferente, tal como Paul, o pretendente da sua sobrinha Maria. E Paul é a terceira força em cena, confesso ateu, terá de percorrer um caminho das trevas até à luz, da descrença à fé, para assim triunfar sobre o mal. Por isso o filme acaba com Paul persignando-se, na sua final aceitação. Destaque para a cena em que Paul e o Padre tentam matar Drácula no caixão, e falham simplesmente por falta de fé, o primeiro por não saber o que ela é, o segundo por a ter perdido. “Dracula Has Risen from the Grave” é também o filme da série que mais claramente evidencia o carácter sedutor de Drácula para com o sexo feminino. A sedução já não é implícita, pois agora temos as jovens mulheres, Barbara Ewing (a pouco recatada Zena, e por isso primeira vítima de Drácula) e Veronica Carlson (a virginal Maria, e por isso a obsessão do vampiro), a oferecerem-lhe declaradamente os pescoços, a puxarem-no para a cama, ou a terem ciúmes dele. Veronica Carlsson, alías, com a sua imagem de pureza, tornar-se-ia a nova diva da Hammer, contratada por James Carreras depois de a ver fotos suas na publicidade de um jornal. Christopher Lee, ao contrário de no filme anterior, tem aqui algumas linhas, mas continua a fazer a sua interpretação valer pelo porte, presença física e olhar penetrante. De resto Freddie Francis mostra ser neste filme um bom aprendiz de Terence Fisher (que estava contratado para dirigir o filme, não fosse ter adoecido), conseguindo repetir a atmosfera e o ritmo do filme anterior. Destaque ainda para as imagens do castelo, desta vez filmado apenas da porta, sem as habituais pontes, fosso e rampas de acesso, em virtude de as filmagens já não serem nos estúdios de Bray.

Produção:
Título original: Dracula Has Risen from the Grave; Produção: Hammer Film Productions; País: Reino Unido; Pinewood Studios; Ano: 1968; Duração: 92 minutos; Distribuição: Warner Bros. – Seven Arts; Estreia: 7 de Novembro de 1968 (Inglaterra).

Equipa técnica:
Realização: Freddie Francis; Produção: Aida Young; Argumento: John Elder [Anthony Hinds] baseado no personagem criado por Bram Stoker; Música: James Bernard; Supervisão Musical: Philip Martell; Fotografia: Arthur Grant (filmado em Technicolor); Direcção Artística: Bernard Robinson; Montagem: James Needs; Caracterização: Heather Nurse & Rosemarie McDonald Peattie; Guarda-roupa: Jill Thompson; Efeitos Especiais: Frank George.

Elenco:
Christopher Lee (Conde Dracula), Rupert Davies (Monsenhor Ernest Muller), Veronica Carlson (Maria Muller), Barbara Ewing (Zena), Barry Andrews (Paul), Ewan Hooper (Padre), Marion Mathie (Anna), Michael Ripper (Max), John D. Collins (Estudante), George A. Cooper (Estalajadeiro), Chris Cunningham (Agricultor), Norman Bacon (Rapaz).