Etiquetas

, , , , , , , ,

The Evil of FrankensteinTendo novo acordo com a Universal, que lhe permitia agora usar a imagem de Frankenstein dos filmes dos anos 30 e 40, a Hammer decidiu, seis anos depois do segundo, dar um terceiro filme à série Frankenstein. Com Peter Cushing pela terceira vez no papel do célebre Barão, pela primeira vez na série a realização foi entregue a Freddie Francis. O argumento foi escrito por Anthony Hinds, em vez do habitual Jimmy Sanster. O filme permanece entre os fãs como o pior da série.

Sinopse:
Após mais uma experiência com órgãos humanos e cadáveres interrompida pelos locais, o Barão Frankenstein, acompanhado do seu assistente Hans, é forçado a fugir, decidindo voltar a Karlstaad, para resgatar parte da sua fortuna no castelo de família abandonado. Ao chegar vê que o castelo foi pilhado e ao passear na cidade, onde decorre uma feira, percebe que o burgomestre foi o responsável pela pilhagem. A sua ira torna-o o centro de atenções, e é reconhecido pela polícia, escondendo-se na tenda do hipnotizador “O Grande Zoltan”. Após uma tentativa frustrada de assaltar o burgomestre, Frankenstein e Hans fogem para a montanha, e são acolhidos na caverna de uma pedinde surda-muda. Lá, Frankenstein descobre a sua criatura intacta, conservada num bloco de gelo. Frankenstein e Hans derretem o gelo e levam a criatura para o castelo, onde a tentam trazer de volta à vida, com a energia eléctrica de uma tempestade. Perante o insucesso Frankenstein decide uma nova técnica e traz de Karlstaad, Zoltan, o hipnotizador da feira, para que este active o cérebro da criatura, que funcionalmente está intacto. Zoltan é bem sucedido, mas mantém a criatura sob seu comando, e fá-la ir à cidade roubar ouro, matar o burgomestre e um polícia. Ao aperceber-se do sucedido, Frankenstein expulsa Zoltan do castelo, mas este domina a criatura e tenta fazê-la matar o Barão. A criatura revolta-se contra Zoltan e mata-o, fugindo de seguida com a rapariga surda-muda. O Barão é preso pelas mortes, mas consegue fugir, e no castelo reúne-se a Hans que tinha trazido de volta a rapariga e a criatura. Mas a criatura em dores, começa a beber, e perde o controlo. Frankenstein fecha-se com ela no laboratório, mas não consegue evitar o incêndio que a criatura inicia acidentalmente. Cá fora, a polícia só chega a tempo de ver Hans e a rapariga fugirem, enquanto o castelo explode.

Análise:
Sem Terence Fisher à frente deste terceiro episódio da série Frankenstein, e sem a produção artística distintiva de Bernard Robinson, o filme “The Evil Of Frankenstein” surge com um sabor diferente, faltando-lhe desde logo o ambiente que deu aos dois filmes anteriores o seu estatuto de clássicos. Não sendo exactamente uma sequela, este filme não parece ter ligações directas aos outros dois. Embora se mencione a fuga de Karlstaad, o flasback que a conta não coincide com o ocorrido em “A Máscara de Frankenstein” e os eventos de “A Vingança de Frankenstein”, aqui, não parece terem ocorrido, embora o assistente do Barão, mais uma vez se chame Hans. Se estilisticamente o filme é diferente para pior, o mesmo se pode dizer do argumento. Em “The Evil Of Frankenstein” não temos os duelos éticos e morais da luta entre bem e mal, temos apenas a ideia de gosto duvidoso de um hipnotizador que usa a criatura para proveito próprio (ideia aparentemente copiada do histórico filme alemão “O Gabinete do Dr. Caligari” de 1920). O papel do Barão passa assim a secundário, sem a profundidade anterior, apesar da habitual cuidada interpretação de Peter Cushing, aqui mais humano, e mais preocupado com a justiça que com as suas criações. A a história perde-se em enredos supérfluos nem sempre com continuidade, apenas para dar vítimas à criatura, e por exemplo não se entende qual relevância da rapariga surda-muda para a história. Notável (não pelas melhores razões) foi a decisão de simular o visual criado pela Universal em 1931 para Boris Karloff. Mas não só a caracterização é uma má cópia da original, como Kiwi Kingston (um lutador neo-zelandês) não tem dotes de interpretação, limitando-se a uns grunhidos sem sentido. Freddie Francis não consegue, por tudo isto, fazer deste filme uma sequela à altura dos dois anteriores filmes de Terence Fisher, que voltaria para o filme seguinte. A versão americana para televisão tem mais 13 minutos de histórias adicionais passadas na cidade.

Produção:
Título original: The Evil Of Frankenstein; Produção: Hammer Film Productions; País: Reino Unido; Bray Studios; Ano: 1964. Duração: 86 minutos; Distribuição: Universal Pictures; Estreia: 8 de Maio de 1964 (EUA).

Equipa técnica:
Realização: Freddie Francis; Produção: Anthony Hinds; Argumento: John Elder [Anthony Hinds]; Música: Don Banks; Supervisão Musical: Philip Martell; Fotografia: John Wilcox; Montagem: James Needs; Direcção Artística: Don Mingaye; Caracterização: Roy Ashton; Guarda-roupa: Rosemary Burrows; Efeitos Especiais: Les Bowie.

Elenco:
Peter Cushing (Barão Frankenstein), Peter Woodthorpe (Zoltan), Duncan Lamont (Chefe da Polícia), Sandor Eles (Hans), Katy Wild (Rapariga pedinte), David Hutcheson (Burgomestre), James Maxwell (Padre), Howard Goorney (Bêbedo), Anthony Blackshaw (Polícia), David Conville (Polícia), Caron Gardner (Mulher do Burgomestre), Kiwi Kingston (A Criatura).

Anúncios