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The Gorgon“A Morte Passou Por Perto” foi o regresso de Terence Fisher aos comandos dos filmes da Hammer, dois anos após o fracasso de “O Fantasma da Ópera”. Depois de várias sequelas, menos aplaudidas de vampiros, monstros de Frankenstein, a Hammer voltava a inovar, com uma história bastante original, buscando inspiração na mitologia grega, com o dedo mágico de Fisher, e as interpretações das suas estrelas maiores: Christoper Lee e Peter Cushing.

Sinopse:
Na aldeia de Vandorf junto do Castelo Borski existe a lenda de um mal antigo que ensombra a região. Tal é tornado mais explícito com a morte de Sascha, a filha do estalajadeiro local, que corria na floresta atrás do seu namorado, o artista Bruno Heitz. Ela é encontrada petrificada, e ele enforcado numa árvore, aumentando o número de mortes misteriosas dos últimos anos. O médico local, Dr. Namaroff, atribui a morte a golpes na cabeça, e o juiz considera Bruno como culpado, para desespero do seu pai, o Professor Jules Heitz. Este crê que a aldeia é assombrada por Magaera, uma das três Górgonas, cujo espírito tomou forma humana. Seguindo uma pista até ao castelo, ele próprio é petrificado, conseguindo antes de morrer deixar uma carta ao seu segundo filho Paul Heitz. Paul chega de Leipzig e depara com a hostilidade do Dr Namaroff, que assegura que o seu pai morreu de insuficiências cardíacas. Em casa, Paul é visitado por Carla Hoffman, assistente do Dr. Namaroff, que sem ele saber está ali apenas para ler a carta deixada pelo Professor Heitz. Mais tarde, enquando caminha pela aldeia, Paul vê o rosto da Górgona reflectido numa fonte, e colapsa. No hospital do Dr. Namaroff, Paul recupera e apaixona-se por Carla Hoffman. Já em casa, Paul recebe a visita do seu superior, o Professor Karl Meister, que é receptivo à explicação mitológica, e começa a investigar a causa da relutância em ajudar do Dr. Namaroff. Procurando entre as pessoas que nos últimos anos chegaram a Vandorf, o Professor Meister começa a desconfiar de Carla Hoffman, contra a ideia de Paul, enamorado dela. Carla fora uma paciente do Dr. Namaroff, que sofre de amnésia, o que poderá explicar porque ele a manda seguir à noite, facto que Paul atribuía aos ciúmes. Uma noite Carla é encontrada a deambular perto da casa de Paul, seguida por Ratoff, funcionário do hospital. Paul e o Professor Meister acolhem-na, e quando a polícia chega, ela foge. Paul procura-a no castelo, onde o Dr. Namaroff espera a Górgona de espada na mão. Os dois lutam, mas os dois acabam vítimas da Górgona. Finalmente chega o Professor Meister que, vindo de trás, a decepa com a espada. Ao separar-se do corpo a cabeça da Górgona transforma-se na de Carla Hoffman.

Análise:
Pela primeira vez, a Hammer baseou-se na mitologia grega como inspiração para uma das suas histórias de horror. Mas para não destoar, a acção decorre, não na antiga Gécia, mas nos ambientes familiares de uma aldeia perdida no meio do nada em finais do século XIX, ensombrada pela silhueta de um castelo amaldiçoado. Terence Fisher voltou a mostrar porque é o senhor do gótico da Hammer criando uma atmosfera irrepreensível, com todos os ingredientes habituais, do castelo enigmático na colina aos interiores decadentes, passando pela noite que ele filma como ninguém. Desta vez a oposição entre o bem e o mal é ofuscada numa história de amor impossível, onde o Dr. Namaroff (desempenhado por Peter Cushing) é um agente da relutância local, simplesmente por amar aquela que ele sabe ser a responsável pelo mal, mas que ele tenta em vão proteger de si própria. Como perfeito herói byroniano, é na sua arrogância científica, que o impede de aceitar o evidente, que o terror encontra protecção, e é por ela que ele próprio terá de pagar o preço final. Cabe a Christopher Lee (na pele do Professor Meister) o papel do forasteiro esclarecido, que aceitando a ciência e superstição, luta contra o mal e o medo para trazer a solução. Se a atmosfera e irrepreensível, já o objecto de terror (a Górgona) deixa algo a desejar, pois as suas aparições (bem como as serpentes de plástico na sua cabeça) não são tão assustaddoras como o prometido. Suportado pelas boas interpretações de Peter Cushing, Christopher Lee (a inversão dos papéis das duas estrelas da Hammer resulta na perfeição trazendo uma certa frescura ao enredo) e Barbara Shelley, e uma fotografia belíssima de Michael Reed, o filme é ainda assim mais um bom exemplo de com Terence Fisher sabe contar uma história, e de como a Hammer nos sabe encantar com o seu terror de aparência de conto de fadas.

Produção:
Título original: The Gorgon; Produção: Hammer Film Productions. País: Reino Unido; Bray Studios; Ano: 1964; Duração: 83 minutos; Distribuição: Columbia Pictures Corporation; Estreia: 21 de Agosto de 1964 (Inglaterra).

Equipa técnica:
Realização: Terence Fisher; Produção: Anthony Nelson Keys; Argumento: John Gilling, baseado numa história de J. Llewellyn Devine; Música: James Bernard; Supervisão Musical: Marcus Dods; Fotografia: Michael Reed (filmado em Technicolor); Produção Artística: Bernard Robinson; Montagem: James Needs; Cenários: Don Mingaye; Caracterização: Roy Ashton; Guarda-roupa: Rosemary Burrows; Efeitos Especiais: Syd Pearson; Encenador de Luta: Peter Diamond.

Elenco:
Christopher Lee (Professor Karl Meister), Peter Cushing (Dr. Namaroff), Richard Pasco (Paul Heitz), Barbara Shelley (Carla Hoffman), Michael Goddliffe (Professor Jules Heitz), Patrick Troughton (Inspector Kanof), Joseph O’Conor (Médico Legista), Prudence Hyman (A Górgona), Jack Watson (Ratoff), Redmond Phillips (Hans), Jeremy Longhurst (Bruno Heitz), Toni Gilpin (Sascha Cass), Joyce Hemson (Martha), Alister Williamson (Janus Cass), Michael Peake (Polícia).

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