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Brides of DraculaTal como acontecera com a série Frankenstein, a Hammer decidiu que também a sua adaptação de Drácula teria continuidade, e assim surgiu “As Noivas de Dracula”, em 1960. Sem Drácula no filme (alegadamente Christopher Lee recusou o papel), coube a David Peel o papel do principal vampiro, um seu pretenso discípulo. Peter Cushing voltou a vestir a pele de Van Helsing, o incansável caçador de vampiros. O filme teve, mais uma vez, a direcção de Terence Fisher.

Sinopse:
Marianne Danielle viaja pela Transilvânia para ocupar o lugar de professora numa escola, quando é abandonada numa estalagem pelo cocheiro. É então acolhida pela Baronesa Meinster, que a leva a passar a noite no seu castelo. Da varanda do seu quarto, Marianne vê um jovem, e após questionar a Baronesa esta conta-lhe que é o seu filho que está doente. Ao ver o que pensa ser uma tentativa de suicídio, Marianne corre para os aposentos do Barão Meinster, e acaba por libertá-lo, o que provoca o horror da Baronesa, e a histeria da criada Greta, que mostra a Marianne o corpo morto da patroa. Marianne foge para a floresta e é encontrada pelo Doutor Van Helsing, que a leva consigo para a estalagem. Marianne conta-lhe o ocorrido, e Van Helsing deixa-a na escola onde ela se dirigia. De regresso à estalagem, Van Helsing, sabendo a morte misteriosa de uma jovem local, conta ao padre sobre o vampirismo. Quando estes tentam desenterrar ao corpo da jovem, esta, ajudada por Greta escapa-se do túmulo, e Van Helsing é atacado pelo Barão em forma de vampiro. Van Helsing vai então até ao Castelo Meinster, onde enfrenta o Barão, mas este escapa. Acede então em matar a velha Baronesa, já transformada em vampiro, a pedido desta. Na escola, o Barão visita Marianne, e pede-a em casamento. Mais tarde regressa e ataca Gina, uma colega de Marianne, que morre. Van Helsing identifica a morte como ataque de um vampiro, e proíbe Marianne de tirar o crucifixo do pescoço. Nessa noite, Gina levanta-se do seu caixão, e tenta atacar Marianne, que é salva por Van Helsing. Este descobre que o Barão está no velho moínho e dirige-se para lá, onde enfrenta as duas vampiras e o Barão, que o morde. Van Helsing cauteriza a mordedura com um ferro em brasa, e limpa-a com água benta, para logo de seguida ver o Barão regressar com Marianne. Van Helsing desfigura o barão com o resto da água benta, e quando este incendeia o moínho, Van Helsing, segurando as pás do moínho, projecta o sinal da cruz sobre o Barão, que finalmente morre.

Análise:
“As Noivas de Drácula”, foi o filme que a Hammer planeou para suceder ao seu sucesso “O Horror de Drácula”, mas sem a participação de Christopher Lee, que temia tornar-se um escravo da personagem. O filme não apresenta um argumento tão coeso como o que o precede, e não se pode dizer que o vampiro de David Peel impressione tanto como o de Christopher Lee. O argumento (que terá passado de mão em mão até à versão final) peca mesmo por diversas inconsistências, como o facto de Van Helsing (Peter Cushing) constantemente ignorar os seus próprios avisos, deixando os caixões sem guarda à noite, e esquecendo-se de agir durante o dia. Na verdade, como é típico da Hammer, quase todo o filme parece passar-se à noite. Se bem que sem exteriores tão sugestivos como nos filmes precedentes, as cenas do interior do castelo e o moínho no final, brilhantemente filmados por Terence Fisher, mostram-nos o melhor do ambiente gótico da Hammer. O filme inova nalguns conceitos bastante inspirados, como a cura de Van Helsing, o pedido de morte da Baronesa, vampira recém-transformada, o morcego esvoaçante (em “O Horror de Drácula” de 1958, Van Helsing dissera que tal era um mito), o renascimento no cemitério, os cadeados que caem do caixão sem se abrirem, e a belíssima cena da morte final, em que as pás do moínho projectam sobre o vampiro a sombra de uma cruz. Tudo isto torna-o um dos melhores filmes da série. Mais que no primeiro filme, a luta entre o bem e o mal ganha aqui uma dimensão mais global, onde o vampirismo é descrito como um culto, ou doença social. O lado do bem é representado pelo padre, e no campo oposto, a ignorância e a superstição são escarneadas pelo suposto “homem da ciência”, o pouco convincente médico, deliciosamente interpretado por Miles Malleson, que várias vezes mostraria a sua apetência para introduzir o humor nos filmes de terror da Hammer. Como sempre, o triunfo surge quando o herói (Van Helsing) é capaz de unir ciência, superstição e religião, mostrando uma mente aberta a qualquer tipo de conhecimento, e respeito por culturas desconhecidas. As imagens finais do moínho a arder lembram o final do filme “Frankenstein” da Universal, em 1931.

Produção:
Título original: The Brides of Dracula; Produção: Hammer Film Productions; Produtor Executivo: Michael Carreras; País: Reino Unido; Bray Studios; Ano: 1960; Duração: 85 minutos; Distribuição: J. Arthur Rank Film Distributors; Estreia: 7 de Julho de 1960 (Inglaterra), 8 de Maio de 1964 (Portugal).

Equipa técnica:
Realização: Terence Fisher; Produção: Anthony Hinds; Produtor Associado: Anthony Nelson-Keys; Argumento: Jimmy Sangster, Peter Bryan e Edward Percy; Música: Malcolm Williamson; Supervisão Musical: John Hollingsworth; Fotografia: Jack Asher (filmado em Technicolor); Direcção Artística: Bernard Robinson; Montagem: James Needs; Caracterização: Roy Ashton; Guarda-roupa: Molly Arbuthnot; Efeitos Especiais: Sydney Pearson.

Elenco:
Peter Cushing (Dr. Van Helsing), Martita Hunt (Baronesa Meinster), Yvonne Monlaur (Marianne Danielle), Freda Jackson (Greta), David Peel (Barão Meinster), Miles Malleson (Dr. Tobler), Henry Oscar (Herr Lang), Mona Washbourne (Frau Lang), Andree Melly (Gina), Victor Brooks (Hans), Vera Cook (mulher do estalajadeiro), Marie Deveruex (rapariga da aldeia).

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