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The Man who Could Cheat DeathAinda em 1959, ano em que se completou a trilogia Frankenstein-Drácula-Múmia, a Hammer testava novos territórios com o remake do filme “The Man in Half Moon Street” de 1944. Como sempre, realizado por Terence Fisher, e contando com Christopher Lee, o papel principal foi entregue a Anton Diffrin que à última da hora substituiu Peter Cushing, que preferiu descansar após a sua contínua actividade. O filme foge ao padrão mais sangrento dos filmes anteriores, usando um horror psicológico, que continuaria no ano seguinte em “The Two Faces of Dr. Jekyll”. Por sinal ambos os filmes produzidos por Michael Carreras.

Sinopse:
Em Paris, 1890, Georges Bonnet mostra a alguns amigos a sua mais nova estátua, da modelo Margo Phillipe, que está apaixonada por ele. Na festa surge, acompanhada do Doutor Pierre Gerard, Janine Dubois, uma ex-amante de Georges Bonnet, que procura regressar à sua vida. Nessa noite depois de todos os convidados partirem, Georges Bonnet tem uma crise, onde sente o corpo envelhecer. Quando vai tomar a poção que lhe dará mais seis horas, é interrompido por Margo Phillipe. Num ataque de fúria Georges Bonnet mata-a. Mais tarde chega o seu colega, o professor Ludwig Weiss, o qual o deverá operar, substituindo-lhe uma glândula que lhe dará mais 10 anos de vida. Mas o professor Weiss sofreu um AVC, pelo que tem a mão direita paralizada. O professor Weiss sugere que outro cirurgião trabalhe sob a sua direcção e a escolha recai em Pierre Gerard. Para tal Bonnet convida Janine e o Doutor Gerard para jantar, e o professor Weiss explica a Gerard o que deve fazer. Quando os convidados saem, Bonnet e Weiss discutem sobre os efeitos da idade de Bonnet (104 anos), e Bonnet acaba por matar Weiss. No dia seguinte, sem Weiss presente, o Doutor Gerard recusa-se a fazer a operação. No seu gabinete é procurado pelo inspector LeGris, que investiga o desaparecimento de Margo Phillipe, e os estranhos desaparecimentos de outras modelos a cada 10 anos. Sem conseguir encontrar um médico que o opere, Georges Bonnet rapta Janine e faz chantagem com o Doutor Gerard. Este consente em operá-lo, mas Bonnet foge antes de revelar onde está Janine. Gerard chama o inspector LeGris e juntos descobrem a morada de um armazém onde possivelmente Bonnet terá Janine prisioneira. No armazém, Bonnet tenta convencer Janine a sofrer a mesma operação para que os dois fiquem juntos, mas então percebe que Gerard silumou a sua operação sem a ter feito. O seu corpo começa a decompor-se rapidamente para horror e Janine. Nesse momento Gerard e o inspector Legris chegam, a tempo de salvar Janine, enquanto o corpo de Bonnet é queimado num incêndio que destrói todo o armazém.

Análise:
Com “The Man Who Could Cheat Death” a Hammer tenta uma nova abordagem ao seu subgénero de horror gótico. Deixando de lado as cenas mais explícitas, confronta-nos com ideias. E se fosse possível viver para sempre, que consequências isso traria à humanidade? Esta pergunta, feita em tons de tragédia, é-nos ilustrada pela interpretação de Anton Diffrin. Este mostra-nos um homem angustiado, vivendo no pesadelo da solidão a que a sua descoberta o condena, e resignando-se a perder a sua humanidade. A humanidade é perdida, não apenas na fuga à natureza da morte, mas principalmente ao votar-se a actos de criminalidade. O Dr. Georges Bonnet convence-se que a sua vida é mais importante que qualquer outra, e todas as outras são insignificantes quando se trata de manter a sua. Mas é a fuga à solidão, concretizada na busca de um amor interrompido, que o leva ao desespero que por fim o levará à perdição. O tema recorrente da tragédia domina este, como tantos filmes da Hammer, com a busca de algo inhumano a ser catalizadora de um fim terrível. Usando uma cenografia menos gótica que o habitual, em virtude de ser uma história urbana, o filme tem a beleza cénica típica do trabalho de Bernard Robinson, e a realização segura e sempre entusiasmante de Terence Fisher. Destaque ainda para a deliciosa interpretação de Arnold Marlé, no papel do professor Ludwig Weiss, colega e voz da consciência de Georges Bonnet.

Produção:
Título original: The Man Who Could Cheat Death; Produção: Hammer Film Productions. País: Reino Unido; Bray Studios; Ano: 1959. Duração: 83 minutos; Distribuição: Paramount Pictures; Estreia: 30 de Novembro de 1959 (Inglaterra).

Equipa técnica:
Realização: Terence Fisher; Produção: Michael Carreras; Produtor Associado: Anthony Nelson-Keys; Argumento: Jimmy Sangster baseado na peça “The Man in Half Moon Street” de Barré Lyndon; Música: Richard Bennett; Supervisão Musical: John Hollingsworth; Fotografia: Jack Asher (filmado em Technicolor); Produção Artística: Bernard Robinson; Montagem: James Needs; Guarda-roupa: Molly Arbuthnot; Caracterização: Roy Ashton.

Elenco:
Anton Diffrin (Dr. Georges Bonnet), Hazel Court (Janine Dubois), Christopher Lee (Dr. Pierre Gerard), Arnold Marlé (Prof. Ludwig Weiss), Delphi Lawrence (Margo Phillipe), Francis De Wolff (Inspector LeGris), Gerda Larsen (rapariga da rua), Middleton Woods (homem pequeno), Michael Ripper (empregado da morgue), Ronald Adam (médico).

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