Etiquetas

, , , , , , , , , , , , ,

The Black SwanSinopse:

Jamie Waring (Tyrone Power) é um intrépido pirata, constantemente em problemas, que vê com bons olhos o regresso do regenerado Capitão Morgan (Laird Cregar), o maior dos piratas do seu tempo, agora feito governador da Jamaica. Só que nem todos o piratas recebem bem a notícia, e Leech (George Sanders) continua a sua senda de roubos e pilhagens. Quando Morgan envia Waring em busca de Leech, Waring decide que primeiro deve raptar a filha do ex-governador, a bonita Margaret (Maureen O’Hara), já com casamento marcado, e ganhar a confiança do próprio Leech. A partir daí Waring consegue que todos (Leech, Morgan e Margaret) suspeitem das suas intenções, e tenham mais razões para o matar que para o quererem a seu lado.

Análise:

Continuando a explorar o filão, que eram os filmes de piratas, assente nos sucessos de “Capitão Blood” (Captain Blood, 1935) e “O Gavião dos Mares” (The Sea Hawk, 1940), ambos de Michael Curtiz e com Errol Flynn, a Fox surgia em 1942 com mais uma adição para o género, na forma de “O Pirata Negro”, realizado por Henry King, um dos pioneiros de Hollywood. Aparentemente inspirado num romance do famoso escritor Rafael Sabatini, o filme de King deve-lhe pouco, a não ser talvez a personagem de Henry Morgan. Era no entanto um dos primeiros filmes do género a cores, o que trazia um novo fôlego a este sub-género dos filmes de aventuras.

Com Tyrone Power no principal papel, “O Pirata Negro” não foge aos seus modelos. Assim os famosos piratas das Caraíbas, criminosos selvagens e sanguinários, tornam-se novamente românticos aventureiros, seguindo claros códigos de honra, ainda que Jamie Waring (Power) esteja tão habituado a tomar o que quer pela força, que tenha algumas dificuldades em aprender maneiras para tratar o motivo da sua paixão, a bela Lady Margaret (Maureen O’Hara).

Sabendo-se que os verdadeiros piratas das Caraíbas eram apátridas, ex-prisioneiros ou aventureiros, por vezes restos de exércitos desnecessários que ficavam nas Caraíbas a tentar a sua sorte, o filme de King dá-lhes objectivos mais românticos. Assim, perante o perdão oferecido pelo rei, muitos revoltam-se pelo simples medo que isso seja um truque dos seus inimigos espanhóis, para desarmar a amada Inglaterra. Obviamente a linguagem de guerra e mobilização contra um inimigo palpável era essencial em 1942, quando tanto a Inglaterra como os Estados Unidos lutavam na Segunda Guerra Mundial.

Esse é apenas um exemplo dos muitos erros factuais e anacronismos que marcam o filme (a bandeira inglesa Union Jack ainda não tinha sido criada, o medalhão de Margaret tem uma fotografia, os mapas mostram as ilhas em lugares errados, etc.)

A história é no entanto apelativa, e gira em torno da regeneração de piratas comandados por Henry Morgan (Laird Cregar), onde se inclui o seu protegido Jamie Waring, que, a partir do momento em que vê Margaret, a filha do ex-governador, passa a estar mais interessado nela que em política. Só que alguns piratas continuam a pilhar e afundar navios, ajudados por alguém no interior do governo de Port Royal. As suspeitas recaem, obviamente, em Morgan. Quando este envia Waring para tentar capturar o temível Capitão Leech (George Sanders), não só Waring primeiro decide raptar Margaret, como é de seguida capturado por Leech. A partir daí os confrontos são inevitáveis, com Waring e Margaret a ter constantemente as vidas em risco.

O argumento tem por isso espaço para aventura, duelos de espada, combates navais, romance e humor. Mesmo que seguindo os modelos traçados pelos filmes citados de Michael Curtiz (Henry King era um especialista em dar às pessoas o que estas procuravam), “O Pirata Negro” vai mais longe na tradicional relação de amor-ódio que une os protagonistas (neste caso Tyrone Power e Maureen O’Hara), com uma relação tempestuosa, de humor cáustico, e cenas de algum fetichismo, que levam cada um dos dois a esbofetear e dominar o outro em algum ponto.

Tyrone Power dá-nos um pirata elegante e aventureiro, e na altura rivalizava em papéis de aventuras com Errol Flynn. Maureen O’Hara limita-se (embora com elegância e humor) ao típico papel feminino (e machista) da co-heroína que despreza o seu par, até finalmente sucumbir aos seus pés. As réplicas cómicas devem-se a Thomas Mitchell, o parceiro de confiança do personagem de Powell. Destaque ainda para o curto e muito secundário papel de Anthony Quinn.

Filmado maioritariamente em estúdio, “O Pirata Negro” é um filme de entretenimento com o objectivo de se inserir num género ganhador, e um dos melhores nesse propósito, tendo sido um grande sucesso no seu tempo. Nomeado para dois Oscars, o filme receberia o troféu de Melhor Fotografia a Cores.

Produção:

Título original: The Black Swan; Produção: Twentieth Century Fox Film Corporation; Produtor Executivo: Darryl F. Zanuck [não creditado]; País: EUA; Ano: 1942; Duração: 87 minutos; Distribuição: Twentieth Century Fox Film Corporation; Estreia: 4 de Dezembro de 1942 (EUA), 20 de Dezembro de 1943 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Henry King; Produção: Robert Bassler; Argumento: Ben Hecht, Seton I. Miller [segundo uma história de Rafael Sabatini adaptada por Seton I. Miller]; Fotografia: Leon Shamroy [cor por Technicolor]; Montagem: Barbara McLean; Figurinos: Earl Luick; Direcção Artística: James Basevi, Richard Day; Cenários: Thomas Little; Música: Alfred Newman; Caracterização: Guy Pearce; Efeitos Especiais: Fred Sersen [não creditado].

Elenco:

Tyrone Power (Jamie Waring), Maureen O’Hara (Lady Margaret Denby), Laird Cregar (Henry Morgan), Thomas Mitchell (Tommy Blue), George Sanders (Billy Leech), Anthony Quinn (Wogan), George Zucco (Lord Denby), Edward Ashley (Roger Ingram) [não creditado], Fortunio Bonanova (Don Miguel) [não creditado].

Anúncios