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At the CircusSinopse:

Jeff Wilson (Kenny Baker) dirige um circo, mas deve dez mil dólares ao seu sócio John Carter (James Burke), que devem ser pagos em poucos dias, sob o risco de perder o circo definitivamente. Quando Wilson tem o dinheiro para o pagamento, após o qual tenciona casar com a domadora de cavalos Julie Randall (Florence Rice), Carter e os seus cúmplices roubam-no. Entretanto Antonio (Chico Marx), outro trabalhador do circo, antevendo problemas manda chamar o advogado Loophole (Groucho Marx). Estes dois, juntamente com Punchy (Harpo Marx), vão investigar o roubo e tentar salvar Wilson.

Análise:

Depois de um filme mal sucedido feito na RKO, os Irmãos Marx voltavam à MGM, que lhes tinha dado dois enormes sucessos sob a produção de Irving Thalberg e a realização de Sam Wood. Esperava-se por isso um regresso à fórmula de sucesso que guiava quase todos os filmes dos Marx, o que veio de facto a acontecer, embora ao comando estivessem agora outros protagonistas.

Com a morte de Thalberg, Louis B. Mayer não iria repetir o conceito de um produtor que supervisionasse toda a casa, e diversos produtores eram agora responsáveis por áreas diferentes. Aos Marx calhou trabalhar sob Mervin LeRoy, um realizador prolífico, e nesse mesmo ano produtor do célebre “O Feiticeiro de Oz” (The Wizard of Oz, 1939). Para realizar o filme foi chamado Edward Buzzell, um realizador já com longa carreira, mas considerado de segunda categoria. Tal era sintomático do menor interesse da MGM nos Marx.

Com argumento de Irving Brecher (e contribuições não creditadas de Buster Keaton), depois de terem provocado o caos na ópera e nas corridas, os Marx iam agora aplicar a sua fórmula ao circo.

A história repetia-se, tudo começando com um par romântico em perigo (Kenny Baker e Florence Rice), uma instituição a salvar (neste caso o circo, que o personagem de Baker estava em risco de perder), e um conjunto de “maus” a roubar dinheiro para deitarem tudo a perder. A estrutura era a mesma de sempre. O par romântico é-nos apresentado, sabemos do problema que enfrentam, e vemos que Chico é amigo deles. Conhecemos o personagem burlesco de Harpo, e Groucho (agora de peruca para disfarçar a crescente calvície) entra em cena, inicialmente num confronto com Chico (desta vez a sequência do crachá). É estabelecida a cumplicidade entre os três Marx, e estes recebem a desconfiança dos maus da fita (aqui liderados pelo personagem de James Burke), que coloca no encalço de Groucho uma mulher fatal (Eve Arden). Surge a possível benemérita (Margaret Dumont), sempre acossada por Groucho. Por fim temos um final acelerado de peripécias, confusões, destruição e revelações.

Não faltam os duetos românticos (com Kenny Baker a ficar uns furos abaixo de Allan Jones), nem as récitas de Chico (piano) e Harpo (harpa). Já sem as produções musicais luxuosas dos dois filmes anteriores para a MGM, destaca-se a dança e canção de Groucho, “Lydia de Tattooed Lady” (tema que se tornaria um dos seus standards em toda a sua subsequente carreira), e o tema “Swingali”, em que Harpo lidera um coro de negros (repetindo uma ideia de “Um Dia nas Corridas”).

No campo do humor puramente Marx, para além do citado gag do crachá (em que Chico recusa repetidamente a entrada no comboio a Groucho, embora tenha sido ele a chamá-lo), destacam-se: a sequência dos charutos no compartimento do anão (Jerry Maren, actor com cerca de meio metro); a tentativa de roubo de Chico e Harpo no compartimento do homem-força (Nat Pendleton); a tentativa de Groucho recuperar (caminhando no tecto) o dinheiro escondido pela personagem de Eve Arden; e claro, toda a mirabolante sequência final. De regresso estão também as réplicas inspiradas de Groucho, por vezes directamente para o público, como, quando pretende reaver o dinheiro que Eve Arden escondeu no peito, nos diz “Deve haver alguma forma de recuperar aquele dinheiro sem ofender o gabinete de Hays” (responsável pelo código de censura de Hollywood).

Os Marx mostram-se bem mais confiantes, rápidos e alegres neste regresso a águas mais conhecidas. No entanto nota-se que, se a fórmula é a mesma (com os Marx cada vez mais civilizados e politicamente correctos), o material não está à altura dos filmes anteriores, com uma história fraca, salva por alguns momentos de excepção. O mesmo sucede no campo dos efeitos visuais, com diversos momentos na sequência final filmados sem grande rigor. É ainda assim uma saudada melhoria depois do decepcionante “Um Criado ao Seu Dispor” (Room Service, 1938).

Produção:

Título original: At the Circus; Produção: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM); País: EUA; Ano: 1939; Duração: 83 minutos; Distribuição: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM); Estreia: 20 de Outubro de 1939 (EUA), 30 de Janeiro de 1940 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Edward Buzzell; Produção: Mervyn LeRoy; Argumento: Irving Brecher, Buster Keaton [não creditado], Laurence Stallings [não creditado]; Direcção Musical: Franz Waxman; Música: Harold Arlen; Letras: E.Y. Harburg; Arranjos: Murray Cutter, George Bassman, Ken Darby; Coreografia: Bobby Connolly; Direcção Artística: Cedric Gibbons; Cenários: Edwin B. Willis; Figurinos: Dolly Tree, Valles; Fotografia: Leonard Smith [preto e branco]; Montagem: William H. Terhune; Director de Produção: Charles Stallings [não creditado].

Elenco:

Groucho Marx (J. Cheever Loophole), Chico Marx (Antonio), Harpo Marx (‘Punchy’), Kenny Baker (Jeff Wilson), Florence Rice (Julie Randall), Eve Arden (Peerless Pauline), Margaret Dumont (Mrs. Suzanna Dukesbury), Nat Pendleton (Goliath), Fritz Feld (Jardinet), James Burke (John Carter), Jerry Maren [como Jerry Marenghi] (Little Professor Atom), Barnett Parker (Whitcomb).

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