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There's No Business Like Show BusinessSinopse:

Em 1919, Molly (Ethel Merman) e Terry Donahue (Dan Dailey) constituem os Donahues, um aclamado par de vaudeville, que nas décadas seguintes incluirá os seus três filhos Steve (Johnnie Ray), Katy (Mitzi Gaynor) e Tim (Donald O’Connor) no espectáculo que se chamará “Os Cinco Donahues”. Mas com a adolescência os três filhos começam a ter ideias próprias que vêm pôr termo à troupe familiar. Primeiro é Steve que opta pela carreira de padre, depois Katy e Tim que vão para a Broadway, este por amor da estrela em ascensão Vicky Parker (Marilyn Monroe). Só que enquanto Katy assenta e casa, Tim vai deixar que as desilusões amorosas quase o destruam.

Análise:

Na senda dos faustos musicais, de inspiração retirada dos palcos da Broadway, e com produção em ecrã panorâmico (CinemaScope), e película a cores, a Twentieth Century-Fox apresentava em 1954 a grande produção “Parada de Estrelas”. O filme intitulado no original “There’s No Business Like Show Business”, segundo a canção do mesmo nome retirada do musical “Annie Get Your Gun” de 1946 é um pretexto para se fazer uma homenagem à música popular americana da primeira metade do século XX, passando pelo vaudeville, canções de cabaret, ragtime, e claro os grandes palcos nova-iorquinos.

Partindo de uma história de Lamar Trotti, com argumento de Phoebe Ephron e Henry Ephron, o realizador Walter Lang tinha apenas um objectivo, produzir números musicais que pareçam na tela ainda mais grandiosos que em palco. Lang era um realizador há muito contratado pela Fox, e especializado em musicais, que realizava a pedido, cumprindo objectivos, sem grande destaque. Sob a mão de Lang, a história torna-se um pouco secundária, ficando sempre atrás dos números individuais, os quais funcionam isoladamente. Tão explícita é a homenagem aos palcos norte-americanos que, não só a história principal nos descreve uma família que vive dos e para os palcos, como quase todos os números representados no filme se passam ou num palco, ou num ensaio, ou numa festa privada, sem a habitual abstracção dos musicais de Hollywood onde os personagens se expressam musicalmente de um modo propositadamente irrealista.

De facto, a única cena em que um número musical acontece fora do contexto do espectáculo de que o filme trata é a declaração de amor de Tim (Donald O’Connor) a Vicky (Marilyn Monroe) “A Man Chases a Girl”, provavelmente a melhor sequência de todo o filme.

Mas passando ao enredo, “Parada de Estrelas” é a história da família Donahue, contada em primeira pessoa (em voz off em vários momentos) pelos progenitores Molly (Ethel Merman) e Terry (Dan Dailey), desde o momento em que correm o país em espectáculos de vaudeville, com os filhos ainda bebés, até ao momento em que estes, já adultos, começam a seguir as suas próprias carreiras. Steve (Johnnie Ray) escolherá a vocação religiosa, para grande surpresa dos pais, quanto a Katy (Mitzi Gaynor) e Tim, depois das normais tropelias da adolescência, em que procuram os seus namoros, acabam por deixar a troupe familiar para trabalhar na Broadway. Só que, se Katy tem um caminho sereno pela frente, já Tim terá um bem conturbado, depois de o ciúme e desilusão amorosa quase deitarem tudo a perder

Em paralelo acompanhamos a ascensão de Vicky Parker (Marilyn Monroe), que, de empregada num bengaleiro, passa a cantora de cabaret, chegando aos grandes palcos da Broadway, tornando-se, entretanto, alvo do amor de Tim Donahue. Marilyn Monroe, que apenas surge no ecrã com quase meia hora de filme decorrida, brilha em três canções (“After You Get What You Want, You Don’t Want It”, “Heat Wave” e “Lazy”), tendo para além disso uma modesta presença, sem possibilidades para desenvolver a sua personagem, aqui muito forçado e cheio de lugares comuns. Consta que a actriz não queria participar no filme, e chegou a ter substituta, mas a Fox tê-la-á convencido a aceitar, a troco de a colocar no seu filme seguinte, a comédia “O Pecado Mora ao Lado” (The Seven Yar Itch, 1955) de Billy Wilder.

As verdadeiras estrelas de “Parada de Estrelas” são Ethel Merman (que participara no original “Annie Get Your Gun”), e o enérgico e expressivo Donald O’Connor, ainda a viver da fama granjeada com “Serenata à Chuva” (Singin’ in the Rain, 1952) de Gene Kelly e Stanley Donen. São deles as melhores cenas musicais, geralmente contracenando com Dan Dailey e Mitzi Gaynor, num filme que parece decorrer a duas velocidades, estando na mais baixa a languidez de Marilyn Monroe.

Apesar de ser um sincero e emocional tributo a uma parte da tradição musical norte-americana, o filme de Walter Lang perde por essa prisão aos palcos, que faz de muitas cenas aparentes cópias daquilo que pretende homenagear. Excepção será a citada cena de Donald O’Connor, numa das poucas vezes em que a câmara entra na coreografia, tornando-se parte do espectáculo, e não se limitando a registá-lo como se estivesse sentada na plateia.

Talvez por esse lado mais estático, e falta de um bom argumento, o filme foi um enorme fracasso, dado o dinheiro gasto pela Fox. Para a posteridade fica o dueto entre Merman e Dailey, “Play a Simple Melody”, o já citado desempenho de O’Connor, “A Man Chases a Girl”, a escassa roupa de Marilyn Monroe em “Heat Wave”, e o final de Ethel Merman, cantando o tema título.

Produção:

Título original: There’s No Business Like Show Business; Produção: Twentieth Century Fox Film Corporation; Produtor Executivo: Darryl F. Zanuck [não creditado]; País: EUA; Ano: 1954; Duração: 112 minutos; Distribuição: Twentieth Century Fox Film Corporation; Estreia: 14 de Dezembro de 1954 (EUA), 19 de Dezembro de 1955 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Walter Lang; Produção: Sol C. Siegel; Argumento: Phoebe Ephron, Henry Ephron; História: Lamar Trotti; Música: Irving Berlin; Coreografia: Robert Alton; Direcção Musical e de Orquestra: Alfred Newman, Lionel Newman; Orquestração: Bernard Mayers, Herbert W. Spencer, Edward B. Powell, Earle Hagen; Arranjos Vocais: Ken Darby; Fotografia: Leon Shamroy [filmado em CinemaScope, cor por DeLuxe]; Direcção Artística: Lyle R. Wheeler, John DeCuir; Cenários: Walter M. Scott, Stuart A. Reiss; Efeitos Especiais: Ray Kellogg; Montagem: Robert L. Simpson; Guarda-roupa: Charles Le Maire; Figurinos: Travilla, Miles White; Caracterização: Ben Nye, Allan Snyder [não creditado].

Elenco:

Ethel Merman (Molly Donahue), Donald O’Connor (Tim Donahue), Marilyn Monroe (Vicky Parker), Dan Dailey (Terence Donahue), Johnnie Ray (Steve Donahue), Mitzi Gaynor (Katy Donahue), Richard Eastham (Lew Harris), Hugh O’Brian (Charles Gibbs), Frank McHugh (Eddie Dugan, Empresário de Vicky), Rhys Williams (Padre Dineen), Lee Patrick (Marge), Eve Miller (Helen, Rapariga dos Chapéus), Robin Raymond (Lillian Sawyer).