A nova Hammer

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Hammer Films Productions

Introdução

A história da Hammer Films foi aqui descrita no artigo anterior O terror gótico da Hammer.

Nele conta-se como a produtora foi fundada, em 1934, por William Hinds (de alcunha Will Hammer) e Enrique Carreras, conjuntamentoe da distribuidora Exclusive Films, que constituiu a maior parte da actividade da companhia até, depois da guerra, a geração seguinte: James Carreras (filho de Enrique) como líder, e Michael Carreras (neto de Enrique) e Anthony Hinds (filho de Will Hammer) como directores artísticos, fazerem da Hammer aquilo em que se tornou: uma produtora independente produzindo filmes série B prolificamente, conseguindo distribuições internacionais, e uma imagem de marca bem vincada no cinema de terror, principalmente nas realizações de Terence Fisher, e nas interpretações de Christopher Lee e Peter Cushing.

Em 1973, James Carreras deixou a Hammer ao filho Michael, o qual a passaria em 1979 a Roy Skeggs, produtor da Hammer desde os anos 60. Foi Skeggs quem restruturou o património da produtora e a passou à televisão com duas séries de terror nos anos 80, deixando-a adormecer de seguida.

Mantendo os direitos dos seus cerca de 300 filmes, a Hammer foi, em 2000, vendida a um grupo privado que incluía o guru da publicidade Charles Saatchi, que por sua vez a vendeu em 2007 ao consórcio holandês Cyrte Investments BV, presidido pelo magnata John De Mol, o responsável, por exemplo, pela criação dos franchisings “Big Brother” e “The Voice”. Foi então que se começou a falar do regresso ao cinema.

 

A nova Hammer

John De Mol

John De Mol passou o comando executivo da nova Hammer Films a Simon Oakes, anteriormente produtor de televisão, o qual anunciou que a marca Hammer era um património britânico que merecia ser renovado e respeitado. Na holding continuava a Exclusive Media Group, a distribuidora da Hammer, com Marc Schipper na direcção.

O primeiro exemplo das novas produções veio na forma do filme de vampiros “Beyond the Rave” (2008), um filme em webisodes, produzido com a Pure Grass Films e distribuído na internet pela Myspacetv, no qual consta um cameo de Ingrid Pitt. Seguiu-se o indie “Wake Wood” (2009), com dinheiro irlandês, em parceria com a Vertigo Films, e filmado parcialmente na Suécia. Mas o primeiro filme da nova Hammer a dar que falar foi “Let me In” (2010), remake do filme sueco de vampiros “Låt den rätte komma in” (2008) de Tomas Alfredson. Filmado em parceria com a Overture Films e a Relativity Media, o filme foi rodado nos Estados Unidos, com actores norte-americanos. O mesmo aconteceria com “The Resident” (2011), um thriller enervante, protagonizado por Hilary Swank e Jeffrey Dean Morgan, e com um cameo do veteraníssimo Christopher Lee.

Em 2012, a Hammer, em parceria com a Alliance Films e a Cross Creek Pictures, deu-nos o ainda mais mediático “The Woman in Black”, uma gótica história de casa assombrada, bem na tradição do estilo da produtora nos anos 50 e 60, e com um Daniel Radcliffe acabado de sair da franchise “Harry Potter. O sucesso do filme levou à sequela “The Woman in Black 2: Angel of Death” (2014), novamente produzido com a Alliance Films, mas logo votado ao esquecimento. Pelo meio surgiu o muito mais bem recebido filme de terror sobrenatural “The Quiet Ones” (2014), com Jared Harris e Olivia Cooke.

Riley Keough em "The Lodge" (2019), de Severin Fiala e Veronika Franz

De então para cá, a Hammer abrandou o ritmo, chegando-nos apenas em 2019 “The Lodge”, numa parceria com a FilmNation Entertainment, filme que tem feito o circuito de festivais. O filme conta com as interpretações de Riley Keough e Richard Armitage, e conta com distribuição internacional em 2020.

Ainda apalpando terreno, procurando parcerias internacionais, e não se definindo num estilo tão homogéneo como na sua fase áurea, a Hammer parece estar para ficar, e espera-se que o nome que carrega seja sinónimo de qualidade no cinema de terror do novo milénio.

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