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Publicação com o apoio de www.filmtwist.pt

Dead AwakeQuando Beth Bowman (Jocelin Donahue) começa a sofrer de terríficos pesadelos não é levada a sério nem pelo namorado Evan (Jesse Bradford) nem pela família. Mas ao ser vitimada por um desses pesadelos, a sua irmã gémea Kate (também Jocelin Donahue) começa a investigar este fenómeno junto de todos os que lidavam com Beth, principalmente a quem ela pediu ajuda. Só que, sem o saber, ao levar pessoas a acreditar numa entidade nocturna que causa a paralisia do sono, Kate está a tornar mais gente vulnerável aos ataques daquela entidade, começando por si própria.

Análise:

Se não há fonte de medo como os pesadelos, procurar neles algo visceral e transversal a culturas e gerações, que ressoe em cada um de nós, parece ser aposta segura para inspirar um filme de terror. Foi isso que pensaram o realizador Phillip Guzman e o guionista Jeffrey Reddick, ao escolherem terrores nocturnos como ponto de partida. Para tal, seguiu-se a fórmula já conhecida de pegar em fenómenos que ainda arrepiem, e trazer-se uma explicação para além da ciência, onde o desconhecimento forneça espaço para especulação.

Isso ocorre na forma de paralisias do sono, períodos desconfortáveis durante as quais a pessoa começa a ganhar consciência, mas ainda não está apta a mover-se. São esses estados (chamados “Old Hag Syndrome” – Síndroma da Bruxa Velha) que vão aterrorizar pessoas como Beth Bowman (Jocelin Donahue), a qual vai ver uma figura de uma bruxa cada vez mais ameaçadora até a estrangular no sono. Ou pelo menos é isso em que vai acreditar a sua irmã gémea Kate (também Jocelin Donahue). Só que, como será dito mais tarde, acreditar no mal é abrir-lhe as portas e, ao convencer Evan (Jesse Bradford), o namorado de Beth, a médica que a tratava (Lori Petty) ou a amiga que tentava libertar-se de tais pensamentos (Brea Grant), Kate vai trazer a velha bruxa aos pesadelos de todos eles.

Embora com alguns jump scares nos momentos mais esperados, “Sono Mortal” vive sobretudo de uma idea (a tal da reinterpretação de um pesadelo que se calhar já todos tivemos), e da forma lenta e segura como ela nos é trazida. Fala-se, claro, das muitas cenas oníricas, sempre com as necessárias transições pouco claras entre sono e vigília, e um medo que é feito da espera, de sombras difusas, do espaço vazio e da ansiedade da protagonista, em vez de se usar efeitos especiais ou sustos. O problema é o enredo, o qual parece também sofrer de paralisia, e desde o momento dos pesadelos da primeira das gémeas, pouco evolui. Temos só as passagens pelos lugares-comuns do género: o clássico arauto da desgraça (Jesse Borrego) que, ultrapassando ciência convencional, tem explicações sobrenaturais e soluções perigosas, e a esperada sequência final de confronto com o terror. Neste último caso não deixamos de relembrar “Pesadelo em Elm Street” (A Nightmare on Elm Street, 1984), de Wes Craven, pelo modo (bem mais imaginativo, diga-se) como também tem de ser no sonho que a protagonista tem de “matar” o seu medo.

Havendo na vida de Kate e Beth todo o tipo de problemas em aberto, toda a história nos é apresentada como uma espécie de metáfora para as dores da entrada na idade adulta. Mas, parecendo algo inconsequentes, eles apenas distraem e enfraquecem o filme, o qual se torna algo longo quando o seu foco é apenas um: o derrotar do mal que desde cedo fica descrito e explicado, e no qual, interpretações demasiado académicas não contribuem para trazer emoção a um tema que parecia à partida uma ideia vencedora.

Jocelin Donahue em "Sono Mortal" (Dead Awake, 2016), de Phillip Guzman

Produção:

Título original: Dead Awake; Produção: Gama Entertainment Partners, Aristar Entertainment, Incendiary Features; Produtores Executivos: A. J. Gutierrez, Jeffrey Reddick, LeeLee Wellberg; País: EUA; Ano: 2016; Duração: 98 minutos; Distribuição: FilmRise (EUA); Estreia: 8 de Outubro de 2016 (Shriekfest Horror Film Festival, EUA), 11 de Maio de 2017 (Singapura).

Equipa técnica:

Realização: Phillip Guzman; Produção: Phillip Guzman, James LaMarr, Philip Marlatt, Derek Lee Nixon, Galen Walker, Kurt Wehner; Argumento: Jeffrey Reddick; Música: Marc Vanocur; Fotografia: Dominique Martinez; Montagem: Peter Devaney Flanagan; Design de Produção: Kurt Wehner; Direcção Artística: Philip Marlatt; Cenários: Gregorio Mannino; Figurinos: Debra Sugarman; Caracterização: Meredith Johns; Efeitos Especiais de Caracterização: Jason Vines, Eric Zapata; Efeitos Visuais: Joshua Flowers-Pasquith.

Elenco:

Jocelin Donahue (Kate Bowman / Beth Bowman), Jesse Bradford (Evan), Jesse Borrego (Dr. Hassan Davies), Lori Petty (Dr. Sykes), James Eckhouse (Mr. Bowman), Mona Lee Fultz (Mrs. Bowman), Brea Grant (Linda Noble), A.J. Gutierrez (Daryl Noble), Billy Blair (Mr. Pang), Liz Mikel (Enfermeira), Jeffrey Reddick (Anthony), Richard Lukens (Padre), Natali Jones (A Bruxa Nocturna).

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