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Publicação com o apoio de www.filmtwist.pt

Villmark 2 Quando é decidido o desmantelamento de um antigo sanatório abandonado nas montanhas da Noruega, a empresa responsável envia ao local um grupo de técnicos para fazer o levantamento de materiais tóxicos. A chegar, a equipa liderada por Live (Ellen Dorrit Petersen) encontra uma mansão de mais de 300 salas, ainda guardada por um velho guarda, Karl (Baard Owe), deixado para trás desde 1978. Não só o trabalho se revela perigoso, como os técnicos começam a ter a impressão de que há mais gente no edifício, já que estranhas ocorrências ligadas ao passado do sanatório começam a suceder.

Análise:

Em 2003, o realizador norueguês Pål Øie estreava a sua primeira longa-metragem, de nome “Villmark”, a qual lidava com uma equipa de TV deixada na floresta, a lidar com estranhas ocorrências à beira de um lago onde se teria despenhado um piloto nazi da Segunda Guerra Mundial. Em 2015, “Projeto Villmark” (Villmark 2) traz-nos mais um capítulo desse mistério, aqui no clássico ambiente de um edifício abandonado, onde qualquer presença, por mais real que seja, adquire sempre contornos fantasmagóricos.

Tal é a história de cinco elementos de uma equipa técnica que vai para as montanhas norueguesas ao serviço da sua empresa que quer demolir um antigo sanatório. Liderados por Live (Ellen Dorrit Petersen), os cinco fazem o levantamento de materiais tóxicos e recolha de documentos deixados para trás, mas cedo percebem não estar sós. Além do assustador contínuo Karl (Baard Owe, uma espécie de sósia de Bela Lugosi), aos poucos vão-se revelando outras presenças, geralmente ameaçadoras, e sempre misteriosas, ao ponto de as vidas dos cinco técnicos passarem a estar em perigo.

Partindo do lugar-comum do espaço remoto (no meio da floresta onde nem comunicações existem), labiríntico, em ruínas, não poderíamos estar em território mais conhecido para uma casa assombrada. E essa pista é o mote para tudo o resto. Com uma fotografia inteligente, e uma atmosfera de inquietação bem conseguida, tudo no edifício vai lembrando algo já visto. Das sombras aos ruídos e objectos que mudam de lugar, Pål Øie não resiste a cair nos clichés do género (sempre que o nosso campo de visão é bloqueado, algo muda atrás dele, sempre que há uma porta em fundo, alguma sombra a vai percorrer, sempre que um personagem vira costas, vai sofrer por isso).

Mesmo que o uso do cenário torne o clima inicial interessante, e o uso da visão nocturna gere imagens de bom efeito, a verdade é que sentimos desde logo que estamos perante um coleccionar de imagens padrão que sacrificam qualquer lógica ou coerência narrativa. Porque têm as personagens de tomar sempre as piores opções? O que motiva os residentes, que não seja apenas assustar o espectador? Qual a lógica de passarmos da câmara subjectiva a planos gerais e found footage, mesmo quando ninguém a está a olhar? De repente estamos em campo slasher, com muito sangue, muitos gritos, muitas fugas e respirações ofegantes, e claro, mortes cruéis.

Fica uma tentativa que troca coesão e originalidade por estilo, e ficam também muitas pontas soltas, num exercício estético apelativo, mas sem acrescentar muito aos filmes em que se inspira.

Anders Baasmo Christiansen, Ellen Dorrit Petersen e Mads Sjøgård Pettersen em "Projeto Villmark" (Villmark 2, 2015), de Pål Øie

Produção:

Título original: Pål Øie; Produção: Handmade films in Norwegian woods / Filmkompaniet MadMonkey / Yesbox Productions; País: Noruega; Ano: 2015; Duração: 93 minutos; Distribuição: ; Estreia: 9 de Outubro de 2015 (Noruega), 8 de Setembro de 2016 (MOTELX – Festival Internacional de Terror de Lisboa, Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Villmark 2; Produção: Bendik Heggen Strønstad, Einar Loftesnes; Co-Produção: Zita Kisgergely, Lars Leegaard Marøy, Tor Ole Rognaldsen; Argumento: Kjersti Helen Rasmussen, Pål Øie; Música: Trond Bjerknes, Roy Westad; Fotografia: Sjur Aarthun; Montagem: Sjur Aarthun; Design de Produção: Martin Gant; Direcção Artística: Adrien Asztalos; Cenários: Mihály Tápai; Figurinos: ; Caracterização: Agoston Zsombor; Efeitos Especiais de Caracterização: Julia Nagy; Efeitos Visuais: Torben Traaseth; Direcção de Produção: Eszter Fixek.

Elenco:

Ellen Dorrit Petersen (Live), Anders Baasmo Christiansen (Ole), Tomas Norström (Frank), Baard Owe (Karl), Mads Sjøgård Pettersen (Even), Renate Reinsve (Synne), Torstein Løning, Éva Magyar (A Enfermeira), Emese Nyírö (A Menina), Márk Márfi, Szabolcs Szalay (O Homem do Fundo das Escadas).

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