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Quando, no Verão de 2017, A Janela Encantada apresentou o ciclo Danny Kaye (Reis da comédia V), ficou um filme por analisar. Ficou também a promessa de actualizar o ciclo quando fosse possível. É-o agora, e por isso é hora de completar a homenagem ao comediante norte-americano, com o filme “Viva o Palhaço”.

Viva o PalhaçoAndrew Larabee (Danny Kaye) é um inocente professor de arqueologia, dominado pelo seu pai (Noel Purcell), que o quer autor publicado antes de o promover no colégio que dirige, e o deixar casar com Letitia (Patricia Cutts), a sua noiva de há cinco anos. Tal leva Andrew a viajar para o Sussex para procurar uma estatueta de Pã, deparando com um circo no mesmo terreno. Aí, Andrew fica amigo dos Gallini, sobretudo de Selena (Pier Angeli), por quem se apaixona enquanto se envolve em peripécias no circo, que o fazem questionar que vida quer mesmo para si.

Análise:

Ficando na história por ser a primeira grande produção de Hollywood a ter estreia na Ásia (mais concretamente em Singapura), “Viva o Palhaço” adaptava um conto do escritor Paul Gallico. Vivendo do carisma da sua figura central, o comediante e por vezes histriónico Danny Kaye, o filme era uma comédia romântica com alguns momentos musicais, bem ao jeito do actor. Foi o primeiro filme do actor em três anos, já que o hoje muito popular “O Bobo da Corte” (The Court Jester, 1955), de Norman Panama e Melvin Frank, fora um fracasso de bilheteira. Foi ainda o único filme dirigido por Michael Kidd, ele que era essencialmente um coreógrafo.

“Viva o Palhaço” conta-nos a história de Andrew Larabee (Danny Kaye), um descendente de uma longa linhagem de professores e donos de uma escola privada, que espera ser promovido pelo pai (Noel Purcell), o actual director, para poder casar com a sua noiva de há cinco anos, Letitia Fairchild (Patricia Cutts). Só que o pai quer que Andrew prove o seu valor, sendo um autor publicado, como os seus dois irmãos. Tal leva Andrew a viajar para o Sussex, onde irá tentar encontrar uma antiga estatueta romana de Pã. À chegada ao local da escavação, Andrew depara com o Circo Gallini no local, a receber ordem de despejo de Lord Elmwood, o proprietário das terras. Ao lidar habilmente com Elmwood, um antigo colega seu, Andrew torna-se um herói entre os Gallini, especialmente para Selena (Pier Angeli), que se vem a apaixonar por ele. Várias peripécias depois (uma das quais coloca Andrew na jaula dos leões, e outra fazendo dele mestre de cerimónias) é visível a todos que há algo entre Andrew e Selena, e a família desta organiza-lhes uma casamento à pressa. Mantendo-se fiel à sua família, Andrew regressa a casa com a ajuda da destroçada Selena. Mas ao ser recebido em triunfo, com casamento já organizado com Letitia, Andrew começa a arrepender-se. O toque final dá-se quando o Circo Gallini vem estacionar junto à escola dos Larabee, e Selena traz a Andrew a estatueta que ele tanto procurou.

Como sempre nos filmes protagonizados por Danny Kaye, partimos da presença de um rapaz simpático, demasiado honesto e inocente, e por isso mesmo explorado pelos outros. Tal leva-o sempre a cair nalgum infortúnio, por vezes de raiz amorosa, como é aqui o caso. Desta vez o conflito é familiar, pois Andrew foi educado para seguir a tradição familiar. Mas o seu ritual de passagem para a verdadeira idade adulta (não a civil, mas aquela que o leva a quebrar com as expectativas e a pensar pela sua cabeça) dá-se na convivência com um circo, e na presença de uma rapariga diferente, impetuosa, genuína, que o leva a repensar se alguma vez terá vivido.

E se o argumento é simples e perfeitamente previsível (não que haja mal nisso), o filme ganha asas com a interpretação de Danny Kaye. Vemos isso logo na canção inicial, em que explica mitologia grega aos seus jovens alunos, e, por exemplo, dentro de uma jaula de leões de onde sai airosamente. Ainda que a troça da aristocracia britânica nos divirta, e que a candura de Pier Angeli e as idiossincrasias dos restantes elementos do circo (chimpanzé incluído) nos cativem, é sempre Kaye quem comanda o filme. Por isso, os momentos mais memoráveis são sempre aqueles em que ele está aflito para se desenvencilhar de algo, como acontece na sequência em que é mestre de cerimónias (com um fato que lhe faz a vida negra), ou quando é perseguido pelos primos de Selena, numa sequência de humor burlesco.

Para a carreira de Kaye, “Viva o Palhaço” (passe o título português… e o original, que é uma forma informal de dizer “palhaço”) é até um dos seus filmes mais discretos. Essa contenção é depois gerida com o intercalar de algumas canções (letras de de Johnny Mercer e música de Saul Chaplin), como sempre em Kaye com alguns jogos de palavras, neste caso brincando também com a língua italiana. A estas canções juntam-se alguns divertidos momentos de dança, com coreografia do próprio Michael Kidd – basta dizer que Kidd foi o coreógrafo de “Sete Noivas para Sete Irmãos” (Seven Brides for Seven Brothers, 1954), de Stanley Donen, e o vencedor de cinco prémios Tony para coreografia.

Pier Angeli e Danny Kaye em "Viva o Palhaço" (Merry Andrew, 1958), de Michael Kidd

Produção:

Título original: Merry Andrew; Produção: Sol C. Siegel Productions; Produtores Executivos: ; País: EUA; Ano: 1958; Duração: 98 minutos; Distribuição: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM); Estreia: 20 de Fevereiro de 1958 (Singapura), (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Michael Kidd; Produção: Sol C. Siegel; Produtor Associado: Saul Chaplin; Argumento: Isobel Lennart, I.A.L. Diamond [a partir do conto “The Romance of Henry Menafee” de Paul Gallico]; Música: Saul Chaplin, Nelson Riddle [não creditado]; Direcção Musical: Nelson Riddle; Fotografia: Robert Surtees [filmado em CinemaScope, cor por Metrocolor]; Montagem: Harold F. Kress; Design de Produção: ; Direcção Artística: William A. Horning, Gene Allen; Cenários: Henry Grace, Richard Pefferle; Figurinos: Walter Plunkett; Caracterização: William Tuttle; Efeitos Especiais: Lee LeBlanc, Robert R. Hoag; Efeitos Visuais: ; Direcção de Produção: .

Elenco:

Danny Kaye (Andrew Larabee), Pier Angeli (Selena Gallini), Salvatore Baccaloni (Antonio Gallini), Noel Purcell (Matthew Larabee), Robert Coote (Dudley Larabee), Patricia Cutts (Letitia Fairchild), Rex Evans (Gregory Larabee), Walter Kingsford (Mr. Fairchild), Peter Mamakos (Vittorio Gallini), Rhys Williams (Polícia), Tommy Rall (Giacomo Gallini), Betty Wand (Dobragem de Voz de Canto de Pier Angeli), Eddie Allen (Chefe de Banda) [não creditado], Richard Anderson (Ugo) [não creditado], Iginio Bogino (Bruno) [não creditado], Bert May (Enrico) [não creditado], John Dodsworth (Lord Elmwood) [não creditado], Mel Koontz (Domador de Leões) [não creditado].

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