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Elf - O Falso DuendeNuma noite de Natal, Buddy, um bebé de um orfanato gatinha para dentro do saco do Pai Natal (Ed Asner) quando este distribuía as prendas. Descoberto já no Pólo Norte, o bebé é adoptado e educado pelos duendes para ser mais um deles, construindo presentes de Natal para as crianças de todo o mundo. Só que, crescido, Buddy (Will Ferrell), é demasiado diferente de todos os duendes, e a verdade vem ao de cima. Buddy decide ir então à procura das suas origens, na cidade de Nova Iorque, onde vive o seu pai Walter Hoobs (James Caan), e onde o espírito de Natal parece ter desaparecido.

Análise:

Depois do pouco conhecido “Como Subir no Crime” (Made, 2001), “Elf – O Falso Duende” foi a segunda longa-metragem do então actor Jon Favreau, iniciando a sua subida vertiginosa em Hollywood como realizador e produtor de franchises de sucesso, como foi o caso da Marvel primeiro, e actualmente das séries televisivas de Star Wars, deixando pelo meio adaptações de clássicos Disney a filmes de imagem real (isto é subjectivo, claro, dada a forte presença do CGI nestes filmes), como são o caso de “O Livro da Selva” (The Jungle Book, 2020) e de “O Rei Leão” (The Lion King, 2019). É curioso notar como algumas dessas propensões de Favreau (o gosto pela fantasia, os cenários mirabolantes, a acção com humor, a dependência do CGI, uso de stop-motion, etc.) estão já presentes neste seu segundo filme, uma fantasia de Natal que tentava captar a estrela de Will Ferrell, então altamente cotado pela sua presença na série humorística de TV “Saturday Night Live”, neste seu primeiro filme após deixar essa série.

Contado em flashback por um certo Papa Elf (Bob Newhart), que depois veremos ter-se tornado o pai adotivo de Buddy (Will Ferrell), o filme conta como uma criança foi trazida de um orfanato pelo Pai Natal, sem este o saber, e foi educada para ser um duende de Natal, mas sempre se revelou inapto, além de se estranhar porque era bem maior que todos os outros. Descoberta a razão, Buddy decide ir para Nova Iorque procurar o pai, Walter Hobbs (James Caan), que trabalha no Empire State Building. O primeiro encontro não é um sucesso, com Walter a rejeitar o rapaz, e Buddy acaba a trabalhar no Centro Comercial Gimbels, por ser confundido com um duende contratado. Aí, Buddy trava amizade com Jovie (Zooey Deschanel), mas ao desmascarar o Pai Natal da loja, acaba preso. Walter paga a fiança de Buddy e decide fazer um teste de paternidade, trazendo-o depois a casa para conhecer a esposa Emily (Mary Steenburgen) e o filho Michael (Daniel Tay), que gostam dele imediatamente. Mas após um mal-entendido causado por Buddy na editora que Walter dirige, este volta a rejeitá-lo, para se arrepender, e decidir despedir-se para voltar a procurar Buddy. Com Michael, Walter encontra Buddy em Central Park onde este reencontrou o Pai Natal, mas o trenó está sem motor por falta de Espírito de Natal e eles são perseguidos pela polícia. Vendo a situação, Jovie, lembra-se de algo que Buddy lhe dissera, e dirige a multidão no cântico “Santa Claus is Coming To Town”, fazendo o trenó voar. Um ano mais tarde, Buddy e Jovie estão de visita ao Pólo Norte, com uma filha recém-nascida.

Com Jon Favreau a confessar ter-se inspirado nos clássicos especiais de TV de Rankin/Bass, “Elf – O Falso Duende” é um filme colorido, como uma decoração de Natal. O filme, que contou com um argumento já de 1993, escrito por David Berenbaum, vive de duas coisas: dos cenários muito natalícios, muitas vezes quase como se estivéssemos num filme de animação, e da personalidade cómica de Will Ferrell, ele próprio quase um desenho animado, num misto de burlesco e de ingenuidade infantil. Sem ser tão histriónico como na maioria dos filmes que interpretou posteriormente, Ferrell consegue cativar pela inocência genuína, mesmo que envolvendo-se nas mais caricatas situações (confundir um anão com um duende, ficar desesperado por o Pai Natal de uma loja não ser o verdadeiro, etc.). Apesar de todas as desadaptações evidentes na personagem (basta ver o tamanho dele ao colo do Papa Elf), o Buddy de Ferrell destaca-se pelo seu coração, e talvez aqui e ali nos faça ver que quem está desadaptado somos nós, numa sociedade cínica sem lugar para a inocência.

Com uma premissa tão simples como cómica: um humano educado como duende de Natal, que depois é introduzido à pressa na nossa sociedade, “Elf – O Falso Duende” é, no fundo, uma sucessão de episódios em que Buddy vai confundindo pessoas, situações e locais. Pelo meio enamora-se de uma duende de loja com falta de vocação, ensinando-lhe o poder da sua voz interior, e descobre uma família, a qual, através dele, acorda para o que é realmente importante (como xarope de doce na pasta!!!). O final feliz é, obviamente, o esperado neste tipo de filme, com o clímax na multidão do Central Park que recupera um pouco de inocência ao se lançar espontaneamente num coro colectivo (com a polícia a ser declarada como estando na “naughty list” dos meninos maus que não merecem prendas).

Como é apanágio destes filmes, a ideia passa sempre por acordar o tal “espírito de Natal” em cada um de nós, essa tal ideia inocente, evocativa dos tempos em que tudo parecia magia e ainda acreditávamos no Pai Natal. É isso que leva o filme à sua conclusão narrativa, e é com esse sentimento que o deixamos.

O sucesso do filme levou à posterior produção do musical da Broadway “Elf: The Musical”, estreado no Natal de 2010, dirigido por Casey Nicholaw, com música de Matthew Sklar, e letras de Chad Beguelin, e um livro de Bob Martin e Thomas Meehan. O filme resultou ainda num videojogo em 2004, e na animação para televisão “Elf: Buddy’s Musical Christmas” (2014).

Will Ferrell em "Elf - O Falso Duende" (Elf, 2003), de Jon Favreau

Produção:

Título original: Elf; Produção: New Line Cinema / Guy Walks into a Bar Productions / Gold/Miller Productions [não creditada] / Mosaic [não creditada] / Shawn Danielle Productions Ltd. [não creditada]; Produtores Executivos: Toby Emmerich, Kent Alterman, Cale Boyter, Jimmy Miller, Julie Darmody; País: EUA; Ano: 2003; Duração: 96 minutos; Distribuição: New Line Cinema; Estreia: 9 de Outubro de 2003 (Austin Film Festival, EUA), 7 de Novembro de 2003 (Canadá, EUA), 28 de Novembro de 2003 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Jon Favreau; Produção: Jon Berg, Todd Komarnicki, Shauna Robertson; Co-Produção: David B. Householter; Argumento: David Berenbaum; Música: John Debney; Orquestração: ; Fotografia: Greg Gardiner [filmado emPanavision, cor por DeLuxe]; Montagem: Dan Lebental; Design de Produção: Rusty Smith; Direcção Artística: Kelvin Humenny; Cenários: Johanne Hubert; Figurinos: Laura Jean Shannon; Caracterização: Victoria Down; Efeitos Especiais: Tony Lazarowich; Efeitos Visuais: Joe Bauer; Direcção de Produção: Panny Gibbs, David B. Householder.

Elenco:

Will Ferrell (Buddy), James Caan (Walter), Bob Newhart (Papa Elf), Ed Asner (Pai Natal), Mary Steenburgen (Emily), Zooey Deschanel (Jovie), Daniel Tay (Michael), Faizon Love (Gerente do Gimbel), Peter Dinklage (Miles Finch), Amy Sedaris (Deb), Michael Lerner (Fulton), Andy Richter (Morris), Kyle Gass (Eugene), Artie Lange (Pai Natal do Gimbel), Leon Redbone (Voz de Leon O Boneco de Neve), Ray Harryhausen (Voz da Cria de Urso Polar), Claire Lautier (Repórter do NY 1), Ted Friend (Locutor do NY 1), Patrick Ferrell (Guarda), Patrick McCartney (Guarda), Jon Favreau (Médico), Lydia Lawson-Baird (Carolyn), Brenda McDonald (Freira), Annie Brebner (Estudante Elfo), Luke Pohl (Estudante Elfo), Meghan Black (Elfo), Patrick Baynham (Elfo), Michael Roberds (Elfo Sapateiro), Peter A. Hulne (Gémeo Elfo), Patrick Hulne (Gémeo Elfo), Richard Side (Professor Elfo), David Avalon (Pom Pom), Kristian Ayre (Foom Foom), Lorin Heath (Vendedora de Perfumes), Dillard Brinson (Fotocopiadora), Brad Turner (Colega de Escritório), David Berenbaum (Colega de Escritório), Brenda Crichlow (Colega de Escritório), Oscar Goncalves (Francisco, Mary Black (Enfermeira), Jane Bradbury (Susan Welles).