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Giallo Ao chegar a Itália para se encontrar com a sua irmã, a bonita modelo Celine (Elsa Pataky), Linda (Emmanuelle Seigner) recebe um estranho telefonema dela que parece indicar estar a ser raptada. Tal leva-a no dia seguinte à polícia, onde é ouvida pelo antipático detective Enzo Avolfi (Adrien Brody), que se convence que Celine foi vítima de um serial killer que tortura e desfigura mulheres belas, antes de as matar. Linda decide seguir Enzo, tornando-se sua parceira na corrida contra o tempo para descobrir o assassino a quem chamam Giallo.

Análise:

Dois anos depois de “Mãe das Lágrimas: A Terceira Mãe” (La terza madre, 2007), Dario Argento voltava ao giallo com um filme que até tinha essa palavra no título. “Giallo – Os Reféns do Medo” era também mais uma tentativa de penetrar pela porta grande no mercado norte-americano, razão pela qual Argento fazia uso de dois actores de renome internacional, Adrien Brody (que também produz) e Emmanuelle Seigner.

O filme mostra-nos Celine (Elsa Pataky), uma bonita modelo, raptada por um misterioso taxista, conseguindo apenas fazer uma chamada à irmã Linda (Emmanuelle Seigner), que acabara de chegar a Turim para se encontrar com ela. Convencida de que algo aconteceu, Linda procura a polícia, e acaba enviada para a cave onde trabalha o inspector Enzo Avolfi (Adrien Brody), que logo acredita que Celine tenha sido raptada pelo assassino conhecido como Giallo, que rapta e tortura mulheres bonitas, antes de as matar. Quando Enzo recebe a notícia de mais uma vítima ter sido encontrada, Linda acompanha-o ao local, e testemunha as últimas palavras da mulher, que menciona a palavra “Amarelo” (Giallo). É a própria Linda que mais tarde percebe que amarelo é a cor do assassino, que deve sofrer de doença do fígado. Através dos hospitais o par obtém informação sobre ele, e chega mesmo a persegui-lo, mas em vão. Encontrando a sua casa, Enzo investiga-a, sem encontrar Giallo, enquanto este procura Linda para que ela o ajude a sair do país. Linda promete ajudá-lo a troco do paradeiro da irmã, mas Enzo chega a tempo de os ver juntos. Na luta que se segue, Enzo mata Giallo, convencido de que já sabe o paradeiro de Celine. Mas a polícia não encontra Celine na câmara de torturas de Giallo, sendo esta encontrada mais tarde, amordaçada num parque de estacionamento.

Embora o título “Giallo” na verdade provenha do facto de o assassino ter uma doença de fígado que lhe torna a pele amarelada, é óbvio que a palavra nos remete imediatamente – e propositadamente, é certo – para o subgénero em que Argento fez o seu nome: o thriller de mistério policial de psicopatas e mortes macabras e sangrentas. É, obviamente, isso que temos em abundância neste novo filme, mesmo que haja uma clara dúvida na mente do realizador sobre o que deve mostrar, e o que deve deixar fora de campo. De facto, e provavelmente com vista ao mercado americano para o qual este filme (como os anteriores) é destinado, Argento joga principalmente com a sugestão. Vemos objectos de tortura (facas, tesouras, serras, punções), vemos cortes nos corpos e rostos (muitas vezes em fotos), ouvimos os gritos das vítimas, vemos o sangue jorrar, mas várias vezes a câmara afasta-se no momento crucial – não que isso nos impeça, por exemplo, de vemos um dedo a ser cortado.

Afastando-se um pouco do seu caminho habitual, Argento dá-nos a identidade do assassino bastante cedo. Depois de algumas sequências em que apenas vemos os seus olhos, ele é-nos revelado como alguém que nada tem a ver com os restantes personagens. A componente de mistério desaparece assim (ficando a ideia de que, se a revelação não ocorre mais cedo é apenas porque o criminoso, tal como o detective, é interpretado por Adrien Brody, aqui quase irreconhecível sob pesada caracterização). Desfeito o mistério, fica o thriller, conseguirão os heróis salvar ou não a vítima – irmã da personagem de Seigneur – antes de sofrer o mesmo destino das anteriores: ser desfigurada e brutalmente cortada e morta?

Com o estabelecimento do par Enzo/Linda (Brody/Seigner) parecemos entrar em terreno comum dos filmes americanos, onde temos uma parceria forçada, com um polícia e uma não polícia, com todos os contratempos e problemas daí inerentes. Mas tal acontece de modo brusco, e pouco orgânico, senão vejamos: Linda conhece Enzo porque ao chegar à esquadra um agente que não está para a aturar a manda ir ter com ele. Enzo aceita a história dela, porque a irmã acabou de desaparecer e ele acredita piamente que ela é vítima do mesmo assassino; Linda resolve seguir Enzo, este proíbe-a, mas tal a insistência dela, faz dela sua parceira em todas as investigações e locais de crime; quando o par intui que o assassino pode sofrer de fígado, vão a um hospital e imediatamente decidem que uma das pessoas que lá está é o assassino. E a lista seria infindável, mostrando como Argento nunca se preocupa em ligar as pontas, nem em justificar os saltos na evolução da narrativa. Interessa-lhe apenas a criação de momentos, e aqui estes giram em torno de duas coisas: a relação Enzo/Linda, e as cenas de tortura do assassino Giallo.

O problema é que, se as segundas, como dito atrás, carecem de imaginação e até coragem, mostrando-nos apenas um assassino patético e pouco convincente, as primeiras são mais um exemplo de uma escrita desinspirada, com os actores a mostrarem que não acreditam nem um pouco naquilo que estão a fazer, resultando em interpretações mecânicas e sem qualquer entusiasmo.

Mesmo com uma fotografia interessante, e um modo sempre climático de encenar as acções e os momentos – onde as sequências à media luz, nas perseguições nocturnas e câmaras de tortura são os seus pontos mais altos – “Giallo – Os Reféns do Medo” é demasiado ferido por interpretações descabidas, um argumento pobre, e desenvolvimentos de personagens inexistentes.

Estreado no Festival Internacional de Edimburgo, “Giallo – Os Reféns do Medo” mostrou-se nalguns festivais, mas tal não o impediu de passar directamente à venda de vídeo nalguns países. Timidamente, o filme começou a ser mostrado nalguns cinemas a partir de 2010, tendo sido exibido no circuito comercial em Itália, apenas em 2011.

Como curiosidade note-se que o personagem Giallo, interpretado também por Adrien Brody, é creditado a um actor inexistente, anagrama do nome de Brody: Byron Deidra

Adrien Brody em "Giallo - Os Reféns do Medo" (Giallo, 2009), de Dario Argento

Produção:

Título original: Giallo; Produção: Hannibal Pictures / Giallo Production / Footprint Investment Fund /Opera Films / Media Films; Produtores Executivos: David Milner, Luis de Val, Oscar Generale, Patricia Eberle, Martin McCourt, Lisa Lambert, Nesim Hason, Billy Dietrich, Donald A. Barton, Claudio Argento, Simona Politi; País: EUA / Reino Unido / Espanha/ Itália; Ano: 2009; Duração: 92 minutos; Distribuição: Lionsgate Films (EUA), New Films Romania (Roménia) / Hannibal Pictures; Estreia: 25 de Junho de 2009 (Festival de Edimburgo, Reino Unido), 31 de Maio de 2010 (Roménia).

Equipa técnica:

Realização: Dario Argento; Produção:Rafael Primorac, Richard Rionda Del Castro, Adrien Brody; Produtores Associados: Aitana de Val, John S. Hicks; Argumento: Dario Argento, Jim Agnew, Sean Keller; Música: Marco Werba; Fotografia: Frederic Fasano; Montagem: Roberto Silvi; Design de Produção: Davide Bassan; Figurinos: Stefania Svizzeretto; Caracterização: Giancarlo Del Brocco; Efeitos Especiais de Caracterização: Sergio Stivaletti; Efeitos Especiais: Marco Corridori, Renato Agostini; Efeitos Visuais: Chris Ervin (VelocityApe FX; Direcção de Produção: Emanuela Minoli.

Elenco:

Adrien Brody (Inspector Enzo Avolfi / Giallo [como Byron Deidra]), Emmanuelle Seigner (Linda), Elsa Pataky (Celine), Robert Miano (Inspector Mori), Valentina Izumi (Keiko), Sato Oi (Midori), Luis Molteni (Sal), Taiyo Yamanouchi (Toshi), Daniela Fazzolari (Sophia), Nicolò Morselli (Jovem Enzo), Giuseppe Lo Console (Talhante), Anna Varello (Mulher do Talhante), Franco Vercelli (Taxista), Lorenzo Pedrotti (Rapaz de Entregas), Farhad Re (Designer), Barbara Mautino (Enfermeira), Silvia Spross (Mulher Russa), Cesare Scova (Lojista), Lynn Swanson (Guia Turística), Massimo Franceschi (Médico Legista), Andrea Redavid (Polícia), Alberto Onofrietti (Polícia), Lorenzo Iacona (Investigador), Giancarlo Judica Cordiglia (Sargento de Atendimento), Salvatore Rizzo (Segurança), Lorenzo Ceppodomo (Enzo Avolfi, Criança), Cristiana Maffucci (Violetta), Liam Riccardo (Giallo, Criança), Linda Messerklinger (Vítima), Patrick Oldani (Guarda de Segurança no Aeroporto).