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Dario Argento

Há alguns meses, no podcast Universos Paralelos, tivemos como tema Dario Argento. Decidi então aproveitar trabalho e, após os filmes vistos para o preparar, foi só ver mais alguns e fiquei com um ciclo preparado para A Janela, sobre um realizador muito peculiar.

Para lançar o ciclo ficam as palavras da Clara Fonseca Borges.

Texto de Clara Fonseca Borges
Produtora cultural

Transcendente, Profundo e Surpreendente. São três adjetivos fortes que podiam chegar para caracterizar o trabalho de Dario Argento, mas a complexidade e perfeccionismo do realizador não se reduzem apenas a três palavras.

“Algo de estranhamente perceptível vai acontecer” é um pensamento que nos assola a mente a certa altura, em cada filme de Argento. Eventos sórdidos, sangue, giallo (que não significa só cor amarela). Desinquietar sem grandes “filmes”. Direto e gráfico. Vermelho profundo, sonoramente cativante.

Nascido nos anos 40 do passado século, em Roma, cidade palco da Lenda de Rómulo e Remo e dona de uma documentação histórica riquíssima, onde Dario, ainda hoje, explora uma loja de memorabilia de terror de nome Profondo Rosso.

As influências diversas, o impressionante usar de um dote para o suspense e terror que nos leva também à exploração de lendas ou rituais,muitas vezes presentes.

Em 1970, sai o primeiríssimo: “The Bird with the Crystal Plumage” e a partir daqui um por ano foi aparecendo. “Suspiria” (1977) é diferente, e vem para ser um sucesso a longo prazo, assim como o já muitíssimo referido “Profondo Rosso”.

A banda sonora, peça chave dos filmes de Argento, esteve na maior parte dos casos atribuída aos Goblin, banda de rock progressivo italiana de referência, liderada por Claudio Simonetti, que mais tarde musicou filmes em nome próprio.

Surgem as trilogias, aclamadas pela crítica, a “Animal Trilogy” [1971-1973] e “Three Mothers” iniciada nos anos 70, mas só terminada em meados dos recheados anos 90.

Dario Argento é sobretudo um nome a reter. O cinema, o giallo de qualidade num ecrã. A não perder, porque quando um realizador nos enche as medidas, nada melhor do que voltar sempre à sua obra.

PS: Escrito ao som da banda sonora do Profondo Rosso-Goblin, que desde já aconselho como filme e discos introdutórios deste imaginário.

 

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