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The Woman in Black 2: Angel of Death Com o Blitz da Segunda Guerra Mundial a assolar Londres, muitas famílias enviam os seus filhos para fora da cidade. Acontece isso com a escola dirigida por Jean Hogg (Helen McCrory), que com a ajuda da mais jovem Miss Parkins (Phoebe Fox), leva um grupo de crianças para Eel Marsh Manor. Só que, logo à chegada, não é só a decrepitude do lugar que desmoraliza Miss Parkins. Cedo ela começa a ser atormentada por pesadelos, e pela ideia de que há mais alguém na mansão que a vigia e à crianças. Medo esse que se avoluma quando uma das crianças desaparece.

Análise:

Dado o relativo sucesso de “A Mulher de Negro” (The Woman in Black, 2012), realizado por James Watkins, e protagonizado por Daniel Radcliffe, a Hammer Films produziu em 2015 aquela que seria a sua primeira sequela desde “Frankenstein E o Monstro do Inferno” (Frankenstein and the Monster from Hell, 1974), realizado por Terence Fisher. Tratava-se de “The Woman in Black 2: Angel of Death”, que recuperava a figura do fantasma vingativo criada por Susan Harris, e voltava às paisagens nevoeirentas da velha mansão de Eel Marsh, no promontório que se tornava ilha com a subida das marés.

Desta vez a acção decorre décadas depois, em plena Segunda Guerra Mundial, quando um conjunto de crianças londrinas são enviadas pelos pais, num programa de protecção que as recoloca longe do Blitz que assola a cidade. Entre elas, está o recente órfão Edward (Oaklee Pendergast), que merece atenção especial da educadora Eve Parkins (Phoebe Fox), já que, com o trauma da perda da família, o petiz não mais voltou a falar. Em Eel Marsh, sob a direcção de Jean Hogg (Helen McCrory), as crianças estabelecem-se, com Edward a isolar-se dos restantes, enquanto Miss Parkins começa a ter estranhos sonhos, e a sentir que uma presença a vigia. Com a morte de um dos rapazes, que passava o tempo a atormentar Edward, Miss Parkins começa a crer que a casa está assombrada, e que Edward tem uma qualquer ligação aos espíritos, pelo que convence o aviador Harry Burnstow (Jeremy Irvine), um militar que a visita frequentemente, para que levem as crianças dali. Só que, na base militar, a tragédia volta a atacar, com a estranha presença de uma mulher de negro a fazer-se sentir numa tempestade, e a provocar o desaparecimento de Edward. Com o grupo a ser levado dali, Miss Parkins acredita que a mulher de negro tem Edward nos pântanos em torno de Eel Marsh, e volta lá, encontrando-o quando este se ia afogar. Ao tentar salvá-lo, ela própria é arrastada para o fundo, sendo salva em última instância por Harry, que morre no seu lugar.

Se “A Mulher de Negro 2: Anjo da Morte” tem como pontos positivos o regresso a uma mansão que já antes nos assombrara, mantendo toda a cenografia e fotografia de exteriores, e com um salto temporal para os anos 1940 (com a aldeia circundante tornada uma aldeia fantasma, onde não falta um resistente/louco, com histórias trágicas para contar), que actualiza a história, colocando-a ao lado de uma outra tragédia que foi a Segunda Guerra Mundial, por outro lado sente-se sempre uma maior leviandade no tratamento do material que resultara tão bem em 2012.

Talvez porque a ida para Eel Marsh pareça agora mais gratuita (as crianças seriam mesmo levadas para uma mansão a ruir?), ou até porque a lógica por detrás da presença da mulher de negro seja agora mais indecifrável, uma vez que o primeiro filme parece ter resolvido o seu problema – enterrar o filho morto tragicamente anos antes. Há agora uma estranha ligação entre a fantasma e a protagonista, expressa em sonhos que demoramos a compreender, e que torna o filme uma espécie de vingança contra mães que abandonam filhos, e não simples vingança sobre crianças. O problema é que se o motivo mudou – aparentemente Miss Parkins teve um aborto anteriormente, e isso aborrece a mulher de negro – ele acaba por se concretizar da mesma forma, isto é, sobre as crianças.

Por isso, a partir do momento em que chegamos à mansão, sabemos o que nos espera, e – agora com muita gente presente – sabemos que não faltarão oportunidades de matar as criancinhas. Com tudo isso dado, o filme torna-se um jogo de gato e de rato com o espectador para que se adivinhe onde está a próxima aparição, seja uma sombra, um ruído, ou um vulto difuso no cenário. A fotografia demasiado negra, e com um contraste duvidoso, não ajuda a dar subtileza às cenas em que esta era fundamental, e cedo se salta para a guerra total entre Miss Parkins e a fantasma, a qual será resolvida tal como no filme anterior.

Elogiando-se a cenografia, a interpretação de Phoebe Fox e todo o ambiente bizarro envolvendo as crianças, o argumento torna-se no entanto algo disperso (o papel de Harry é absurdo, bem como a sua aparição final providencial deus ex machina), não sabendo capitalizar aquele que se vai tornando o tema principal: a luta de duas mulheres, uma delas um anjo da morte e a outra a protectora da vida (que até se chama Eva), com tudo o que isso tem de bíblico. O resultado é o uso de um cenário e história já conhecidos, para se conseguir alguns sustos sem substância.

Imagem de "The Woman in Black 2: Angel of Death" (2015), de Tom Harper

Produção:

Título original: The Woman in Black 2: Angel of Death; Produção: Hammer Films / Talisman Productions / Exclusive Media Group / Alliance Films / Vertigo Entertainment; Produtores Executivos: Marc Schipper, Guy East, Nigel Sinclair, Neil Dunn, Graeme Witts, Xavier Marchand, Ryan Kavanaugh, Tucker Tooley, Roy Lee, Richard Toussaint, Wade Barker; Co-Produtores Executivos: Mark Roberts, Ross Jacobson, Sheldon Rabinowitz; País: Reino Unido / Canadá; Ano: 2015; Duração: 99 minutos; Distribuição: Momentum Pictures (Reino Unido), Relativity Media (EUA); Estreia: 30 de Dezembro de 2014 (Emiratos Árabes Unidos), 1 de Janeiro de 2015 (Reino Unido).

Equipa técnica:

Realização: Tom Harper; Produção: Richard Jackson, Simon Oakes, Ben Holden, Tobin Armbrust; Co-rodução: Jane Hooks, Ian Watermeier; Produtores Associados: Susan Hill, Jillian Longnecker, Aliza James, Spyro Markesinis, Laura Wilson; Argumento: Jon Croker [a partir de uma história de Susan Hill]; Música: Marco Beltrami, Marcus Trumpp, Brandon Roberts, Jack C. Arnold (Nursery Rhyme); Música Adicional: Jordan Seigel; Orquestração: Jordan Seigel; Fotografia: George Steel; Montagem: Mark Eckersley; Design de Produção: Jacqueline Abrahams; Direcção Artística: Andrew Munro; Cenários: Jille Azis; Figurinos: Annie Symons; Caracterização: Cate Hall; Efeitos Especiais: Nick Rideout; Efeitos Visuais: Henry Badgett (Bluebolt); Direcção de Produção: Eve Swannell.

Elenco:

Phoebe Fox (Eve Parkins), Jeremy Irvine (Harry Burnstow), Helen McCrory (Jean Hogg), Adrian Rawlins (Dr. Rhodes), Leanne Best (A Mulher de Negro), Ned Dennehy (Eremita Jacob), Oaklee Pendergast (Edward), Jude Wright (Tom), Amelia Pidgeon (Joyce), Casper Allpress (Fraser), Amelia Crouch (Flora), Leilah de Meza (Ruby), Pip Pearce (James), Alfie Simmons (Alfie), Merryn Pearse (Rapariga no Metro), Mary Roscoe (Mulher no Metro), Thomas Arnold (Homem na Estação), Eve Pearce (Alice Drablow).