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The ResidentJuliet Devereau (Hilary Swank), é uma médica residente num hospital de Nova Iorque, em busca de apartamento, depois de se ter separado do namorado que a traiu. Após alguma procura, a escolha ideal parece ser um apartamento a baixo custo, acabado de renovar pelo solteiro e atraente Max (Jeffrey Dean Morgan), um senhorio simpático e prestável. Só que, por entre o dia-a-dia agitado, a recusa das chamadas do insistente ex-namorado Jack (Lee Pace), alguma atracção por Max, e estranhos ruídos nocturnos, e constantes dificuldades em acordar, Juliet vai começando a sentir que talvez não esteja sozinha em casa.

Análise:

A partir de um argumento de Antti Jokinen e Robert Orr, com realização do primeiro, a Hammer filmou em Nova Iorque – em apenas 30 dias e num orçamento apertado – o seu quarto filme desde o regresso em 2008. Tendo uma incrível semelhança ao excelente thriller espanhol do mesmo ano “Enquanto Dormes” (Mientras Duermes, 2011), de Jaume Balagueró, “Perigo à Espreita” marcava o regresso à Hammer de Christopher Lee, naquele que era o seu primeiro filme para a produtora desde “O Emissário do Diabo” (To the Devil a Daughter, 1976), de Peter Sykes, e o último com ela até à sua morte em 2015.

O filme de Antti Jokinen conta a história de Juliet Devereau (Hilary Swank), uma médica residente do serviço de emergências num hospital de Nova Iorque, cuja recente separação leva a procurar um novo apartamento. A escolha recai num apartamento renovado e abaixo do valor normal, propriedade de Max (Jeffrey Dean Morgan), por quem Juliet sente alguma atracção. Ao mesmo tempo que Juliet vai sentindo o flirt com Max crescer, tem também estranhas sensações de que não está sozinha em casa, o que a vai levar a instalar sistemas de vigilância, principalmente depois de começar a ter dificuldades em acordar todas as manhãs, e depois de um episódio de sedução terminar mal, quando Juliet pede a Max que páre, pois começa a sentir-se culpada perante o ex-namorado. Com esse ex-namorado, Jack (Lee Pace), a conseguir o perdão de Juliet e consequente reconciliação, Max – que entretanto percebêramos, espia Juliet em casa por buracos dissimulados e espelhos semi-transparentes, acedendo-lhe por passagens secretas – vai começar a tornar-se mais intrusivo e violento, tentando violá-la no sono depois de a drogar. Percebendo pelas imagens gravadas o que se passa, Juliet enfrenta o assalto final de Max, descobrindo as passagens secretas, e o corpo de Jack, já morto por Max, conseguindo finalmente matá-lo usando uma pistola de pregos.

Talvez a melhor forma de perceber o que corre mal em “Perigo à Espreita” seja ver o seu congénere espanhol “Enquanto Dormes”. Logo à cabeça pode-se dizer que o erro começa na escolha do elenco, com Jeffrey Dean Morgan – que recentemente contracenara com Hilary Swank no drama romântico “P.S. I Love You” (2007), de Richard LaGravenese –, a nunca conseguir libertar-se de um ar docemente perdido que acaba por inspirar mais simpatia que medo. Por seu lado, Swank, habituada a interpretar mulheres fortes em ecrã, nunca nos parece perder completamente o controlo da situação, sendo ela a decidir os ritmos e nuances da sua relação com o estranho senhorio. Por outro lado, com um primeiro acto sem nada para contar que não seja dizer-nos que há um voyeur que percebemos logo quem é, e com um segundo acto demasiado repetitivo, nada fica para a nossa imaginação, e mais uma vez remete-se para a comparação com o filme espanhol, onde todos os detalhes da intrusão vão sendo construídos de um modo que nos surpreende e choca, por uma personagem que ganha o nosso horror a cada cena, e uma vítima que não conseguimos deixar de sentir completamente indefesa.

Tendo como pontos positivos os interiores sugestivos, e o uso da luz para criar suspeita e inquietude no espectador (e na protagonista), tal não disfarça alguma falta de ideias. Infelizmente o filme fica muito aquém do que promete, cometendo muitos outros erros, como um início em falsa partida em jeito de drama romântico, o sub-aproveitamento do personagem de Christopher Lee, e a aparição dúbia de Lee Pace, que provavelmente os autores querem que traga ambiguidade sobre quem é o stalker, ambiguidade essa que nunca resulta.

Jeffrey Dean Morgan e Hilary Swank em "Perigo à Espreita" (The Resident, 2011) de Antti Jokinen

Produção:

Título original: The Resident; Produção: Exclusive Media Group /
Hammer Films / Avenue Pictures; Produtores Executivos: Tom Lassally, Renny Harlin, Hilary Swank, Alexander Yves Brunner, Nigel Sinclair; País: Reino Unido / EUA; Ano: 2011; Duração: 91 minutos; Distribuição: Icon Film Distribution (Reino Unido), Image Entertainment (EUA); Estreia: 10 de Fevereiro de 2011 (DVD e Blu-ray), 18 de Fevereiro de 2011 (EUA), 31 de Março de 2011 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Antti Jokinen; Produção: Simon Oakes, Guy East, Cary Brokaw, Tobin Armbrust; Co-Produção: Vicki Dee Rock, Jillian Longnecker; Argumento: Antti Jokinen, Robert Orr; Música: John Ottman; Orquestração: Jason Livesay, Nolan Livesay; Fotografia: Guillermo Navarro [fotografia digital, cor por FotoKem]; Montagem: Stuart Levy, Bob Murawski; Design de Produção: J. Dennis Washington; Direcção Artística: Guy Barnes; Cenários: Wendy Ozols-Barnes; Figurinos: Ann Roth; Caracterização: Blair Leonard; Efeitos Especiais: Werner Hahnlein; Efeitos Visuais: David Stump; Direcção de Produção: Anne Johns, Lucille Smith (Nova Iorque).

Elenco:

Hilary Swank (Dra. Juliet Devereau), Jeffrey Dean Morgan (Max), Lee Pace (Jack), Aunjanue Ellis (Sydney), Christopher Lee (August), Sean A. Rosales (Carlos), Deborah Martinez (Mrs. Portes), Sheila Ivy Traister (Enfermeira no Serviço de Urgências), Michael Showers (Médico de Urgências de August), Nana Visitor (Agente Imobiliária), Arron Shiver (Arquitecto), Michael Badalucco (Homem das Mudanças), Michael Massee (Técnico de Serviços de Segurança), Penny Balfour (Drogado), Mark Morocco (Cirurgião no Serviço de Urgências), Veronica Hool (Enfermeira).