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Pollock Jackson Pollock (Ed Harris) é um pintor em descrédito, às portas da Segunda Guerra Mundial, da qual é isentado por problemas psiquiátricos. Vivendo com o irmão Sande (Robert Knott) e a cunhada (Molly Regan), a situação familiar é muito complicada, até que Pollock conhece a também pintora Lee Krasner (Marcia Gay Harden), que se interessa pela sua obra e o incita, iniciando uma relação que levará ao casamento, e na qual Lee funciona como agente de Pollock, trazendo-lhe o interesse da mecenas Peggy Guggenheim (Amy Madigan) e do crítico Clement Greenberg (Jeffrey Tambor), que vão tornar a sua obra conhecida em todo o mundo.

Análise:

Desde que leu o livro, e prémio Pulitzer, “Jason Pollock: An American Saga” de Steven Naifeh e Gregory White Smith, que o conhecido actor Ed Harris sonhou adaptar ao grande ecrã a biografia do revolucionário pintor norte-americano Jackson Pollock (1912-1956), um expoente do expressionismo abstracto do século XX. Passaram cerca de dez anos, até Harris conseguir materializar o seu sonho, o que veio a acontecer quando o actor juntou forças ao produtor Peter M. Brant, com quem produziu a obra que a Sony viria a distribuir com grande sucesso, e com honras de várias nomeações aos Oscars, incluindo a estatueta para Marcia Gay Harden na categoria de Melhor Actriz Secundária.

Iniciando-se em 1941, depois de um plano de 1950 com Jackson Pollock (Ed Harris), em plena fama, a assinar fotos suas na revista “Life”, “Pollock” mostra-nos um pintor desiludido consigo próprio e com a sua arte, a viver em casa do irmão Sande (Robert Knott), cuja mulher (Molly Regan) não suporta mais os acessos de mau génio do cunhado. O encontro com a pintora Lee Krasner (Marcia Gay Harden), que se interessa imediatamente pela pintura de Pollock, é um ponto de viragem, já que esta decide incentivar Pollock, iniciando uma relação com ele, em que vivem juntos, e na qual ela funciona como empresária dele, numa altura em que Pollock (cujas crises psicológicas o haviam isentado da guerra) já se refugia na bebida como modo de fugir aos conflitos. Com o interesse de Peggy Guggenheim (Amy Madigan), começam as exposições e o interesse do público e da crítica. Inicialmente incompreendido, depois de se mudar com Lee para Springs (Long Island), casar com ela e chegar à técnica que se tornaria a sua imagem de marca: o drip painting, Pollock, além do patrocínio de Peggy Guggenheim, consegue a aprovação do crítico Clement Greenberg (Jeffrey Tambor),e a sua carreira começa a chamar a atenção. Mas nem a fama e o reconhecimento público o acalmam, e Pollock continua entre crises de insegurança, bebida, acessos de raiva, e amantes. É quando começa a assumir um caso com Ruth Kligman (Jennifer Connelly) que a relação com Lee Krasner se deteriora, e é numa ausência desta na Europa que Pollock morre num acidente de automóvel quando seguia com Ruth e uma amiga dela.

Centrando-se quase fundamentalmente na personalidade de Jackson Pollock, e no seu relacionamento tempestuoso com Lee Krasner, o filme de Ed Harris mostra-nos um homem sempre perturbado, que foi isentado da Segunda Guerra Mundial por motivos psiquiátricos (hoje imagina-se que bipolaridade), era fortemente inseguro e auto-crítico da sua arte, o que o levava a longos períodos de inactividade, da qual escapava pela bebida. Incapaz de estabelecer laços afectivos positivos, Jackson Pollock, que se mudou para Nova Iorque com o irmão para estudar pintura, facilmente alienava os mais próximos com acessos de raiva que disfarçavam a sua inabilidade em lidar com situações pessoais. Nesse sentido, o filme mostra-nos a chegada de Lee Krasner como uma salvação, já que a pintora vê além da fachada exterior, percebendo o artista e a alma em conflito, dedicando-se a trazer dele o melhor. Tal resulta numa relação longa, mas tumultuosa, onde a paz raramente está presente, mas onde outras forças – a abnegação de Lee, a dependência de Jackson e o colocar da pintura acima de tudo – conseguem vencer obstáculos e criar condições para que Pollock consiga triunfar.

Mas, sempre como uma criança que precisa de destruir antes de criar, Jackson Pollock nunca é verdadeiramente feliz, e volta a entregar-se repetidamente à bebida e a relações destrutivas do seu casamento, para não falar já na forma violenta e desrespeitosa com que tratava o círculo à sua volta. E nesse carrossel emocional, o destaque é mesmo Lee Krasner, numa interpretação que valeu o Oscar de Melhor Actriz Secundária a Marcia Gay Harden, notável pela sua perseverança e fé inabalável no pintor com quem casou.

Com Ed Harris numa das suas melhores interpretações, e candidato a um Oscar que não venceu, “Pollock” revolve em torno de estados emocionais, que nos são transmitidos até na forma de filmar, nervosa às vezes, rápida ou lenta quando o estado mental do protagonista o justifica, num competente filme de época que nos traz o espírito dos anos 50 entre a elite artística nova-iorquina. Ed Harris destaca-se ainda pelo facto de ser ele próprio a pintar quando vemos Pollock em acção, e isso representa grande parte do filme, onde a acção física de pintar ajuda a compor o personagem. Os quadros finais têm a autoria de Lisa Lawley (nos quatros até 1947), Bruno Robuti, no caso de “Summertime”, Dianne Schlies em “Cotton Pickers” and “Going West” e o grupo The Scenic Artists of New York Local 829 (nos quadros de Pollock e Krasner entre 1947 e 1956). Já os quadros de Lee Krasner até 1945, foram pintados por Margaret von Biesen.

Ed Harris em "Pollock" (2000), realizado pelo próprio

Produção:

Título original: Pollock; Produção: Brant-Allen / Fred Berner Films / Pollock Films / Zeke Productions; Produtores Executivos: Peter Brant, Joseph Allen; País: EUA ; Ano: 2000; Duração: 123 minutos; Distribuição: Sony Pictures Classics; Estreia: 6 de Setembro de 2000 (Festival de Veneza, Itália), 15 de Dezembro de 2000 (EUA), 25 de Maio de 2001 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Ed Harris; Produção: Fred Berner, Ed Harris, Jon Kilik, James Francis Trezza; Co-Produção: Cecilia Kate Roque;Produtores Associados: Candy Trabuco, Heiner Bastian; Argumento: Barbara Turner, Susan Emshwiller [a partir do livro “Jason Pollock: An American Saga” de Steven Naifeh e Gregory White Smith]; Música: Jeff Beal; . Fotografia: Lisa Rinzler [filmado em PanaVision]; Montagem: Kathryn Himoff; Design de Produção: Mark Friedberg; Direcção Artística: Teresa Mastropierro, Peter Rogness; Cenários: Carolyn Cartwright; Figurinos: David C. Robinson; Caracterização: Ma Kalaadevi Ananda [como Marilyn Carbone]; Efeitos Especiais: Steven Kirshoff, Mark Bero; . Direcção de Produção: Meryl Emmerton.

Elenco:

Ed Harris (Jackson Pollock), Marcia Gay Harden (Lee Krasner), Tom Bower (Dan Miller), Jennifer Connelly (Ruth Kligman), Bud Cort (Howard Putzel), John Heard (Tony Smith), Val Kilmer (Willem DeKooning), Robert Knott (Sande Pollock), David Leary (Charles Pollock), Amy Madigan (Peggy Guggenheim), Sally Murphy (Edith Metzger), Molly Regan (Arloie Pollock), Stephanie Seymour (Helen Frankenthaler), Matthew Sussman (Reuben Kadish), Jeffrey Tambor (Clem Greenberg), Sada Thompson (Stella Pollock), Norbert Weisser (Hans Namuth), Eulala Scheel [como Eulala Grace Harden] (Arloie’s Baby), Everett Quinton (James Johnson Sweeney), Annabelle Gurwitch (May Rosenberg), John Rothman (Harold Rosenberg), Kenny Scharf (William Baziotes), Tom McGuinness (Franz Kline), Katherine Wallach (Barbara Kadish), Cassandra Clewicki (Criança Kadish), Sloane Shelton (Dot Miller), Jake (Jovem Gyp), Eduardo Machado (Alfonso Ossorio), Moss Roberts (Ted Dragon), Robert O’Neill (Herbert Matter), Isabelle Townsend (Mercedes Matter), Jennifer Piech (Jovem Ruiva), Rebecca Wisocky (Dorothy Seiberling), Linda Emond (Martha Holmes), Tony Palazzolo (Rapaz de Entregas), Barbara Garrick (Betty Parsons), David Cale (William Wright), Claire Beckman (Vita Peterson), Stephen Beach (Jay Pollock), Jill Jackson (Alma Pollock), Donna Mitchell (Elizabeth Pollock), Sondra Jablonski (Jeremy Pollock), Frank Wood (Frank Pollock), Julie Anna Rose (Marie Pollock), Kyle Timothy Smith (Jonathan Pollock),April Petroski (Karen Pollock) , Nicholas Petroski (Jason Pollock), Noah Petroski (Jason Pollock), Trecker (Velho Gyp), Bob L. Harris (Veterinarian), John Madigan (Voz na Rádio).