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National Lampoon's Christmas Vacation Clark Griswold (Chevy Chase) faz questão de que o seu Natal seja o mais tradicional possível, cumprindo religiosamente todos os rituais, e tornando cada momento memorável. Para isso precisa da maior árvore de Natal, das maiores iluminações, etc. arrastando a esposa Ellen (Beverly D’Angelo) e os filhos Audrey (Juliette Lewis) e Rusty (Johnny Galecki) em infindáveis tarefas altamente pomposas. A chegada dos pais e sogros, mais uns quantos primos e tios vem aumentar o stress e ajudar à confusão, fazendo com que todos os planos acabem em desastre, quase arruinando a noite de Natal e toda a família.

Análise:

Baseando-se em antigos contos da revista National Lampoon, surgiu, na década de 1980, uma série de três comédias dedicadas a épocas de férias, iniciada com “Que Paródia de Férias” (National Lampoon’s Vacation, 1983), de Harold Ramis, e “Que Paródia de Férias! Perigo: Americanos na Europa” (National Lampoon’s European Vacation, 1985), de Amy Heckerling, ambas escritas por John Hughes e interpretados por Chevy Chase e Beverly D’Angelo. O terceiro filme seria este “Que Paródia de Natal”, escrito e interpretado pelos mesmos nomes, agora com John Hughes também como produtor, e com realização do quase desconhecido Jeremiah S. Chechik, que aqui se estreava em cinema, substituindo o previamente escolhido Chris Columbus, que se incompatibilizara com Chevy Chase.

Como sempre nos filmes da National Lampoon, tudo gira em torno do exagero que Clark Griswold (Chevy Chase) coloca em cada tarefa, tornando cada momento com a família num elaborado, detalhado e grandioso empreendimento, que sufoca tudo e todos à sua volta. Desta vez, começando com uma viagem à floresta com a família – a esposa Ellen (Beverly D’Angelo) e os filhos Audrey (Juliette Lewis) e Rusty (Johnny Galecki) – para o ritual corte de um pinheiro (que não cabe na sala sem partir algumas janelas), os preparativos para o Natal continuam com exageradíssima iluminação exterior da casa. Como se não bastasse, o casal Griswold vai receber os dois pares de progenitores, chegando ainda, inesperadamente o pacóvio primo Eddie (Randy Quaid), com mulher, filhos e cão, e os semi-senis tios Lewis (William Hickey) e Bethany (Mae Questel). O stress de lidar com toda aquela gente é acrescentado do facto de Clark ter contraído um empréstimo para construir uma piscina, a contar com um bónus de final de ano, que nunca mais chega. De peripécia em peripécia, as inépcias de Clark e as constantes brigas na família vão levar a desastre após desastre, como é o incêndio da árvore de Natal. Quando Clark conta que, por não receber o bónus, a família está em risco, Eddie rapta Frank Shirley (Brian Doyle-Murray), o patrão de Clark, levando à intervenção da polícia que cerca a casa dos Griswold. Mas tudo se resolve, com Frank a perceber o erro de ter cancelado os bónus, e a perdoar Clark. Claro que para acabar, o tio Lewis acende um charuto sobre o local onde Eddie tinha despejado químicos da sua auto-caravana, levando a enormes explosões, que parecem fogo-de-artifício, pondo a tia Bethany e todos os outros a cantar o hino como se fosse 4 de Julho.

Nem sempre bem visto, pela sua tendência para um exagero algo cabotino, o humor de Chevy Chase equipara-se à personalidade do seu personagem Clark Griswold. O eterno sorriso aberto de pateta alia-se a um olhar quase de psicopata, sempre que decide subir de nível o exagero das suas preparações, para o deixar sempre em maus lençóis. Acompanhado pela esposa que, ainda que aqui e ali, duvide dos resultados, o apoia sempre cheia de fé, e de dois filhos que se envergonham dele tanto quanto têm dele uma certa pena, Clark vive alienado da razão, pois, para ele, cumprir os rituais são a prova de que a família existe, triunfa e está ao nível de qualquer outra. Que o digam os vizinhos (Julia Louis-Dreyfus e Nicholas Guest), que acabam sempre vítimas dos desastres provocados por Clark.

Há no filme uma clara sátira ao vazio que se esconde por trás dos rituais, onde aparência e pompa são tudo. Por isso Clark já se esqueceu do espírito da época, e quer apenas cumprir uma «checklist» na qual precisa da maior árvore, da mais fantástica iluminação, e de impressionar familiares e vizinhos no que crê ser uma prova do seu valor. Claro que não há bela sem senão, e os familiares de Clark não se impressionam com nada, nem sequer sabem dar valor a coisa nenhuma, mais preocupados com brigas domésticas e ninharias sem interesse. Mas desastre após desastre, Clark irá passar por sustos suficientes para aprender a sua lição.

Mantendo a escrita de John Hughes, e o estilo da comédia de herança de desenho animado, que Harold Ramis e Amy Heckerling imprimiram à série, “Que Paródia de Natal” vive nesse território onde o humor provém de situações dignas de episódios dos Loonie Tunes (não estivéssemos nós na Warner Bros.). Este é feito de explosões, roupas (e cabelos) em chamas, cães terroristas, quedas aparatosas, objectos que voam por todo o lado, e até o ataque de um esquilo, situações às quais Chevy Chase responde sempre com a sua cara de pau, como se nada fosse, na boa tradição do antigo slapstick.

Não sendo, por isso um filme para todos os gostos – quem detesta Chevy Chase não se deve aproximar dele –, “Que Paródia de Natal” tem alguns momentos bem conseguidos, fruto de um guião conciso, personagens coloridas (mesmo que personagens-tipo de desenho animado), e boas ideias. Só que estas caiem muitas vezes no exagero… como se fossem teimosias do próprio Clark.

O filme foi um óbvio sucesso na quadra natalícia, estando repetidamente na televisão em cada Natal. Quanto à série National Lampoon, seria ressuscitada em 1997 com “Férias em Vegas” (Vegas Vacation), de Stephen Kessler, novamente com Chevy Chase, Beverly D’Angelo, e Randy Quaid, tendo uma espécie de reboot em 2015 com “Férias” (Vacation), de John Francis Daley, Jonathan Goldstein, com Ed Helms no papel de Rusty Griswold, o filho de Clark, a seguir as trapalhonas pisadas do pai. Pelo meio houve ainda, em 2003, uma spin-off dedicada ao primo Eddie, e uma curta de 2010 também com Chase e D’Angelo.

Chevy Chase e Beverly D'Angelo em "Que Paródia de Natal" (National Lampoon's Christmas Vacation, 1989), de Jeremiah S. Chechik

Produção:

Título original: National Lampoon’s Christmas Vacation; Produção: Warner Bros. / Hughes Entertainment; Produtores Executivos: Matty Simmons, Daniel Grodnik [não creditado]; País: EUA; Ano: 1989; Duração: 93 minutos; Distribuição: Warner Bros.; Estreia: 30 de Novembro de 1989 (EUA), 21 de Dezembro de 1990 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Jeremiah S. Chechik; Produção: John Hughes, Tom Jacobson; Produtores Associados: William S. Beasley / Mauri Syd Gayton / Ramey E. Ward; Argumento: John Hughes; Música: Angelo Badalamenti; Orquestração: Charles Samek, Andrew Barrett, Angelo Badalamenti; Supervisão Musical: Ron Payne; Fotografia: Thomas E. Ackerman [filmado em Panavision, cor por Technicolor]; Montagem: Gerald B. Greenberg, Michael A. Stevenson; Design de Produção: Stephen Marsh; Direcção Artística: Beala Neel; Cenários: Lisa Fischer; Figurinos: Michael Kaplan; Caracterização: Lee Harman; Efeitos Especiais: Allen Hall, Gary L. Karas; Efeitos Visuais: Justin Klarenbeck, David McCullough.

Elenco:

Chevy Chase (Clark W. “Sparky” Griswold, Jr.), Beverly D’Angelo (Ellen Griswold), Randy Quaid (Primo Eddie Johnson), Miriam Flynn (Prima Catherine Johnson), William Hickey (Tio Lewis), Mae Questel (Tia Bethany), Diane Ladd (Nora Griswold, Mãe de Clark), John Randolph (Clark, Sr., Pai de Clark), E.G. Marshall (Art Smith, Pai de Ellen), Doris Roberts (Francis Smith, Mãe de Ellen), Juliette Lewis (Audrey Griswold), Johnny Galecki (Rusty Griswold), Julia Louis-Dreyfus (Margo Chester), Nicholas Guest (Todd Chester), Ellen Latzen (Ruby Sue Johnson), Brian Doyle-Murray (Frank Shirley), Natalija Nogulich (Mrs. Shirley), Cody Burger (Rocky Johnson), Sam McMurray (Bill), Nicolette Scorsese (Mary), Alexander Folk (Agente de Intervenção), Keith MacKechnie (Rapaz de Entregas), Tony Epper (Bozo #1), Billy Hank Hooker (Bozo #2), Jeremy Roberts (Polícia), Woody Weaver (Polícia), Michael Kaufman (Jovem Executivo, Doug Llewelyn (Anunciante da Parada – Voz).

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