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Ingrid Bergman

Se há rosto com que identificamos o cinema clássico de Hollywood, ele é o de Ingrid Bergman, paradoxalmente, uma actriz sueca.

“Levada” para os Estados Unidos por David O. Selznick, Ingrid Bergman destacou-se desde logo pela sua relutância a ser convertida numa pin-up ao gosto americano, mesmo que o produtor tenha torcido o nariz aos seus lábios e sobrancelhas que não se enquadravam nos formatos de sucesso experimentados. Ingrid disse que nada aceitaria que a tornasse diferente da pessoa que sempre fora, e Selznick terá (como confessou por escrito a amigos) ficado tão sensibilizado com a candura e naturalidade da actriz, que decidiu consentir. O resultado não podia ser melhor, e se uma década antes a sua conterrânea Greta Garbo seduzira os Estados Unidos com a sua persona de mulher fatal, Ingrid seduzia pelo seu lado de simplicidade e inocência.

O estrelato chegou ao quinto filme americano, o popular “Casablanca” (1942), de Michael Curtiz, e para muitos o mais importante filme romântico da história do cinema. Ingrid nem sequer o considerava o seu melhor, mas era aquele que tinha Bogart, e o mito nasceu, o filme nunca parou de crescer em termos de fãs, e é talvez aquele que mais citações trouxe ao vocabulário dos cinéfilos.

Seguiu-se o reconhecimento nos Oscars (venceria dois de Melhor Actriz e um de Melhor Actriz Secundária), e a diversificação de papéis, a que não foi alheia a sua colaboração com Alfred Hitchcock. A queda de popularidade viria nos anos 1950, quando Bergman deixou marido e a filha Pia, para rumar a Itália, fascinada pelo cinema de Roberto Rossellini, com quem viria depois a casar, e de quem teve três filhos. O facto de ter iniciado uma relação extra-conjugal fez com que os sectores mais conservadores quisessem inclusivamente impedi-la de voltar aos Estados Unidos, o caso foi discutido no parlamento norte-americano, e entrevistas e programas de televisão que contavam com a sua participação foram cancelados. A resposta veio mais tarde, na cerimónia de Oscars de 1958, onde Ingrid foi chamada a apresentar um dos prémios. À sua entrada em palco, recebeu uma tremenda ovação de pé.

Escândalos passados, a actriz sueca voltou a trabalhar nos Estados Unidos desde 1956, tanto em cinema como em televisão, participando nalgumas produções inglesas, como o mediático “O Crime no Expresso do Oriente” (Murder on the Orient Express, 1974) de Sidney Lumet, e trabalhando por fim com o realizador sueco Ingmar Bergman, naquele que foi o seu último filme para cinema, “Sonata de Outono” (Höstsonaten, 1978).

Em homenagem a um dos rostos mais bonitos da história do cinema, que passou por ser também uma das actrizes mais naturais humildes, o que fazia com que todos gostassem de trabalhar com ela, A Janela Encantada dedica-lhe este ciclo, integrado na rubrica “Divas de Hollywood”, onde se fará uma viagem pela carreira americana da actriz.

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