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The Assassin Na China do séc. VIII, a filha de um general é entregue, com dez anos, a uma freira (Fang-yi Sheu) que a inicia na aprendizagem de artes marciais. Já adulta, Nie Yinniang (Shu Qi) torna-se uma assassina profissional, encarregue de matar governadores corruptos. Um dia, falhado o seu objectivo, a sua tutora dá-lhe uma tarefa mais complicada: matar o homem de quem ela esteve noiva anteriormente. Nie Yinniang tem então de fazer uma revisão da sua vida e ligações emocionais, para decidir se mata aquele que ama (Chang Chen), ou quebra o seu voto sagrado.

Análise:

O reputado realizador de Taiwan, Hou Hsiao-hsien, uma das vozes criativas mais proeminentes da chamada Nova Vaga do cinema de Taiwan, esteve oito anos sem filmar, até surgir com “A Assassina”, um filme em que, numa abordagem diferente daquela que lhe era habitual, Hou Hsiao-hsien toca o universo das artes marciais, o chamado wuxia.

Tratou-se de uma co-produção que envolveu Taiwan, China e Hong-Kong, reportando-se na história semi-lendária “Nie Yinniang” de Pei Xing, passada no século VIII, no final do reinado da dinastia Tang, quando as províncias periféricas desafiavam a ordem imperial. Nela, a heroína, Nie Yinniang (Shu Qi), é uma assassina altamente treinada, que a sua mestre, a princesa-freira Jiaxin (Fang-yi Sheu), que a treinou desde os dez anos de idade num mosteiro taoísta, encarrega de matar governadores corruptos. Quando Nie Yinniang falha por compaixão, Jiaxin, para a testar, dá-lhe uma missão ainda mais difícil, ir à sua província natal de Weibo, e matar o governador Tian Ji’an (Chen Chang), primo e antigo noivo de Nie Yinniang. Tal obriga a assassina a confrontar memórias, a presença dos pais, e a decisão de matar o homem que em tempos amou, ou renunciar de vez ao seu destino.

Apesar de classificado como wuxia (isto é, filme de artes marciais chinesas), “A Assassina” é essencialmente um ensaio visual, que espanta pela fotografia, cenários naturais, tratamento da cor (incluindo mesmo sequências a preto e branco), e coreografia de movimentos. O ritmo é declaradamente lento, tanto na acção como na forma de expor as motivações e convoluções do enredo, deixando espaço à contemplação, e fazendo dessa lentidão um aspecto que promove a crescente tensão.

Com um estilo único, Hou capta o lado mais filosófico e humano dos conflitos de poder, e da missão política que está em causa durante a história, deixando que os diálogos e os conflitos interiores transpareçam através das interpretações intensamente contidas dos seus protagonistas. Tudo no filme concorre para esse enaltecer da beleza visual e do movimento, realçados por um sentimento de paz e profundidade trazidos pela câmara, pela cor, pelo silêncio e pelo ritmo. “A Assassina” ganha assim um aspecto poético, para o que contribui também muito de enigmático, onde a atmosfera é sempre mais importante que o detalhe narrativo.

“A Assassina” teve, vários problemas na produção, com necessidade de refinanciamento a meio do projecto, em parte porque ao encontrar novos locais a meio das filmagens, Hou Hsiao-hsien decidiu voltar a filmar sequências já terminadas, resultando numa película final de muitas horas. Para além disso, saliente-se que o filme é falado em chinês clássico, requerendo legendas mesmo na China. Ainda assim, o filme ganhou enorme prestígio internacional, e Hou Hsiao-Hsien ganhou o prémio de Melhor Realizador em Cannes (sendo este o seu sétimo filme a competir no festival), bem como inúmeras outras nomeações em festivais internacionais.

Shu Qi em "A Assassina" (Cìkè Niè Yǐnnián, 2015), de Hou Hsiao-Hsien

Produção:

Título original: Cìkè Niè Yǐnnián/刺客聶隱娘 [Título inglês: The Assassin]; Produção: Central Motion Pictures / China Dream Film Culture Industry / Media Asia Films / Sil-Metropole Organisation / SpotFilms / Zhejiang Huace Film & TV; Produtores Executivos: Chen Yi-Qi, Gou Tai-Chiang, Hou Hsiao-Hsien, Peter Lam, Lin Kuen, Tung Tzu-Hsien; País: Taiwan / China / Hong Kong / France; Ano: 2010; Duração: minutos; Distribuição: ; Estreia: 21 de Maio de 2015 (Festival de Cannes, França), 27 de Agosto de 2015 (China), 17 de Março de 2016 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Hou Hsiao-Hsien; Produção: Hou Hsiao-Hsien, Huang Wen-Ying, Liao Ching-Song; Co-Produção: Yue Ren, Stephen Shin; Argumento: Cheng Ah, T’ien-wen Chu, Hou Hsiao-Hsien, Hsieh Hai-Meng [a partir do conto de Xing Pei]; Música: Lim Giong; Fotografia: Lee Ping Bin [como Mark Lee Ping Bing] [fotografia digital]; Montagem: Huang Chih-Chia, Liao Ching-Song; Design de Produção: Huang Wen-Ying; Direcção Artística: Weng Ding-Yang; Figurinos: Huang Wen-Ying; Efeitos Visuais: Isabelle Chen; Efeitos Especiais: Ardi Lee.

Elenco:

Shu Qi (Nie Yinniang, A Assassina), Chang Chen (Tian Ji’an, o Antigo Noivo), Zhou Yun (Lady Tian), Satoshi Tsumabuki (O Polidor de Espelhos), Ethan Juan [como Juan Ching-Tian] (Xia Jing), Nikki Hsin-Ying Hsieh [como Hsieh Hsin-Ying] (Huji, Comcubina de Tian Ji’an), Ni Dahong (Nie Feng, Pai de Nie Yinniang), Yong Mei (Nie Tian, Mãe de Nie Yinniang), Fang-yi Sheu (Princesa Jiacheng / Princesa-Freira Jiaxin), Lei Zhen Yu (Tien Xing, Tio de Nie Yinniang), Jacques Picoux (Kong Kong, Professor de Lady Tian), Chang Shao-Huai (Chiang Nu), Mei Fang (Avó de Nie Yinniang).

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