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Detective Dee: The Mystery of the Phantom Flame Em 689, na China imperial, Wu Zetian (Carina Lau) prepara-se para ser coroada a primeira imperatriz, com a inauguração de uma gigante estátua de Buda. Mas quando estranhas mortes ocorrem na construção, a imperatriz manda chamar o célebre Di Renjie (Andy Lau), há muito preso por a ter desafiado. Só que desde logo são feitas várias tentativas de assassinato contra Di, o qual terá de confiar no oficial Pei Donglai (Deng Chao), e na agente da imperatriz Shangguan Jing’er (Li Bing Bing), para o ajudar a resolver um mistério que esconde conspirações políticas e que pode ainda pôr muitas vidas em jogo.

Análise:

Produção dos Huayi Brothers, “Detective Dee: The Mystery of the Phantom Flame”, realizado por Tsui Hark, que em 2005 tinha realizado o também épico de artes marciais “Sete Espadas” (Qi jian) segue na mesma veia do realizador veterano no género, com um pé entre a aventura e o mistério, numa China antiga, faustosa vista por dentro, e dada a golpes palacianos.

Estamos no ano de 689, na dinastia Tang, e Wu Zetian (Carina Lau) vai ser coroada a primeira mulher imperatriz. As preparações decorrem com o ex-libris a ser uma gigante estátua de Buda, quando um dos arquitectos morre por combustão espontânea. Na sequência, o oficial que é colocado à frente da investigação morre do mesmo modo, quando o seu adjunto Pei Donglai (Deng Chao) interrogava um dos engenheiros, Shatuo (Tony Leung Ka Fai) em tempos preso por se rebelar contra a imperatriz. Preocupada, a imperatriz segue o conselho do Capelão Imperial, e manda soltar o conhecido detective Di Renjie (Andy Lau), há anos preso por ter conspirado contra ela. Logo à chegada à prisão, a enviada da imperatriz, Shangguan Jing’er (Li Bing Bing) assiste a uma tentativa de assassinato, mas consegue trazer Di com vida, para sofrerem novo atentado à chegada ao palácio. Começa a investigação com Di acompanhado de Jing’er e Pei Donglai, visitando o local da construção, onde Di desmistifica o lado supersticioso e aponta para um veneno dos chamados besouros de fogo, que se acende com a luz do sol. Depois de Di recusar juntar-se à rebelião do Príncipe Li (Yao Lu), a investigação leva-os à cidade subterrânea Phantom Bazaar, onde são de novo atacados, agora por uma figura que simula ser o Capelão Imperial, e encontram o pedinte Donkey Wang (Richard Ng), que se revela como o médico real (Teddy Robin Kwan) disfarçado. Com os caminhos a apontarem para o templo do Capelão, Pei toma a dianteira, mas é aprisionado, enquanto Di percebe que Jing’er é o Capelão, disfarçada. Os dois lutam, mas quando Jing’er desiste de matar Di, é atingida por setas envenenadas, e Di deixa-a seguir para o palácio, onde ela morre nos braços da imperatriz, também por combustão espontânea. Por fim, Di chega ao tempo do Capelão, encontrando Pei já envenenado, que lhe mostra as provas que incriminam Shatuo, que planeia fazer cair a estátua de Buda em cima da imperatriz no momento da coroação. Pei morre, e Di confronta Shatuo, sendo também envenenado, mas conseguindo desviar a queda da estátua, e envenenando também Shatuo, que morre ao receber luz do sol. Tendo salvo a imperatriz, Di adverte-a de que o exército rebelde do Príncipe Li virá contra ela. Em agradecimento, a imperatriz promete reinar de forma justa, enquanto Di se retira para as profundezas de Phantom Bazar, procurando a cura do veneno que tem no corpo e o impede de se expor à luz do sol.

Com uma forte componente mágica (venenos que levam a combustões humanas, transformações fisionómicas através do uso de agulhas no crânio, veados que agem como agentes de homens), “Detective Dee: The Mystery of the Phantom Flame” é mais um filme de mistério que de artes marciais. Estas acontecem em episódios marcantes, onde os vários protagonistas têm tempo para exibir a sua técnica (geralmente defrontando assassinos sem rosto), mas é na investigação detectivesca – com um Di que parece um primeiro Sherlock Holmes da história – que o enredo se define e avança.

Mortes misteriosas e de componente supersticiosa (as vítimas são acusadas de terem tocado indevidamente em faixas religiosas), põem a coroação da imperatriz – e com ela a sua própria vida – em causa. Daí chamar-se o melhor especialista – Di – mesmo que este estivesse aprisionado, o qual vai colocar a política de lado, mostrando uma dedicação sem limites à sua arte, ou talvez um ódio mortal aos crimes hediondos que o assassino misterioso (e que se vem a revelar ser um seu antigo amigo) pratica. A política está presente ao de leve (o facto de a imperatriz ser mulher; a sua frase de que para se ascender ao poder todos à nossa volta são dispensáveis; o papel de Shangguan Jing’er, dedicada assistente da imperatriz, e Capelão às escondidas, recusando-se a acreditar que também ela possa ser dispensável nos afectos da sua monarca; a traição do príncipe Li; e, claro, o passado de rebelião de Shatuo e Di, que ambos resolvem de modo diferente – o primeiro continuando a matar nas sombras (aliás, no sol) e o segundo redimindo-se, salvando a imperatriz e conseguindo aquilo que as armas e conspirações não conseguiriam: comover o coração dela, tornando-a justa e misericordiosa.

Mas é a componente de aventura que domina “Detective Dee: The Mystery of the Phantom Flame”, graças às interpretações exemplares, correspondendo às três presenças diversas e carismáticas, de Di, Jing’er e Pei, cada qual com interesses próprios que, não fosse o final fechado, e a total redenção de Di, fariam do filme quase um mistério noir, tais as agendas escondidas e desconfianças mútuas no trio. Apostando ainda nas famosas sequências de acção, com voos mágicos, movimentos coreografados e o empunhar de armas exóticas, Tsui Hark facilita um pouco com uma montagem de muitos cortes que não permitem o completo explanar da arte dos executantes. Também se pode apontar ao filme um uso demasiado intenso do CGI na definição de alguns espaços e cenários, retirando-lhes riqueza e profundidade. Ainda assim o filme destaca-se pelos valores de produção (estátuas de 80 metros, cenários em plataformas de vários andares), guarda-roupa, figurantes e toda a direcção artística, de grande fôlego, como habitualmente nestes filmes.

Como nota adicional, acrescente-se que o protagonista é, na China, um herói popular, baseado num antigo magistrado chinês do século VII, e com várias histórias em seu nome. No Ocidente, a sua figura gerou uma série de livros da autoria de Robert Van Gulik, publicados a partir de 1949, e em que é chamado “Juiz Dee”

Estreado em Veneza, “Detective Dee: The Mystery of the Phantom Flame” viria a triunfar sobretudo nos Prémios de Hong Kong, onde receberia 12 nomeações e ganharia em seis categorias incluindo Melhor Realizador e Melhor Actriz (Carina Lau)

Li Bing Bing em "Detective Dee: The Mystery of the Phantom Flame" (Di renjie: Tong tian di guo, 2010), de Tsui Hark

Produção:

Título original: Di renjie: Tong tian di guo/狄仁杰之通天帝国; Produção: Huayi Brothers / Film Workshop / China Film Co-Production Corporation / Xian Longrui Film And TV Culture Media Co.; Produtor Executivo: Zhang Dajun; País: China / Hong Kong; Ano: 2010; Duração: 124 minutos; Distribuição: Huayi Brothers (China), Lark Films Distribution (Hong Kong), Emperor Motion Pictures; Estreia: 5 de Setembro de 2010 (Festival de Veneza, Itália), 30 de Setembro de 2010 (China).

Equipa técnica:

Realização: Tsui Hark; Produção: Tsui Hark, Nansun Shi, Peggy Lee; Co-Produção: Bernard Yang; Argumento: Chang Chia-Lu [a partir de “Detective Dee and the Mystery of the Phantom Flame” de Lin Qianyu]; Música: Peter Kam, Wong Kin-wai (música adicional); Orquestração: ; Fotografia: Chan Chi-ying, Parkie Chan [como Chan Chor Keung] [fotografia digital]; Montagem: Yau Chi-wai; Design de Produção: Sung Pong Choo; Direcção Artística: James Chiu Sung-Bong, Chi Pang Terrance Chung; Cenários: Chou Tak Fu; Figurinos: Bruce Yu; Efeitos Visuais: Jiang Yanming, Phil Jones; Direcção de Produção: Ken Wu.

Elenco:

Tony Leung Ka Fai (Shatuo Zhong), Deng Chao (Pei Donglai), Carina Lau (Imperatriz Wu Zetian), Li Bing Bing (Shangguan Jing’er), Andy Lau (Detective Di Renjie), Richard Ng (Wang Lu, Antes da Transformação), Teddy Robin Kwan (Wang Lu, Depois da Transformação), Yao Lu (Li Xiao, O Príncipe), Liu Jinshan (Xue Yong), Jean-Michel Casanova (Embaixador Omíada), Sos Haroyan (Assistente do Embaixador Omíada), Jialin Zhao (Intérprete), Qin Yan (Jia Yi, Inspector de Construção), Aaron C. Shang (Shaizi), Wang Deshun (Xiazi Ling, Prisioneiro Cego), Mickey He [como Shenming He] (Guarda Prisional), Jiang Yanming (Cangalheiro), Huang Yonggang (Zhang Xun), Chen Xiao (Lu Li), Veronica Faye Foo [como Liz Veronica Foo] (Mulher de Jia Yi), Xu Nan (Camareiro), Chai Jin (Qiu Shenji), Shen Yingxin, Jiang Qian, Chang Chia-Lu, Cheng Hongjun, Jiao Xuehai, Lu Ming, Jia Jinghui, Yuan Zhengbing.

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