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Wie ein Vogel auf dem Draht Centrado em Birgitte Mira, actriz – e uma antiga cantora de cabaré – que já trabalhara com Fassbinder, “Like a Bird on a Wire” é uma espécie de espectáculo de variedades para televisão, inteiramente filmado em estúdio, no qual a actriz nos guia com algumas narrações sobre a sua vida e os seus maridos, com as quais intercala as canções que constituem o grosso do filme. Estas são canções de cabaré (ou interpretadas nesse estilo) e passam-se em cenários distintos, como o estúdio do citado programa, uma carruagem de comboio, um bar gay, uma passagem de modelos e um ginásio de culturismo.

Análise:

Habituado a dividir a sua carreira atrás das câmaras entre produções para cinema e televisão, Rainer Werner Fassinder teve no projecto “Like a Bird on a Wire” algo atípico mesmo na sua obra já de si diversificada e pouco convencional. Produzido para a WDR, o filme passa por ser essencialmente um espectáculo de variedades, com base em canções alemãs de cabaré – com as notáveis excepções do tema de Leonard Cohen que dá nome ao filme, e de uma versão de “Diamonds Are a Girl’s Best Friend”, popularizada por Marilyn Monroe.

Conduzido na íntegra por Brigitte Mira (que interpreta todo filme e canta todas as canções), “Like a Bird on a Wire” começa por ser uma espécie de produção de palco dentro do filme, na qual testemunhamos uma tradução em voo do tema de Cohen, para continuarmos para uma pequena narração, onde Mira nos leva a visitar o palco (com câmaras e aparelhos de filmagem à vista), falando-nos de memórias dos seus maridos, e usando-as para nos levar de canção em canção. O cenário muda várias vezes (sem qualquer aviso, nem justificação de estarmos em sequências que se liguem narrativamente à primeira ), e passamos sucessivamente para uma conversa com Evelyn Künneke numa carruagem de comboio, e depois para um café-concerto num bar gay, com acompanhamento ao piano. Segue-se uma apresentação numa passagem de modelos, e uma sequência num ginásio de culturismo (onde se vê uma foto de Arnold Schwarzenegger). Em todos eles Mira divide o tempo entre pequenas introduções, por vezes, em provocação aos ouvintes presentes no estúdio, e canções de cabaré, para terminar com ela sentada num sofá, agora a cantar Leonard Cohen.

Com um nítido olhar às convenções da vida nocturna dos clubes para homossexuais – a escolha dos temas, o jeito de cabaré, a caracterização dos ouvintes, o ginásio que expõe o corpo masculino, etc. – “Like a Bird on a Wire” é, ao mesmo, tempo uma homenagem a um certo tipo de clubes nocturnos, evocativos da vida boémia de décadas antes, numa narrativa que – embora vaga – é de nostalgia, tanto no exemplo da protagonista (com 65 anos), como nas histórias de amores passados. Há também uma clara tentativa de mesclar mundo real e ficcional, senão vejamos. Birgitte Mira começa por nos falar como se apresentasse um programa de televisão, e o estúdio pretendesse imitar a sua casa, mas logo de seguida o telefone toca, como se ela estivesse em casa, e é o marido que fala do outro lado. Com a amiga, na cena do comboio, falam ambas de interpretarem em bares de cavalheiros, e as sequências seguintes mostram interpretações, como se fossem exemplos da vida artística da protagonista, nos quais – mesmo havendo cuidado com a cenografia – não se omite a presença de câmaras e material técnico, para nos lembrar sempre que estamos num estúdio de televisão.

Curiosidade ainda para o colocar de uma foto de Fassbinder entre sequências, num espectáculo de variedades – mais que um filme – bastante evocativo da estética pop dos anos 70.

Brigitte Mira em "Like a Bird on a Wire" (Wie ein Vogel auf dem Draht, 1975), de Rainer Werner Fassbinder

Produção:

Título original: Wie ein Vogel auf dem Draht; Produção: Westdeutscher Rundfunk (WDR); País: República Federal Alemã (RFA); Ano: 1975; Duração: 43 minutos; Distribuição: Westdeutscher Rundfunk (WDR); Estreia: 5 de Maio de 1975 (RFA).

Equipa técnica:

Realização: Rainer Werner Fassbinder; Argumento: Christian Hohoff, Rainer Werner Fassbinder, Anja Hauptmann; Música:; Direcção Musical: Kurt Edelhagen; Fotografia: Gisela Eisenmann [Vídeo]; Montagem: Helga Egelhofer; Design de Produção: Kurt Raab; Cenários: Bernd Tillmann; Direcção de Produção: Willi Christophori.

Elenco:

Brigitte Mira, Evelyn Künneke.

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