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The Howling Depois de quase ser morta quando servia de isco para a captura de um assassino em série, a intrépida repórter televisiva Karen White (Dee Wallace) é enviada com o namorado Bill (Christopher Stone) para uma estância nas montanhas para recuperar do choque. Só que aí, não só começa a desconfiar do comportamento dos outros residentes, como começa a temer os estranhos uivos que se vão ouvindo à noite, e que descobrirá provirem dos seus companheiros de estância, que são na verdade uma comunidade de lobisomens, à qual pertence o assassino que ela ajudou a apanhar.

Análise:

Recentemente estreado na realização a solo com a ambígua proeza “Piranha” (1981), Joe Dante iria fazer carreira no cinema de terror do princípio dos anos 80, ganhando prestígio imediato com a sua versão do livro de Gary Brandner “The Howling”, publicado em 1977, e em que o mito do lobisomem voltava ao grande ecrã. Com uma produção independente, e alguns actores medianamente conhecidos, não deixou de haver um certo sabor de telefilme, nesta aventura em que o texto de Gary Brandner cedo ficou pelo caminho, numa adaptação muito livre de Terence H. Winkless e John Sayles, este último trazido por Dante para modificar a primeira versão do argumento.

Começando como uma espécie de investigação de um assassino em série, acompanhamos o voluntarismo da repórter televisiva Karen White (Dee Wallace), que se oferece como isco, quando o cerco aperta sobre o assassino. Mas nem tudo corre bem, e Karen acaba encurralada pelo criminoso, que a enfrenta com um aspecto monstruoso, antes de ser abatido pela polícia. O trauma psicológico de Karen leva o doutor George Waggner (Patrick Macnee) a aconselhá-la a um retiro numa estância alternativa que ele gere no campo. Só que aí, Karen começa a desconfiar dos outros residentes, e de ruídos que ouve à noite. É que a estância é local de retiro de lobisomens, que logo seduzem e atacam Bill (Christopher Stone), namorado de Karen, que vai passar a ser um lobisomem também. Na televisão, os repórteres Terry Fisher (Belinda Balaski) e Chris Halloran (Dennis Dugan), investigando a identidade do assassino, que descobrem chamar-se Eddie Quist (Robert Picardo), vão começar a encontrar pontas soltas, como o desaparecimento do seu corpo, e estranhas fixações dele com imagens de lobos. Encontrando uma ligação entre ele e a estância onde Karen está, seguem para lá, mas Terry acaba morta por Eddie, e Chris chega a tempo de salvar Karen, quando toda a estância se prepara para a transformar. Karen e Chris acabam por fugir, matando quase todos os lobisomens num incêndio, e Karen decide mostrar ao mundo este perigo real, exibindo a sua própria transformação perante as câmaras da televisão.

No mesmo ano em que veriam a luz do dia “Um Lobisomem Americano em Londres” (An American Werewolf in London), de John Landis, e “Cidade em Pânico” (Wolfen), de Michael Wadleigh, o mito do Lobisomem voltava pela porta grande ao cinema, aqui graças ao livro de Gary Brandner, que acabou por ser uma inspiração adaptada muito livremente. Quase como uma história híbrida, “O Uivo da Fera” sugere-nos ser um thriller criminal, que usa a noite urbana e o contexto televisivo de filosofia de alcova e corridas desenfreadas pelos 15 minutos de fama prontos a serem esquecidos no momento seguinte, como catalisadores, que evocam a sociedade moderna e as suas crises de valores.

Bebendo na inspiração da final girl que iria dominar o cinema de terror desta década, a história gira em torno da personagem de Dee Wallace, que começamos por ver na atitude corajosa de se entregar como isco para caçar um assassino (gesto altruísta, ou busca desenfreada da supracitada fama?), para a acompanharmos nos tormentos que se seguem quando vai parar numa comunidade de lobisomens que parecem ter como grande objectivo torná-la (e ao namorado) num deles.

Com um contexto subliminar de natureza sexual, é a fixação com Karen que estimula o assassino Eddie Quist, e é a sedução e consumação sexual que levam Bill a ser transformado, quando é a abstinência de Karen que a vai salvar e manter atenta ao perigo que espreita na escuridão. Junta-se a isso as cenas de transformação, que são muitas, onde Dante tenta impressionar o público com cada ameaça ou ataque a ser revestido de uma transformação facial tão medonha quanto asquerosa. Embora nada no filme chegue perto do que Landis faria em “Um Lobisomem Americano em Londres” (o que torna “O Uivo da Fera” um pouco menos conseguido aos olhos de hoje), vale-lhe a atmosfera de mistério e a vitimização constante da sua protagonista, para conseguir um ambiente opressivo, onde todos os lobisomens se mostram inquietante e coloridamente desajustados, do frio Dr. Waggner à nifomaníaca Marsha Quist (Elisabeth Brooks), passando pelo perigoso Eddie e pelo velho desajustado Erle (interpretado pelo veterano John Carradine).

Com fãs e detractores na comunidade cinéfila, o sucesso comercial de “O Uivo da Fera” (a que não é alheia a série de homenagens que o filme faz a clássicos do terror) cedo levou a que fossem pedidas sequelas. E, no bom estilo que se faria no terror dos anos 80, o filme de Joe Dante acabaria por gerar sete sequelas, enquanto Brandner publicaria mais dois livros sob o nome “The Howling” (1979 e 1985), que nunca seriam adaptados ao cinema.

Produção:

Título original: The Howling; Produção: AVCO Embassy Pictures / International Film Investors / Wescom Productions; Produtores Executivos: Daniel H. Blatt, Steven A. Lane; País: EUA; Ano: 1981; Duração: 87 minutos; Distribuição: AVCO Embassy Pictures; Estreia: Janeiro de 1981 (Avoriaz Fantastic Film Festival), 21 de Janeiro de 1981 (França), 15 de Outubro de 1981 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Joe Dante; Produção: Jack Conrad, Michael Finnell; Produtor Associado: Rob Bottin; Argumento: John Sayles, Terence H. Winkless [a partir do livro homónimo de Gary Brandner]; Música: Pino Donaggio; Direcção Musical: Natale Massara; Fotografia: John Hora; Montagem: Mark Goldblatt, Joe Dante; Direcção Artística: Robert A. Burns; Cenários: Steve Legler; Figurinos: Jack Buehler; Caracterização: Gigi Williams; Efeitos Especiais: Roger George; Efeitos de Caracterização Especiais: Rob Bottin; Efeitos Mecanicos Especiais: Doug Beswick; Animação Stop Motion: David Allen; Direcção de Produção: David C. Thomas.

Elenco:

Dee Wallace (Karen White), Patrick Macnee (Dr. George Waggner), Dennis Dugan (Chris Halloran), Christopher Stone (R. William ‘Bill’ Neill), Belinda Balaski (Terry Fisher), Kevin McCarthy (Fred Francis), John Carradine (Erle Kenton), Slim Pickens (Sam Newfield), Elisabeth Brooks (Marsha Quist), Robert Picardo (Eddie Quist), Margie Impert (Donna), Noble Willingham (Charlie Barton), James Murtaugh (Jerry Warren), James MacKrell (Lew Landers), Kenneth Tobey (Older Cop).

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