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Friday the 13th Vinte anos depois dos trágicos acontecimentos que levaram ao seu encerramento, o campo de férias Camp Crystal Lake vai voltar a abrir, agora sob direcção de Steve Christy (Peter Brouwer) que ultima a abertura com a chegada dos seus novos monitores, os jovens Ned (Mark Nelson), Jack (Kevin Bacon), Bill (Harry Crosby), Marcie (Jeannine Taylor), Brenda (Laurie Bartram) e Alice (Adrienne King). Quando a também esperada Annie (Robbi Morgan) não chega, por ser assassinada por alguém que lhe dá boleia, instala-se alguma insegurança, aumentada quando, uma após uma, as pessoas do campo começam a ser brutalmente assassinadas por um desconhecido.

Análise:

Até aí com alguns filmes desconhecidos, e com o crédito de produtor de “The Last House on the Left” (1972), de Wes Craven, Sean S. Cunningham viu em “O Regresso do Mal” (Halloween, 1978), de John Carpenter, a inspiração para a história que queria contar, e que se tornaria o modelo do então nascente slasher. Juntamente com Victor Miller, Cunningham escreveria a história de “Sexta-Feira 13”, com a qual conseguiriam atrair, pela primeira vez uma major de Hollywood – a Paramount Pictures – para este tipo de cinema, que ajudariam a tornar num dos maiores fenómenos de popularidade junto do público juvenil, ansioso por emoções fortes.

No Verão de 1958, no campo de férias Camp Crystal Lake, dois dos monitores, Barry (Willie Adams) e Claudette (Debra S. Hayes), são brutalmente assassinados, quando se envolviam sexualmente às escondidas. Vinte anos depois, na Sexta-Feira, 13 de Junho, o campo está para reabrir, quando Annie Phillips (Robbi Morgan) apanha boleia de um desconhecido, a caminho do campo onde será uma das monitoras, mas ao qual não chega por ser assassinada pelo desconhecido. No campo já trabalham Ned (Mark Nelson), Jack (Kevin Bacon), Bill (Harry Crosby), Marcie (Jeannine Taylor), Brenda (Laurie Bartram), e Alice (Adrienne King), e o dono Steve Christy (Peter Brouwer), que preparam tudo para a chegada dos hóspedes. Mas na noite chuvosa que se segue, os monitores começam a ser assassinados um por um. Jack é trespassado por uma seta na cama onde acabara de fazer amor com Marcie, a qual recebe uma machadada na cabeça. Brenda é atraída por vozes ao campo de tiro com arco, onde é atacada. Steven, que fora à cidade, ao regressar é esfaqueado. Alice e Bill, preocupados com os desaparecimentos dos outros, vão procurá-los, para os encontrar mortos, os telefones cortados, e os carros avariados. Bill vai surgir empalado em flechas, deixando Alice sozinha para receber um carro, de onde vem a mais velha Sra. Vorhess (Betsy Palmer) que conta que o seu filho Jason ali morreu afogado por negligência, em 1957, e por isso ela matou o casal responsável e continuará a matar, atacando Alice com uma faca. No confronto, Alice decepa a Sra. Vorhess com um machete, e passa o resto da noite a flutuar no lago numa canoa, sem coragem para voltar à margem. Quando a polícia chega, Alice sente-se arrastada para dentro de água pelo que ela crê ser o corpo em decomposição de Jason, sendo salva, mas advertindo todos «Ele ainda cá está!».

Partindo de uma ideia a que chamou inicialmente “A Long Night at Camp Blood”, e talvez então sem o adivinhar, Sean S. Cunningham criava em 1980 um clássico do terror para adolescentes, que rivalizaria com o anteriormente citado “Halloween” em número de sequelas e popularidade do assassino em série daqui saído. As duas séries teriam mesmo muitos pontos em comum, e estes são: um assassino que usa uma máscara para cobrir o rosto, cuja identidade é conhecida, mas irrelevante para a história; que mata indiscriminadamente, preferindo jovens, geralmente na fase da descoberta sexual; que mata sempre com arma branca, fazendo escorrer muito sangue; e que no final parece sempre ser morto, para voltar mais tarde, naquilo que vão, de filme para filme, começando a parecer poderes sobrenaturais. Focando-se sobre um grupo de jovens, em lugar isolado, com insinuações de relações sexuais, namoros, e conflitos normais na adolescência, o filme – tal como os que se seguiram em ambas as franchises e nas outras que a estas se colariam – ficou desde logo ligado à ideia da punição sobre a promiscuidade – algo que John Carpenter sempre negou tê-lo movido –, ideia com algum acolhimento na era-Reagan, e motivada mais tarde pela galopante crise da SIDA.

Na verdade, o popular Jason Vorhees nem sequer aparece neste filme, isto se excluirmos o epílogo que pode ter sido um sonho – numa sequência sugerida por Tom Savini (habitual colaborador de George A. Romero), inspirada pelo final do filme “Carrie” (1976), de Brian De Palma –, e que deixava a porta aberta às sequelas. Mas o imaginário do assassino sem rosto que mata sem que tenhamos culpa, tornando um retiro idílico em horas de sangrento pesadelo, estava lançado. O apelo do susto repentino, e o macabro das mortes violentas, funcionavam como aquele apelo ao riso exorcizante da tensão nervosa, que fazia o nervoso miudinho do suspense culminar numa catarse colectiva, que vinha já desde os tempos de “Psico” (Psycho, 1960), que Alfred Hitchcock tão bem soubera manipular.

É verdade que, apenas dois anos depois de “Halloween”, já se sente que se atingiu o limite em termos criativos, dentro deste sub-género, cujo único espaço para inovação poderá apenas provir do subir de tom no seu lado macabro e violento. De resto tudo são lugares comuns já cristalizados e prontos a serem repetidos até à exaustão nos filmes vindouros, onde não poderia deixar de faltar o elenco muito jovem (aqui com um Kevin Bacon em início de carreira), a famosa final girl (aquela que sobra para enfrentar o assassino, e eventualmente fazer a ponte para os filmes seguintes), e os tradicionais finais em aberto a sugerir continuidade no filme seguinte.

Apesar das limitações do argumento, a realização de Sean S. Cunningham é tensa e concisa, mantendo sempre o filme nos carris, valorizado pelos efeitos de Tom Savini e a escolha bastante grotesca de formas de mutilação e morte, onde o matar de uma serpente no início do filme (serpente verdadeira e morte verdadeira) serve como um pequeno aperitivo do que está para vir. Acompanhado de uma banda sonora arrepiante, falsos sustos e o sinistro louco (Walt Gorney) que tenta avisar dos perigos por chegar, os ingredientes acumulam-se para nos pôr os nervos em franja, e o resultado foi um enorme sucesso de bilheteira.

A popularidade de “Sexta-Feira 13”, bem maior nos Estados Unidos do que na Europa, onde foi imediatamente apelidado de filme derivativo, valer-lhe-ia a produção de nove sequelas (1981, 1982, 1984, 1985, 1986, 1988, 1989, 1993, 2001), as duas primeiras realizadas por Steve Miner, produtor do filme original, e a primeira delas repetindo a personagem de Adrienne King. Depois surgiria “Freddy Contra Jason” (Freddy vs. Jason, 2003), de Ronny Yu, o filme de cruzamento com a série “Pesadelo em Elm Street”, de Wes Craven. E, finalmente, em 2009, seria a vez do reboot “Sexta-Feira 13” (Friday the 13th), realizado por Marcus Nispel.

Adrienne King em "Sexta-Feira 13" (Friday the 13th, 1980), de Sean S. Cunningham

Produção:

Título original: Friday the 13th; Produção: Georgetown Productions Inc. / Sean S. Cunningham Films; Produtor Executivo: Alvin Geiler; País: EUA; Ano: 1980; Duração: 96 minutos; Distribuição: Paramount Pictures (EUA), Columbia-EMI-Warner (Reino Unido), PIC Distribuzione (Itália), Cinema International Corporation (CIC) (França); Estreia: 9 de Maio de 1980 (EUA), 13 de Março de 1981 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Sean S. Cunningham; Produção: Sean S. Cunningham; Produtor Associado: Steve Miner; Argumento: Victor Miller, Ron Kurz [não creditado] [a partir de uma história de Sean S. Cunningham e Victor Miller]; Música: Harry Manfredini; Fotografia: Barry Abrams [filmado em Panavision]; Montagem: Bill Freda; Direcção Artística: Virginia Field, Robert Topol [não creditado]; Figurinos: Caron Coplan; Caracterização: Katharine Vickers; Efeitos Especiais de Caracterização: Tom Savini; Efeitos Especiais: Steven Kirshoff; Direcção de Produção: Steve Miner.

Elenco:

Betsy Palmer (Mrs. Voorhees), Adrienne King (Alice Hardy), Jeannine Taylor (Marcie Cunningham), Robbi Morgan (Annie Phillips), Kevin Bacon (Jack Burrell), Harry Crosby (Bill Brown), Laurie Bartram (Brenda Jones), Mark Nelson (Ned Rubinstein), Peter Brouwer (Steve Christy), Rex Everhart (Enos, Motorista do Camião), Ronn Carroll (Sargento Tierney), Ron Millkie (Agente Dorf), Walt Gorney (Ralph Louco), Willie Adams (Barry Jackson), Debra S. Hayes (Claudette), Dorothy Kobs (Trudy), Sally Anne Golden (Sandy), Mary Rocco (Operadora), Ken L. Parker (Médico), Ari Lehman (Jason Vorhees).

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