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Forty Thousand HorsemenRed (Grant Taylor), Larry (Pat Twohill) e Jim (Chips Rafferty) são três soldados dos anzacs estacionados no Cairo na Primeira Guerra Mundial, à espera de serem chamados na investida para norte que libertará a Palestina da presença alemã e turca. Na primeira batalha, Red é ferido e salvo por o que ele pensa ser um rapaz árabe. Mas a sua salvadora é a rapariga francesa Juliet Rouget (Betty Bryant), que espia para o sheik Abu (Albert C. Winn), depois de o seu pai ter sido fuzilado pelos alemães. Quando os anzacs entra na aldeia onde vive Juliet, esta revela-lhe ser a sua salvadora, e os dois apaixonam-se. Mas ainda há uma guerra e muito sofrimento para vencer.

Análise:

Numa produção envolvendo uma colaboração entre o Departamento de Defesa da Austrália e soldados de divisões da cavalaria australiana, escrito, produzido e realizado por Charles Chauvel, surgia em 1940 o filme de guerra australiano “Forty Thousand Horsemen”, cujo objectivo era contar a pouco conhecida história dos «Anzacs» (corpo militar conjunto australiano e neo-zelandês), que lutaram no Médio Oriente, durante a Primeira Guerra Mundial.

O filme mostra-nos as divisões de cavalaria ligeira (assim denominada para caracterizar soldados a cavalo armados com espingarda) estacionada no Sinai, na sua progressão até Damasco, vencendo as dificuldades do deserto, e aventurando-se onde outras tropas aliadas não conseguiam vencer os alemães e seus aliados turcos. Começamos por ver como os alemães de Von Schiller (Eric Reiman) fuzilam todos os que pensam ser espiões, entre eles o vendedor de vinhos francês Paul Rouget (Harry Abdy), o qual consegue que a filha Juliet (Betty Bryant) se salve. Esta, vivendo em casa de Sheik Abu (Albert C. Winn), acaba a fazer serviços de espia, disfarçada de rapaz. É numa dessas missões que conhece e salva o soldado moribundo Red Gallagher (Grant Taylor), ferido na batalha de Romani. Mais tarde, Red, juntamente com os amigos Larry (Pat Twohill) e Jim (Chips Rafferty), conquistam a aldeia árabe onde vive Juliet, e é então que descobre que ela é o «rapaz» que o salvara. Os dois apaixonam-se e começam uma relação, mas logo os anzacs são chamados a lutar a batalha de Gaza, na qual Larry e Jim são mortos, e Red é preso. É mais uma vez Juliet que o salva, e Red junta-se à sua unidade, a tempo de lutar a batalha de Beersheba, derrotar alemães e turcos, e impedir que Von Schiller detone os explosivos que destruiriam toda a cidade.

Tratando-se de um filme sobre a Primeira Guerra Mundial, num momento em que decorria a Segunda, na qual a Austrália estava envolvida, não admira que “Forty Thousand Horsemen” seja uma obra de propaganda, onde, mais que dar a conhecer a realidade histórica sobre o tempo e episódios que se propõe tratar, o filme é sobretudo uma histórica romântica sobre a bravura e coragem dos anzacs e o bem que trouxeram nas partes em que actuaram. Atente-se logo no texto inicial que dá o mote e razão de existência do filme: «”The torch you threw to us, we caught and now our hands will hold it high. It’s glorious light will never die!” (A tocha que nos passaram, nós carregamos e agora em nossas mãos a ergueremos alta. A sua luz gloriosa nunca morrerá!).

Ao gosto do cinema comercial de então, “Forty Thousand Horsemen” é uma história ligeira, com drama q. b., mas principalmente com alguma aventura, um inimigo mostrado como selvagem e, claro, uma história de amor, onde a rapariga começa por ser uma pobre e triste órfã, amedrontada e sem rumo, para crescer ao conhecer os australianos, na vontade de os ajudar, salvar, e morrer por/com eles (isto é, pelo seu amado, interpretado pela estrela nascente no seu país: Grant Taylor).

Charles Chauvel – sobrinho de um oficial que lutara na guerra – filmou um teaser de batalhas no deserto, para assim conseguir financiamento, e a sua técnica ao filmar com quatro câmaras impressionou os produtores, que lhe adiantaram fundos para completar o projecto. Aproveitando os desertos de areia australianos para representar o Médio Oriente, o filme ganha muito com as longas (e perigosas) cavalgadas no deserto, e lutas em condições inóspitas, as quais rivalizam com a maldade dos soldados germânicos. Claro que tudo isto é enfrentado com boa disposição, alguns momentos de humor entre os soldados, o enredo da troca de identidades com Betty Bryant a surgir entre os soldados disfarçada de rapazinho, e claro, com os vários cânticos da cavalaria, como o famoso “Waltzing Matilda” que tornava cada jornada perigosa numa aventura gloriosa. A destacar está a referência final à Batalha de Beersheba, que ficou para a história como a última grande carga de cavalaria ligeira.

Apesar de um argumento sofrível, e interpretações sem grande chama, o ar simpático dos protagonistas, o sentido de aventura presente nos vários episódios e o fulgor patriótico que lhe guia os objectivos foram suficientes para que o filme tocasse os australianos bem fundo. Por essa razão “Forty Thousand Horsemen” tornou-se um clássico no seu país, onde foi um dos filmes mais famosos do seu tempo.

Imagem do filme "Forty Thousand Horsemen" (1940), de Charles Chauvel

Produção:

Título original: Forty Thousand Horsemen; Produção: Famous Feature Films; País: Austrália; Ano: 1940; Duração: 92 minutos; Distribuição: Universal Pictures (Australia); Estreia: 26 de Dezembro de 1940 (Austrália).

Equipa técnica:

Realização: Charles Chauvel; Produção: Charles Chauvel; Argumento: Elsa Chauvel [a partir de uma história de Charles Chauvel e E. V. Timms]; Música: Lindley Evans, Willy Redstone, Alfred Hill; Fotografia: George Heath, Tasman Higgins (exteriores), Capitão Frank Hurley (exteriores) [preto e branco]; Montagem: William Shepherd; Direcção Artística: Eric Thompson, J. Alan Kenyon (exteriores); Caracterização: Alec Ezard; Efeitos Especiais: J. Alan Kenyon; Efeitos Visuais: Garnett Lowry; Direcção de Produção: John Soutar.

Elenco:

Grant Taylor (Red Gallagher), Betty Bryant (Juliet Rouget), Chips Rafferty (Jim), Pat Twohill (Larry), Harvey Adams (Von Hausen), Eric Reiman (Von Schiller), Joe Valli (Scotty), Albert C. Winn (Sheik Abu), Kenneth Brampton (Oficial Alemão), John Fleeting (Capitão Gordon), Harry Abdy (Paul Rouget), Norman Maxwell (Ismet), Pat Penny (Capitão Seidi), Charles Zoli (Dono do Café), Claude Turton (Othman), Theo Lianos (Abdul), Roy Mannix (Sargento de Cavalaria), Edna Emmett (Bailarina), Vera Kandy (Bailarina), Iris Kennedy (Bailarina), Joy Hart (Bailarina).

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