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Shivers Numa ilha perto de Montreal, num prédio de luxo com tudo do mais moderno, evolui um condomínio fechado, onde a paz é perturbada quando o Dr. Emil Hobbes (Fred Doederlein) ataca a Annabelle (Cathy Graham), matando-a e esventrando-a, suicidando-se de seguida. Com o Dr. Roger St. Luc (Paul Hampton) a tentar perceber o que se passou, outros inquilinos mostram estranhos sintomas, como é o caso de Nick (Allan Kolman), que em convulsões expele um parasita pela boca, que vai atacar pessoas, provocando-lhes radicais mudanças de comportamento, enquanto o médico descobre que Hobbes experimentava com a implantação de parasitas no corpo humano.

Análise:

Depois de algumas curtas-metragens, de duas longas-metragens de baixo orçamento (e exposição) – nas quais já explorava obsessões e temáticas que passavam por ficção científica, sexualidade e horror corporal –, e de alguns trabalhos para televisão, o canadiano David Cronenberg ficou finalmente notado com a estreia do filme “Os Parasitas da Morte”, em 1975, resultado do seu encontro com o produtor Ivan Reitman.

Com argumento do próprio Cronenberg, a acção de “Os Parasitas da Morte” decorre num edifício moderno, em regime de condomínio fechado, onde o Dr. Emil Hobbes (Fred Doederlein) ataca uma jovem estudante sua, Annabelle (Cathy Graham), matando-a, esquartejando-a e, por fim, suicidando-se. Enquanto a administração do prédio tenta manter o ocorrido em segredo, o médico residente Roger St. Luc (Paul Hampton) é trazido para perceber o que se passa, contactando o colega de Hobbes, Rollo Linsky (Joe Silver), que lhe conta das estranhas experiências que Hobbes estava a fazer com parasitas que alteravam o comportamento humano, diminuindo inibições, e transformando homens e mulheres em seres de maior componente animal e sexual. Ao mesmo tempo, outro inquilino, Nick (Allan Kolman), anterior parceiro sexual de Annabelle, começa a demonstrar sintomas preocupantes, acabando por expelir de dentro de si um parasita, que rasteja pelo prédio e irá atacar outras pessoas. Uma por uma, as pessoas contagiadas começam a exibir comportamentos de predadores sexuais, contagiando todos aqueles que encontram numa epidemia que se transforma numa enorme orgia por todo o prédio.

Apanhando o cinema canadiano de surpresa, David Cronenberg conseguiu de um golpe, o mais rentável filme de sempre no seu país, enquanto se debatia o seu valor social, com o próprio Parlamento a manifestar-se contra o que chamavam o mau gosto de tal filme e história. Não podia ser mais auspiciosa a chegada do cinema de Cronenberg, um cineasta que procurou sempre provocar e mesmo enojar o seu público, com um imaginário visual ligado a perversões sexuais e explorações do limite do corpo humano, tecnologia e consequências psicológicas e sociais.

Se “Os Parasitas da Morte” é um filme que parece ainda cru, servido por um elenco de desconhecidos, e filmado sem qualquer pretensão de elegância, a verdade é que o filme é eficaz, numa história brutal, que não perde tempo com introduções nem formas de dourar a pílula, apresentando-nos imediatamente o enredo por aquilo que ele é: uma comunidade fechada à mercê de um parasita que transformará todos em predadores sexuais.

Para tal, Cronenberg não mede esforços, do horror visceral de movimentos dentro corpo humano ao ataque pelos parasitas, até à sua nojenta expulsão pelas bocas das vítimas, passando depois ao sexo onde vemos até crianças como predadoras de adultos indefesos e ambientes orgiásticos de vale tudo. O enredo é mínimo, e as várias personagens que vamos conhecendo (onde se conta a interpretada pela famosa Barbara Steele), são apenas pasto para os diversos ataques do parasita, e mais diversificados ainda ataques sexuais, que vão preenchendo o filme até não sobrar quase ninguém.

No final, pese o facto de hoje parecer algo datado, “Os Parasitas da Morte” prova como Cronenberg se tornava um mestre em criar ambientes partindo de histórias bizarras, fazendo muito com poucos recursos. Nele, no retrato de uma era, e nos comportamentos afectados daqueles que se procuram afastar dos males do mundo, numa residencial de cinco estrelas, altamente avançada, Cronenberg parece lançar a farpa de uma sátira, tal como a faz dos instintos humanos, da estranha relação entre sociedade moderna e sexualidade, e claro, do papel da experimentação científica. Tinha nascido um clássico, e uma carreira que marcaria a história do cinema de terror visceral.

Allan Kolman em "Os Parasitas da Morte" (Shivers, 1975) de David Cronenberg

Produção:

Título original: Shivers; Produção: Canadian Film Development Corporation (CFDC) / Cinépix / DAL Productions; Produtores Executivos: John Dunning, André Link, Alfred Pariser, Peter James [não creditado]; País: Canadá; Ano: 1975; Duração: 88 minutos; Distribuição: ; Estreia: 10 de Outubro de 1975 (Canadá).

Equipa técnica:

Realização: David Cronenberg; Produção: Ivan Reitman; Co-Produção: Don Carmody; Argumento: David Cronenberg; Supervisão Musical: Ivan Reitman; Orquestração: ; Fotografia: Robert Saad [filmado em Panavision, cor por DeLuxe]; Montagem: Patrick Dodd; Design de Produção: ; Direcção Artística: Erla Gliserman; Cenários: ; Figurinos: ; Caracterização: Suzanne Garand; Criaturas e Caracterização Especial: Joe Blasco; Efeitos Visuais: ; Direcção de Produção: Don Carmody.

Elenco:

Paul Hampton (Roger St. Luc), Joe Silver (Rollo Linsky), Lynn Lowry (Enfermeira Forsythe), Allan Kolman [como Alan Migicovsky] (Nicholas Tudor), Susan Petrie (Janine Tudor), Barbara Steele (Betts), Ronald Mlodzik (Merrick), Barry Baldaro (Detective Heller), Camil Ducharme (Mr. Guilbault), Hanna Poznanska (Mrs. Guilbault), Wally Martin (Porteiro), Vlasta Vrana (Kresimer Sviben), Silvie Debois (Benda Sviben), Charles Perley (Pessoa de Entregas), Al Rochman (Parkins), Julie Wildman (Miss Lewis), Arthur Grosser (Mr. Wolfe), Edith Johnson (Olive), Dorothy Davis (Vi), Joy Coghill (Mona Wheatley), Joan Blackman (Mãe no Elevador), Kirsten Bishop [como Kristen Bishopric] (Filha no Elevador), Fred Doederlein (Emil Hobbes), Sonny Forbes (Homem no Depósito do Lixo), Nora Johnson (Mulher na Lavandaria), Cathy Graham (Annabelle), Robert Brennen (Rapaz), Felicia Shulman (Rapariga), Roy Wittan (Homem Barbudo), Denis Payne (Primeiro Homem no Elevador), Kevin Fenlow (Segundo Homem no Elevador).

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