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The Serpent and the Rainbow Conhecedor em primeira mão, e estudioso das drogas e alucinogénios da tradição indígena sul-americana, o Dr. Dennis Alan (Bill Pullman) é contratado pelo magnata farmacêutico Andrew Cassedy (Paul Guilfoyle) para que vá até ao Haiti investigar o estranho caso de Christophe Durand (Conrad Roberts), morto em 1978, mas que se pensa ter voltado à vida. Com a ajuda da médica local Marielle Duchamp (Cathy Tyson), Alan vai encontar Christophe, e imiscuir-se nas lutas políticas das facções do ditador Jean-Claude «Baby Doc» Duvalier, começando a colocar em perigo a própria vida, e em dúvida as as suas crenças sobre as fronteiras entre vida e morte.

Análise:

Já com um volume de obras invejável no domínio de terror, e saído do seu maior sucesso até então, o excepcional “Pesadelo em Elm Street” (A Nightmare on Elm Street, 1984), o realizador e argumentista Wes Craven chegava ao final dos anos 80 como um dos nomes mais importantes do terror mundial da sua geração.

Continuando a tentar inovar num campo onde os clichés e a repetição são a palavra de ordem, Craven adaptava uma obra de Wade Davis num filme que trazia uma nova abordagem ao tema dos zombies. Indo beber na origem do mito, Craven transportava-nos ao Haiti, onde religião católica e superstição se misturam, e onde a crendice popular fala de regressos dos mortos ou de mortificação em vida dos amaldiçoados por quem tem poder sobre a magia voodoo.

É entre essas imagens e descobertas que se move o Dr. Dennis Alan (Bill Pullman), ele próprio já vítima de drogas e alucinogénios do Amazonas, e por isso com uma mente aberta para o muito que haverá para descobrir nas tradições e superstições de certas comunidades. A sua experiência leva a que o importante magnata farmacêutico Andrew Cassedy (Paul Guilfoyle) o envie ao Haiti para investigar o estranho caso de Christophe Durand (Conrad Roberts), um homem que morreu em 1978, mas aparentemente continua vivo. No Haiti, Alan procura a colaboração da médica local, Marielle Duchamp (Cathy Tyson), que lhe consegue o contacto com Christophe e o adverte das lutas pelo controlo do poder das facções políticas do ditador Jean-Claude «Baby Doc» Duvalier e seus tentáculos no mundo da droga e do voodoo, como exemplificadas pelo prepotente e cruel líder dos Tontom Macoute, Dargent Peytraud (Zakes Mokae), que é também um poderoso feiticeiro. Decidido a encontrar a droga que desacelera os processos vitais a ponto de simular a morte, Alan coloca-se sob a mira de Peytraud, e terá de lutar pela própria vida, e pela de Marielle, antes que os dois se tornem também zombies.

Em vez de seguir a via tradicional, Wes Craven traz-nos em “A Maldição dos Mortos-Vivos” um filme quase em jeito de aventura fantástica, e lembrar os mundos exóticos de Indiana Jones. Nessa via, Craven transporta-nos para o mundo colorido de selvas amazónicas e rituais pagãos haitianos, onde poder político se mistura com voodoo e as forças policiais actuam em aliança com a sugestão psicológica da crendice ou dos alucinogénios. Nesse mundo, a droga leva a alterações mentais, e diminuição de funções vitais, explicando o fenómeno zombie como um processo químico onde se mistura superstição.

Temos assim um herói clássico (Bill Pullman) que se passa a interessar pela dama a salvar (Cathy Tyson), enquanto procura, um tanto ou quanto ingenuamente, uma panaceia para a humanidade. Por ela (ou por elas) está disposto a correr todos os perigos, acreditando piamente nos mundos desconhecidos que tem de enfrentar. Estes trazem o terror do gore, de rituais coloridos, das execuções sumárias, das mortes macabras, do muito sangue que vai jorrando, da atmosfera pagã de de perigo e, claro, da paranóia constante com a ameaça da «zombificação» com exemplos de enterros em vida e consequência de uma vida de morto-vivo, aqui como sinónimo de perda de funções intelectuais.

Colorido, rápido, imaginativo, filmado com movimentos inteligentes, e cheio de referências e sugestões ligadas à crendice de certas partes da América, há em “A Maldição dos Mortos-Vivos” algo que recorda o bem mais popular “Nas Portas do Inferno” (Angel Heart, 1987) de Alan Parker. Em ambos o terror provém em boa parte do desconhecido, e do papel e medo do protagonista. Em ambos a atmosfera de folclore e gore assentam tão perfeita como desconcertadamente num género que em poucas ocasiões se liberta dos clichés mais gastos.

Produção:

Título original: The Serpent and the Rainbow; Produção: Universal Pictures; Produtores Executivos: Keith Barish, Rob Cohen; País: EUA; Ano: 1988; Duração: 98 minutos; Distribuição: Universal Pictures; Estreia: 5 de Fevereiro de 1988 (EUA), 13 de Janeiro de 1989 (Portugal).

Equipa técnica:

Realização: Wes Craven; Produção: Doug Claybourne David Ladd; Co-Produção: Robert Engelman; Produtores Associados: Victoria Kluge, David B. Pauker; Argumento: Richard Maxwell, Adam Rodman [a partir do livro de Wade Davis]; Música: Brad Fiedel; Orquestração: ; Fotografia: John Lindley [cor por DeLuxe]; Montagem: Glenn Farr; Design de Produção: David Nichols; Direcção Artística: David Brisbin; Cenários: Rosemary Brandenburg; Figurinos: Peter Mitchell; Caracterização: Michelle Bühler; Efeitos Especiais: Peter Chesney, Robin L. D’Arcy; Efeitos Visuais: Gary Gutierrez; Direcção de Produção: Juanita F. Diana, Jaime Piña Gautier.

Elenco:

Bill Pullman (Dennis Alan), Cathy Tyson (Marielle Duchamp), Zakes Mokae (Dargent Peytraud), Paul Winfield (Lucien Celine), Brent Jennings (Louis Mozart), Conrad Roberts (Christophe Durand), Badja Djola (Gaston), Theresa Merritt (Simone), Michael Gough (Schoonbacher), Paul Guilfoyle (Andrew Cassedy), Dey Young (Mrs. Cassedy), Aleta Mitchell (Celestine), William Newman (Médico Missionário Francês), Jaime Piña Gautier (Julio), Evencio Mosquera Slaco (Velho Xamã).